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Reductio ad absurdum

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Convoco alguns blogs à um meme, que deve ser respondido e passado a diante para outros novos blogs (três é bom :D ). O meme consiste em mostrar três situações, fatos ou conclusões e tentar mostrá-los como absurdos. Pode-se (e aqui a prática é encorajada) expor as respostas de outros participantes do meme! Não faz-se necessário que sejam absolutamente absurdos. Aos seus postos, começa o jogo da contradição.

Esta é a diretriz dada por Scheider o Discordiano-Que-Fala-Esperanto dada no meme corrente: Absurdo

Aqui vão as minhas reduções (aliás, manobra de debate predileta)

1. “Se porrada educasse as pessoas, bandido saía da cadeia santo.”

Essa foi dita recentemente pelo Presidente Lula. Quem diria! Lula usa o bom e velho “reductio ad absurdum” aqui ao usar um exemplo extremo que ridiculariza como absurda a proposta. Sem qualquer juízo da questão, há muitas pessoas que acham o contrário e não estou querendo dizer apenas de “presos”. Já que o “se porrada educasse as pessoas…” é usado por país ao redor do país com seus filhos. Olhem o que eu ouvi um dia desses:

“Pára de chorar! Pára de chorar! Se não vou te bater até sair em sangue!

Será que podemos considerar isso uma redução ao absurdo para a criança cooperar ou…?

2. “Brasileiro é…”

Geralmente uma redução ao absurdo é um argumento deliberadamente utilizado apenas com o objetivo de atacar a idéia que se espera combater. Mas uma generalização boba que faz de um vício de certas pessoas uma regra universal que vale para pessoas nascidas em uma delimitação geográfica e criados em culturas extremamente diversas é um ataque à inteligência de qualquer um. Sempre que ouço algo como “os brasileiros são…” eu sei que lá vêm besteira. O velho “senta que lá vêm história” do Rátimbum. É uma espécie de sabotagem por redução ao absurdo do próprio interlocutor, o que funciona muito bem em sátiras.

3. Monstro de Espaguete Voador

Não gosto quando citam o Monstro do Espaguete Voador como uma coisa nova em termos de religião sátirica. Temos tantas anteriores como o discordianismo, até mesmo os sodomitas dos Subgênios, mas como estou mais prestando homenagens a reduções ao absurdo, o Monstro de Espaguete Voador é exatamente isso. Foi criado por Bobby Henderson, usada para parodiar os esforços dos criacionistas e crentes no design inteligente, que pregam o ensino de tais teorias nas aulas de ciência, ao invés da teoria da evolução. Seu fundamento é que, dados os argumentos usados pelos criacionistas e apoiadores do design inteligente, sua teoria descompromissada considera um ‘monstro de espaguete voador’ como criador do mundo sendo uma alegação igualmente legítima para um lugar no currículo científico. Esse é um bom exemplo de uma forma débil de redução ao absurdo, uma vez que não evolve uma contradição formal. Alguém poderia alegar dizendo que o criacionismo e o “monstrismo-do-espaguete-voador” (ou “Pastarianismo”) deveriam de fato ser considerados nas escolas,essa posição afrontaria a maior parte das pessoas como um absurdo (e essa é a intenção de Henderson), mas ela é, ao menos, internamente consistente.

Quem é o próximo?

Vou deixar aberto aos três primeiros que comentarem e expressarem o desejo de participar.

Gerador de Improbabilidade Infinita
Reflexões e perda de tempo
Parem o Mundo


Creative Commons License crédito: nep

Como debater com fanáticos II

sexta-feira, 11 de maio de 2007

Continuando a saga erística iniciada aqui. Desta vez apresentarei um argumento para ser usado contra ateístas.

ÿ importante ressaltar que ao defender uma divindade é ingênuo invocar a Bíblia. Primeiro, o ateu o desconsidera como prova válida do que quer que seja, eles esperam algo que tenha passado pelo método científico. Seria mais ingenuidade ainda se você descartasse o método científico pois é graças ao mesmo que se possui remédios e toda inovação tecnológica que você adora. Renunciar ao método científico somente se você morar em uma caverna. Há um ramo de pseudocientistas que invocam o design inteligente, mas não aconselho-o a utilizar o mesmo. o argumento aqui apresentado procura uma outra rota, longe das mais comuns que os ateus fanáticos estão cansados de percorrer.

Ateus sempre pedem provas. Sai com este argumento vindo direto de Spinoza: O Universo é teofania. Hã? Ao declarar isso, você dirá que deus é o Universo. Teofania é um termo que designa uma manifestação sensível de uma divindade. A moita pegando fogo de Moisés, o anjo que conversou com Maomé, todas são teofanias. Note que neste caso você estaria dizendo que o deus das religiões é equivocado pois eles o imbuíram de “material humano” como emoções. Eu sou incapaz de pensar em algum argumento a favor de deus sem dar um salto de fé, que foi o meu objetivo aqui. Você igualaria o Universo a deus. ÿ meio estranho orar para o Universo mas que você desconcentraria o fanático, isso com certeza. A respeito do “salto de fé” mostrado acima, este é um conceito do filósofo Kierkegaard. ele dizia que não há nada que justifique a fé, apenas um salto onde você ignoraria as contradições lógicas, morais e da razão. Ou seja, um salto equivale a ignorar.

Einstein inclusive era um dos que acreditavam nesta visão de deus. Muitos argumentam que deus ser tudo é o mesmo que ser nada, mas não deixa de ser uma forma de ver as coisas.

A arte de ter razão (a erística) é muito complexa e cheia de detalhes. Conhecer uma “regra” nunca é suficiente, precisa-se conhecer detalhes e detalhes. Em breve postarei mais a respeito, mas recomendo o livro “A arte de ter razão” com 38 estratagemas para se ter razão de Schopenhauer.

[tags]Schopenahuer,erística,ateus,debate[/tags]

Como debater com fanáticos I

quarta-feira, 9 de maio de 2007

A erística, arte de se ter razão, será discutida profundamente ou ao menos com mais palavras futuramente, esta postagem é apenas um “Guia para lidar com fanáticos”. Será uma pequena série com base nos fracos argumentos lançados por eles.

Primeiro, saiba que ao entrar uma discussão você não vai mudar o ponto de vista do outro. Se você entrar pensando em converter um ateu niilista ou fazer um evangélico renascido dizer que deus não existe, você não está apenas perdendo o seu tempo como o dele. Seu objetivo em uma discussão é claro: Mostrar para a platéia que você está certo. ÿ muito importante ter isso em mente: Não se pode ensinar alguém aquilo que ele acredita já saber.

Agora vamos aos argumentos. NOTA: O 1001 Gatos de Schrödinger coloca esses argumentos apenas como acesso ? informação e conhecimento não instigando ninguém a realmente utilizá-los.

“Nietzsche aceitou Jesus quando estava morrendo!”

Argumento muito, muito comum e bobo. Apresenta numerosas variações: “Basta uma turbulência em vôo para um ateu clamar a Deus”, “No momento de perigo é em deus que qualquer um se pega”, “XXX no leito de morte se arrependeu de ser ateu”. A idéia é a mesma: Em momentos fatais, ao encarar a morte, ateus se voltariam a deus.

Agora por que é um argumento bobo: No livro “Deus, uma biografia” (muito bem escrito), o autor se esquiva de qualquer debate teológico. Ele não quer saber se deus existe e não, mas quer contar a história do personagem deus, que queira um ateu ou não, é o mais influente de todo o Ocidente. Pense em um animal, talvez um porco. Vamos matá-lo, mas nada sem sofrimento como todos sabemos que é feito pelos matadouros, vamos pegar uma faca e cortar metodicamente cada uma de suas patas e deixá-lo sangrá-lo até morrer. Sádico eu sei, mas alguns porcos hipotéticos podem ser mortos pelo bem da ciência.

Ele vai gritar. Muito. Concorda? Talvez nós tenhamos pesadelos depois. Pois bem, ele está clamando por deus. Bem, não exatamente deus mas aquilo que um ateu e QUALQUER pessoa na Terra clama nos momentos fatais, de sofrimento exarcebado, ou críticos. Queremos safar nossos traseiros gordos. Gritamos, deus é apenas uma idéia colocada em nossa cabeça desde criança que pode nos ajudar (é claro que nada ajuda, mas o nosso cérebro está desesperado). Um ateu é uma pessoa que têm não tem meios invisíveis de suporte e que por isso nega qualquer fator sobrenatural, mas ela simplesmente não consegue apagar anos de criação e educação religiosa.

Um ateu que diz “Meu deus…” ao ver uma cena estarrecedora, não é igualmente um contraditório. ÿ apenas a expressão de sua criação e não a demonstração de sua crença e convicção.

E em adição, o que Nietzsche disse foi “Se houver um deus vivo eu estou ferrado”, o que foi um momento de lucidez irônica incrível. Ele o autor de “deus está morto”, aproveita para tirar um sarro de si mesmo.

No próximo “Como debater com fanáticos”, um argumento contra ateus. Sim, você não ouviu errado.

[tags]erística,erisianismo,debate,fanáticos[/tags]

Igreja Católica não sabe argumentar

terça-feira, 24 de abril de 2007

Acredito que vou chover no molhado ao afirmar que a Igreja Católica não sabe argumentar, mas não custa nada fazê-lo. Digo isso graças ao pronunciamento do arcebispo Angelo Amato, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé que disse que o casamento homossexual é um mal e que o aborto é terrorismo.

Usou pelo menos três artifícios que escondem a falta de argumento para estar com a “razão”:

1. Sua posição sempre destacada nos textos que li é que o tal Angelo é a segunda maior autoridade em relação ? doutrina. Ou seja, está invocando o posto de autoridade que, todos sabemos, causa muito efeito ainda mais entre os mais iletrados ou entre aqueles que são incapzes de ler sem mover os lábios. Qualquer coisa cuspida pelo Papa é algo a ser seguido. E não apenas ao papa mas a inúmeros outros “doutores” que não devem nem ter feito mestrado. O pior é que, pelo menos em minha cidade, advogados que não são doutores se apresentam como tais. Recorrer ? autoridade é realmente muito vantajoso, não vou negar.

2. O casamento homossexual é um mal ponto. Ou seja, A é C. Como de A chega-se a C não foi explicado, na verdade ele se esquivou de tal criticando os jornais e as televisões. Atacou o azul e criticou o amarelo. Mudar de assunto é uma boa tática para despistar o fato de que ele não mostrou um argumento, não abriu-se a um diálogo. A é C ponto.

3. O argumento do estilo “Você é um nazista” é um dos meus prediletos. Pegue o que você mais odeia e simplesmente, sem cerimônias, o compare a algo que a opinião pública, e até mesmo o alvo, concordem que se trata de algo nocivo, ruim e perigoso. Nazista é o clássico, mas o tal Angelo mostrou-se um safadinho ao usar “O Mal” da moda.

Acreditar nesses argumentos é ser idiota. Isso mesmo, A é C e como se chega a C está devidamente escrito nas entrelinhas.

[tags]julgando godot, aborto, homossexual,unão civil, idiotas[/tags]

Então, o que é verdade?

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Dizem que foi essa a pergunta que Pilatus fez a Jesus antes deste ir ser crucificado. Não houve resposta. André Dahmer certa vez fez com que uma de suas “flores do mal” dissesse que, “a verdade é um acordo entre mentirosos”. Não estou totalmente certo disso, mas lendo sobre a repercusão da tragédia na universidade da Vírginia, me peguei pensando que talvez a verdade seja apenas um acordo entre os que pensam igual. Veja:

Quem defende o controle de armas está dizendo que ficou provado que o fácil acesso ? s armas causou o massacre. Quem defende o porte de armas está dizendo que se não fosse proibida a entrada de armas na universidade, as vítimas teriam podido se defender.

O que leva diretamente aquela idéia de que não se pode ensinar a homem algum aquilo que ele já acredita saber. Pessoalmente eu não saberia exatamente qual dos dois lados está certo, se bem que eu poderia assoprar um ótimo argumento para os defensores do controle de arma: Se não houvesse acesso a armas eles nem ao menos precisariam se defender já que o assassino não teria arma alguma para fazer o que fez.

Não conheço os Estados Unidos então não posso dizer se lá é tão fácil de se conseguir armas de forma ilegal tanto quanto parece ser por aqui. Na verdade, meu intuito não era nem tocar no assunto da questão das armas e sim em como sempre alguém encontra um argumento que justifique suas idéias a respeito de algo.

E aquela resposta feita há mais de 2.000 anos atrás continua sem resposta.

[tags]armas, Virgínia, verdade[/tags]

Top 10 Estratégias para Ter Razão

domingo, 31 de dezembro de 2006

Em “A Arte de Ter Razão”, um livro fininho mas nem por isso menos importante
de Schopenhauer (se diz Xô-Pen-Rá-Ú-Er), o mesmo traça 38 estratagemas para se ter razão em uma discussão qualquer.Note que as estratégias não levam em conta se você está certo ou não, elas foram feitas para se vencer a discussão, para se ter razão mesmo quando errado.
Schopenhauer assinala para isso:

De fato, é possível ter razão objetiva na questão em si e, no entanto, aos olhos dos presentes, por vezes aos próprios olhos, não ter razão.[...] Portanto a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos litigantes são duas coisas distintas.

A arte de ter razão é uma arte que todo discordiano deve dominar com maestria pois é através desta ginástica teórica que podemos defender nossas crenças, ridicularizar nossos rivais e mandar as pessoas irem ? merda de tal forma que elas queiram ir.
Todas as 38 são boas estratégias, algumas são bem específicas e dependem de fatores como a solidez dos argumentos, etc, portanto esta selação de modo algum substitui o excelente livro, ficando apenas como a seleção especial das 10 melhores contidas nele (? s vezes penso que deveria ter feito um top 38).

10.
Estratagema 33.
“Isso pode ser correto na teoria; na prática é falso.”
Com esse sofisma admitem-se os fundamentos, porém negam-se as suas conseqüências.A afirmação gera uma impossibilidade: o que é correto na teoria deve valer também na prática, se isso não se confirma é porque há alguma falha na teoria; algo passou despercebido e não foi levado em consideração e, por conseguinte, é falso também na teoria.

9
Estratagema 1.
A Expansão.Levar a afirmação do adversário para além de seu limite natural, interpretá-la da maneira mais genérica possível, tomá-la no sentido mais amplo possível e exagerá-la; inversamente, concentrar a própria afirmação no sentido mais limitado, no limite mais restrito possível: pois, quanto mais genérica se torna uma afirmação, a mais ataques ela fica exposta.

8
Estratagema 19.
Se o adversário exigir expressamente que apresentemos algo contra um determinado ponto da sua afirmação, mas nós não temos nada de adequado, precisamos então tratar o assunto da maneira mais genérica possível e, em seguida falar contra tal generalidade.

7
Estratagema 7.
Fazer muitas perguntas de uma só vez e de modo pormenorizado, a fim de ocultar o que na verdade se quer ver admitido.Em contrapartida, expor rapidamente a própria argumentação a partir do que foi admitido.

6
Estratagema 29.
Se percebemos que seremos vencidos, devemos fazer uma digressão, isto é, começamos de repente com algo totalmente diferente, como se pertencesse ao assunto e fosse um argumento contra o adversário.

5
Estratagema 16.
Diante de uma afirmação do adversário, temos de pesquisar se ela porventura não está de algum modo – conforme o caso está apenas aparentemente – em contradição com alguma coisa que ele tenha dito ou admitido anteriormente, ou com dogmas de uma escola ou seita que ele tenha louvado e sancionado, ou ainda com as ações dos adeptos dessa seita, mesmo que sejam falsos e aparentes, ou com seu próprio comportamento.

4
Estratagema 31.
Quando não se souber apresentar nada contra os fundamentos expostos pelo adversário, com sutil ironia devemos nos declarar incompetentes.Com isso, insinuamos aos ouvintes, juntos aos quais temos prestígio, que se trata de um disparate.Essa estratégia só pode ser utilizada quando se está seguro de ter um privilégio decididamente mais alto que o do adversário junto aos ouvintes.

3
Estratagema 26.
Um golpe brilhante é quando o argumento que o adversário quer usar em seu favor pode ser mais bem utilizado contra ele.

2
Estratagema 27.
Se o adversário inesperadamente se zanga diante de um argumento, devemos insistir energicamente nele: não apenas porque é bom provocar-lhe a ira, mas também porque é de supor que tenhamos tocado o lado fraco do seu raciocínio.

1
Estratagema 38.
Arthur guardou o melhor para o final:Quando percebemos que o adversário é superior e que não ficaremos com a razão, devemos nos tornar ofensivos, insultantes, indelicados.E Schopenhaur é um verdadeiro especialista nisso, outro de seus livros têm o título “A Arte de Insultar”.Um adendo maravilhoso, Schopenhauer tinha um poodle (Uiii) chamado Atman, e como ele insultava o cachorro quando este não o obedecia? Chamava-lhe de “homem”.

Para Saber Mais:
A Arte de Ter Razão – Onde você vai encontrar exemplos para entender melhor
A Arte de Insultar
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[tags] schopenhauer,razão,estratégias[/tags]