Eu já assisti “Cloverfield” há algumas semanas e confesso que saí frustrado da sala de cinema. Esperava mais, muito mais. Sem dúvida combinou uma técnica de filmagem com uma narrativa muito bem sacada (a fita gravada sobreposta, revelando o sub-plot) e sem dúvida dá um novo fôlego aos filmes de monstros. Mas eu esperei um ano por esse filme achando que ia ver um filme sensacional sobre Cthulhu. Ok, não é Cthulhu, mas não foi isso que me frustrou. Cloverfield está cheio de clichês!
Alerta de Spoilers! Só continue apartir daqui se você sabe que o Bruce Willis está morto desde o princípio, Brad Pitt é Edward Norton, e o casal de Cloverfield aparentemente morre no final
Uma Câmera na Mão e Um Monstro Gigante
Sem citar o óbvio “A Bruxa de Blair”, que eu nunca vi, posso citar filmagens no estilo: “The Office”, “Arrested Development”, “Reno 911″. Ok, nenhum deles é ação desenfreada. Então que tal os dois últimos Bournes, filmados no usual estilo de Paul Greengrass com essa “câmera na mão” usado nos excelentes “Vôo 93″ e “Domingo Sangrento”.
O Sujeito Que Ama a Garota que o Ignora
Hud, o sujeito com a câmera, faz o típico “sujeito que ninguém leva muito a sério e é interessado pela garota que o ignora totalmente”. Suas tentativas de abordar ela com desculpas esfarrapadas, quando ela se machuca para salvar ele (depois fazendo suas vísceras explodirem através de uma proteção, sendo a cena que mais me deixou pensando).
O Mocinha Salva a Mocinha
Ok, é temporário. Mas a não ser que em algum filme, o sujeito dê uma poção de eternidade para a mocinha, ele também a salvou temporariamente. Nós morremos. Todos. E todo adulto, acredito, sabe disso. Cloverfield satisfaz a platéia ao mostrar ela sendo salva. Um detalhe aqui merece ser destacado: Não vou falar sobre a inclinação do prédio, nem nada, mas parece que havia algo atravessando o corpo da moça, e eles a tiraram de lá a puxando. Ora, eu assisto “Grey’s Anatomy” e sei que fazendo isso eles a condenaram a sangrar até a morte, a não ser que arrumassem ajuda médica rapidamente.
O Conflito se Resolve
Faz o que toda boa história deve fazer, ótimo. Mas vai me dizer que aquela cena de um dizendo que ama o outro antes de “morrerem” não é clichê?
Encontro com o Monstro
Por mais que nada seja explicado, Hud levanta várias hipóteses. Mesmo que seja realmente difícil ver como o monstro é, ocorre um encontro em que conseguimos ver sua cara. É um momento tenso e marcante, que não podia faltar, não é mesmo?
Destruição de Ícones
Alguém falou “Independece Day”? Ou vai me dizer que ninguém achou estranho o monstro gigantesco que destrói prédios facilmente apenas decapitou a estátua da liberdade, a arremessando direto para o trailer misterioso e exatamente na rua onde estão os protagonistas?
Não quero desmerecendo o filme, ou dizendo que é ruim, eu adorei, só quero usá-lo para embasar a afirmação a seguir: Uma história se faz com clichês, o que muda é como vocês os apresenta. Se você quer ser totalmente original provavelmente irá falhar. A diferença está em como você usa as convenções. E isso é claro, se aplica a livros, blogs, quadrinhos…
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crédito: Marcin Wichary















