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Discordianas

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Com o primeiro mês discordiano, Caos, quase chegando ao fim, é interessante fazer uma recaptulação do Discordianismo em 3174 YOLD (Ignore o Falso Calendário):

1. Foi lançando o “Discórdia Brasilis“, segundo alguns a reunião da nata discordiana nacional segundo outros, o de pior que temos (talvez por que eles não gostem da nata).

2. Fórum

Agora os discordianos contam com mais um fórum para debater. Tudo muito novo, ainda um pequeno recém nascido que pode morrer se não se mostrar forte e ter uma certa participação e atenção da comunidade dos adoradores de Éris.

3. Wiki

Sim, agora nós discordianos também teremos nossa própria Wiki. E vamos escrever lá sobre cada Papa, Reverendo e Cabala do Brasil assim como conceitos, acontecimentos, datas festivas e tudo mais. PS: Sejam extremamente legais comigo ou eu passo de ADDBV (Auto-Denominado Ditador Benevolente Vitalício) para ADDQCC (Auto-Denominado Ditador Que Corta Cabeças). Mas antes, e aqui entra a crueldade, farei o indivíduo passar pelas piores torturas imagináveis: ouvir funk sem parar, ter que conversar com meu vizinho surdo e ir às compras com minha tia em dia de liquidação.

4. Um fanzine

Isso mesmo, um fanzine. Ele até mesmo teria uma versão física que eu enviaria, a princípio, para o Rev. Tiago e Rev. Cekemp e depois entregaria pessoalmente ao Santaum (sem esquecer de Éris, é claro), mas onde eu levei para xerocar, o sujeito não teve a capacidade de xerocar exatamente como eu planejei então tive que pegar e escanear (ia ter uns lances como diagramação ao contrário, esse tipo de coisa).

Então, aqui eu vos apresento, Thundercats, GO!, o número 00001 do tal fanzine: Descarregue já!

5. Leia isso

Ajuda Franciscana

sábado, 3 de novembro de 2007

Senhora do caos, discórdia e confusão… Por favor, me ajude! Eu sou padre há 10 anos, realizo missas semanais em três igrejas da minha paróquia e nunca faltei com nenhuma das minhas responsabilidades. Porém, há quase um mês me apaixonei por uma moça linda e não consigo tirá-la da minha cabeça. Vivo acordando no meio da noite… bem… diga-se que constrangido por estar tendo sonhos demoníacos com a dita senhorira. Sei que não devo trair meu juramento do celibato, mas não consigo controlar meu impulso. O que devo fazer, ó Deusa? Sei que a senhora é amiga do demo. Poderia pedir a ele que parasse de testar minha alma com desejos carnais pela loira gostosona do primeiro banco da igreja?

Serei direta com você, caro celibatário: Não! E “senhora” é a mãe! Por Mim e por Lulu você continuará sonhando com a gostosona da igreja e molhando a cama toda noite. Mas, se quiser um conselho de amiga – não que Eu seja sua amiga, mas essa é a expressão, não é mesmo? – caia fora dessa igreja para poder cair dentro da loira ;)

Decida-se com cuidado. Beijos, Éris

Escreva você também para A Deusa!* Mande um e-mail ou ligue para a glândula pineal, ramal 5.

*Seu texto pode ser sujeito a modificações de conteúdo e/ou inserção de detalhes falsos.

Relatório itajaiense do caótico dia 23 de agosto do calendário gregoriano

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Ontem no início da tarde eu fui para o centro de Itajaí e resolvi me refugiar no Lab. de Informática do meu colégio para fazer um cartaz de divulgação do Desafio Salesiano (DS) enquanto a Carol estava almoçando. Até aí nada demais, exceto que era dia 23 de agosto no calendário gregoriano.

Mais ou menos às 14h00, o Rev. Schneider e o Rev. Reinaldo, participantes da comissão organizadora do DS apareceram na porta. Disseram-me que estavam conversando a respeito do Desafio e sugeriram uma caminhada para passar em alguns lugares e uma reunião num café pequeno, novo, vazio e isolado onde costumamos nos reunir.

Andamos durante uns 30 minutos. Passamos no cartório, em gráficas e estávamos indo ao café quando eu olho pro lado e… avisto a Carol. Não que o centro da cidade de Itajaí seja algo descomunalmente grande, mas é muita coincidência encontrar no meio da rua a pessoa que você estava esperando lhe telefonar.

Ótimo. Comissão organizadora do DS quase inteiramente reunida por acaso (o único membro que não esteve presente foi o John, que estava em Floripa). Completamente curioso o fato de ninguém ter nada importante pra fazer ontem a tarde e se encontrar por acaso, mas então seguimos para o nosso café para organizar uma apresentação de slides e combinar detalhes do Desafio.

Nota: A comissão organizadora do DS deste ano é formada por 5 discordianos. Sinceramente, tenho pena de quem vai jogar…

O café onde vamos é um lugar pequeno na rua da casa da Carol, pouquíssimo freqüentado, sem janelas, sem sinal de celular… um lugar isolado, perfeito pra uma reunião secreta.

Chegando lá, fizemos pedidos, liguei o laptop, começamos a apresentação e, em certo momento, por brincadeira, disse: “Vamos ver se não existe nenhuma rede wireless aqui perto…” e rodei um

iwlist wlan0 scan

(isso, no Linux, procura redes sem fio ao alcance)

Bem… Antes de continuar devo explicar que a minha cidade não é uma cidade muito desenvolvida no sentido de ter pontos de acesso públicos em vários lugares. O shopping não tem wireless, nem a rodoviária, e a cidade não tem aeroporto. Quando eu rodei o comando foi só de brincadeira mesmo, porque era impossível ter uma rede sem fio ali perto.

Mas, lá vem o grande truque… Para minha surpresa, o iwlist retornou uma rede, com qualidade 68% (uau, melhor que muitas ligações Ad-hoc que eu faço) e, acreditem, ABERTA. Isso, sem encriptação, sem aquela chave WEP, simplesmente aberta.

O impacto foi tão grande que fiquei algum tempo observando as informações para ver se era mesmo real. Depois destes segundos iniciais, configurei a placa usando DHCP e, tcharam, estamos na internet! Na verdade, o DHCP me passou um DNS lerdo, que eu tive que mudar no meu /etc/resolv.conf. Aí eu até tentei acessar a página de administração do roteador pra deixar a internet mais rápida pro indivíduo estranho que mora ali perto e tem wireless em casa sem encriptação, mas a combinação usuário:senha não era nada como admin:admin, root:root, etc.

Usamos mensageiros instantâneos, assistimos vídeos, enviamos e-mails, ficamos mais de uma hora no café usando um wireless aberto desconhecido… Salve Éris! Eis o mistério da fé.

[tags]23, éris, discordia, fnord, discordianismo, salesiano, desafio salesiano, itajaí[/tags]

Ponte de Minneápolis, Minnesota, nos EUA, caiu durante hora do rush

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Carros, caminhões e um ônibus escolar caíram dentro do rio Mississippi após a ponte de quatro pistas quebrar. Bin Laden ainda não se manifestou.

ponte.jpg

A Wiki diz:

O Rio Mississippi é o segundo mais longo rio dos Estados Unidos da América. Muitos dos trabalhos de Mark Twain tratam ou ocorrem próximo ao Rio Mississippi. Um dos seus maiores trabalhos, Life on the Mississippi, é na sua maior parte a história do rio, e de resto conta as experiências dele no rio, e uma coleção de histórias que ou tomam lugar no rio ou dizem respeito a ele. O mais famoso trabalho de Twain, Huckleberry Finn, conta uma grande jornada rio abaixo. O romance trabalha com uma reflexão sobre a cultura americana, sendo o rio a metáfora principal. O romance de Herman Melville The Confidence-Man registra o estilo de um grupo de passageiros de um navio a vapor cujas histórias interligadas são contadas enquanto eles viajam subindo o Rio Mississippi. O romance é escrito tanto como uma sátira cultural como uma investigação metafísica. Como em Huckleberry Finn, usa-se o Rio Mississippi como uma metáfora para um grande conjunto de aspectos dos EUA e identidade humana que unifica características que de outras formas seriam dissonantes.

Para quem não sabe o romance do Twain possui o personagem Tom Sawyer, que Lost paga homenagem.

Como um dos maiores especialistas no fenômenos da Terra Oca ouso dizer que se trata de um acidente causado pelos habitantes de Agartha, assim como eles foram responsáveis pelo acidente do metrô em São Paulo. Espero que agora que Eles pisaram no calo de gente grande, o Sr. Bush alegue que Eles tenham armas de destruição em massa e declare guerra.

[tags]Minnesota, Mineapolis, Ponte, Agartha[/tags]

Caos e Ordem – A Herança de Éris

terça-feira, 19 de junho de 2007

 

Pitágoras, grego, logo percebeu a influência de Éris sobre o mundo. Foi o primeiro filósofo a perceber relações numéricas na natureza. Aliás, se considerarmos que Pitágoras criou a palavra “filósofo”, podemos dizer que ele foi o primeiro filósofo ponto.

Em suas relações numéricas, Pitágoras não se limitou aos chamados números naturais, o conjunto dos inteiros positivos. Ao contrário, a partir das proporções entre os segmentos de reta existentes no pentagrama (a “estrela de cinco pontas” que pode ser traçada a partir da união de vértices alternados de um pentágono), Pitágoras encontrou um número fracionário que respondia por diversas relações métricas na natureza: desde o aumento do diâmetro de conchas de moluscos a cada volta da espiral até proporções em medidas do corpo humano.

Por suas propriedades, então consideradas “mágicas”, Pitágoras chamou ao número descoberto de Número de Ouro. Este número tem o valor aproximado de 1,618033989.
Além destas verificações, Pitágoras percebeu, também, através da observação do aparente caos dos corpos celestes, que havia ordem na movimentação destes. De acordo com o princípio Discordiano. Os pitagóricos chegaram, inclusive, a propor um modelo de cosmos onde previam que a terra fosse esférica e rotasse sobre si mesma.

Em 1202, um outro matemático, Leonardo Pisano, também conhecido como Fibonacci, publicou seu Liber Abaci (Livro do Ábaco). Durante viagens que fez com seu pai ao norte da África, Fibonacci teve contato com os árabes, e deles aprendeu o sistema de numeração hindu e o zero. Seu livro trouxe aos europeus não apenas assuntos relacionados com a Aritmética e a Álgebra, que ele aprendera com os árabes, mas também esta nova forma de numeração. Graças às suas demonstrações de uso comercial e de conversões de pesos e medidas, o sistema apresentado por Fibonacci substituiu rapidamente o sistema de algarismos romanos até então em uso.

Além do novo sistema numerico, Fibonacci demonstrou ainda uma sequência de números inteiros, que futuramente viria a receber seu nome: iniciando-se a sequência com 0 e 1, formaremos cada novo elemento da sequência, a partir do terceiro, pela soma entre os dois antecessores: 0, 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21…

Esta sequência, que mostrou aplicar-se bem a situações de crescimento populacional, tem uma característica: conforme seus elementos se distanciam do início, a divisão de um elemento n por seu anterior n-1 tende cada vez mais para o número 1,618033989. O número de ouro de Pitágoras.
Éris, agrupando as coisas, começa a mostrar a ordem que existe entre elas.
Entretanto, a seqüência de Fibonacci não explica adequadamente todas as populações. No limite, a seqüência explicaria perfeitamente uma população onde:

1 – no primeiro ciclo nasce apenas um casal,
2 – os casais amadurecem sexualmente (e reproduzem-se) apenas após o segundo ciclo de vida,
3 – não há problemas genéticos no cruzamento consangüíneo,
4 – a cada ciclo, cada casal fértil dá a luz a um novo casal, e
5 – os indivíduos nunca morrem.

Evidentemente, não existe uma população assim. Como em todas as populações os indivíduos fatalmente irão morrer, ou atingem a maturidade sexual em tempos diferentes, ou ainda a população não irá crescer à proporção de um casal fértil por casal por ciclo, a tendência é que em observações a longo prazo as populações reais não se comportem da maneira prevista pela seqüência.

As aproximações para resolver estas situações deram origem a modelos cada vez mais complexos envolvendo, entre outros artifícios, as equações diferenciais.
Estas foram um dos temas estudados por Henri Poincaré, matemático e físico francês, que apresentou novas abordagens para a resolução de equações diferenciais de maneira geométrica. simplificando sua resolução.

Em 1887, em homenagem a seu 60° aniversário, o Rei Oscar II da Suécia patrocinou uma competição matemática com um prêmio em dinheiro para resolução da questão de quão estável é o sistema solar. Poincaré ressaltou que o problema não estava corretamente estabelecido, e provou que a solução completa não poderia ser encontrada. Ele mostrou que a evolução de um sistema gravitacional com tres ou mais corpos é freqüentemente caótica no sentido que pequenas perturbações em seu estado inicial, tais como um ligeira mudança na posição inicial do corpo, irão levar a uma mudança radical em seu estado final. Se esta sutil mudança não é percebida pelos nossos instrumentos de medição, então não seremos capazes de predizer o estado final a ser obtido.

Estavam lançadas as bases para a moderna matemática do Caos, que permitiu elucidar padrões em diversos modelos aleatórios. O Caos brotando da Ordem e a Ordem brotando do Caos. Novamente, Éris divertindo-se às nossas custas.

[tags]matemática, caos, ordem[/tags]

CAOS, de Hakim Bey

quarta-feira, 21 de março de 2007

O CAOS NUNCA MORREU. Bloco intacto & primordial, único monstro digno de adoração, inerte & espontâneo, mais ultravioleta do que qualquer mitologia (como as sombras anteriores ? Babilônia), a original & indiferenciada unidade-do-ser ainda resplandece, imperturbável como as flâmulas negras frenética & perpetuamente embriagadas dos Assassinos.

O caos é anterior a todos os princípios de ordem & entropia, não é nem um deus nem uma larva, seu desejos primais englobam & definem todas coreografia possível, todos éteres & flogísticos sem sentido algum: suas máscaras, como nuvens, são cristalizações da sua própria ausência de rosto.

Tudo na natureza, inclusive a consciência, é perfeitamente real: não há absolutamente nada com o que se preocupar. As correntes da Lei não foram apenas quebradas, elas nunca existiram. Demônios nunca vigiaram as estrales, o Império nunca começou, Eros nunca deixou a barba crescer.

Não. Ouça, foi isso que aconteceu: eles mentiram, venderam-lhe idéias de bem & mal, infundiram-lhe a desconfiança de seu próprio corpo & a vergonha pela sua condição de profeta do caos, inventaram palavras de nojo para seu amor molecular, hipnotizaram-no com a falta de atenção, entediaram-no com a civilização & todas as suas emoções mesquinhas.

Não há transformação, revolução, luta, caminho. Você já é o monarca de sua própria pele ? sua liberdade inviolável espera ser completa apenas pelo amor de outros monarcas: uma política de sonho, urgente como o azul do céu.

Para lograr abrir mão de todos os acentos & hesitações ilusória da história, é preciso evocar a economia de uma Idade da Pedra lendária ? xamâs & não padres, bardos & não senhores, caçadores & não policiais, coletores paleoliticamente preguiçosos, gentis como sangue, que ficam nus para simbolizar algo ou se pintam como pássaros, equilibrados sobre a onda da presença explícita, o agora-sempre atemporal.

Agentes do caos lançam olhares ardentes a qualquer coisa ou pessoa capaz de suportar ser testemunha de sua condição, sua febre por lux et voluptas. Estou desperto apenas no que amo & até o limite do terror ? todo o resto é apenas mobília coberta, anestesia diária, merda para cérebros, tédio sub-réptil de regimes totalitários, censura banal & dor desnecessária.

Avatares do caos agem com espiões, sabotadores, criminosos do amor louco, nem generosos nem generosos nem egoístas, acessíveis como crianças, semelhantes a bárbaros, perseguidos por obsessões, desempregados, sexualmente perturbados, anjos terríveis, espelhos para a contemplação, olhos que lembram flores, piratas de todos os signos & sentidos.

Aqui estamos, engatinhando pelas frestas entres as paredes da Igreja, do Estado, da Escola & da Empresa, todos os monolitos paranóicos. Arrancados da tribo pela nostalgia selvagem, escavamos em busca de mundos perdidos, bombas imaginárias.

A última proeza possível é aquela que define a própria percepção, um invisível cordão de ouro que nos conecta: dança ilegal pelos corredores do tribunal. Seu eu fosse beijar você aqui, chamariam isso de um ato de terrorismo ? então vamos levar nossos revólveres para a cama & acordar a cidade ? meia-noite como bandidos bêbados celebrando a mensagem do sabor do caos com um tiroteio.

Tradução de Patricia Decia & Renato Resende presente em CAOS

[tags]caos,anarquismo ontológico,hakim bey[/tags]