★ Para alguns, livro de ficção: Kama Sutra

Sade Quando Criança

por Ibrahim Cesar em 30 setembro, 2008

Sade era um diabo de inteligente. Na infância, mataram-lhe o pato de estimação. Sade comeu-o, na inocência, e vomitou-o ao descobrir-lhe a identidade. Ficou perturbado a ponto de perder a fome. Emagreceu tanto que a família pediu auxílio ao padre confessor. Este explicou ao menino as diferenças entre os homens e animais, na versão católica. Segundo o cura, nossa alma imortal, criados que fomos à imagem de deus, demanda respeito à vida, enquanto os animais, coisas, morrem de vez. Sade achou a explicação estúpida (tinha 9 anos), respondendo que se os homens viviam melhor depois da morte, não lhe parecia pecado matá-los, ao contrário dos bichos, finitos na carne. O padre sorriu com superioridade ante a lógica da criança. Cabe a pergunta: qual é a graça?

Paulo Francis | O Pasquim, volume I

Pois é. Qual é a graça?

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{ 4 comentários… leia-os abaixo ou adicione um }

1 Rafael Slonik 09.30.08 às 10:08

Quem disse que é engraçado?

2 Ibrahim Cesar 09.30.08 às 10:22

Rafael, ninguém disse, o padre sorriu, achando graça da lógica exposta, que, não tem graça em si (e se levarmos em conta algumas teorias do humor, o padre achou graça por em seu pensamento ser absurda a lógica do mesmo, mas não é).

3 Crownedvic 09.30.08 às 10:23

Vou arriscar expondo o que me veio à cabeça: a graça é o dogma do padre. Ele riu, com superioridade, porque embora pudesse até mesmo compreender que “o mais lógico” seria que as coisas fossem conforme Sade percebeu, há ‘verdades divinas’ que pretendem dar, definitivamente, a última palavra acerca de qualquer assunto.

O padre riu porque, diante da lógica de Sade, se impôs com seus dogmas que atropelam qualquer bom-senso. Provavelmente, deve ter respondido algo assim: “Tolinho! Você ainda tem muito o que aprender! A vida na terra é sofrimento, e está escrito isso e aquilo e blá blá blá… Além disso, estamos aqui para sermos testados, provados. O céu não pode vir de graça. Os animais podem morrer a qualquer momento, pois, se não possuem alma, então a vida deles só existe na terra e, esta, como diz “a palavra”, não vale nada.”

Bom, a impressão que tive no sorriso do padre foi essa. Uma graça muito pobre de graça, por sinal…

4 Peterson Espaçoporto 09.30.08 às 12:00

Sade é demais =D
Ainda quero ler os “120 dias”…

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