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Rebeldia é Mercadoria

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Muitas perspectivas contra-culturais como ativistas ecológicos, culture-jammers, grafiteiros, skatistas, e anti-consumistas possuem várias similaridades entre eles. Todos percebem o resto do mundo (o mainstream), como opressores e provocando lavagem cerebral para a conformidade por uma grande força social, e as leis da sociedade (formais e outras) são pensadas para suprimir da natureza humana a sua razão. Os movimentos contra-culturais não são únicos como eles querem aparecer e nem mesmo tão espontâneos. São um bando de pessoas se vestindo, falando e produzindo da mesma forma, para ser diferente. Apenas por não serem adotados por muitos (mainstream), eles o preferem por ser adotado por poucos (alternativo). É apenas um clube segregador e preconceituoso como todos os outros.

“O sistema”, essa entidade que parece ser o antagonista de todos eles, mas que não foi encontrado para dar entrevista, não é algo que busca conformidade, como eles clamam, pelo contrário, ele busca a individualidade e a competição por distinção. Vejam “Beleza Americana”, “Clube da Luta”, “Matrix” e “Adbusters”, todos produtos supostamente em algum nível contra-culturais, mas populares no mainstream. O sistema capitalista não está tentando suprimir a individualidade; mas na verdade, uma força de distinção guia o mercado (afinal, para vender não basta fazer o mesmo que os outros). Os indivíduos estão em constante busca para se “sobressair”.

Logo, tribos sociais, movimentos contra-culturais, só poderiam surgir e se tornar movimentos de longo prazo em um ambiente capitalista. E no caso do consumismo, como todos estão tentando se distinguir uns dos outros, a “rebeldia” é um caminho excelente para isso. Não é surpresa então, a imagem do rebeldia em sua com a não-conformidade é um ponto pacífico de vendas para muitos produtos. Encorajar a compra de produtos subversivos ou contra-culturais não faz mais do que tentar torná-los mainstream.

Veja os produtos orgânicos. Entraram em moda recentemente e são bem mais caros. Há todo o lance de não usar agrotóxicos e auxiliarem o meio ambiente. Mas se vendem nesse caráter de irem contra a “maré do Sistema”, de serem “autênticos”. Ou seja, um produto comercial como qualquer outro, que vende por ser diferente do mainstream.

Na música se vê muito isso. Bandas “alternativas” estão vendendo mais do que crias-de-gravadoras. Leio muito em fóruns de Orkut, várias pessoas que reclamam quando seus artistas prediletos ou músicas aparecem na MTV, no rádio ou novela. “Agora vai virar modinha”. “Não gosto mais agora que toca na rádio”. Objetivamente não mudou nada no produto, mas ele perdeu seu apelo “alternativo”, que é requisito para algumas pessoas consumi-lo.

Camisetas de Che, livros de autores “marginais” que vendem mais do que muitos outros “conformistas”. Por mais bem intencionados que acreditem ser, apenas usam uma tática diferenciada de marketing (e afinal, não existe hoje o marketing de guerrilha?). Eles não lutam contra o sistema. São parte dele, apenas não querem admitir isso. Que estúpido, a célula cardíaca contra a pulmonar. Rebeldia é mercadoria. E os rebeldes, quem diria, os melhores representantes do capitalismo.

Leia também: Por que não sou alternativo, no Nada Pensitivo!

Che
Creative Commons License crédito: Leif (Bryne, Norway). Em breve sairão dois filmes sobre a vida de Che, por Steve Soderbergh (Traffic), quem diria, Che dando milhões para Hollywood…Rebeldia é Mercadoria!

Cuba Libre

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cuba é uma fonte de perguntas constantes na minha cabeça. Questões que já me fizeram perder o sono.

O próprio drink contém fortíssimo teor político (além do alcoólico!): Ele é uma mistura simples de Rum – destilado originário da ilha caribenha – e Coca-Cola, o maior símbolo do [sic] imperialismo americano [sic]. É um protesto claro aos boicotes e barreiras comerciais bilaterais. Passei uns bons minutos fazendo essa reflexão, agitando com movimentos circulares o meu copinho de plástico. Infelizmente, aquilo tava mais pra uma “URSS Livre”, já que era feita com Vodka.

Sempre que eu penso em Cuba, me vem a mente um país fracassado. Não em termos de saúde ou educação. Nem do governo em si. Mas sim de toda a “falta de sistema” a que eles estão presos. Socialismo não é, nem nunca será, um sistema! É uma etapa, e todos deveriam saber disso.

Quando Marx e Engels escreveram o Manifesto Comunista, criaram um dos sistemas mais brilhantes de todos. E como é praxe, a execução de uma boa idéia é sempre tortuosa.

É simples voltar no tempo. Tudo de que você precisa é superar a velocidade da luz. O detalhe é que, segundo Einstein, ela é a velocidade limite, e para alcançá-la, você acabaria do tamanho do universo – ou algo parecido.

Rumo à Anarquia Vermelha, resolveram que seria bom centralizar o poder, queimar qualquer forma de controle espiritual das massas e enfiar livros guela abaixo dos pirralhos, para que crescessem e pudessem viver sem que ninguém mandasse neles. Mas assim que um indivíduo se vê possuidor de todo o poder ele não quer mais largar e qualquer um que puder obtê-lo, o fará. Para todo o sempre, amém, e o povo que continue a mal possuir suas roupas.

E eu, sentada na cama do hotel, na frente do laptop da minha mãe, comendo Habanitos integrales do El Maestro Cubano começo a pensar se realmente somos nós os livres.

O povo em Cuba ao menos sabe sob o que está vivendo. Eles ainda estão no degrau, podem avançar se o almejarem tanto quanto o fizeram na revolução. Nós, por outro lado, nos vangloriamos do sistema conta o qual “lutamos”. A cada nova manhã temos que pagar as indefinidas prestações do crediário de nossa liberdade e sempre depender de algum babaca que é subalterno de outro babaca, na ininterrupta hierarquia do capital. Somos baratas tontas pagando e pagando para poder dar mais uma volta.

Portanto, bom cidadão, não se preocupe. Tão diferente dos cubanos, você é “livre”!