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Blogs Contra a Pobreza?

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ha ha ha. É assim que eu fiquei ao ler pelos blogs, principalmente os em inglês (na verdade só assino 11 escritos em português do Brasil), títulos como “Por que eu acho que a internet é a chave para combater a pobreza” só me faz rir. Sério. Pode ter os melhores argumentos, eu não levo a sério. É como o comunismo ou relacionamentos abertos: boas idéias, mas só um monte de blábláblá.

Postagens Mudam Algo?

Segundo o site do Blog Action Day, organizador do evento 10.499 blogs estão participando, com uma audiência estimada de 11.245.085, embora não deva ser nem metade disso. O que acontece é que eles devem ter juntado os dados de leitores de feed e audiência no site de todos e nem preciso dizer que quem assina um, pode assinar dezenas de outras, mesmo assim, convenhamos, é um baita público. Mas isso realmente faz a diferença?

Eu gostaria de acreditar que sim. Mas desde Darwin não foram poucos que escreveram sobre a evolução, atingindo uma audiência bem maior e queriam ensinar o criacionismo nas escolas do Rio de Janeiro. A verdade é que somos um pouco insensíveis a acontecimentos distantes. “Oh, um terremoto matou centenas na China”. Depois abrimos uma janela e jogamos qualquer jogo em flash, só interessados em acertar os tiros nos monstrinhos. Fora isso, a internet é o melhor meio para resolver este problema em particular?

A Internet Não Salvará o Terceiro Mundo

Para começar, a disseminação de informação e inclusão digital não significará nunca a melhoria de condições dos pobres. Explico por que. Internet se trata de conteúdo imaterial, e quase 100% dos que vivem em condições de pobreza só conseguirão empregos produzindo bens materiais de consumo ou no ramo de serviços. Acho que ninguém compactua com a pobreza, mas é um efeito colateral da sociedade em que vivemos.

Digam aos grandes blogs participantes que parte do dinheiro que ganham com o Adsense é pago por empresários que investem mais em publicidade do que no pagamento de seus funcionários. Na cadeia alimentícia (salarial, na verdade), se alguns comem demais, outros terão menos para comer. É hipocrisia ficar dizendo-se contra a pobreza. Mas são idéias legais e que fazem uma boa imagem perante a audiência, “Olhe que cara legal, preocupado com as grandes questões do mundo”. Às vezes leio sobre como esses caras ficam documentando suas vidas no facebook, twitter ou contruindo suas “marcas” e “imagens” que penso quando é que eles realmente são algo e não apenas contruindo ser.

A internet não é a chave para salvar a pobreza, não importa quantas vezes isso seja dito. Como ela é a chave para salvar um garoto que procura no lixo o que comer? Para ele chegar num computador e ter acesso a um mundo de educação (pornografia e joguinhos, também), ele teria que ir na escola, e todo um percurso social que a internet não teria papel nenhum. “Aumentar a consciência das pessoas”? Todos estão cansados de saber os problemas ao nosso redor, mas estamos muito mais interessados nos nossos próprios (somos culpados por isso?). “Pressão nos políticos?”, claro, eles participam de reuniões com ONGs e orgãos os pressionando, mas sua postagem com certeza mudará a vontade política dele.

Eu queria ser otimista. Mas os blogs não vão mudar a pobreza.

Brasil
Creative Commons License crédito da foto: nikos379

Blog Action Day

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Minha proposta é o oposto do que a maioria vai dizer: Desde que eu comecei a estudar e me aprofundar nas questões a cerca da natureza humana eu sempre vislumbrei uma sociedade onde todo esse conhecimento poderia ser usado como lastro da construção de leis, ambientes, educação e afins. Mas é claro que era um sonho ingênuo. Quando o presidente dos Estados Unidos recebe ordens de deus em pessoa, um papa que desdenha do ecumenismo e nem vou tocar no assunto “explosivo” que é o Islã, estamos longe de vivermos um Segundo Renascimento. Temo que estejamos entrando em uma Nova Idade das Trevas (ou uma nova Idade Média).

Por isso meu conselho acerca do meio-ambiente é: Gaste-o. Não me lembro onde eu vi isso e nem se está correto, mas quando as primeiras bactérias surgiram elas tiveram que lutar contra uma atmosfera nociva cheia de um gás mortal: oxigênio. Depois que o nível de oxigênio caiu para os atuais 21% e o nitrogênio tornou-se o rei é que poderam triunfar. O “meio-ambiente” que o Papa do Verde e agora agraciado com o Nobel, Al Gore, querem proteger é o meio-ambiente que sustenta nossas vidas e a
de muitos outros. Se formos extintos junto com centenas de outras espécies será uma espécie de filme da sessão da tarde para o planeta. Um filme que ele já viu pelo menos outras 5 vezes.

A Terra não vai sair de órbita pelo aquecimento global. Ela vai continuar girando e talvez gerando outras formas de vidas ou formas de vidas surgidas em outro planeta passem por aqui. Então, nosso legado arqueológico, será fonte de estudos como uma espécie suicida, um pequeno alerta para as futuras civilizações. vamos nos juntar ao T. Rex e ao Dodô.

“‘E depois de tudo, céu e terra aí estão, como se nada tivesse acontecido. A essa altura, a vida e as ações de um homem têm o peso de uma folha seca no meio da ventania…Ora que vá tudo para o inferno!’, pensou Takezo” (Eiji Yoshikawa. Musashi. pg 21)

Com estas palavras se inicia a epopéia de Musashi, para mim poderiam encerrar o nosso entediante show de horrores.

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