Posts com a Tag ‘11 de setembro’

Há 6 anos começava um novo século*

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Em 11 de Setembro de 2001 quando fundamentalistas islâmicos afundaram dois aviões em um cartão postal norte-americano ele colocaram um ponto final oficialmente no século americano, daquele dia em diante, apenas fomos testemunhas oculares e passivas de uma mudança histórica onde os Estados Unidos da América já não aparecem mais como onipotentes. E o nosso século? Será de quem? Eu aposto em um século chinês, mas deixo aberta a porta para um século europeu. O que acham?

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*Do ponto de vista do falso calendário, logicamente.

[tags]Declínio & Queda, 11 de Setembro[/tags]

Terroristas do Milênio de J. G. Ballard

sábado, 26 de maio de 2007

Lendo e adorando. Um tipo de história muito bem escrita e que realmente me motiva a virar página atrás de página. É quase um Palahniuk melhorado e com muito conteúdo. Enquanto Palahniuk usa-se de ?coros? (slogans que se repetem durante todo o livro), e uma prosa descritiva e simplificada ao máximo, J.G. Ballard demonstra ter preocupação com a forma e possui uma prosa bem mais elaborada.

Retirei ontem da biblioteca e estou na página 203, com planos de acabar suas 326 páginas ainda hoje. O que o aproxima de Palahniuk é a temática da revolução e da forma de tentar mudar as coisas. O que o distancia de Palahniuk é que o primeiro pode ser um bom contador de histórias, mas Ballard é um bom contador de histórias e um tremendo escritor e usa seu talento para falar de um revolução feita pela classe média.

Não há como não enxergar paralelos com o discordianismo nas ações praticadas por estes terroristas do milênio (eles literalmente combatem o século XX) ou estas pessoas do milênio (do título original). Destaco algumas das partes mais importantes:

??a idéia de deus como um enorme vácuo imaginário, o maior nada que o ser humano pode inventar. Não algo vasto, lá no alto, mas uma imensa ausência. Você disse que apenas um psicopata pode contemplar a ausência de milhões de casas decimais de zeros. O restante de nós trememos com o vácuo e precisamos enchê-lo com qualquer lastro disponível – truques do espaço tempo, velhos sábios barbudos, universos morais??

Sobre o século 20:
?Ainda anda por aí. Define tudo o que fazemos e nosso modo de pensar. Mas duvido que haja algo de bom a se dizer a respeito dele. Guerras genocidas,metade do mundo na miséria, outra metade andando como sonâmbulos, com morte cerebral. Compramos esses sonhos podres e agora não podemos acordar.?

Sobre o turismo:
“O turismo é o maior soporífero. Trata-se de um tremendo conto-do-vigário, dando às pessoas a idéia de que há algo de interessante em sua vida. É a dança das cadeiras ao contrário. Quando a música pára as pessoas levantam e dançam em volta do mundo, e mais cadeiras são acrescentadas ao círculo, mais marinas e mais hotéis Marriott, por isso todos pensam que estão ganhando. [...]Os turistas de hoje não vão a lugar nenhum. Todos os upgrades da vida levam aos mesmos aeroportos e resorts, à mesma cascata de piña colada. O turista sorri bronzeado, mostra os dentes brancos e pensa que é feliz [...] a ilusão de ir a outro lugar ajuda o sujeito a reinventar a vida dele. [...] Não há para onde ir. O planeta está lotado. Melhor ficar em casa e gastar dinheiro em cobertura de chocolate.?

Embora Ballard pinte um futuro carregado de cores sombrias, compondo uma bela tela distópica (o inverso de um utopia) ele não se acha pessimista, pois ?não é pessimista o sujeito que diz curva perigosa à esquerda?, e esta é a função de sua ficção que não é rotulada por ele como ficção científica. Além de escrever à mão ele acha que a ficção científica foi ultrapassada pois o futuro já chegou e foi pior do que imaginaram. Deixe-me voltar ao livro e à cobertura de chocolate.

Vá Além:
Terroristas do Milênio, J. G. Ballard

[tags]Terroristas do Milênio, J.G. Ballard, livros[/tags]

11 de Setembro & a Al-Qaeda

terça-feira, 8 de maio de 2007

Acabei de terminar o livro “O Vulto das Torres, A Al-Qaeda e o caminho até o 11/9″ de Lawrence Wright vencedor do Prêmio Pulitzer de não-ficção de 2007.

Não sei se o mesmo acontece com todos, mas eu descobri lendo este livro que eu considerava conhecer a época em que eu vivo por tabelinha, como se por osmose eu absorvesse a atmosfera do Zeitgeist e compreendesse o mundo… Mas não. Foi revelador conhecer as entranhas do fundamentalismo e ver como eles conseguem justificar teoricamente as atrocidades que fazem que são expressamente proibidas pelo Alcorão.

ÿ um livro muito bem escrito e pesquisado. A primeira parte é concentrada quase que 100% na formação intelectual e de contingente de organizações que mais tarde criariam a Al-Qaeda assim como a biografia dos principais líderes. A segunda parte transforma-se quase que em um thriller onde vemos um agente, O’Neill, tentando a todo custo prender Bin Laden antes dos ataques e que ironicamente morreu no ataque e de como a burocracia fez com que o 11 de Setembro não fosse evitado.

Olhem um trecho que trata das tão lembradas recompensas para os martíres:

O martírio representava ? queles jovens uma alternativa ideal a uma vida tão frugal nas recompensas. Uma morte gloriosa atraía o pecador, que seria perdoado, segundo a crença, ao primeiro jorro de sangue. Seu sacríficio poderia livrar setenta membros de sua família do fogo do inferno. O mártir pobre será coroado no paraíso com uma jóia mais valiosa do que a própria Terra. E, para os jovens provenientes de culturas onde as mulheres são mantidas afastadas, fora do alcance de alguém sem perspectiva, o martírio oferecia os prazeres conjugais de 72 virgens> as “huris de olhos negros”, como o Alcorão as descreve, “castas qual pérolas ocultas”. Elas aguardavam o mártir com festins de carnes e frutas e taças do vinho mais puro.

Bin-Laden possui um pensamento bem medieval sobre o mundo e considera-se o arauto do choque das civilações. Ele trata os Ocidentais como “cruzados”, como se as Cruzadas tivessem acontecido ontem. E em sua doutrina, todo infiéu deve ser morto, sem nem mesmo perdoar mulheres ou crianças. Trata-se mais profundamente de uma guerra entre a fé fanática, o fundamentalismo, a interpretação literal de textos “sagrados” contra a razão, os direitos das mulheres, democracia e muitos outros. Não me espanta que os caras do Irã tenham achado “300″ propaganda americana, pois na cabeça desse pessoal, a “América” representa tudo o que o Ocidente represente. Não enxergar isso é não ir além das aparências.

Um cartaz no Afeganistão é a epítome desse pensamento: “Atire a razão aos cães”. Notem ainda que o cão é desprezado na cultura islâmica. Algo que me causou uma preocupação profunda foi ler a seguinte declaração extraída de um manual de 180 páginas da Al-Qaeda chamado “Estudos militares sobre a jihad contra os tiranos”:

O confronto que preconizamos com os regimes apóstatas não conhece debates socráticos [...] ideais platônicos [...] nem diplomacia aristotélica. Mas conhece o diálogo das balas, os ideais do assassinato, dos atentados a bomba e da destruição, e a diplomacia do canhão e da metralhadora.

O que me faz lembrar de “A Fundação” de Asimov (aliás fundação em árabe é quaeda, “a fundação” = “al qaeda”): “A violência é o último recurso dos incompetentes”.

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Hitler Era Um Cara Legal ou Realidade para Otimistas Idiotas

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Obs: A Cabala não é filiada e nem mesmo simpatizante do Nazismo ou qualquer outra ideologia que trate as pessoas diferentes por questões de raça, credo e opção sexual como o cristianismo, o islamismo e o Ku Klux Kan. O título desta postagem remete ? uma atitude que será descrita abaixo. Leia antes de atirar a pedra, por favor.

A história é escrita pelos vencedores, e a seu modo.

Se Hitler não fosse um maníaco louco de um testículo só e fosse um novo Napoleão como almejava ser ele tinha uma chance de ter vencido a guerra. Se Hitler houvesse vencido a guerra, não se engane: Ele seria o cara legal..Encare isso: O sujeito era vegetariano, gostava da sua cachorra,era cristão e na juventude foi um artista. com a suástica ocupando o lugar que hoje é da bandeira americana e talvez a internet em que estamos agora nem chegasse a existir como é. Seria um mundo muito, muito diferente.Muitos escritores já debateram sobre o assunto e não quero ter que ser comparado a Philip K. Dick, vão direto ao homem.

Os Estados Unidos venceram a guerra e brincam com a história como se fosse massinha de modelar. Veja por exemplo o Maior Atentado Terrorista da História do Universo.O que vêm ? mente? 11 de Setembro? Se a resposta foi sim, então eles fizeram um bom trabalho. Colonizaram a nossa existência, na verdade eles possuem uma filial em cada uma de nossas cabeças.

Abra os olhos e contemple a verdade: o maior atentado terrorista de todos os tempos foi sem sombra de dúvidas as bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki. Porque este ato odioso que assassinou crianças as fazendo derreter da mesma forma que suas bonecas e matou milhares de inocentes é menos odioso e digno de repulsa do que os Nazistas fizeram em Auschwitz e a coisa toda? Morreram bem mais que no 11 de Setembro com certeza, senhor. Deixou uma marca profunda com os efeitos da radiação e continuou matando, lentamente desta vez, os habitantes de câncer. Deviamos desculpá-los por isso?

Quer algo mais recente?

Seus ataques “cirúrgicos” no Iraque desde sempre e na Somália dias atrás, dirigidos a atacar terroristas, destruiram apenas casas de civis, aleijaram crianças, destruíram hospitais da cruz vermelha, só levando mais dor e sofrimento para pessoas que tem tanto direito de viver como o gordão que come Big Mac e vai se matando lentamente como em “Super Size Me”, este gordão pelo menos teve a chance de escolher do que morrer.

Há algo de podre no reino da América.

O que dizer de uma nação que ignorou uma ordem da ONU e não foi punida, que está em uma guerra que já é pior do que Hitler.Eles ignoraram o Tratado de Kyoto. Eles ignoram tudo e todos. Não vai demorar muito até o petróleo acabe e eles sintam sede de outro líquido, H2O para variar e acabem olhando para a nossa tão amada,tão esquecida e negligenciada Amazônia.

O que podemos fazer?

Diga-me você.

Para Saber Mais:
O No Castelo Alto – Philip K. Dick
Hiroshima
Super Size Me

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[tags] declínio & queda,americanos,terrorismo,hitler [/tags]