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Para Não Dizer que Não Falei dos Bósons

domingo, 14 de setembro de 2008

Hoje na coluna de Marcelo Leite, no suplemento Mais! da Folha de S. Paulo, o mesmo encerrou sua coluna desta forma, onde falava do LHC e sua busca:

Isso ajudaria a explicar por que só algumas partículas têm massa. Mas nada garante que o Higgs dê as caras, 44 anos após a previsão teórica. Muitos físicos já dizem que sua ausência resultará mais fecunda para a física que a detectação, pois forçará uma reforma do modelo. São, ao todo, 19 anos de caçada no subsolo da fronteira franco-suíça. Só no LHC foram enterrados US$ 9 bilhões. É difícil imaginar uma fortuna mais bem empregada.

Sério? Eu consigo facilmente imaginar uma fortuna dessas mais bem empregada. Vamos pensar na fundação Gates que investe em redes de proteção, cada uma com custo bem baixo, e com essa medida simples, evita que milhares de pessoas se contaminem com malária na África. O que 9 bilhões não fariam pela fome? Pelos refugiados do Sudão que vive um genocídio a anos enquanto os “moralistas verbais (pois não saí do discurso)” da ONU cantam aquele trecho de Strawberry Fields Forever: “Living is easy with eyes closed…”. Meu segundo pensamento é “Ok, deixe os caras se divertirem. Afinal são um bando de nerds com um brinquedo grande e caro. Já que não tem sucesso com as mulheres, brincar com partículas parece ser bem interessante”.

Vale a pena investir tanto assim nesse projeto enquanto nós, como espécie, temos milhares dos nossos morrendo por falta de condições básicas de saneamento e alimentação. Enquanto a metade rica luta contra a balança, fazendo dietas e cirurgias estéticas caríssimas, a metade pobre morre de fome. E 9 bilhões para confirmar uma teoria – que alguns ainda dizem melhor estar errada! Para mim é muito dinheiro para um bóson de merda que não vai melhorar a vida de ninguém.

Só eu não vejo nenhum sentido nisso. Só eu vejo isso como um estúpido nonsense?

Bohr uma vez disse: “Devemos ser claros que quando se trata de átomos, a linguagem só pode ser usada como na poesia”, “partículas isoladas materiais são abstrações”. Ok, eu sei que não devemos interpretar ninguém como um profeta dos quais todas as palavras são a mais pura expressão da verdade, mas Bohr adotava uma postura crítica e, para ser exato, metalinguística do seu campo de estudo. É bom ver algumas de suas frases, na Wikiquote. O link é na versão em inglês já que a em português chega a dar pena.

Olhamos para as estrelas…Contemplamos um céu infinito de probabilidades e aventuras que o futuro nos reserva! Quando bastava olhar por aqui mesmo e estender a mão para já ter feito algo.

O que você pensa a respeito, hein?

Moon Venus Mercury & Mars
Creative Commons License crédito da foto: sleepychinchilla

A humanidade criou a Máquina do Juízo Final?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Resposta curta: Não.

Resposta longa: O nome é Grande Colisor de Hadrons e segundo algumas pessoas pode criar buracos negros que irão destruir o planeta Terra. Segundo outros, se eles gerarem as “stranglets”, talvez destrua todo o Universo. Não, não é um livro de ficção científica de Kilgore Trout. Tanto que dois sujeitos estão processando os responsáveis pelo projeto.

Um dos objetivos dos experimentos do LHC é recriar as condições do universo frações de segundo após o big bang, e dessa forma testar modelos da para a natureza e mesmo desafiar nossa compreensão da realidade física.

O Boston Globe publicou recentemente três motivos para não ter medo do fim do mundo (bem, ao menos causado pelo CERN). Abaixo, a adaptação:

Deverá [a máquina em questão] estar completa e pronta para começar a produzir informações neste verão. Com ela, cientistas estarão aptos a chocarem átomos viajando a mais de 99,99% da velocidade da luz com prótons viajando na direção oposta na mesma velocidade.

Prótons são, na verdade, objetos bem complicados, feitos de pequenas coisas e pedaços, e na colisão de dois prótons pode ser que aconteça dessas duas pequenas peças fiquem próximas delas. Essas peças carregam muita energia, e desde a famosa equação de Einstein alguém pode imaginar que muita massa em pouco espaço pode criar um buraco negro.

As chances de algo assim realmente acontecerem são bem perto de zero por algumas razões. Primeiro de todas, os teoristas que se preocupam com essas coisas acontecendo fazem a suposição de que a energia necessária para fazer um buraco negro é vastamente menor do que nós poderíamos esperar no mundo real como conhecemos. Essa possibilidade apenas surge em teorias com o que são chamadas “grandes dimensões extras”, e não há evidência nenhuma que estas descrevam a realidade.

Uma segunda razão: Buracos negros, estritamente falando, são construtos teóricos. Ninguém já viu um buraco negro. Coisas que são candidatos a buracos negros são aqueles que são pequenos e que tenham uma massa incrivelmente alta, mas se alguém é muito honesto, há um monte de problemas com o conceito do buraco negro, e nós não sabemos ainda com certeza se eles realmente existem. Um problema particularmente incômodo é que o temo é previsto para desacelerar quando alguém se aproxima de um objeto pesado, então pedaços de matéria caindo em um objeto pesado em colapso levaria um tempo infinito para cair nele do ponto de vista de um observador externo.

Uma terceira razão é que enquanto nós físicos [Stephen Reucroft e John Swai, autores do artigo] estamos excitados sobre as colisões que logo serão feitas no CERN, tais colisões ocorrem o tempo todo na Terra, na lua, e todo lugar mais pelos raios de energia cósmica de alta potência. Em outras palavras, os experimentos que as pessoas se preocupam do CERN estão acontecendo agora e aleatoriamente em todos os luagres nos últimos bilhões de anos, e tudo parece bem!

Droga! E eu achando que tinham criado a primeira invenção útil para o Universo!


Creative Commons License crédito: Jim Downing

Seu Cérebro Toma Suas Decisões Antes de Você

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Você pode achar que decidiu ler esta história — mas na verdade, seu cérebro fez a decisão bem antes de você saber a respeito.

Em um estudo publicado domingo pela Nature Neuroscience, pesquisadores usando escaneadores cerebrais puderam prever as decisões das pessoas sete segundos antes daqueles sujeitos aos estudos estarem conscientes de tê-las feito.

A decisão estudada — se aperta o botão com a mão esquerda ou direita — pode não ser representativo de escolas complicadas que são mais integralmente associadas com nosso senso de auto-direção. Memo assim, esta descoberta desperta profundas questões sobre a natureza do ser e autonomia: O quão livre é nossa vontade? A escolha consciente é apenas uma ilusão?

Direto da Wired.

Para mim, a questão levantada é muito mais sobre a natureza do ser. O que o estudo mostra não é sobre o nosso “livre-arbítrio”, afinal apenas mostra que agimos fisicamente e temos consciência disso após uma decisão fisiológica. O “livre arbítrio” ainda seria mantido, mas se assumissemos que o ser é a fisiologia cerebral, o que levaria as mais diversas concepções ramificações. Um, não há alma. Se existe algo tal como alma, nesse caso sim, não existiria livre-arbítrio, já que a alma seria dirigida pelas funções químicas do cérebro. Mas para mim, isso apenas depõe contra a teoria dualista de Descartes, contra a idéia do fantasma na máquina.

O que acham?


Creative Commons License crédito: seq. Se a vida é toda a respeito de escolhas, e se nem sobre elas tivermos controle nenhum? E agora, quem poderá nos defender?

Teoria recursiva e deísta do Computacionismo

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Segundo o Rev. Ibrahim Cesar, a teologia de um homem é o riso incontrolável de outro. Ao expôr aqui minha religião, tenho certeza que a maioria de vocês vai achar ridícula e rir da minha cara, mas não por isso deixarei de fazê-lo, aliás é por isso mesmo que faço. Porém, peço que você não me xingue nos comentários por causa de minha heresia, Mariana, até porque, perto de multiplicação de pães e ressucitação, a minha fé é em algo absolutamente lógico. Além disso, o que hoje será ridicularizado por vocês daqui a 2000 anos será uma verdade absoluta e será heresia me desmentir.

Iniciarei explicando algumas definições antes de chegar no computacionismo em si, para não deixar o leitor perdido com algumas palavras (na verdade, as palavras que estão no título).

Recursão

definição circular: veja "definição circular"

O computacionismo é tão computacional que até mesmo em sua definição ele é recursivo e pode ser provado logicamente através de indução matemática*. Quando falo dessa recursão não estou inovando o mundo da fé. Pelo contrário, refiro-me a um lugar comum de muitas obras de ficção, das quais me lembro no momento de O Mundo de Sofia e MIB: Homens de Preto.


Creative Commons License crédito: Jesse Bikman

Quem leu O Mundo de Sofia até o final (e devem ser poucos, porque é um daqueles livros que cansa e fazem várias pessoas pararem na metade) deve se lembrar [Warning! SPOILER] que Sofia era uma personagem do livro de Hilde, que é uma personagem do livro que estamos lendo e assim infinitamente. Se você não percebeu que foi essa a brincadeira de Jostein Gaarder, por favor pare de ler esse texto imediatamente antes de comentar que não entendeu o computacionismo. [/Warning... Opa, pode continuar]

O mesmo acontece no final de Homens de Preto (acho que é no 2, me corrijam se eu estiver errado) quando Will Smith (ou o colega dele?) fecha um armário com um mundo de seres estranhos e o filme acaba mostrando infinitos armários se fechando, como se nós também estivéssemos num armário, dentro da mesma lógica do computacionismo, d’O Mundo de Sofia e de mais várias obras dentre as quais não me lembro de mais nenhuma [!]

* Prova por indução desta recursão

  1. O objeto “eu” existe.
  2. O objeto que criou esse objeto existe.
  3. Volte ao passo 2.

O fato de você existir é o passo básico. Se você é daqueles que não concorda comigo e acha que não existe, nem comente discordando, porque quem não existe não pode comentar (por definição).

Para você existir, alguma coisa deve ter criado você (geração espontânea é uma baboseira, também por definição). Essa coisa é o objeto “n”, você é o objeto “n+1″. Precisa sempre haver o objeto “n-1″, senão essa coisa não vai ter como existir. E assim infinitamente…

Deísmo

Para explicar isso aqui citarei Dawkins em Deus, um delírio (p. 42, Companhia das Letras):

Refresquemos nossa memória sobre a terminologia. Um teísta acredita numa inteligência sobre natural que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subseqüente de sua criação inicial. Em muitos sistemas teístas de fé, a divindade está intimamente envolvida nas questões humanas. Atende a preces; perdoa ou pune pecados; intervém no mundo realizando milagres; preocupa-se com boas e más ações e sabe quando as fazemos (ou até quando pensamos em fazê-las). Um deísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas. [...] O deísmo é um teísmo amenizado.

Computacionismo

Inteligência artificial. Segundo a Wikipedia, uma área de pesquisa da ciência da computação dedicada a buscar métodos ou dispositivos computacionais que possuam ou simulem a capacidade humana de resolver problemas, pensar ou, de forma ampla, ser inteligente.

Segundo o computacionismo e sua primeira definição, apresentada pelo Rev. Tiago Madeira em 19 de Discórdia de 3174 na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger, o nosso universo não passa de um experimento de inteligência artificial de outro tipo de inteligência mais desenvolvido (Deus?) ou, mais especificamente, de programadores. E assim infinitamente tendendo a um ser infinitamente inteligente, que não existe (porque não existe um “primeiro universo”, algo deve ter gerado-o)


Creative Commons License crédito: Gareth Courage (mostly currently offline)

As células humanas são como os circuitos digitais que os cientistas da computação estudam para colocar em seus robôs (que ainda estão longe da inteligência necessária e o livre-arbítrio para poderem existir como nós), ainda que os circuitos ainda não estejam tão desenvolvidos (ora, nós ainda não criamos o universo n+1… ainda não! Daqui a pouco tem um tópico sobre isso) e pra eles nosso universo pode ser sua nanotecnologia (isso é, podemos ser só um nanômetro em relação ao tamanho deles), mas não tenho como provar isso (não passa de especulação) e é irrelevante.

Bugs

Buracos de minhoca? Deficiências? Milagres? Não passam de erros no código. Na verdade, nosso universo pode ser um experimento de inteligência artificial de seres-crianças do universo que nos gerou (chamarei-o daqui pra frente de n-1), de seres-idiotas do universo que nos gerou, ou um protótipo sem importância agora que o universo n-1 já pode ter criado vários outros.

Código livre

Quando eu falei desta idéia para o Rev. Peterson ele perguntou: e se conseguirmos o código podemos salvar o mundo?

A resposta, infelizmente, é não. O código poderia nos ajudar a entender o sentido da vida, mas jamais teríamos como alterar o código, já que estamos dentro do software.

Além disso, nós falamos na linguagem de máquina deles. Seria absurdo tentar entender o código do universo n-1 porque pode ser algo completamente diferente de qualquer coisa imaginável para nós, humanos do universo n.

Se eles escrevessem o código na nossa linguagem, talvez fosse útil para nós criarmos o universo n+1, mas isso é improvável, porque provavelmente estamos esquecidos dentro de um laboratório (entenda por laboratório algo completamente diferente de tudo que você imagina) ou então bilhões de anos para nós pode não passar de um milésimo para eles (isso é, nesse momento o programador acabou de dar um enter para executar o programa “Universo n”). Não temos como provar isso.

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

O químico Lavoisier foi um dos nomes mais importantes para o computacionismo quando escreveu sua frase célebre que dá título para esta seção. De fato, se não fosse por ele, não teríamos como explicar porque conseguimos gerar outros iguais a nós (reprodução). O fato é que o nosso universo é um sistema fechado e dentro dele nada é criado, por isso nossa inteligência é capaz de lidar com todas as coisas e as regras criada pelos nossos programadores do universo n-1 consegue lidar com tudo perfeitamente (exceto os bugs, que são má programação deles)

n+1

Estima-se que o nosso universo tenha 13,73+-0,15 bilhões de anos [fonte] (é claro que isso é relativo, o tempo é relativo) e a inteligência artificial aqui ainda é uma área de pesquisa no início do seu desenvolvimento pelos cientistas da computação.


Creative Commons License crédito: mr lynch

Um erro comum de quem ouve a minha teoria é pensar que coisas como Second Life são o nosso universo n+1. Isso é besteira. Não há livre arbítrio no Second Life, não há interação de seres com eles mesmos, aquilo lá não passa de uma brincadeira de fantoche e está muito longe de ser alguma coisa realmente evoluída na área de ciência de computação.

A verdade é que a nossa ciência da computação ainda está engatinhando e não há absolutamente nada que faça com que a gente chegue perto de criar um universo n+1 além de teorias no papel. Mas o nosso universo ainda tem muito tempo para pensar nisso e talvez seres de outros planetas ou outros sitemas que também fazem parte de nosso enorme (em relação a nós) e pequeno (em relação ao n-1) universo já tenham criado, mas isso não passa de especulação, porque nós enquanto humanos deste planeta não temos provas de nada.

Mais informações

Para mais informações, contate a Glândula Pineal, solicite os canais binários e disque 1001.

Exercício (meme?)

Crie você também a sua religião e compartilhe com a blogosfera! Os cinco primeiros a participarem ganharão de brinde um link aqui nesse post (uau!).

O Erro de Einstein

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Uma dupla de cientistas alemães afirmaram ter quebrado a velocidade da luz – um acontecimento que pode minar todo nosso conhecimento do tempo e espaço.

De acordo com a teoria especial da relatividade de Einstein, precisaria-se de uma quantidade infinita de energia para acelerar um objeto mais do que 299 792 458 metros por segundo. Porém, Dr. Gunter Nimtz e Dr. Alfons Stahlhofen, da Universidade de Koblenz, conseguiram, note-se aparentemente, a chegar a resultados práticos de suposições que muitos cientistas sérios só faziam a título de piada.

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A dupla disse que eles conduziram um experimento no qual fótons viajaram “instantaneamente” entre um par de primas que haviam sido movidos a a uma distância de 3 andares. Sendo possível viajar a uma velocidade superior à da luz, isso levaria a uma grande variedade de consequências bizarras.

Quão bizarro? Teoricamente poderíamos chegar a um lugar antes mesmo de partir.

Os cientistas estavam investigando um fenômeno chamado tunel quântico, que permite a partículas sub atômicas a aparentemente quebrar as leis inquebráveis da física. Quem assistiu “Contato” ou leu o livro é através de um túnel quântico que fazemos contato.

Até o momento essa é a única violação conhecida da relatividade especial.

Vejam como a ciência é impressionante. Em outros campos, seria o mesmo que dizer que Maomé errou e o nome de Allah na verdade era Allih ou que Jesus era gago e não fez nenhum de seus discursos. Nestes campos o sujeito levaria olhares tortos, seria acusado de herege e até mesmo apedrejado como um infiel. Na ciência o cara só ganha uns tapinhas nas costas e se estiverem certos, até mesmo um Nobel e o nome entra para história como os sujeitos que mostraram que Einstein estava errado.

Rip off do Telegraph Uk

Depois de Nós

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O Mundo Sem Nós: São muitas as questões levantadas pelo premiado jornalista Alan Weisman nesta investigação científica. Após entrevistar especialistas – zoólogos, biólogos, engenheiros e paleontólogos, – Weisman faz revelações fascinantes e, ao mesmo tempo, perturbadoras sobre o impacto da humanidade no planeta. Nós fomos responsáveis pela extinção de várias espécies, e a natureza sobreviveu. Mas o que aconteceria se, atacados por um vírus, desaparecêssemos? Quais seriam as primeiras criações humanas a sumir? E as últimas? Misturando ciência e especulação, este livro será, certamente, um clássico.

Acima, é claro, o texto de marketing do livro. Acredito que entender como nossas marcas desaparecerão no dia que eventualmente sermos extintos é um exercício lúdico que nos permite conhecer a extensão de nossa alteração no ambiente. Aqui vão algumas delas:

Após poucos dias o sistema de metrô da cidade de Nova York estaria inundado.

Após uma semana os sistemas que impedem os reatores nucleares do mundo de superaquecerem irão ficar sem combustível, levando ao derretimento nuclear.

Após um ano a população de pássaros terá aumentado drasticamente, pois os por volta de 1 bilhão de pássaros mortos anualmente por causa das redes de energia irão continuar vivos.

Após 20 anos, o Canal do Panamá irá secar, ligando as Américas do Sul e Norte uma vez mais. Os vegetais domesticados irão voltar a serem selvagens.

Após 100 anos, sem o mercado de marfim, a população mundial de elefantes irá aumentar para 10 milhões. A população de rapozas e raccoons terá diminuído desde que os gatos domesticos entraram em sua cadeia alimentar.

Após 300 anos, muitas cidades construídas em deltas de rios terão sido completamente inundadas.

Após 500 anos, os suburbios terão sido completamente transformados em florestas. Apenas o alumínio e plástico terá se mantido.

Após 35.000 anos, o solo finalmente estará limpo da contaminação gerada pelos seres humanos, o cádmio levará outros 35.000 anos para desaparecer.

Após 100.000 anos, o Gás Carbônico terá retornado a níveis pré-humanos.

Após 1 milhão de anos, micróbios capazes de biodegradar plásticos podem ter evoluído.

Após 4.5 bilhões de anos, as 500.000 toneladas geradas de Urânio-238 terá chegado em sua meia-vida.

Em algum ponto daqui 5 bilhões de anos, a Terra irá ser complemente incinerada pelo Sol quando esse entrar em colapso. Nossas transmissões de rádio e televisão continuarão viajando pelo espaço. Desde o sublime, passando pelas palhaçadas do Monty Python, culminando em bobagens como Big Brother e maluquices como a televisão japonesa.

O Segredo – Este filme irá mudar sua vida…..NOT!

sábado, 19 de janeiro de 2008

Leiam e esfreguem se possível o brilhante trabalho de desmistificação feito pelo blog “O Dragão da Garagem”:

O Guia Cético para assistir a “O Segredo” – Parte 1
O Guia Cético para assistir a “O Segredo” – Parte 2
O Guia Cético para assistir a “O Segredo” – Parte 3

Sabem de verdade a coisa que mais me incomoda com essa história toda? Isso: “Segredo este já conhecido pelos homens mais eminentes da história, entre eles Platão, Shakespeare, Newton, Hugo, Beethoven, Lincoln, Emerson, Edison, Einstein.”

É típico de mentes que precisam se afirmar. Sem argumentos ou notoriedade para afirmar qualquer coisa, proclama que o mesmo já era feito por célebres e unânimes pensadores. Se Beethoven sabia desse Segredo bastava ele ter feito pensamento positivo e nunca teria ficado surdo. Shakespeare, a quem nos referimos como uma pessoa, pode nunca ter existido ou sido o trabalho de um grupo de escritores (há fascinantes livros sobre as diversas teorias de quem foi ele).

De qualquer forma, leiam.

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Conjectura dos Filtros

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A ciência discordiana examina aqui a diferença de comunicação entre dois tipos de pessoas e o que gera frustrações de ambos os lados ao interagirem.

Esta conjectura assum um dogma: De que existem apenas, e tão somente, dois tipos de pessoas. Lembrete: Isto é um maldito dogma, simplesmente não se discute!. Estes dois tipos de pessoas são:

1. Sociais. São pessoas interessados principalmente em pessoas ou em ações sociais. Gostam de conversar, paquerar.

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2. Nerds. São pessoas interessados principalmente em coisas e suas particularidades. São obecados por diversos assuntos. Conhece mais sobre pessoas mortas a mais de um século do que sobre sobre o vizinho do lado.

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Filtros

Cada grupo ao longo de sua vida cria atalhos e focos mentais baseados naquilo que lhe satisfaz.

Os Sociais desenvolvem um faro para expressões faciais. Sabem ler nas entrelinhas de olhares, são habilidosos em reconhecer certos padrões de comportamento e se adaptar a eles. A comunicação tem o propósito de interagir com outras pessoas.Eles criam um filtro, não dizem nada ofensivo demais. Eles filtram as informações que emitem.

Os Nerds são mais interessados nas coisas do que nas pessoas. Logo, eles não se importam em emitir informações e juízos, que de acordo com as coisas, o campo de estudo e/ou verdade factual, e não filtram a informação que passam. Nã tem tato. Um Nerd apenas filtra as informações que recebe.

Exemplos práticos (estrelando: Ibrahim Cesar) Exemplo 1: Eu sou mais interessado em saber o que aconteceu em algum ponto na História a alguns anos atrás do que está rolando no sábado à noite em minha cidade. Fui jogar Banco Imobiliário com uns amigos e lá estava essa garota chamada Ariana. Em determinado momento esta se ausentou da sala. Quando chegou a vez da mesma jogar alguém perguntou: “Onde está a Ariana?”. Disseram que foi no banheiro, não sei. O que eu falo na hora? “Ou talvez ela foi matar judeus”. “Ou planejar um genocídio”. Pelo menos uma pessoa riu e muito. E se uma pessoa ri muito de uma piada isso significa que valeu a pena contá-la. O problema nesse lugar com oito pessoas era que a pessoa que riu foi eu.

Bônus: No amigo secreto, eu escrevi o bilhete de quem tirou ela. Escrevi no envelope: Heil Ariana!

Exemplo 2: Fui em um amigo secreto. O citado acima. Reservaram uma pizzaria aqui e fomos lá. Rodízio de pizza. Todos os tipos. Foi a segundo vez em todos meus 21 anos que fui em uma pizzaria. Devo ter comido uns três pedaços. Como não gosto de cebola, peixe, carne gorda, certos legumes e vegetais, a maioria eu simplesmente estava passando. Então veio a pizza de camarão. Simplesmente não como. Mas fiz questão de lembrar a garota do meu lado de que aquela linha atrás do animal eram fezes.

O ânus dos crustáceos se localiza no télson, que é o último segmento do abdômen (aquele mais durinho, bem no final do corpo, parece uma nadadeira e serve pra dar impulso pra nadar) e, portanto, é por aí que saem as fezes dele. Aquela tirinha preta seria o seu intestino, ou seja, dentro está o que o camarão comeu e, portanto, as fezes se formando… Então, quanto mais próximo do ânus estiver a tirinha, mais parecido com a fezes será o seu conteúdo. Para resumir eu chamo de fezes.

Não sei se alguém de nossa mesa voltou a comer camarão naquela noite.

Bônus: Um amigo meu não sabia se havia trancado direito a porta do carro e estava meio preocupado. Uma garota tentou tranquilizá-lo: “Deus cuida para você”. Ela queria acalmar a preocupação dele. É uma pessoa interessada em pessoas. Gosto muito desse meu amigo mas sou mais interessado em coisas e vi uma séria violação de uma coisa que acredito. Então acrescentei: “Mas…Você sabe o que os árabes dizem? Acredite em Alá…Mas antes de dormir, amarre bem os seus camelos”.

Eu o acompanhei para conferir a porta do carro.

Na Cultura Popular

The Big Bang Theory;Leonard tentando se dar bem com Penny, traz ótimos exemplos práticos. Uma cena antológica nesse sentido, ela o beija. E ele analizando a situação explica para ela que isso se deve a uma mistura de álcool com os problemas de relacionamento. Ela então “saí do clima” e agradece por ele ser tão inteligente. Ele diz: “É, eu sou um maldito gênio“. “Por que mais homens não são como você?”, “Por que se fossem, a humanidade jamais teria se reproduzido”.

Esta é a Conjectura dos Filtros, que busca dar uma explicação plausível para falha de comunicação e problemas na interação entre esses dois tipos de pessoas.

O Fenômeno Suplex

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

ATCHUNG! As fotos foram colhidas aleatoriamente pela internet em sua maior parte reunidas por maníacos entusiastas do fenômeno. As fotos foram incluídas após uma longa reflexão de onde chegamos a conclusão de que seria impossível ao leitor compreender o fenômeno em sua totalidade sem tal acompanhamento visual. Se você está retratada nas fotos e se sentiu ofendida e deseja que retiremos a foto ao ar, por favor, entre em contato. Não esqueça de dizer o estado civil. Obrigado.

Ah, a ciência discordiana. Sempre com sua abordagem reta através dos anos, abordando de frente assuntos que a ciência de jaleco branco ignora. O tema deste artigo procura descrever um fenômeno social que está acontecendo na região sul do país e está ligado a dois tópicos antes abordados: “Teoria das Calças” e “Armas de Sedução em Massa”.

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O Fenômeno Suplex: Aqui, uma usuária da roupa faz o numeral V.

DEFINIÇÃO

Ao que parece, Suplex é um tecido com propriedades parecidas ao da lycra. Ambos provavelmente são marcas registradas. Ao que indica é mais leve e macio que a citada e se adapta mais naturalemnet ao formato do corpo. É uma lycra melhorada no sentido em que se adaptada morfologicamente melhor (fonte: minha imaginação, Orkut).

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USO

Eu não estou certo de que seja inteiramente aprovado pelos pais, isto é, se os mesmos são conscientes dos efeitos de tal vestimenta na imaginação de garotos (piscinas de hormônio que pensam basicamente em “coito”, “sexo” e “transar”). A faixa etária das usuárias é entre 10 e 25 anos (entre o ilegal e o fértil). Mas não há barreiras para o uso, como um entusiasta comenta:

Segundo, C.U.M. (15 anos), retirado do Orkut: “ATE QUE MNAO TEM BUNDA USA, FIKA PAIA PRA CARAIO HEHEHEHE MAS USAN”. E Caps Lock é a mãe.

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GEOGRAFIA

O comércio de Suplex não é proibido no Brasil (ainda), mas segundo observações de um sujeito no Orkut (empiricas e locais), geograficamente as usuárias do mesmo se concentram mais no Rio Grande do Sul. Citando:

“É interessante que olhando o orkut das gurias de outros estados, é dificil encontrar fotos delas usando esse tipo de tecido, normalmente elas usam calça jeans, lycra, mini saia, etc. O fênomeno suplex é particularmente aqui do Rio Grande do Sul, algumas de Santa Catarina até usam, porém em quantidade, nem se compara com o Rio grande”.

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É por motivos como este que eu entendo por que o Rio Grande do Sul sempre quis ser independente do Brasil.

SUPLEX BRANCO

Depoimento de A.S.S. (16 anos), retirado do Orkut: “não a nada igual do que ver as gatinhas mais lindas usando uma calça branca de suplex, é inacreditááável!! E se com a calça preta já se consegue ver a calcinha, imagina com uma calça branca!?????? Fica completamente TRANSPARENTE e adivinha que tipo de calcinha elas costumam usar!??? Que dúvida, claro que fio-dental!! Nos shoppings de Porto Alegre é comum vê-las vestidas assim principalmente nos finais de semana.”

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NAS ESCOLAS

Ainda não é proibido nas escolas. O dia que for, estudos mostrarão que o tempo dos garotos gastos no banheiro diminuirá consideravelmente.

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Pensamento transcrito de um professor (reproduzido sem consentimento): “De que sérias elas são?…Oh…Por favor, Deus, que tenham 18 anos! De qualquer forma, qual é a pena para abuso de menor, mesmo?”

POSE PATOLÓGICA: “REVISTE-ME, POR FAVOR”

Usuárias acabam dividindo hábitos na hora de registrar o auge de sua fertilidade. O objeto da foto, implícito e não verbalizado, é o mesmo da propaganda. Mostrar aos machos em idade reprodutiva que seus corpos estão moldados e esperando por “coito”, “sexo” e “transar”. Entre os hábitos divididos se encontram:

Tendência de ficar de costas para o foco da câmera, mostrando a região glútea, notoriamente privilegiada pelo suplex, mas que denuncia parte de nosso passado ancestral e derruba “Adão & Eva”. Evoluímos de um ancestral em comum com o macaco, o que significa que não fomos sempre eretos. Desta forma, nos reproduziamos com o macho montando a fêmea pelas suas costas. Ou seja, as “nádegas”, evolutivamente são o atrativo das mulheres para o coito embora culturalmente passamos a adotar outras posições (veja o Kama Sutra para maiores informações neste tópico).

Tendência de fazer a pose “Reviste-me, por favor” que é apenas uma exploração do tópico anterior adicionando o fator submissão na equação, que os homens gostam tanto.

Abaixo uma amostragem da patologia:

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É ou não é fascinante conhecer melhor nosso país?

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E que Éris abençoe as câmeras digitais.

Maiêutica

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

“Em princípio achei estranho viver entre os azande e ouvir suas ingênuas explicações de infortúnios que, para nós, têm causas evidentes. Depois de certo tempo aprendi a lógica do seu pensamento e passei a aplicar noções de feitiçaria de forma tão espontânea quanto eles mesmos, nas situações em que o conceito era relevante. Um menino bateu o pé num pequeno toco de madeira que estava em seu caminho — coisa que acontece freqüentemente na África –, e a ferida doía e incomodava. O corte era no dedão e era impossível mantê-lo limpo. Inflamou. Ele afirmou que bateu o dedo no toco por causa da feitiçaria. Como era meu hábito argumentar com os azande e criticar suas declarações, foi o que eu fiz. Disse ao garoto que ele batera o pé no toco de madeira porque ele havia sido descuidado, e que o toco não havia sido colocado no caminho por feitiçaria, pois ele ali crescera naturalmente. Ele concordou que a feitiçaria não era responsável pelo fato de o toco estar no seu caminho, mas acrescentou que ele tinha os seus olhos bem abertos para evitar tocos — como, na verdade, os azande fazem cuidadosamente — e que se ele não tivesse sido enfeitiçado ele teria visto o toco. Como argumento final para comprovar o seu ponto de vista ele acrescentou que cortes não demoram dias e dias para cicatrizar, mas que, ao contrário, cicatrizam rapidamente, pois esta é a natureza dos cortes. Por que, então, sua ferida teria inflamado e permanecido aberta se não houvesse feitiçaria atrás dela?”
(E. E. Evans-Pritchard em “Witchcrafts, Oracles and Magic among the Azande”)

Independente de sua crença ou falta de crença, você leu o texto acima e deve ter gargalhado das explicações ingênuas dos “azande” para fenômenos que a nossa ciência “prova”, assim como o escritor deste excerto. Porém, daqui a alguns anos, com certeza haverá gente rindo da nossa “ignorância” com uma nova filosofia baseada em outras premissas.

Já parou pra pensar nisso?