A declaração da senhora Matilde Ribeiro, fez com que as cabeças se voltassem para uma discussão que já foi muito mais comentada e que hoje, esquecida, permanece em algum canto burrocrático do país. Estou falando da questão das cotas raciais.
Para mim, a questão das cotas raciais somente acentua o grave problema do preconceito e divide ainda mais as etnias. Por que, aliás, ter cotas para a Universidade, se o ensino médio, disponível a todos, apenas 30% da população na faixa etária chega a concluir? Para mim, cotas somente divide as pessoas racialmente, o que não deveria ser um critério utilizado.
As pessoas que acreditam que possam criar uma sociedade sem preconceito, por favor peguem o próximo avião para Utopia com patrocínio de Thomas More (espero que o avião possa decolar). Acreditar em “sociedade livre de preconceito” é acreditar em felicidade e amizade entre homem e mulher. Mais que isso, é negar a natureza humana. O preconceito é natural e existe dentre todos os lados pois é uma forma absolutamente cega da natureza dizer “Calma aí, não estou certa de que seus descendentes seriam saudáveis e melhores como nós [os genes] queremos”.
Não existirá sociedade sem preconceito, o que pode-se construir é uma sociedade livre de desigualdade racial onde cada uma usufruindo dos mesmos acessos ao bens básicos tais como alimentação, trabalho, assistência médica, possam atingir uma coexistência pacífica para que em milhões de anos, quem sabe, a natureza cegamente possa reescrever o código genético e eliminar o preconceito. Quem sabe? Até lá teremos que saber como conviver com nossos demônios interiores.
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