Posts com a Tag ‘Ficcionáutica’

Futures from Nature

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ano passado a revista Nature lançou uma coletânea com 100 “ficções especulativas” (que para quem não sabe, é a boa e velha ficção científica usando um nome esnobe para os acadêmicos não barrarem ela na porta) com o nome “Futures from Nature”. Eu não li, mas a Super deste mês publicou o enredo de algumas. Só de comprar com os enredos de livros policiais e até clássicos da literatura, eu percebo o quanto eu gosto de ficção científica.

Quando eu era menor meu sonho era ser paleontólogo. Cheguei a visitar com a minha mãe o Departamento de Geologia da Unesp e vistar aquele que era o herói da minha infância: Reinaldo Bertini, um paleontólogo de renome. Mas eu cresci e com o tempo percebi que o trabalho deles podia ser meio exaustivo, horas de baixo do show, escavando e procurando. Naturalmente fui colocando a idéia de lado e me interessei por física teorica. Lia livros sobre a origem do Universon, Bósons de Higgs, Quarks e passava o tempo tentando prever com qual tipo de teoria eu iria ganhar meu Prêmio Nobel (se os garotos que querem ser jogadores de futebol sonham em ganhar a Copa do Mundo, garotos nerds sonham com o Nobel e prêmios do tipo). Mas eu cheguei no colegial e comecei a me preparar de verdade para passar no vestibular, de física, claro.

Mas então eu descobri que eu teria que obrigatoriamente conhecer um bocado de matemática. Eu adoro alguns conceitos matemáticos, penso de forma lógica, mas isso tirou um pouco a graça da coisa. Só mais tarde que eu descobri qual era meu verdadeiro interesse, seja na paleontologia, seja na física, mas que me manteve afastado de efetivamente seguir qualquer uma: eu era fascinado por suas narrativas.

Se eu adorava a forma como descreviam os comportamentos dos dinossauros, as alterações climáticas, as relações entre as espécies e aforma meio CSI com que analisavam os fósseis, eu também adoro as narrativas de como o hélio se formou nas primeiras estrelas e como os elementos químicos mais pesados foram criadores. Toda a zoologia cosmológica. A física quântica, quase que um surrealismo na narrativa da física. Foi quando eu entendi que eu estava mais para a ficção científica, as narrativas cientíificas, do que as ciências de fato (levantar dados, conferir testes, controlar ambientes, ser metódico ao extremo).

Sempre fui leitor voraz e ficção científica foi boa parte de minha dieta intelectual. Mas só fui perceber isto mais tarde quando fui fazer esta conecção entre “narrativas” e “ciência”. Aliás, embora seja de uma forma pouco incisiva, EQM, meu livro a ser lançado em breve, financiado por leitores do 1001 Gatos de Schrödinger (ou mecenas encontrados através dele), é de certa forma ficção científica, e com orgulho. Mas vamos ao que interessa, os enredos publicados na Super:

Improving the Neighbourhood | Reforma na Vizinhança

Neste conto de Arthur C. Clarke (Descanse em Paz), uma civilização não identificada examina os vestígios de outra, que conseguiu alcançar grande progresso tecnológico antes de explodir seu próprio planeta. “Se eles conseguiram realizar o ‘upgrade’ da consciência baseada em carbono para o germânio, como fizemos há muito tempo, é uma questão controversa”, diz o conto. A grande sacada da obra é que não dá para saber se a civilização da Terra é a autora do estudo arqueológico ou é a que já está extinta. Um conto filosófico e reflexivo.

Spawn of Satan | Cria do Demo

Interessante conceito de Nicola Griffith, que nos apresenta um mundo em que todas as mulheres desencanaram de ter filhos e que a inseminação artificial vira a regra para se gerar bebês. O que acontece é que com isso todas as crianças são lindas, inteligentes e bem comportadas. Todas muito parecidas entre si, pois seriam filhos dos melhores genes que as mães podem pagar. Nessa sociedade os homens vivem marginalizados, obrigados a fazer todo o serviço de casa, sem dar um pio.

Meat | Carne

Neste conto de Paul McAuley, o protagonista é um segurança de DNA das estrelas. Ele escreve: “Hoje, você não é um fã de verdade a menos que tenha provado a carne de seu ídolo”. Essa maluquice começou a acontecer quando a engenharia genética evoluiu tanto que a clonagem de tecidos humanos passou a ser uma atividade corriqueira. Como bastava ter acesso a uma célula do ídolo para fazer crescer quilos e mais quilos da carne dele, o canibalismo de celebridades virou uma prática comum em qualquer fã-clube. E não era só ídolos que isso acontecia. Políticos comiam a carne de seus rivais e criminosos, a de seus inimigos. Foi aí que famosos começaram a contratar os seguranças de DNA para limpar os vestígios de células por onde passavam.

Panpsychism Proved | Panpsiquismo Provado

Rudy Rucker mostra a história de uma cientista encalhada que resolve fazer o colega por quem ela é apaixonada tomar o “pó do entrelaçamento quântico”. Uma poeira de carbono com partículas capazes de unir a consciência de duas pessoas. Mas o plano dá errado e ela leva um temendo fora, o sujeito joga o pó em cima de um predegulho, ligando a mente dele com a rocha, provando uma teoria controversa, David Chalmers a defende, de que tudo (até mesmo objetos inanimados) possuem mente.

Ars Longa, Vita Brevis | Arte Longa, Vida Breve

James Alan Gardner traz um muito interessante. Nele as maravilhas vistas por nossos telescópios aqui da terra não passam de obras extraterrestres. No dia em que a Terra descobriu que os fenômenos astronômicos eram somente ataques de criatividade de Ets metidos a Van Gogh, todos os departamentos de cosmologia das universidades daqui mudaram o nome para “História da Arte”. E passaram a estudar os pincéis astronômicos, instrumentos capazes de mover estrelas e planetas de um lugar a outro no espaço.

Trecho:

Nós tínhamos um monte de teorias sobre o que era o colapso estelar. Mas aí descobrimos que as supernovas eram apenas obra de ETs punks que se amarravam em explodir coisas.

Não dá vontade de ler? E ainda muito o que pensar…


Creative Commons License crédito: billaday

Seja um Mecenas: Ajude um Escritor Iniciante

segunda-feira, 24 de março de 2008

Durante 23 dias de Dezembro, eu passei concretizando um projeto que consumiu ao menos 5 anos, escrever uma novela que se chamava “Viagens à Terra Não-Descoberta”. Durante o processo o nome mudou mais duas vezes. Passou por “EQM” e por fim, “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam”. Acabou voltando a “EQM” pela economia de letras no título. E também por que “E” é a quinta letra do alfabeto. E, como Tiago Madeira bem apontou: M N O P Q. Começam e terminam uma sequência de cinco letras. Para saber mais sobre o livro, clique aqui, aqui e aqui também.

Seja Meu Mecenas!

Estou captando recursos para financiar a primeira edição do meu livro (leia-se economizando meus centavos) e a fim de acelerar o mesmo vim com esta idéia: Você compra um livro por 50,00 (valor que será superior a quando for lançado) e então estará recebendo o livro antes de todos, e terá seu nome impresso na dedicatória em todas possíveis edições do livro. Se possuir um blog ou site receberá ainda um link deste blog e de outro que irei pôr em ação assim que lançar o livro. E por fim, minha gratidão.

Mais sobre a mecânica: Eu somente irei cobrar os 50,00 quando atingir o valor necessário, que hoje é de no mínimo 17 mecenas. Isso significa se um número inferior a 17 pessoas se dispuserem a pagar, eu não irei cobrar nada de ninguém (e nem vai haver edição do livro, pelo menos não em um período próximo).

Eu até consigo arcar com a edição do livro, mas isso iria me consumir, quatro, cinco meses sem poder gastar com mais nada. Esta forma de mecenato irá acelerar minha captação de recurso. Você pode até dar de aniversário para alguém a dedicatória no livro (há uma história de amor no livro e pegaria muito bem!).

Se não quiser comprar o livro desta forma, tudo bem! Mas você mesmo assim pode me ajudar ajudando a espalhar a notícia em frente: Poste sobre a iniciativa. Com certeza chegará em pessoas que normalmente eu jamais atingiria!

Se você quer ser um mecenas, por favor, clique aqui e me envie um e-mail manifestando sua intenção.

Obrigado a todos pela ajuda :)


Creative Commons License crédito: Jon Wiley

Amor e morte: antítese?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Reverendo Ibrahim,

Inicialmente desculpe a demora para terminar de ler sua obra. As festividades e a vida longe do computador me deixaram longe das 282 páginas de um dos melhores romances que já li em minha vida, senão o melhor. E isso não é um exagero, mesmo eu tendo dito pra você o mesmo sobre Norwegian Wood há alguns dias. Você disse que queria ser Haruki, eu digo que você é melhor que ele.

Não sou um grande leitor e minha opinião não é de grande valia, mas preciso dizer que me senti envolvido e me emocionei ao ler a sua primeira novela. E eu ia lhe escrever isso tudo por e-mail, mas no fim resolvi colocar aqui no 1001 Gatos porque estou muito orgulhoso de poder ter lido este romance antes de ele ser oficialmente lançado e queria aplaudir-lhe em público

Me surpreendi a cada instante pelos acontecimentos, pela tragédia, pelo final deslumbrante. E aprendi. Seu livro não é apenas uma narração e não será simplesmente um best-seller escrito por este propósito. Desde seus diálogos mais simples até às conclusões, ele discute filosofia o tempo todo envolvendo o leitor e o assunto em pauta são as questões mais importantes de nossa existência e também as mais difíceis de discutir e compreender: o amor e a morte. Nunca achei que os dois combinavam e que poderiam ser os temas-mestre de uma história, mas “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” me fez repensar os dois sentimentos e me ensinou a lidar melhor com a morte. Na verdade, confesso que me deixou até com uma vontadezinha de morrer!

Eu cheguei a conclusão que sou Jonas. Lendo suas palavras me senti como se você tivesse escrito o livro dentro da minha mente! Estou assombrado e impressionado, porque sua narração parece ter me ensinado sobre eu mesmo. Seus pensamentos, sua dificuldade de expressar seus sentimentos, até seu encontro familiar no natal…! Nunca me identifiquei tanto com um personagem de um livro.

Não saberia dizer qual é o melhor capítulo da novela, mas preciso destacar um dos que mais me chamou minha atenção: o que fala sobre o Pastor F. F. F. Você é um reverendo discordiano, agóstico, influenciado por Schopenhauer e Nietzsche, e neste capítulo você provou ser completamente imparcial, sem radicalismo nenhum, parecia outra pessoa escrevendo. Na narração deste capítulo, sem seu humor e ironia habituais, você me surpreendeu ao apresentar um bom cristão, um bom pastor. E não só com ele mas na história toda sua facilidade de criar e descrever diferentes opiniões e personalidades para os personagens (desde Edgar até Tomás) é genial.

Para não me demorar, em suma, seu livro é uma obra-prima. Não sei como funciona essa burocracia de editora e publicação, mas se as editoras desse país forem sérias você vai facilmente conseguir uma e “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” será um sucesso. Parabéns!

Leia também: All we need is LOVE, o depoimento da Carol sobre a mesma obra.