Arthur entrou no costumeiro bar, sentou-se no lugar costumeiro do balcão; estava ansioso pelo jogo. Esperava fervorosamente que a Colômbia desbancasse o Brasil – mas é claro que não diria isso para o povo ali, ou seria enxotado.
- ‘Noite, Hetz. Feliz dia do Nietzsche.
- Boa noite, professor. Feliz dia do Bigode! – E Hetzlinger riu bastante. – E, ah, claro, feliz dia dos professores também. Veio assistir ao jogo, é?
- Podes crer. Nem me lembre que fui professor, argh. Me vê o de sempre.
O bartender começou a preparar a bebida do velho Arthur, e, enquanto este esperava pelo jogo, João chegou, batendo-lhe nas costas e desejando feliz dia do Bigode. Enquanto isso, o Jornal Nacional rolava solto na TV do bar e uma notícia chamou a atenção de João:
- Hoje, por volta das nove horas da noite, acabou o drama de Heloá, a jovem de 15 anos que estava sendo mantida como refém de seu ex namorado, Lindembergue Fernandes Alves, de 22 anos, inconformado com o fim do namoro… – o bartender abaixou o som da TV e comentou para Arthur e João:
-Horrível isso aí, não? Um cara desses merecia…
- Merecia nada, cara. – Arthur interrompeu Hetz, causando espanto neste e em João. – É mais que natural que esse tipo de coisa aconteça. E, depois, não é ele que está fazendo isso, mas o gênio da espécie.
- Xiiii, tu vais começar a viajar de novo, é, professor Schopenhauer? – o bartender falou, e voltou a limpar copos, deixando o volume da TV alto novamente. João, porém, após pensar um pouco, acabou por concordar com Arthur.
- Hetz, Arthur tá certo. Lembro de um trecho de EQM que fala sobre isso.
- EQM? – Arthur perguntou.
- É, o livro do rev. Ibrahim Cesar. Literatura discordiana. Nunca leu?
- Não, eu parei de ler.
- Parou de ler, mas e a bebida? – o velho filósofo fez um sinal de reprovação. – De qualquer forma, eu me lembro bem do que o livro fala. É Falls, a namorada do personagem principal, quem fala sobre a comunicação e como isto pode revelar como nos relacionamos com as pessoas. Olha só o que diz Falls:
? Voltando ao que eu queria dizer, esse pensador, Martin Buber falava de dois modos de expressão entre as pessoas. Ele falava da comunicação, entende? A comunicação se expressa de duas formas. EU-TU e EU-ISSO. O EU-ISSO é usado em nossas relações com o mundo das coisas. Essa é a minha casa. EU-ISSO, entende? O EU-TU são nossas relações com seres humanos. Eu quero passar o resto de minha vida com você. EU-TU.
- Certo. Então você quer dizer que a relação entre Lindembergue e Heloá chegou à esta condição de eu-isso? – Schopenhauer começou a pensar sobre isso. – Realmente, faz sentido, mas, como eu disse ali em cima, isso tudo foi causado pelo gênio da espécie. Explico: o amor não existe; o que existe é a vontade da vida se perpetuar noutro ser, num terceiro ser, e isso é o que faz surgir a admiração por alguém. Explicar tooodo o mecanismo seria um tanto enfadonho agora, portanto, fico por aqui, só para apresentar minha conclusão: Lindembergue não merece nenhum tipo de punição, apesar dos pais deles merecerem pelo péssimo gosto ao escolher o nome do filho; ele está sendo movido por algo que é maior que ele, maior que todos os desejos dele. Afinal, o que pintam todos os poetas e depois chamam de amor é, tão somente, algo que é transcendente a eles e, portanto, não podem entender em sua plenitude. Porém, o amor acaba quando ele realiza seu desejo: criar um terceiro indivíduo.
- Schop, te digo mais: Nietzsche concordaria contigo quanto a isso de não punir o cara – exclamou Hetz – já que o Bigode disse, em Assim Falou Zaratustra:
Sempre se viu só, como o autor de um
ato. Eu considero isso loucura; a
exceção converteu?se para ele em
regra.
Então, os três se olharam, olhavam para a TV, e Schopenhauer disse:
- Muito bom, gente, mas, agora, eu tô afim é de assistir o jogo. Tá pra começar.
Acabei de voltar da sessão do filme “Superbad”. É provavelmente o melhor filme de comédia que eu assisti este ano (The Office ganha no gênero seriado). É uma nova visão sobre as comédias adolescentes – sexo ainda é a grande obsessão, não se engane, mas afinal por que deveria ser diferente?
Eles falam de pênis o tempo todo. O tempo todo
Talvez o filme não seja para todos. Algumas pessoas poderão se ofender com a profusão de vezes com que a palavra pênis é usada em todos os sentidos e palavras possíveis. O pessoal da legenda se virou como pôde. Só para ter uma idéia, se em “Scarface” a palavra “fuck” aparece,segundo reza a lenda, 187 vezes, em “Superbad” o “fuck” é substituído por “pênis” em toda variação: “penis”, “dick”, “cock”, etc…
Um dos personagens quando criança tinha uma obsessão em desenhar o pênis de toda forma possível e imaginavel.
Duas visões de mundo
O que vemo no filme é a grande amizade entre Seth e Evan. Eles estão para se separar depois de muitos anos já que irão para colégios diferentes. Nunca em uma comédia do tipo que eu tenha visto, os protagonistas se amavam tanto e deixavam isso tão explícito: a cena em que eles trocam tais confidências é ao mesmo tempo embaraçosa, tocante e engraçada.
Seth reprsenta a visão “macho alpha”. Ele quer conquistar uma garota que ele ache bonita. Ele está preso às aparências e quer a satisfação imediata de seus anseios sexuais. Chega ao cúmulo de já esperar algo da garota que apenas lhe pediu um favor. Sua estratégia é embebedar a garota, se aproveitar da situação e…Conseguir seu prêmio.
Evan é o sujeito “respeite as garotas”. Ele sempre está dando coisas para uma garota pela qual ele é interessado. Ela até demonstra interesse nele, mas como o mesmo está sempre tropeçando nas palavras e querendo sair da situação o mais rápido possível, eles nunca realmente saem das conversas comuns.
Não preciso dizer aos que lêem este blog que minha identificação foi total com Evan. Confesso que tenho sobre meu ombro um pequeno Seth me dizendo algumas das piores coisas que passam pela boca do personagem, mas quem tem o controle aqui é Evan. Mas, exatamente como na vida, todos eles enfrentarão obstáculos em sua vida e da melhor maneira possível manobrar e conseguir se sair bem. Talvez não da forma que esperavam, mas da melhor maneira possível.
Eu não sei dizer bem porque mas este filme me encheu de esperança, me pensar e é claro, já que é um filme de comédia,me fez rir bastante.
Para completar, algo sobre o título
Não espere encontrar a palavra “Superbad” sendo dita no filme. O mais perto que chegará é “Supergay”. Na verdade o nome do filme saiu de um título de canção do rei da Soul, James Brown. A trilha sonora do filme inclusive, conta quase que exclusivamente músicas do estilo. E a música quer dizer um cara “super mau”, mas não no sentido de “maligno”, mas o mau “cool”, o “malandro carioca” seria um esteriótipo parecido. Não sei se existe uma tradução mais correta visto que é um “tipo social” mas pode-se dizer que é “Maioral”, algo do tipo.
Quem ver o filme vai notar que a vida dos protagonistas não é exatamente a de um maioral, na verdade seria o oposto disto. No entanto, eles adotam uma postura de lidar com seus problemas como maiorais. Eles não adotam a postura do derrotado ou abaixam a cabeça, mesmo dando seus tropeços eles agem como se fossem os “maiorais”, ainda que entre si, mas de forma alguma desistem de lutam. Com certeza é algo que ganharíamos ao aprender.
Dan Brown vendeu milhões de cópias de um livro que falava sobre um artista de séculos passados (que eu me esqueci como se chamava) que escondeu alguns segredos em suas obras. Ok, legal. Mas e sobre os artistas de nosso tempo escondendo segredos nos filmes? Não estou falando de Matrix que é óbvio até demais em sua discussão “filosófica”. A revelação abaixo é fruto da mente deliciosamente perturbada de Grant Morrison que é o melhor roteirista de quadrinhos (desculpem-me Moore e Gaiman).
“Velocidade Máxima” fala da evolução humana. O ônibus representa o mundo. Assista de novo…Todas as raças estão lá. E não é só isso. Mas está indo em direção ao desastre dirigido por um cara que foi maquiado como um Cro-Magnon ou escolhido porque é igual mesmo. Ele é a nossa violenta herança evolucionária guiando o mundo para o apocalipse enquanto todo mundo discute. A coisa toda é simbólica. Observem só quantas vezes você vê o número 23. Está em todas as cenas.
Hawthorne James: Cro-Magnon?
E, finalmente depois de toda a viagem de amor tântrico no trem do metrô (NOTA: logo depois de decapitar o homem caucasiano altamente especializado e que explode coisas), eles aparecem na rua, na frente de um cinema exibindo “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, que é sobre evolução humana.
“Pulp Fiction” agora: O troço brilhante na maleta “666″ é a alma de Marcellus. O band-aid no seu pescoço na cena do bar mostra por onde sua alma foi extraída. Em certo momento, Samuel L. Jackson diz que aquilo é a “roupa suja” de seu chefe. É ele quem a carrega, e é ele quem sempre cita uma passagem bíblica (Ezquiel 25:17). Lembre-se que após presenciar um milagre ele resolve mudar de vida. Travolta ignora isso e acaba pagando com a própria vida.
Adoro colecionar essas pérolas de “ocultismo pop”. Alguém conhece alguma para dividir? Manifestem-se nos comentários!
[tags]Filosofia Pop, Velocidade Máxima, Pulp Fiction[/tags]
“9. E então Paris, Seu Nome Seja Louvado, foi a cativeiro e lá ficou.
10. Os que dela cuidaram então providenciaram que as barras da prisão fossem moldadas na forma de pênis para que ela se sentisse mais confortável;
11.Então Paris, Seu Nome Seja Louvado, quebrou seus dentes”
–The Cool Bible, On Paris, lll
No ano passado quando Paris Hilton lançou seu CD, Bansky resolveu avacalhar e criou 500 cópias do CD com músicas remixadas e novos títulos como: “Porque sou famosa?”, “O que foi que eu fiz?” e “Pra quê eu sirvo?”. Este artigo procura responder a estas três questões assumindo que o pop é a nova religião.
“Porque sou famosa?”
Paris Hilton é famosa porque é famosa. Como? Isso nos ensina algo sobre a natureza contraditória da fama que tal qual como Oroboros, alimenta-se de si mesma. O programa que ela participou não mudou exatamente a televisão norte-americana e o vídeo tão famoso dela é para usar as palavras de um jurado francês sobre um ensaio de Napoleão, pior do que medíocre. Mas ela foi acumulando fama ao longo desse caminho e aparecendo em toda e qualquer festa (levando a crer alguns que ela possua bilocação ou em certas teorias mesmo tri ou pentalocação), Paris se tornou naquele que é talvez o maior fenômeno pop de nossos tempos. Nossa Princesa Diana. “Coitada dela, vivem perseguindo a moça” Coitada? Ela buscou a fama e fama sempre significou isso. Se não queria ter a vida invadisse não procurasse os holofotes, virasse garçonete.
“O que foi que eu fiz?”
Pequenas participações em filmes e seriados. O “Simple Life” que na primeira temporada foi visto por 13 milhões de pessoas. Um vídeo caseiro pornográfico que caso fosse o único vídeo (eu somente o assisti para propósitos de pesquisa) que restasse de nossa espécie (a chance disso acontecer é extremamente elevada), futuros arqueólogos iriam deduzir que nunca houve em nossa civilização o desenvolvimento de uma classe profissional ligada a vídeos. Uma mistura de imagens ruins, sonoplastia inexistente minutos de nada. E teve a sorte de nascer como filha do dono de uma das maiores cadeias de hotéis do mundo e continuará sendo até ela e a irmã se tornaram responsável pela empresa.
“Pra quê eu sirvo?”
É uma das deusas do pop. Como cada uma das filhas de milionários ao redor mundo, ela acha que o mundo gira ao redor dela. O problema com Paris é que ela está de certa forma certa. Tudo o que ela faz ou deixa de fazer é notícia. Também serve de modelo para milhões de jovens serem anorexas pois possui um corpo típico de habitante de país com IDH 0.
[tags]Paris Hilton, Pop,Oroboros, Fotos de Paris Hilton[/tags]
Este platô foi criado para preencher um vácuo conceitual: Como descrever a nossa sociedade senão dedicamos algumas linhas aquilo que ocupa na vida contemporânea o papel que na Idade Média era da religião, a saber, a cultura de massas ou como designaremos aqui o Pop? Muitas pessoas sabem de cor, mesmo sem saber inglês alguns trechos de músicas americanas ou para dar um exemplo direto, dos Beatles. Quantos sabem dizer trechos de sermões de Jesus? Eu não sei exatamente a resposta mas eu acredito que Lennon enfim sorri: Os Beatles são mais famosos que Jesus Cristo.
re.li.gi.ão, feminino 1. culto prestado à divindade 2. fé 3. reverência às coisas sagradas 4. doutrina
Acredito que o Pop preencha com folga qualquer uma das 4 definições acima descritas.Que atire a primeira pedra aquele que não possui algumas personalidades públicas que nunca falou, viu ou esteve no mesmo país, que considera-as de alguma forma especial? É um culto prestado a estas divindades. Quem nunca pegou um filme mesmo achando que era ruim por causa daquele ator ou daquela atriz? Isso é fé.
Quantas vezes já ouvimos falar em leilões envolvendo quantias com a fome em uma vila africana para comprar fios de cabelo, saliva ou alguma coisa ordinária? Isso é reverência às coisas sagradas. Quantas pessoas não imitam esse ou aquele visual ou vêem em algumas personalidades coisas bacanas? Como exemplo, ateus se gabam de ter Angelina Jolie, Woody Allen entre os seus e por aí vai. Eles passam para nós todo um conjunto de valores. Isso é a doutrina.
Quem é Lindsay Lohan? Ela fez algum filme que marcou uma geração? Como explicar a adoração, à verdadeira obsessão que possuem por ela? O pop é ou não é a nova religião?
É consenso geral (na verdade nem tão geral assim, afinal sempre há alguém disposto a ser do contra) que trata-se não apenas de um arcaismo, mas de um “erro”, “pecado”, “estupidez” (escolha um) ofender uma pessoa negra, judia, japonesa, americana, brasileira, cega, deficiente físico, etc. Ou conferir a um deles um status de “falta de inteligência” ou “falta de personalidade”.
Mas a questão não é a mesma quando se trata de uma tribo social chamada informalmente de “Miguxos”. O termo é retirado do próprio seio da cultura “Emo” e serve para descrever um adepto deste grupo. A cultura “Emo” é reconhecida por estar associado a alguns dos seguintes fatores:
- O gênero de música que os caracteriza é chamado “Emocore”. As músicas misturam melodias leves que no clímax tornam-se mais pesadas, às vezes acompanhadas de gritos por parte dos músicos. As letras versam sobre o niilismo da juventude, fracassadas experiências amorosas, inadequação social, paixões platônicas e às vezes vislumbres de suícidio. Como se sabe, estas características poderiam ser facilmente atribuídas aos poetas do romantismo. As raízes das letras do Emocore residem em Poe, Baudelaire, Rimbaud, Augusto dos Anjos e em livros como “Os Sofrimentos do Jovem Werther” de Goethe.
- Há também associado à cultura certos traços visuais. A busca por visuais andrógenos,por exemplo, sendo uma manifestação contra a opressão dos estereótipos sexuais. As unhas geralmente pintadas com cores escuras e neutras. O cabelo é alisado ao extremo. Um estudioso da cultura (1), também nota que a cultura é conhecida por apreciar “aqueles desenhos japoneses, tipo Pokémon ou Naruto” e que a famosa “chapinha no cabelo, e todos aqueles penteados, expressam uma tentativa de emular os personagens dos mesmos”. Garotas geralmente pintam o cabelo de cores como rosa, verde e azul.
- Uma característica da cultura é o sua adaptação do idioma, conhecida como “miguxês” que trata-se somente de uma forma de individuaização da cultura no plano da linguagem. É o que acontece com advogados, economistas, filósofos, punks e dadaístas.
ANTI-MIGUXOS
A forma de segregação cultural contra adeptos desta cultura expressa-se tanto física como ideologicamente. Foram reportados vários ataques de grupos raciais que espancaram ou atiraram coisas contra membros desat cultura. Um emo procurado por este pesquisador (2) já considera o fato de ser perseguido como “normal” e sempre têm alguém “querendo bater ni mim”.
No site de comunidades do Orkut, que pode ser usado como termometro das manifestações ideologicas da população nacional devido ao grande número de brasileiros que dele fazem parte, em uma pesquisa com a palavra “emo” mostra que a maior parte das comunidades com o nome são de manifestações contrárias ou que ridicularizam a cultura dos mesmos.
Toda e qualquer forma de preconceito assemelha-se psicologicamente com o Nazismo, visto que trata-se de uma ideologia que diminui um grupo ou raça e os julga inferiores. E há pessoas que realmente estão causando agressões contra essas pessoas e enquanto houverem simpatizantes da causa eles irão continuar. Qualquer forma de discriminação é prejudicial e limitadora pois reduz qualquer individualidade a um estereótipo fabricado, anulando qualquer humanidade naquelas pessoas, pois somente se enxerga o conceito.
Paz.
NOTAS:
(1) Meu vizinho, Raudinei Barbosa da Silva.
(2) João, um emo que eu conheço.
Esta é a primeira postagem que será arquivada como “Filosofia Pop”. Costuma-se ter toneladas de textos sobre filosofia que analisam escritores do passado, dramas e poesias épicas que um humano normal não consegue ler. Será que devemos extrair filosofia disso quando temos todo o Pop à nossa disposição? Minha primeira análise será de uma banda muito querida, eath Cab For Cutie.
DCFC
O eath Cab For Cutie é formado por Ben Gibbard,Chris Walla,Nicholas Harmer eJason McGerr. O nome é retirado de uma canção de 1967 da Bonzo Dog Doo-Dah Band que inclusive é tocada no filme Magical Mystery Tour dos Beatles e faz parte do miro Pul está morto, que diz que Paul foi morto quando teve a cabeça decapitada em um acidente de carro. A pista desta canção é que seria um táxi (cab) que matou aquele que era o mais fofo (cute) dos membros dos Beatles. (Lennon era o esperto,George o calado e o outro que sempre me esqueço o nome).
O disco analisado será Plans.
Marching Bands of Manhattan
Se trata basicamente de um sujeito retraido e perdido em pensamentos (And it is true what you said/That I live like a hermit in my own head – E é verdade o que você disse /Que eu vivo como um ermitão em minha própria cabeça ) . Ele tenta declarar essa paixão mas descobre que a linguagem não consegue totalmente descrevê-lo. Aliás a linguagem é um problema que ele se ocupa em outra música. E termina de uma forma magistral ao falar que às vezes nos debatemos com problemas que nada significam, apenas um problema causado pela linguagem, que nos acostumamos mas aos poucos isso cresce absurdamente e perdemos completamente o controle:
(Sorrow drips into your heart through a pinhole/Just like a faucet that leaks and there is comfort in the sound /But while you debate half empty or half full /It slowly rises, your love is gonna drown – Goteiras de tristeza em seu coração por um buraco de alfinete /Um pouco igual uma torneira que escoa e se acostuma com o som /Mas enquanto você debate meio vazio ou meio cheio /Sobe lentamente, seu amor vai se afogar)
O velho problema do copo meio cheio ou meio vazio. O senso comum e o primeiro pensamento que ocorre é que se trata de duas visões: otimista x pessimista. Mas seja qual for, é equivocada. Afinal um copo meio vazio ou meio cheio possui a mesma quantidade de matéria quanto de ausência da mesma, logo ambas as sentenças significam a mesma coisa, não há problema. Não seria assim com muitos de nossos “problemas”?
Soul Meets Body
Graças à influência de Godot nossa sociedade vive dividida entre o corpo e a alma. Esta música é um anseio a um mundo onde esta dicotomia não existia. Onde alma encontre o corpo. (I want to live where soul meets body – Eu quero viver onde a alma encontra o corpo) e em determinado momento de forma quase esplícita declara que essa coisa de pecado não existe, pois não há sujeira que não possa ser limpa (But I know our filthy hands can wash one another’s/And not one speck will remain – Mas eu sei que nossas mãos sujas podem se lavar/E não vai sobrar nenhuma mancha)
Summer Skin
É uma canção com pouco significado mas que com um pouco de contorcionismo eu posso tirar algo. Acho que todo mundo é bom em alguma coisa, sei que isso não impressiona garotas mas este é o meu dom que nas palavras de um amigo : “Você tira filosofia até de pedras”. Ao dizer que a estação mudou e com ela o sentimento isso nos lembra Eclesiastes (eu vou citar a Bíblia!!!):
Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.
Há inclusive uma canção dos Byrds de 1900 e lá vai pedrada que é praticamente o versículo musicado, e eu gosto bastante:
Different Names For The Same Thing
Aqui a preocupação com a linguagem é o assunto principal. (And I knew no words to share it with anyone/The boundaries of language I quietly cursed – E eu não sabia palavras para compartilhar com ninguém /As barreiras da linguagem eu xinguei silenciosamente)
I Will Follow You Into the Dark
A bela canção sobre o “nada”. E não estou falando de qualquer nada ou do vazio existencial de sua vidinha miserável, estou falando do Nada. (No blinding light or tunnels to gates of white /Just our hands clasped so tight /Waiting for the hint of a spark /If heaven and hell decide /That they both are satisfied /Illuminate the no’s on their vacancy signs – Não haverá luzes que cegam nem túneis para portões brancos /Só nossas mãos apertando-se fortemente/Esperando pela sugestão de uma faísca/Se o céu e o inferno decidirem/Que os dois estão satisfeitos/Ilumine os nãos em suas placas de há vagas )
É um música que diz “Hey, eu não me importo de não ter uma vida eterna no outro lado. Eu irei para a escuridão, e irei apertando a mão da pessoa que amo! Vou com ela para a escuridão.”
Your Heart Is An Empty Room
Uma canção sobre não saber o seu lugar e quando encontra um fica olhando para outro. E estamos falando de relacionamentos. Tudo o que sabe é “caçar”, uma vez que encontra alguém não para nunca de pensar nas possibilidades. Como Tântalo, nunca estamos satisfeitos com nada, mesmo com o amor [sic] verdadeiro.(Cause all you see is where else you could be/When you’re at home and out on the street/Are so many possibilities to not be alone – Pois tudo que você vê é outro lugar onde poderia estar/quando você está em casa. lá fora nas ruas/existem muitas possibilidades de não ficar sozinho)
Someday You Will Be Loved
Um música que fala que conheceu uma garota e a abandonou. No bilhete que deixou ele escreveu: Um dia você será amada. Acho que é uma crença que todos acabamos temos vagamente querendo ou não. Vocês sabem, culpa dos genes.
Crokeed Teeth
Nesta canção há uma estrofe que me define como gelo define água em estado sólido:
I’m a war, of head versus heart, /And it’s always this way. /My head is weak, my heart always speaks, /Before I know what it will say. – Sou uma guerra, de cabeça contra coração/ E é sempre desta forma/ Minha cabeça é fraca, meu coração sempre fala/ Antes que eu saiba o que dizer
Fala de muitas coisas, mas uma que chamou minha atenção desde o princípio foi da metáfora com que trata o compositor para nossas relações, dizendo que desde o princípio a baseamos em premissas falsas, com ilusões, já que fabricamos um pessoa que não existe. Com mais tempo acabamos descobrindo que o verdadeiro outro é um completo desconhecido e a “relação” acaba (Cause I built you a home in my heart, /With rotten wood, it decayed from the start. – Pois eu lhe construi uma casa em meu coração,/ Com madeira podre, definou deste o princípio)
What Sarah Said
Veja o vídeo.
Viu?
Ela está morta. ÿ a minha canção predileta do Plans. E fala afinal, qual o verdadeiro sentido da palavra amor. E estamos falando de todas as classificações de amor possível. Romântico, fraternal, maternal…Não importa. Amar é ver alguém morrer. Se você tiver muita sorte você morre antes, mas amar é querer ver alguém morrer. ÿ querer ver o cabelo do outro cair, vê-lo envelhecer e nunca sair de perto. Amar é ver alguém morrer.
Quem vai te ver morrer?
Brothers On a Hotel Bed
Sobre relacionamentos que caminham para um ponto onde não há brigas, mas definitivamente não há o fogo da paixão. Passam a ser como irmãos, e não são mais quem costumavam ser. ÿ a segunda lei da termodinâmica se manisfetando até em relacionamentos.
Stable Song
The gift of memory is an awful curse – O dom da memória é uma terrível maldição.
ÿ sobre viver milhões de vezes o mesmo sofrimento.Mas não se importar. Acho que é uma grande lição: Não dar muita importância para as coisas. A vida é cheia de possibilidades. Muitas e muitas negativas, mas de vez em quando algumas justificam o desconforto.
Não, os filósofos que seguiram a auto-denominada Filosofia Bozo jamais se levaram a sério.Na verdade, de acordo com o ponto de vista de muitos deles, não havia outra forma de se levar.O prncipal ponto de ruptura que caracterizou o movimento como uma filosofia diferenciada foi que, se antes tentava-se entender o mundo ou ensinar aos homens o-que-quer-que-seja, isso foi totalmente desprezado pela Filosofia Bozo.Que declarou por um de seus porta-vozes:
Nosso objetivo é matá-los. Matá-los de rir.
Ora, dizem eles, caso a filosofia se ocupasse de julgar um dos grandes assuntos e chegasse a um veredito sobre isso, digamos sobre a existência ou a não-existência de deus, que impacto isso teria?
No dia seguinte a tal veredito, dee certo as pessoas acordariam como todas as outras manhãs, fariam suas coisas e viveriam como todos os outros dias
A Filosofia Bozo apenas assumiu o que se sabia desde sempre: Não é possível ensinar a quem quer que seja aquilo que ele já acha que sabe.
DEFINIÿÿO DE FILOSOFIA BOZO
A Filosofia Bozo não têm definição e isto vêm direto das páginas do Principia Discordia como muitos devem ter notado.De fato é altamente documentado que os primeiros a aderir ao movimento eram de fato discordianos ou simpatizantes e usaram muitos conceitos discordianos em seus trabalhos.
Rev. Ibrahim Cesar chegou a declarar que a Filosofia Bozo guardada as devidas proporções era uma tentativa de criar um discordianismo laico.Muitos detratores tentavam denunciar essa ligação da Filosofia Bozo com o Discordianismo, como o objetivo de uma se parecia muito com que no Discordianismo se chama Operação:MIndfuck. “A Filosofia Bozo não passa de Mindfuck!” declaravam aos berros ao que eram respondidos em meio a troças deles: “Dizer que a Filosofia Bozo é Mindfuck, é Mindfuck”
Eles queriam resgatar o protagonismo da filosofia que hoje não passava de uma tia velha que ninguém mais dá atenção.
Estamos cansados de filosofos dedicarem suas vidas a reinterpretarem Nietzsche, Hegel e Kant. Eles estão mortos. A morte sempre teve uma importância fundamental no pensamento humano pois ela elimina os conservadores da geração anterior, relutantes em abandonar uma teoria velha e falaciosa para adotar uma nova e mais precisa. A Filosofia Bozo é imediatista.Queremos falar do aqui e agora e não rever a moral da Grécia Antiga.”
Foi no Manifesto da Filosofia Bozo publicado pela primeira vez na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger que Rev. Ibrahim Cesar declarou iniciado o movimento com estas palavras:
Eu sou Rev. Ibrahim Cesar e estou me citando na terceira pessoa a fim de conseguir a tão almejada imparcialidade. Eu declaro que a Filosofia Bozo começa em 5,4,3,2,1…AGORA!
Yesterday, all my troubles seemed so far away
Now it looks as though they’re here to stay
Oh, I believe in yesterday
Suddenly, I’m not half the man I used to be
There’s a shadow hanging over me
Oh, yesterday came suddenly
Why she had to go
I don’t know she wouldn’t say
I said something wrong,
now I long for yesterday
Yesterday, love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday
Yesterday, love was such an easy game to play
Now I need a place to hide away
Oh, I believe in yesterday
Mm mm mm mm mm
Yesterday é a canção mais regravada da história na música e já foi tocada no rádio mais de 7 milhões de vezes. O que significa que uma pessoa de 28 anos poderia ter cada dia, cada hora, minuto e segundo de sua vida totalmente preenchido com essa canção. E não seria uma vida desperdiçada.
Foi a primeira gravação na História Beatle que contou apenas com a participação de Macca. Paul sonhou a melodia e passou os meses seguintes importunando todo mundo para se certificar de que não estava apenas com uma melodia que havia ouvido antes na cabeça. Há uma longa tradição mística a respeito dos sonhos e Paul parece ter recebido essa belíssima e inconfundível melodia direto em sua Glândula Pineal.
O título original foi “Scrambled Eggs” (ovos mexidos!) e para encontrar uma boa rima ele escreveu um verso que dizia “Oh my dear, you have such lovely legs”. Yeah, Paul poderia ter escrito letras de funk.
Temos uma tendência inata a associar a certas palavras a pessoas, acontecimentos, fatos, gostos, cheiros. Ás vezes uma única palavra evoca todo um cenário, uma atmosfera e pode mudar todo o nosso humor em um clique. Podem ser palavras bem específicas como o nome de alguém, ou uma palvara escrita ou falada do jeito errado ( como aga ao invés de água, macocos ao invés de macacos), o que fazer quando associamos algo a uma palavra geral, como “Amor”.
Toda vez que você vai se lembrar, e esa lembrança parece ser como uma sombra, indo onde você for e sempre estando ali, logo atrás de você. Enquanto escrevo essas linhas me lembro do dia que eu realizei que nunca havia dito “Eu te amo” a ninguém. A inspetora de alunos havia me chamado na classe, desci as escadas e vi minha mãe chorando no corredor. Ela veio me dizendo “Seu pai morreu”.Então foi eu realizei que nunca tinha dito “Eu te amo” a ninguém.
“Ele sabia que você o amava,” todos dizem tentando me consolar, mas não é assim que funciona. “Yestreday” foi a canção que me fez olhar para o passado e contemplá-lo.Sempre que penso ou falo no amor, aquele dia vêm repentinamente como nos versos “Oh, yesterday came suddenly”. Paul diz acreditar no Ontem, quase como religiosamente e acho que é essa atitude que devemos ter com o passado. Queira ou não, você é o resultado de tudo o que houve antes, por mais que tenha sido adicionados fatores, variáveis ou subtraídos, divididos, você é o resultado da equação. Foi ouvindo essa canção eu pude seguir com a minha vida e finalmente deixei de estar naquele dia que durou por muito, muito tempo.