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Onde buscar idéias para os Posts?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

O blog português 2.5 me convidou para um meme corrente com o tema, Onde vou eu buscar as idéias para os Posts?.

Essa é uma pergunta estranha. Há alguém que não tenha idéias? Quero dizer, pelo menos quem me conhece pessoalmente, sabe que os assuntos que tratam aqui são um reflexo de minhas conversas diárias e cotidianas. São os assuntos que me fazem pensar. Ou coisas com que eu encontro na internet e me fazem rir muito ou refletir.

E nem mesmo 10% das minhas idéias para postagem chegam a se materializar. O Rev. Tiago Madeira sabe um pouco do que eu estou falando. Sempre digo algum “projeto” meu, como um “supertrunfo” de Deuses e Filósofos ou um outro projeto com “Carma” no nome. Coisas que eu só rascunho e nunca cheguei a completei.

Interrompemos a postagem para uma pequena convocação: Quem fizer um template de super trunfo para que eu possa colocar os atributos e a foto, ficaria imensamente agradecido e dividiria a autoria. Obs: Tem que ser em algum formato livre. Agora, fique com o restante da postagem.

Sei que é uma resposta capenga mas é o que acontece aqui. Como o 1001 Gatos não é voltado a noticiar coisas ou apresentar grandes novidades e sim a desvender o grande enigma do mundo e da existência, nós podemos nos desprender um pouco de nosso contexto histórico. Porém desde o Teorema de Gödel, sabemos que um sistema jamais pode ser descrito com exatidão pois estar contido no sistema que tenta descrever, logo, que tal tarefa está fadada ao fracasso assumimos uma atitude franco-atiradora, um abandono de qualquer enciclopédica, para um mosaico de vislumbres. Um humor ontológico dirigido a qualquer instituição humana, pois da madeira torta da humanidade jamais há de se fazer qualquer coisa verdadeiramente reta, e isso é muito engraçado. Tomamos de assalto o Estúdio da Realidade e refazemos o Universo! (não sei ao certo quantos autores eu roubei nas últimas frases mas dizem muito sobre a postura do 1001).

Sempre digo que tenho 1001 i.p.m, idéias por minuto, e sempre achei que todos compartilham essa qualidade, a diferença é o exercício da mesma. Alguns parecem ter se livrado mais dos freios da razão e do bom senso do que outros. Mas acho que há um potencial criativo dentro de cada um. É o que eu acho.

Como manda a tradição, fica aqui 3 blogs para dizerem de onde tiram suas idéias de postagens:

Sócio Fusão; Schneider e John, revelem seus segredos!

PortalCab.com; poucos blogs são como este em que cada postagem realmente tem ótimo conteúdo, mesmo quando é sobre qualquer banalidade.

Fotografia Center; o Dudu pode nos dizer suas motivações e inspirações para fotografar, seria interessante!

—–

E agora, para algo completamente diferente:

O blog Absurdioso também nos presenteou para participar desta corrente de “É um blog muito bom sim senhora!”.

Obrigado pela menção!. Aqui irei indicar blogs “muito bons, sim senhora”, que eu, Rev. Ibrahim Cesar, considero como tais, sem qualquer ordem em particular:

Ressaca Moral; quando eu disse que era em “sem qualquer ordem em particular” eu menti, já que este é o meu blog predileto de todos os tempos. Toda postagem que eu faço aqui é uma tentativa canalha e sem vergonha de imitá-los. Mas jamais chego perto, afinal não tenho um Messias Jardan no meu time.

Orkuticídio em Massa para Adoradores de Pizza; entre os mais de 23 motivos que poderia citar, por que o mascote deles é o Garfield e este não deixa de ser um dos 1001 gatos. Rá!

Megalopolis; um blog que além de ter milhões de comentários é realmente interessante.

Esse é o pódio olímpico dos blogs, que esta semana, considero “blogs muito bons, sim senhora”. E senhores também, é claro.

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Creative Commons para Idiotas

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Resolvi abordar a licença com que eu disponibilizo todo o conteúdo ORIGINAL, CRIADO pelos escritores desde blog, a fim de esclarecer os termos que muitos parecem ignorar. Eu costumo ignorar cópias dos textos do 1001 Gatos, mas quando alguém está se passando por criador ou fazendo uso comercial, é um desrepeito ao meu trabalho intelectual. E eu sou bonzinho, deixo você fazer muita coisa com o conteúdo do blog que muitos não permitiriam. Se você quer utilizar de alguma forma o conteúdo do blog, aprenda a forma como deve ser feita:

Veja a licença aqui.

O utilizador pode:

Copiar, distribuir, exibir e executar a obra

Você pode copiar uma postagem e colocar no Orkut, em um fórum. Mandar por e-mail. Imprimir para queimar. Imprimir para criar um livro, um arquivo, etc. Na verdade esta aqui é seguida por qualquer um, a diferença é que eles se esquecem de que elas valem sob algumas condições como veremos a seguir.

Criar obras derivadas

Esta é uma que eu NUNCA vi (note que EU nunca vi, o que não implica dizer que não existe). Ninguém nunca criou uma obra derivada de algo que criei ou sei fazer parte dessa licença. O que isso significa na prática que você pode ver uma postagem aqui e sentir que faltou algo e inclui-la na sua própria versão.

Sob as seguintes condições:

É como um jogo. No futebol você pode marcar um Gol desde que não esteja impedido, não tenha utilizado as mãos e não tenha feito uma falta. Aqui é a mesma coisa. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar e criar obras derivadas desde que siga as diretrizes abaixo.

Atribuição

Você NÃO pode pegar a obra e colocar seu nome como autor. O utilizador deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante. Pois bem, esta é a forma especificada pelo autor ou licenciante: Título da Postagem (com link), no 1001 Gatos de Schrödinger (também com link). Siga esse modelo, sem os parênteses, mas seguindo o que neles está escrito.Entendeu?

Uso Não-Comercial

Isso não significa apenas que você não pode imprimir os artigos do blog e vender. Também significa que você não pode fazer um blockbuster com ele. Também significa que você NÃO pode copiar o conteúdo deste blog e colocar em uma página com Adsense, Hotwords, banner do Submarino ou qualquer outra coisa que direta ou indiretamente fará você ganhar alguma coisa – qualquer coisa. Se você não está pagando pelo conteúdo também não pode receber por ele, certo?

Partilha nos termos da mesma Licença

Se você fizer qualquer uma das coisas que você pode fazer (e seguir as duas acima), você deverá disponibilizar o que você fez na mesma licença. Ou seja, não pode seguir tudo e estampar o “Todos direitos reservados”.

Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que obtenha permissão por parte do autor. Ou seja, se nós autorizarmos você pode vender um livro com o conteúdo de nosso blog e ainda retirar a licença Creative Commons do mesmo. O gesto que fazemos ao adotar a mesma é permitir uma cultura livre, não-exploratória e que promova os criadores. Só isso.

Se ainda assim tiver dúvidas, por favor, entre em contato pela Glândula Pineal.

Pequeno Guia para Fingir Inteligência

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

Pintura

Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem deus.

Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público. E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”.

Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.

Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

Filmes

Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai).

Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e qualquer cara francês.

Citações

Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.

Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafiie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.

Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes e a unanimidade: Confúcio.

Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”.

Filosofia

A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levarmos a lugar nenhum”. O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.

Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversa e critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.

Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.

E se tudo isso falhar, tente ser engraçado.

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Após isso, leia a segunda parte deste guia, clicando aqui.

Escrevendo uma Novela

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Estou escrevendo uma novela. Minha inspiração é o autor de Duas Caras…Não! Antes de mal-entendidos, o que diabos eu quero dizer com novela:

E a Wiki diz:
Novela em português é uma narração em prosa de menor extensão do que o romance. Em comparação ao romance, pode dizer-se que a novela apresenta uma maior economia de recursos narrativos; em comparação ao conto, um maior desenvolvimento de enredo e personagens. A novela seria, então uma forma intermediária entre o conto e o romance, caracterizada, em geral, por uma narrativa de extensão média na qual toda a ação acompanha a trajetória de um único personagem (o romance, em geral, apresenta diversas tramas e linhas narrativas). Etimologicamente, folhetins televisivos de longa duração deveriam ser chamados em português de telerromances, mas o termo de origem espanhola já está consagrado: telenovelas.

Não é nada diretamente ligado a discordianismo. Não ia escrever sobre a maldita enquanto não tivesse acabado. Mas eu precisava colocar aqui. Estou nas 23 mil palavras de por volta de 60 mil que eu acredito ser a dimensão total. Terminei o primeiro ato minutos antes de começar a postar no blog a fim de não negligencia-lo tanto.

Blog x Livro

Escrever um livro não é fácil. Antes eu achava que se você consegue escrever um blog, logo conseguiria escrever um livro. Não acho mais que seja assim. Precisa-se de uma disciplina maior. Um livro também não é um amontoado de vídeos, piadas e impressões do cotidiano que são escritas em cinco minutos. Se você faz isso em um blog está ótimo. Alguém entra, se diverte. Serviço bem-feito. Em um livro há uma preocupação maior.

Temas

Não sei se o que estou escrevendo se enquadra em uma ficção-científica. Não há nada de naves, laser ou mesmo “ação”. Mas passa-se em um futuro próximo, daqui a cinco anos. O motivo dessa ambientação é para causar um efeito de que um efeito que será vital para a trama aconteça no momento que o leitor está lendo (dentro da história ele se passa a cinco anos atrás, logo, passa-se no ano em que se lê a história). Estou preocupado em não contaminar ideologicamente a história com minhas visões. O que é um bocado complicado, para não dizer quase impossível. Alguns dos temas são: livre-arbítrio, morte, propósito da existência e mais especificamente em uma exploração do Teorema de Thomas (só existe fonte em inglês, aqui).

Só acredito em um deus que saiba dançar

Eu não sou um sujeito que dança. Todas as festas que participei eu ficava parado, olhava em volta e não entendia como as pessoas conseguiam dançar. Havia um trecho na novela que estou escrevendo, em que os dois mundos (pessoas como eu x pessoas que gostam de dançar) colide. Mas eu não tinha idéia nenhuma de como se sentia quem dançava, por que o fazia, e se aquilo era realmente bom. Então, de sexta para sábado, eu e alguns amigos meus fomos em um desses lugares onde há bar, música ao vivo e também DJ. Eu nunca tinha saído. Não sabia como me comportar ou como agir. Para quem dorme normalmente às 9, 9 e meia foi difícil ter que esperar me buscarem às 10 e meia em casa!

O resultado foi que cheguei em casa às 6 da manhã com as pernas doloridas, dor esta que somente me recuperei hoje, terça-feira. No inicio eu não me senti à vontade, nenhum pouco. Havia tantas garotas extremamente bem vestidas, dançando como se nada mais no mundo importasse e eu sendo estimulado por alguns a dançar. Lembro de olhar aquele mar de pessoas e desejar uma nova praga. E também de ter dito: “Não acho que alguém aqui queira discutir Nietzsche ou Schopenhauer”. Tinha uma personagem minha que adora dançar. Não sabia ser sincero ao escrevê-la. Lembrei de “Dance Dance Dance” de Haruki Murakami. E, cada vez que eu me lembro não se parece nenhum pouco com memórias minhas, eu acabei dançando. Dançando o eletro-pop como um robô de 1984, mas mesmo assim dançando.

Nem mesmo precisei beber álcool para me soltar igual alguns prescrevem. Tudo o que eu tomei foi coca-cola, guaraná e água mineral. E me diverti de montão, adorei cada minuto. Aprendi como é ser uma pessoa que eu normalmente não sou. Um dos melhores dias de minha vida com certeza. E o melhor: ainda vou poder usar aquela experiência como material de referência.

Mal posso esperar por mais. Tanto da novela quanto dessa experiência dançante!

Carta aberta à Charlie Kaufman

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Há anos Sr. Kaufman que eu venho escrevendo e reescrevendo esta carta. Finalmente, graças ao apoio de amigos e familiares eu criei coragem de publicá-la.

Quando o Sr. lançou “Quero Ser John Malkovitch” em 1999 eu tinha apenas 13 anos e não percebi na época o plano sórdido que o Sr. começara a fazer. Eu tinha 13 anos pelo amor de Éris, como pôde fazer algo assim comigo? Todos acham que aquilo de entrar na cabeça de outra pessoa é só uma brincadeira, mas nós sabemos não sabemos Sr. Kaufman que não é totalmente mentira. Não daria para fazer um filme sobre um roteirista que entra na mente de um garoto de 13 anos brasileiro, certo? Mas por quê continuar entrando e usando a minha, MINHA, maldita vida como material para seus filmes?

Em 2001 saiu “A Natureza Quase Humana” você deu uma ou outra esquivada, mas mesmo assim usou…Justo aquilo! Não conseguiria descrever a dor minha e de meus familiares ao ver que o Sr. uaou justo aquilo em seu filme. E as pessoas riem!

Em 2002 veio “Confissões de Uma Mente Perigosa” onde você teve que adaptar um livro então não precisou usar a minha vida. Ah…Mas teve “Adaptação” e nós dois sabemos exatamente do que estamos falando. Na verdade eu achei no mínimo irônico você ter se colocado lá e criado até mesmo um irmão gêmeo Donald, gostei da forma como o Sr. zombou do fato de que o Pato Donald era meu amigo de infância. Obrigado por ter zombado o meu conto policial que escrevi para a aula de redação, como você o chamou mesmo? “The 3″, certo? Não podia ter citado o título original “The 5″? O enredo é o mesmo, os clichés e a coisa de “não há nada mais manjado do que…”.

Se você me odeia, simplesmente deixe de entrar na droga da minha cabeça Sr. Kaufman pois eu não gostei de ver o que o Sr. fez com meus pensamentos em “Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças”. Foi em 2004 que o Sr. mostou ao mundo como eu me porto com mulheres naquela cena da estação, fez o favor de dizer que eu “me apaixono por qualquer mulher que me dê um mínimo de atenção”. Eu me lembro perfeitamente do dia em que ponderei sobre existir alguma agência que eliminasse memórias das pessoas, o Sr. também afinal estava lá. Lembro de que na minha imaginação se chamava “Lethe Inc” que é o rio do esquecimento do mundo dos mortos gregos. Mas você sempre tem que mudar os nomes, talvez isso o faça se sentir como se estivesse realmente criando algo e não roubando da mente de alguém, certo?

Hoje, após 8 anos dessa estranha relação, eu lhe peço Sr. Kaufman, PARE DE ENTRAR NA MINHA MENTE! Não me use como modelo para seus enredos, não faço piada com a minha vida!

[tags]carta aberta,Charlie Kaufman, Ficcionáutica[/tags]

Quer acabar com seu dia? Leia “Uma Vida Interrompida”, Alice Sebold

terça-feira, 29 de maio de 2007

Não posso dizer que o dia estava péssimo. Na verdade estava bem divertido. Passei um tempo conversando com o Rafael, e estamos bem próximos de descobrir uma fórmula da felicidade, mas é claro, só revelaremos a um preço bem caro. Desliguei o computador para ir até a biblioteca que é mais ou menos perto de casa. Fui devolver o volume de “Terroristas do Milênio” que falava sobre atos de violência aleatórios e sem sentido que acabam criando um sentido…A melhor forma para explicar isso é se eu dissesse que no livro existe uma forma de terrorismo que acha o terrorismo uma operação mindfuck. Devolvi o livro e fui dar uma olhada nos livros expostos e vejo o volume de “Uma Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado”.

Imediatamente reconheci como sendo o livro que Peter “Senhor dos Anéis” Jackson iria adaptar depois de King Kong, ou pelo menos, o que um boato dizia ser. Me lembrava de que o livro era sobre uma garota assassinada que vê sua família do céu. Me senti morbidamente atraído e interessado. Voltei para casa lendo o livro e cheguei aqui destroçado.

Por quê? O primeiro capítulo é a narração em primeira pessoa do estupro de posterior assassinato e desmembramento da protagonista (Susie Salmon, 14 anos). Mas longe de ser um livro pessimista, dramático e bem vocês entenderam. É um livro leve e estranhamente divertido. Quando se questiona por que não fez algo diferente no céu é aconselhada:

“Não fez e pronto. Não fique quebrando a cabeça. Não adianta nada.Você morreu e tem de aceitar isso”.

Eu estou chocado com a violência do livro e inclinado a abraçar causas feministas. Pelo que eu li no prefácio chegou a ser best seller e eu nem tive notícia dele. Acho que foi melhor desta forma, afinal eu o peguei sem expectativas, sem idéias pré-concebidas. Aliás, é essa a melhor forma de se ler um livro.

Só li 100 páginas e não quero parar até pegarem o maldito que fez tudo com Susie. Sei que este blog está se tornando quase um diário de leituras, mas prometo variar um pouco mais nos próximos dias.

[tags]livros, Uma Vida Interrompida, chocante[/tags]

O Fundo do Poço do Reino Encantado, de Cory Doctorow

terça-feira, 20 de março de 2007

Lançada em 9 de Fevereiro de 2007, graças ? licença Creative Commons, a versão em português brasileiro de “Down and Out in the Magic Kingdom” que se tornou “O Fundo do Poço do Reino Encantado” foi mais do que bem-vinda. Pessoalmente não utilizaria este título, mesmo caindo como uma luva. Assim como “Down and Out in Paris and London” de George Orwell ficou por aqui como “Arruinado em Paris e Londres” eu usaria o Arruinado, mas como disse, caiu como uma luva.

Na tradução eu não acrescentei absolutamente nada, apenas troquei o termo traduzido como “cooperativa” para adhocracia a que se referia o texto original. Há uma sensível diferença que os termos procuram representar.

Segundo a Wikipédia: O cooperativismo é um sistema econômico que faz das cooperativas a base de todas as atividades de produção e distribuição de riquezas, tendo como objetivo difundir os ideais em que se baseia, no intuito de atingir o pleno desenvolvimento financeiro, econômico e social de todas as sociedades cooperativas. A cooperação que sempre existiu nas sociedades humanas desde as eras mais remotas esteve aí presente como resultante de necessidades imperiosas de sobrevivência.

Adhocracias segundo a mesma fonte: Segundo Alvin Toffer a adhocracia ou “adocracia” é um sistema temporário variável e adaptativo, organizado em torno de problemas a serem resolvidos por grupo de pessoas com habilidade professores diversas e complementares.O termo teve origem nas ?forças tarefas? militares para enfrentar situações de forma rápida.Toffer estabeleceu que no futuro a sociedade será extremamente dinâmica e mutável e que as organização que quiserem existir e sobreviver terão que ser inovadoras, temporárias, orgânicas e anti-burocráticas.Outras referências definem o termo como a organização baseada em projetos, que seria uma alternativa para a antiga Organização Departamental (baseada na divisão racional do trabalho) e para a intermediária Organização Matricial (que juntaria elementos da Departamentalização com a Gerência de Projetos).

O autor, Cory Doctorow além de escritor de ficção científica é ferrenho ativista do Creative Commons e move uma guerra pessoal contra o DRM. Ele mantém um blog pessoal e é um dos editores do Boing Boing um dos blogs mais populares da internet servindo como referência e assunto para milhares de outros blogs.

O livro é ótimo e valeria cada centavo se fosse pago.Além de ser uma boa história ele introduz dois conceitos bem interessantes: A já citada Adhocracia e o Whuffie, uma espécie de moeda social.

Minha [sic] contribuição, se é que posso chamar assim, foi trocar o termo de cooperativa para adhocracia pois acredito estar mais acurado com o texto original.E também disponibilizarei em duas versões para download em pdf: Uma versão para ler no computador e para todos os que amam árvores mortas, a versão para impressão onde cada duas páginas são impressas em uma única folha.

Tudo isso graças a uma licença Creative Commons.

Faça o download pelo melhor preço que existe: Grátis

O Fundo do Poço do Reino Encantado de Cory Doctorow

pdf.pngVersão para leitura,628KB

pdf.pngVersão para impressão,633KB

[tags]creative commons,cultura livre,cory doctorow,ficção-científica,o fundo do poço do reino encantado[/tags]

Morte de H. P. Lovecraft fará 70 anos amanhã, obras do autor serão de domínio público

quarta-feira, 14 de março de 2007

Amanhã, dia 15 de Março de 2007, farão 70 anos do falecimento de Howard Phillips Lovecraft. Como ele morreu a mais de três vidas minhas não vejo motivo algum para ficar triste, mas vejo muitos e muitos para esboçar um sorriso: Com o aniversário do 70º aniversário da morte de Lovecraft suas obras tornam-se de domínio público. Ou seja estarão disponíveis para qualquer um publicar, escrever continuações e fazer o que mais quiser com elas. Inclusive o diretor espanhol de “O Labirinto do Fauno”, Guilherme Del Toro pois o memso tem planos de adaptar um extenso conto chamado “Nas Montanhas da Loucura” e caso leve ? execução mesmo, ele não precisaria pagar pelos direitos autorais.

H.P. Lovecraft é um de meus escritores prediletos. Suas histórias misturam ficção-científica, horror e filosofia. Sua visão da humanidade é que nos tratamos de um acidente desprezível e sem qualquer valor para os Antigos, uma raça cósmica de Deuses Monstros, cuja visão é capaz de levar um homem ? loucura. Nosso conhecimento é limitado e mais ainda nossas vidas. Um típico herói lovecraftiano não derrota o monstro e volta para casa com a garota, um típico herói lovecraftiano é um sujeito atormentado que conta uma história para que o mundo saiba o que aconteceu mas sempre com receio de que o acharão louco. Um típico herói lovecraftiano ou morre no final ou fica louco. E raras são suas personagens femininas.

A minha história predileta é com certeza “Entre as Paredes de Eryx” pois trata-se de um conto psicológico muito bom, embora falhe miseravelmente como ficção-científica (é ambientado em Vênus e há nativos por lá), e que se trata de um homem preso em um labirinto…Invisível.

Lovecraft deixou muitos trechos inacabados de histórias e romances, quem sabe alguém possa agora terminá-los?

Conheça a obra de H.P. Lovecraft:
A Tumba e outras histórias
Lovecraft, que trata a vida do escritor como se sua ficção fosse real.
A Cor que Caiu do Céu

[tags] H.P.Lovecraft, Horror,Ficção-Científica[/tags]

[tags] h.p. lovecraft, domínio público, obras, cultura livre[/tags]

O Dia Em Que O Sol Parou e Outras Estórias Extraordinárias

terça-feira, 6 de março de 2007

Se a Bíblia não é boa para nos dizer de onde viemos…Ela é boa o suficiente para nos dizer como ir e para onde iremos?

Se a Bíblia fosse uma obra pulp, seu título seria algo como “O Dia Em Que O Sol Parou e Outras Estórias Extraordinárias”, na capa teríamos uma imagem de um cara musculoso e uma garota de seios fartos. Teria em letras garrafais em dos cantos: “Três versões dAs Aventuras de J.J. por autores diferentes!”. Em meio a sexo, violência e atrocidades encontramos histórias como a um episódio onde deus fez o Sol parar (e desde esse dia é a Terra que gira ao redor dele?) (?), um sujeito com força descomunal ligado ao seu couro capilar (?), gigantes (não estou falando da NBA) e anjos que fazem sexo com humanas (eles dizem coito, mas são apenas palavras diferentes para o velho-entra-e-sai, pênis-vagina).

O meu propósito aqui não é falar que a Bíblia fede. Ela fede, principalmente após ficar carcomida ao andar debaixo do braço de inúmeros “irmãos”. Meu propósito aqui é: A Bíbliz está certa. e daí?

Minha postagem é um mash-up de pensamentos meus com o conteúdo desta página.

Eu gostaria de vender minha filha como escrava, como é permitido em Êxodo 21:7. Na época atual, qual você acha que seria um preço justo por ela? Ela não é virgem (que garota com 18 anos, é?) mas ora no milho de duas a três semanas por mês.

Eu tenho um vizinho que insiste em trabalhar aos sábados. Êxodo 35:2 claramente afirma que ele deve ser morto. Eu sou moralmente obrigado a matá-lo mesmo?

Levíticos 21:20 afirma que eu não posso me aproximar do altar de Deus se eu tiver algum defeito na visão. Eu admito que uso óculos para ler. A minha visão tem mesmo que ser 100%, ou pode-se dar um jeitinho?

Eu sei que tocar a pele de um porco morto me faz impuro (Levíticos 11:6-8), mas eu posso jogar futebol americano se usar luvas? (as bolas de futebol americano são feitas com pele de porco).

Meu tio tem uma fazenda. Ele viola Levíticos 19:19 plantando dois tipos diferentes de vegetais no mesmo campo. Sua esposa também viola Levíticos 19:19 porque usa roupas feitas de dois tipos diferentes de tecido (algodão e poliéster). Ele também tende a xingar e blasfemar muito. É realmente necessário que eu chame toda a cidade para apedrejá-los (Levíticos 24:10-16)? Nós não poderíamos simplesmente queimá-los em uma cerimônia privada, como deve ser feito com as pessoas que mantêm relações sexuais com seus sogros (Levíticos 20:14)?

E aí, quantos seguem a Bíblia mesmo? Esse é o sentido de ser cristão? Seguir a Bíblia? Se não, me diga, só umas partes dela servem e o resto pode ser simplesmente esquecido? Amnésia seletiva?

Ok, vamos supor que a Bíblia funciona perfeitamente (o que não é verdade). Isso não mudaria os problemas do mundo. Não fariam eles sumir. Cristãos e sua Bíblia são a maior parte do planeta Terra se a maior parte REALMENTE fosse cristão, a situação seria muito diferente da qual qualquer um pode ver pela janela. Até hoje nunca vi um único cristão e pagaria para ter a cabeça de um cristão verdadeiro em mesa mesa (é igual a encontrar um dinossauro vivo).

O grande problema de deus foi a falta de um S.A.C (Serviço de Atendimento à Criação).

A Revelação de Sturgeon e Como o Hype Funciona

sábado, 3 de março de 2007

A Revelação: Noventa por cento de tudo é tosco.

Eu adoro frases célebres.Na maior parte das vezes tudo o que uma desta frases faz não é lhe apontar o caminho impensado ou mais original possível e sim lembrá-lo do óbvio.Theodore Sturgeon não é um dos nomes mais lembrados ao se falar de ficção-científica, porém sua obra sempre foi influência de nomes célebres como Ray Bradbury e Kurt Vonnegut Jr.

Em uma vez lhe perguntaram em uma convenção o motivo de 90% da produção de ficção-científica ser de baixa qualidade, o mesmo teria respondido “Claro, noventa por cento da ficção-científica é tosca. Isso é porque noventa por cento de tudo é tosco.” [daqui]

Acredito que a “Revelação de Sturgeon” é óbvia, porém necessitou-se de alguém que a postulasse para que fizesse sentido.

Em um tudo o que você faz, 90% daquilo vai ser tosco. O Hype nada mais é do que elevar os 10% de magia a um nível superior e tomá-lo como o todo.

Alguns hypes:

Arctic Monkeys: A melhor música é [sic] curiosamente a mais conhecida “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, o resto do álbum chega a ser monótono.Porém foram chamados simplesmente de “salvadores do rock” ou algo assim. A única coisa digna de nota é o verso “Dancing to electro-pop like a robot from 1984″ .Em uma primeira vista seria referência ao livro 1984 de George Orwell, certo? Seria, se em “1984″ houvessem robôs.Mas não há.

Web 2.0: Ok, eu gosto do design e de muitas idéias de um site web 2.0, mas sejamos sinceros é mais uma mudança de postura em relação ao usuário e uma mudança estética do que propriamente uma “revolução” como tem sido chamada por aí. Os 10% geniais foram tomados como 100%. Deve haver quantos sites web 2.0 no mundo? 70% ou mais devem ser clones dos grandes (Digg,Basecamp,Delicious – vocês sabem)

Blockbusters: Assuma, os arrasa-quarteirões se salvam por uma ou duas cenas.Que no final não são aquela grande maravilha.Ou eles te enganam com uma perseguição (sempre há uma) – Perseguições nada mais são do que um momento onde preenche-se com ação a falta de história.

Lost: Lost levou o conceito de perseguição ao seu nível mais alto: A perseguição aqui é por respostas e a sua audiência assumiu completamente o papel. Enchem os episódios com flashbacks pois não teria uma história para tanto. Se alguém resolvesse tirar todos os flashbacks as histórias na ilha, somente as da ilha dariam uma temporada.(“Mas os flashbacks são reveladores!” você pode dizer isso, e eu concordo, mas pense: nenhuma revelação de fato saiu sequer da série e sim através do ARG The Lost Experience)

Seu próximo relacionamento: Sim, o Hype não é apenas uma invenção do mundo Pop. O hype é praticamente uma invenção humana e de sua capacidade e até mesmo necessidade de se iludir. Você somente vai imaginar os 10% que serão ótimos, mas quando acabar tenho certeza de que as razões vão se encontrar nos 90% restantes e serão eles que você vai se lembrar.

NOTA: 90% deste post foi inútil.

Leia:
1984, e veja se há robôs por lá.