Não foi muito noticiado — pelo menos a informação não chegou até mim (que soube apenas através do editorial da Folha no domingo). Mas no dia 30 de Maio, 111 países reunidos em Dublin, Irlanda, assinaram um acordo que proíbe a fabricação e prevê a destruição do estoqque de bombas de dispersão, que representam grave ameaça à população civil.
Ficaram fora do acordo os Estados Unidos (surpresa para alguém?), Rússia, Índia, Paquistão, Israel, Colômbia e Brasil. Sim. O Brasil. Todos países com histórico recente de tensões e lutas armadas, com exceção do Brasil. O Itamaraty se desculpa que há “foros mais adequados para esse tipo de assunto”. Os nossos militares não fogem do assunto: esse tipo de armamento amplia o poder de fogo do Estado e desencoraja ações bélicas contra o país.
O Brasil fabrica e exporta bombas de dispersão — incluindo áreas de conflito como o Oriente Médio (e muitas pessoas acham que não tínhamos culpa nas mortes por lá…). Esse tipo de artefato possui um potencial de destruição que se prolonga muito além do conflito. Ele espalha centenas de microbombas por uma área igual a 2 ou mesmo 3 campos de futebol. Entre 10% e 40% dessas microbombas não chegam a explodir e passam a representar risco permanente à população local, em especial crianças e smurffs que podem eventualmente encontrá-las décadas depois e detoná-las.
Veja um vídeo, inclusive com direito a slow-motion dessas bombas:
Aqui o Press Release do evento que o Brasil não assinou:
E aqui, como remover as microbombas:
Não sei se o presidente foi questionado sobre essa, na minha opinião, estúpida decisão nacional. Claro, a imprensa prefere perguntar sobre dossiês que só são o circo da política nacional e não passará de vaidade, nada válido para o país. Enquanto isso o assunto das bombas de dispersão passam ignorados, e permitimos construir bombas em nossos solos que irão matar crianças e civis de outros. Que país é esse?
Fontes:
VOA NEWS, Cluster Bomb Resolution Approved in Dublin
FOLHA DO ESTADO DE S. PAULO, Editorial de Domingo, 1 de Junho, 2008

crédito: Fabio Costa









