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Como Ter Razão, parte 1

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

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Creative Commons License crédito: Barack Obama

Nesta série de postagens iremos retomar o fascinante campo da dialética erística. que é um nome pomposo e nebuloso para a arte de disputar de tal maneira que se fique com a razão subjetiva, ou seja, é como a música do Michael Jackson: “It doesn’t matter who’s wrong or right, Just beat it, beat it, Just beat it, beat it…“.

A arte de ter razão, ou dialética erística, é uma vasto campo de estudo. Envolve uma mente observadora, conhecimentos culturais, de jargões e termos e capacidade de improvisar. Relacionamentos (românticos, de amizade, rivalidade, de trabalho) são uma série complexa de jogos. E não importa se você está realmente certo ou errado, o que importa é sair dele estando com razão. Começarei mostrando as cinco formas de se responder a uma pergunta, de se abordar determinado assunto. E o motivo disso ser importante.

  1. Convenção; É o senso comum sendo utilizado como máxima irrevogável. Apresenta falhas óbvias de argumentação (Nem sempre o senso comum está correto, por exemplo, o senso comum em Cabul diz que as mulheres não podem dirigir carros e ponto final), mas por ser “familiar” é usualmente aceita como resposta para a maior parte das perguntas. Outras vezes peca pela profundidade , mas sempre é bem convincente (Houve inundação pois choveu muito).
  2. Explicação Técnica; É a boa e velha explicação dos cientistas na televisão ou de um técnico falando sobre um desabamento. Empregando-se de jargão técnico e com um raciocínio mais correto, porém é dificilmente levado em conta em qualquer debate onde moral e ética sejam a grande disputa, pois como toda boa ciência, um discurso técnico nunca é uma opinião definitiva sobre determinado assunto (Na discussão do aborto, por exemplo, de pouco ou nada adianta uma explicação de quando a vida começa pois é considerado assassinato aos olhos de [sic] deus).
  3. Códigos; É quando se invoca regras, códigos morais universais, leis e regras implícitas que são evocadas e terminam por não explicar nada, pois sua função é encontrar culpados, nomeando seus crimes e erros através de tais códigos. É praticamente uma manobra de discurso onde ao utilizá-la você tenta desacreditar todo o outro discurso (Você poderia dizer que o aborto é proibido pelas leis federais do país e em muitas culturas e que há um bom motivo para isso, o que, subentende-se que o outro está errado, é um pecador, criminoso, etc).
  4. Ritualísticas; É a invocação de poderes sobrenaturais, religiosos ou de qualquer outra explicação que exoneram quaisquer culpa ou motivação humana. Pode até mesmo vir em conjunto com outras explicações (Por exemplo, um técnico poderia dizer como uma barragem rompeu com a fúria da água e depois afirmar que não havia forma da inundação ter sido evitada pois a força água atingiu proporções gigantescas), no entanto é mais comum vê-la em frases simples e estúpidas por reduzirem tudo a apenas um fator (AIDS é a fúria de deus contra os pecadores).
  5. Narrativas; Neste tipo de explicação contamos uma história, há é claro, grandes falhas neste tipo de explicação: Através de uma história particular espera-se retirar conclusões que façam sentido universalmente ou manipula-se a narrativa para que esta leve a conclusões que se espera obter (Um exemplo clássico: Regina, 27 anos, uma menina feliz, estudou muito para chegar a este dia em que ela descobriu o câncer. Ou chegaria. Regina foi abortada por sua mãe e jamais nasceu, etc), o que não descarta usos legítimos do método (Outro exemplo clássico: Usa-se histórias de jovens e seus destinos trágicos ao se envolverem com drogas, prostituição, etc a fim de educar os jovens).

Por que é importante saber que existem cinco formas de se abordar um assunto? Pois o modo mais efetivo de confrontar qualquer pessoa com quem dispute a razão é abordar o tema de outra forma. Se alguém vier com Ritualísticas, use uma Narrativa ou Explicação Técnica ou vice e versa, e assim por diante.

Outro fator muito importante ao escolher a forma de abordagem: Ao entrar em uma disputa pela razão, você não mudará a opinião do seu antagonista. Na verdade estudos psicológicos sérios tem demonstrado que os seres humanos competem entre si mesmo quando divididos em times arbitrários como “azul” e “vermelho” e não se tenha objetivos ou recompensas claras. Ou seja, se estiver em um debate com alguém o que ocorrerá será o inverso, a sedimentação maior de cada um às afirmações que defendem, logo o seu enfoque de persuasão deve ser aos outros que estão no recinto, ao seu “público”, ou algo que deixe o outro sem palavras. Por isso, ao escolher a forma de abordagem deve-se levar em conta o tipo de pessoas que estão ali. Em uma igreja, Narrativas e Ritualísticas são os mais efetivos. Assim como Explicações Técnicas são bem-vindas em debates científicos e Convenção é ótima com um grupo homogêneo de pessoas.

Em futuras postagens abordarei algumas estratégias e manobras para se usar a fim de ter a razão.

Reductio ad absurdum

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Convoco alguns blogs à um meme, que deve ser respondido e passado a diante para outros novos blogs (três é bom :D ). O meme consiste em mostrar três situações, fatos ou conclusões e tentar mostrá-los como absurdos. Pode-se (e aqui a prática é encorajada) expor as respostas de outros participantes do meme! Não faz-se necessário que sejam absolutamente absurdos. Aos seus postos, começa o jogo da contradição.

Esta é a diretriz dada por Scheider o Discordiano-Que-Fala-Esperanto dada no meme corrente: Absurdo

Aqui vão as minhas reduções (aliás, manobra de debate predileta)

1. “Se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo.”

Essa foi dita recentemente pelo Presidente Lula. Quem diria! Lula usa o bom e velho “reductio ad absurdum” aqui ao usar um exemplo extremo que ridiculariza como absurda a proposta. Sem qualquer juízo da questão, há muitas pessoas que acham o contrário e não estou querendo dizer apenas de “presos”. Já que o “se porrada educasse as pessoas…” é usado por país ao redor do país com seus filhos. Olhem o que eu ouvi um dia desses:

“Pára de chorar! Pára de chorar! Se não vou te bater até sair em sangue!

Será que podemos considerar isso uma redução ao absurdo para a criança cooperar ou…?

2. “Brasileiro é…”

Geralmente uma redução ao absurdo é um argumento deliberadamente utilizado apenas com o objetivo de atacar a idéia que se espera combater. Mas uma generalização boba que faz de um vício de certas pessoas uma regra universal que vale para pessoas nascidas em uma delimitação geográfica e criados em culturas extremamente diversas é um ataque à inteligência de qualquer um. Sempre que ouço algo como “os brasileiros são…” eu sei que lá vêm besteira. O velho “senta que lá vêm história” do Rátimbum. É uma espécie de sabotagem por redução ao absurdo do próprio interlocutor, o que funciona muito bem em sátiras.

3. Monstro de Espaguete Voador

Não gosto quando citam o Monstro do Espaguete Voador como uma coisa nova em termos de religião sátirica. Temos tantas anteriores como o discordianismo, até mesmo os sodomitas dos Subgênios, mas como estou mais prestando homenagens a reduções ao absurdo, o Monstro de Espaguete Voador é exatamente isso. Foi criado por Bobby Henderson, usada para parodiar os esforços dos criacionistas e crentes no design inteligente, que pregam o ensino de tais teorias nas aulas de ciência, ao invés da teoria da evolução. Seu fundamento é que, dados os argumentos usados pelos criacionistas e apoiadores do design inteligente, sua teoria descompromissada considera um ‘monstro de espaguete voador’ como criador do mundo sendo uma alegação igualmente legítima para um lugar no currículo científico. Esse é um bom exemplo de uma forma débil de redução ao absurdo, uma vez que não evolve uma contradição formal. Alguém poderia alegar dizendo que o criacionismo e o “monstrismo-do-espaguete-voador” (ou “Pastarianismo”) deveriam de fato ser considerados nas escolas,essa posição afrontaria a maior parte das pessoas como um absurdo (e essa é a intenção de Henderson), mas ela é, ao menos, internamente consistente.

Quem é o próximo?

Vou deixar aberto aos três primeiros que comentarem e expressarem o desejo de participar.

Gerador de Improbabilidade Infinita
Reflexões e perda de tempo
Parem o Mundo


Creative Commons License crédito: nep