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Formas de Destruir o Mundo

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quantas vezes na ficção o mundo já não esteve prestes a ser destruído por algum cientista maluco e algum pé no saco salvou o dia? Sim, eu torço para os vilões. Coiote, Cérebro, Darth Vader e Satã Goss sempre foram os caras que eu torcia. Logo o assunto “formas de destruir o mundo” sempre me interessaram. Existem diversas formas reais de acabar com o planeta ou pelo menos com a ridícula espécie Virus Sapiens — o que excluí as fictícias tais raios desintegradores de Marvin, o Marciano, demolição planetária para construção de rodovias espaciais e o apocalipse.

Raios Gama

Você já deve ter ouvido falar. E não, você não iria sobreviver como o Bruce Banner. Se você for atingido por raios gama você vira farofa e não um gigante esmeralda. Aliás cientistas especulam que um grande evento de extinção em massa em períodos pré-históricos foi causado por raios gama que atingiram o planeta.

Emissões de raios-gama são os eventos eletromagnéticos mais lumiosos ocorrendo no Universo desde o Big Bang. Eles são flashes de raios gama emanando de lugares aparentemente aleatórios no espaço profundo a intervalos aleatórios. A duração de um raio gama é tipicamente de poucos segundos, mas pode ser desde milissegundos até minutos.

Muitos dessas emissões observadas parecem ser causadas pelo colapso do núcleo de estrelas com massa elevada com rápida rotação em um buraco negro. Uma subclasse deles (as emissões “curtas”) parecem ser originadas de um processo diferente, a principal teoria sendo estrelas de neutrons orbitando sistemas binários. Todos as emissões de raios gama observados ocorreram fora de nossa galáxia, estando suas fontes a bilhões de anos-luz.

Uma emissão de raios gama próxima poderia causar extinção em massa na Terra. A curta duração dele poderia limitar os danos imediatos à vida. Entretanto, uma emissão próxima poderia alterar a química atmosférica ao reduzir nossa camada de ozônio e gerar óxido nítrico causando severos danos para a biosfera. Desde que tais emissões são raras em galáxias ricas em metais como a Via Láctea, extinções em massa causadas por eles podem acontecer apenas uma vez em bilhões de anos.

Estima-se que ocorra um destes em nossa galáxia entre 100.000–1.000.00 anos. Em 2005, cientistas da NASA e da Universidade do Kansas elaboraram a hipótese de que uma emissão de raios gama causou um evento de extinção em massa (a terceira maior de todos) ocorrida entre os períodos Ordoviciano e siluriano há 443,7 milhões de anos atrás. Na época os seres mais complexos multicelulares viviam no mar e os raios foram responsáveis pela extinção de 49% dos gêneros existentes. Isso foi a 443.700.000 de anos atrás, o que não descarta a possibilidade de a qualquer momento a Terra ser atingida por outros destes!

O Sol

Sim, a estrela mais próxima do nosso planeta não apenas deixa peles bronzeadas e nos dá as marcas de buquine e câncer de pele como é basicamente um exterminador adormecido. Ele tem vários ataques. As tempestades solares são como os “cóleras do dragão”, golpes poderosos mas que não aniquilam o inimigo.

O problema é quando o Sol der o ser “último dragão”. Daqui a cinco bilhões de anos nosso Sol vai ser uma estrela bem gorda. Como estrelas não malham, elas desabam sobre si mesmas explodindo. Quando são estrelas realmente enormes viram buracos negros, mas nosso Sol não é desse pedigree, sendo apenas uma anã amarela.

Quando entrar em colapso e explodir irá se tornar uma gigante vermelha, no processo de inflação, provavelmente irá consumir Mercúrio, Vênus e a terceira rocha contando a partir do sul. A má notícia é que todos os seriados seriam cancelados, não que você fosse ficar muito incomodado também. Após consumir mais energia, ia passar por uma fase de nebulosa planetária e depois, anã branca.

Mas isso não acontecerá senão em 5 bilhões de anos então até lá o Corinthians ainda vai perder muitos campeonatos.

Supervulcão

Yellowstone, é apenas um deles. O espetáculo já está adiado a uns milhares de anos, reservem seus lugares!

Meteoros

Um impacto causado pela colisão de um grande asteroide, ou cometa com a Terra. Uma teoria bem conhecida postula que a extinção dos dinossauros ocorrida à aproximadamente 65 milhões de anos atrás foi causada por um grande asteróide e causou uma significativa baixa da temperatura mundial. Evidências para esta teoria incluem uma camada sedimentar de irídio nos registros geológicos e a grande cratera de Chicxulub no México.

Além da destruição material e humana no momento da colisão, um grande impacto levaria o planeta a um desequilíbrio ecológico que prejudicaria todo o sistema de produção de alimentos. Em 2000, a revista Discover Magazine publicou uma lista de 20 cenários do fim da civilização e este era o mais provável a acontecer.

Pandemia

Mesmo doenças atualmente sob controle podem emergir como “supergermes” para os quais não teríamos nenhuma defesa. A peste negra somente não matou mais pessoas pois naquela época ainda não haviam métodos eficientes e rápidos de disseminação de doenças viagens. Graças ao mundo globalizado de hoje, que há um intercâmbio muito grande de material humano, uma doença originada em qualquer lugar do mundo, poderia atingir outro em questão de dias ou semanas.

Nós

Sim, nós podemos, como diz Barack Obama. Sim, nós podemos destruir a Terra. Ou nos matar e deixá-la em paz. Guerra nuclear, química ou biológica (ou meu predileto, uma combinação das três) poderiam ser utilizadas em tal escala que acabaria por dizimar toda a população.

A criação de um buraco negro ou strangelets por acide em algum experimento. A ameaça dos replicadores autônomos da nanotecnologia, se algum dia conseguirmos atingir tal sofisticação. E é claro, nosso querido aquecimento global.

Explore:
O Mundo Sem Nós, Alan Weisman

Os Maias, 2012 e o Fim do Mundo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Calendar
Creative Commons License crédito: admiretime

O mundo não vai acabar em 2012, pelo menos de acordo com os Maias. E olha que eles são sempre creditados como a fonte confiável da informação. Os Maias eram tão bons para prever o futuro do mundo quanto qualquer Nostradamus ou São Malaquias. Tanto conhecimento “oculto” (que lhes é atribuído) não os impediu a sua queda.

A cultura maia urbana, conhecida como Período Clássico, floresceu por volta de 300 anos depois do hippie da cruz até novecentos anos depois na península de Yucatán no México e em partes da América central. Durante o período, os mais construíram templos e monumentos, criaram numerosos trabalhos de arte e escritos e continuaram suas observações astronômicas, e construíram uma rede de cidades. Esses cidades ficaram enterradas na floresta que as tomou por séculos. Uma das importantes descobertas destas ruínas foi que os mais tinham inúmeros calendários. Um é conhecido como calendário da Longa Contagem, que se reinicia no dia 0 a cada 1.872.000 dias, um período conhecido como O Grande Círculo ((Colapso, Jared Diamond 2005: 167)). A próxima data de reinicio é, por aluns cálculos, em 21 de Dezembro de 2012. Obviamente, o calendário não é mais de interesse aos mais, já que sua civilização entrou em colapso há séculos. Mesmo assim, a data é de enorme interesse para certos profetas e astrólogos da Nova Era como John Callemnam, que está espalhando as boas novas que os maias sabiam a data do fim do mundo ou eles sabiam que a data era quando a Nova Era da Transformação começaria (os glifos e hieróglifos mais não são claros sobre o que o calendário quer dizer) ((O tema parece interessar a certos produtores e diretores de Hollywood sem capacidade de criar histórias que se sustentem por si só e precisem de efeitos visuais gigantescos)). É uma pena que eles não tenham conseguido prever seu próprio colapso.

De acordo com Jared Diamond,

O famoso Calendário da Longa Contagem Maia começa em 11 de Agosto de 3114 antes do hippie da cruz — assim como o nosso começa em 1 de Janeiro do primeiro ano da era do hippie…Presumidamente, os mais…associavam alguma significância ao seu dia zero, mas nós não sabemos qual era. ((Colapso, Jared Diamond 2005: 167))

Não há registro escrito no Novo Mundo até 2.500 anos depois do ano zero dos Maias mas há evidência de agricultura na Mesoamérica desde por volta do dia zero do calendário maia. Isto pode ser apenas uma coincidência, desde que as áreas onde a agricultura emergiu primeiramente não eram áreas onde os mais iriam construir suas cidades.

O Calendário da Longa Contagem Maia é baseado em um complexo sistema de unidades indo de dias (kin) até 144.000 dias (baktun).

Quaisquer que sejam as virtudes da cultura Maia Clássica, prever o futuro parece ser bem improvável. Este fato parece não parar algumas especulações extremamente bizarras sobre a astronomia maia. Os especuladores deveriam se perguntar: qual é a probabilidade de uma civilização que não poderia usar seu vasto conhecimento para salvar-se da sua própria auto-destruição estava preocupada em prever o que iria acontecer em um milênio futuro? Os líderes maias não conseguiram ver à frente o suficiente no futuro para planejar resolver os problemas humanos que eles enfrentaram: muitas pessoas em pouca terra, destruição de seu próprio ambiente, técnicas de plantio e desmatamento que retiravam nutrientes do solo, enchentes (parcialmente ocasionadas por seus desflorestamentos), e assim por diante.

E a história do calendário foi passando, se perpetuando em livros misticos. A verdade é que a maioria dos sujeitos que estudam ocultismo, misticismo e que repetem essas baboseiras ad nauseum nunca empregam um método científico, ou melhor, nunca nem mesmo realizam pesquisas de campo sérias, para ter acesso ao conhecimento que propagam ou gerá-lo. Talvez o calendário apenas pare por 2012 por que ele voltaria a ser utilizado do início. Não temos um calendário de 12 meses e voltamos ao utilizá-lo no final? Oss maias apenas não haviam sido apresentados ao conceito de praticidade.

Bibliografia:
The Skeptic’s Dictionary, Mayan prophecy (2012)
Colapso: Como as Civilizações Escolhem o Fracasso ou o Sucesso, Jared Diamond

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Creative Commons License crédito: aquiggle

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Creative Commons License crédito: aquiggle

Supervulcão pode acabar com grande parte da vida na Terra em 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Tenho boas notícias e uma má notícia. As boas notícias: 2009 poderá ser o ano em que a recessão vai acabar, o conflito entre Israelenses e Palestinos terá fim, os genocídios na África cessarão (Congo, Sudão, Ruanda…), será o fim de péssimas condições dos hospitais, preconceito e relacionamentos desastrados. Soa incrível, hã? Agora a má notícia, ou boa, caso você goste de péssimas notícias: talvez a humanidade, ou melhor quase toda a vida na Terra acabe.

Ontem saiu uma nota no Boing Boing comentando sobre os 250 – duzentos e cinquenta – miniterremotos que aconteceram no parque de Yellowstone desde a última sexta (26/12) que podem estar ligados ao supervulcão dormente que existe no parque.

Para aqueles que desconhecem o que é um supervulcão, onde exatamente ele se localiza no parque Yellowstone o que isso pode significar para toda a raça humana, vamos a um momento National Geographic com uma transcrição do excelente livro Breve história de quase tudo, de Bill Bryson, com grifos meus:

Na década de 1960, enquanto estudava a história vulcânica no Parque Nacional de Yellowstone, Bob Christiansen, do US Geological Survey, intrigou-se com algo que, estranhamente, não incomodara ninguém antes: ele não conseguia encontrar o vulcão do parque. Sabia-se havia muito tempo que Yellowstone possuía uma natureza vulcânica – daí todos os seus gêiseres e outras exalações vaporosas – , e os vulcões costumam ser bem visíveis. Mas Christiansen não avistava o vulcão de Yellowstone em lugar nenhum. A única coisa que conseguiu encontrar foi uma estrutura conhecida como caldeira.

Quase todos, quando pensam em vulcões, imaginam as formas cônicas clássicas de um Fuji ou um Kilimanjaro, criadas quando o magma em erupção se acumula em um monte simétrico. Esse tipo de vulcão pode se formar com uma rapidez impressionante. Em 1943, em Parícutin, no México, um camponês se surpreendeu ao ver um trecho de sua terra fumegando. em uma semana, ele era o proprietário aturdido de um cone com mais de 152 metros de altura. Depois de dos anos formara-se um vulcão com quase 430 metros de altura e mais de oitocentos metros de diâmetro ((Impressionante, não acha? Um vulcão surgir assim do nada. Na Wikipédia em inglês há mais informações e inclusive a foto do mesmo: http://en.wikipedia.org/wiki/Parícutin)). No todo, existem cerca de 10 mil desses vulcões intrusamente visíveis na Terra, com apenas algumas centenas deles extintos. Mas existe um segundo tipo de vulcão menos famoso, que não envolve a formação de montanhas. São vulcões tão explosivos que se abrem numa única ruptura poderosa, formando uma vasta cratera, a caldeira. Yellowstone obviamente era deste segundo tipo, mas Christiansen não encontrava a caldeira em parte alguma.

Por coincidência, justamente naquela época, a NASA decidiu testar algumas câmeras novas de grande altitude tirando fotografias de Yellowstone. Um funcionário atencioso enviou algumas cópias às autoridades do parque para que pudessem utilizar nos cartazes dos centros de visitantes. Assim que Christiansen pôs os olhos nas fotos, percebeu por que não fora bem-sucedido em suas tentativas: praticamente todo o parque – 9 mil quilômetros quadrados – era uma caldeira. A explosão havia deixado uma cratera com quase 65 quilômetros de diâmetro – grande demais para ser percebida no nível do solo. Em algum momento do passado, Yellowstone deve ter explodido com uma violência bem além da escala de qualquer coisa conhecida pelos seres humanos.

Yellowstone, ao que se revelou é um supervulcão. Situa-se no alto de um ponto quente enorme, um reservatório de rocha pastosa que se eleva de pelo menos duzentos quilômetros sob a Terra. O calor do ponto quente é o que aciona todas as chaminés, gêiseres, fontes quentes e vulcões de lama. Abaixo da superfície existe uma câmara de magma com 72 quilômetros de diâmetro – mais ou menos da mesma dimensão do parque – e treze quilômetros de espessura no ponto mais espesso. Imagine uma pilha de TNT com mais ou menos o tamanho de Rhode Island, elevando-se uns treze quilômetros no céu e atingindo os cirros mais altos: é sobre algo que os visitantes de Yellowstone estão pisando. A pressão que tal concentração de magma exerce sobre a crosca elevou Yellowstone e o território que o circunda, cerca de meio quilômetro acima da altura que teria normalmente. Se aquilo explodisse, o cataclismo seria inimaginável. De acordo com o professor Bill McGuire, da University College de Londres, “não seria possível permanecer nem a mil quilômetros daquilo” enquanto estivesse em erupção. As consequências posteriores seriam ainda piores.

[...]

Desde a sua primeira erupção conhecida, 16,5 milhões de anos atrás, Yellowstone explodiu cerca de cem vezes, porém as três erupções mais recentes são as mais descritas. A última erupção foi mil vezes maior que a do monte Saint Helens ((Conheça mais sobre o Mount St Helens na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Saint_Helens)) ; a penúltima foi 280 vezes maior; e a penúltima foi tão grande que ninguém sabe ao certo quão grande foi. Foi pelo menos 2500 vezes pior que a do Saint Helens, e talvez 8 mil vezes mais monstruosa.

Não há termos de comparação. A maior explosão dos tempos recentes foi a de Krakatoa ((Sobre o vulcão Krakatoa, em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Krakatoa )), na Indonésia, em agosto de 1883, produzindo um estrondo que reverberou ao redor do mundo por nove dias e agitando as águas até o canal da Mancha. Mas se imaginarmos que o volume de material ejetado de Krakatoa teria o tamanho de uma bola de golfe, a maior das explosões de Yellowstone teria o tamanho de uma esfera atrás da qual poderíamos nos esconder. Nessa escala, a dos monte Saint Helens não seria maior que uma ervilha.

[...]

E ainda nem falamos das consequências climáticas. a última erupção de um supervulcão na Terra foi em Toba, no norte de Sumatra, 74 mil anos atrás ((Saiba mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Lake_Toba)). Ninguém sabe sua extensão; sabe-se apenas que foi colossal. Os núcleos de gelo da Groenlândia mostram que a explosão de Toba foi seguida de pelo menos seis anos de “inverno vulcânico” e só Deus sabe de quantas estações de más colheitas. Acredita-se que o evento possa ter deixados os seres humanos à beira da extinção, reduzindo a população global a nada mais do que alguns milhares de indivíduos (na Wikipédia se diz ter exterminado entre 60% e 75% dos seres humanos). [...]

Os geólogos perceberam que somente uma coisa poderia causar tal fenômeno: uma câmara de magma inquieta. Yellowstone não abrigava um supervulcão antigo, e sim um ativo. Também mais ou menos nessa época eles conseguiram calcular que o ciclo de erupções do parque era de, em média, uma explosão gigantesca a cada 600 mil anos. O interessante é que a última ocorreu há 630 mil anos. Yellowstone, ao que parece, está com o prazo vencido.

Um documentário da BBC estima que no caso de uma erupção do Yellowstone, praticamente toda a vida animal e vegetal no continente seria exterminada. Não há meios de prever por quanto tempo haveria o “inverno vulcânico”, mas sua extensão seria medida em anos. Um “inverno vulcânico” é a redução da temperatura causada por cinzas vulcânicas e ácido sulfúrico obscurecendo o Sol e diminuindo o albedo (aumentando assim a reflexibilidade da Terra). Colheitas seriam prejudicadas, sem falar na economia, extremamente dependente de importações. Mergulharia a população mundial em um crise climática e econômica digna de uma distopia. Assustador no mínimo.

Agora, com os últimos 250 mini-terremotos, talvez Yellowstone queira tirar o atraso. Comemorem a passagem de ano como se fosse a última – vai que vocês acertam!

Algumas fotos do Parque:

Bison swimming the Yellowstone river
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Illegal parking, Trout Creek, Hayden Valley, Yellowstone
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Reflection at YellowStone
Creative Commons License crédito: kashyap_hc

Bibliografia: Bryson, Bill, Breve história de quase tudo, Cia das Letras

Para Não Dizer que Não Falei dos Bósons

domingo, 14 de setembro de 2008

Hoje na coluna de Marcelo Leite, no suplemento Mais! da Folha de S. Paulo, o mesmo encerrou sua coluna desta forma, onde falava do LHC e sua busca:

Isso ajudaria a explicar por que só algumas partículas têm massa. Mas nada garante que o Higgs dê as caras, 44 anos após a previsão teórica. Muitos físicos já dizem que sua ausência resultará mais fecunda para a física que a detectação, pois forçará uma reforma do modelo. São, ao todo, 19 anos de caçada no subsolo da fronteira franco-suíça. Só no LHC foram enterrados US$ 9 bilhões. É difícil imaginar uma fortuna mais bem empregada.

Sério? Eu consigo facilmente imaginar uma fortuna dessas mais bem empregada. Vamos pensar na fundação Gates que investe em redes de proteção, cada uma com custo bem baixo, e com essa medida simples, evita que milhares de pessoas se contaminem com malária na África. O que 9 bilhões não fariam pela fome? Pelos refugiados do Sudão que vive um genocídio a anos enquanto os “moralistas verbais (pois não saí do discurso)” da ONU cantam aquele trecho de Strawberry Fields Forever: “Living is easy with eyes closed…”. Meu segundo pensamento é “Ok, deixe os caras se divertirem. Afinal são um bando de nerds com um brinquedo grande e caro. Já que não tem sucesso com as mulheres, brincar com partículas parece ser bem interessante”.

Vale a pena investir tanto assim nesse projeto enquanto nós, como espécie, temos milhares dos nossos morrendo por falta de condições básicas de saneamento e alimentação. Enquanto a metade rica luta contra a balança, fazendo dietas e cirurgias estéticas caríssimas, a metade pobre morre de fome. E 9 bilhões para confirmar uma teoria – que alguns ainda dizem melhor estar errada! Para mim é muito dinheiro para um bóson de merda que não vai melhorar a vida de ninguém.

Só eu não vejo nenhum sentido nisso. Só eu vejo isso como um estúpido nonsense?

Bohr uma vez disse: “Devemos ser claros que quando se trata de átomos, a linguagem só pode ser usada como na poesia”, “partículas isoladas materiais são abstrações”. Ok, eu sei que não devemos interpretar ninguém como um profeta dos quais todas as palavras são a mais pura expressão da verdade, mas Bohr adotava uma postura crítica e, para ser exato, metalinguística do seu campo de estudo. É bom ver algumas de suas frases, na Wikiquote. O link é na versão em inglês já que a em português chega a dar pena.

Olhamos para as estrelas…Contemplamos um céu infinito de probabilidades e aventuras que o futuro nos reserva! Quando bastava olhar por aqui mesmo e estender a mão para já ter feito algo.

O que você pensa a respeito, hein?

Moon Venus Mercury & Mars
Creative Commons License crédito da foto: sleepychinchilla

A humanidade criou a Máquina do Juízo Final?

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Resposta curta: Não.

Resposta longa: O nome é Grande Colisor de Hadrons e segundo algumas pessoas pode criar buracos negros que irão destruir o planeta Terra. Segundo outros, se eles gerarem as “stranglets”, talvez destrua todo o Universo. Não, não é um livro de ficção científica de Kilgore Trout. Tanto que dois sujeitos estão processando os responsáveis pelo projeto.

Um dos objetivos dos experimentos do LHC é recriar as condições do universo frações de segundo após o big bang, e dessa forma testar modelos da para a natureza e mesmo desafiar nossa compreensão da realidade física.

O Boston Globe publicou recentemente três motivos para não ter medo do fim do mundo (bem, ao menos causado pelo CERN). Abaixo, a adaptação:

Deverá [a máquina em questão] estar completa e pronta para começar a produzir informações neste verão. Com ela, cientistas estarão aptos a chocarem átomos viajando a mais de 99,99% da velocidade da luz com prótons viajando na direção oposta na mesma velocidade.

Prótons são, na verdade, objetos bem complicados, feitos de pequenas coisas e pedaços, e na colisão de dois prótons pode ser que aconteça dessas duas pequenas peças fiquem próximas delas. Essas peças carregam muita energia, e desde a famosa equação de Einstein alguém pode imaginar que muita massa em pouco espaço pode criar um buraco negro.

As chances de algo assim realmente acontecerem são bem perto de zero por algumas razões. Primeiro de todas, os teoristas que se preocupam com essas coisas acontecendo fazem a suposição de que a energia necessária para fazer um buraco negro é vastamente menor do que nós poderíamos esperar no mundo real como conhecemos. Essa possibilidade apenas surge em teorias com o que são chamadas “grandes dimensões extras”, e não há evidência nenhuma que estas descrevam a realidade.

Uma segunda razão: Buracos negros, estritamente falando, são construtos teóricos. Ninguém já viu um buraco negro. Coisas que são candidatos a buracos negros são aqueles que são pequenos e que tenham uma massa incrivelmente alta, mas se alguém é muito honesto, há um monte de problemas com o conceito do buraco negro, e nós não sabemos ainda com certeza se eles realmente existem. Um problema particularmente incômodo é que o temo é previsto para desacelerar quando alguém se aproxima de um objeto pesado, então pedaços de matéria caindo em um objeto pesado em colapso levaria um tempo infinito para cair nele do ponto de vista de um observador externo.

Uma terceira razão é que enquanto nós físicos [Stephen Reucroft e John Swai, autores do artigo] estamos excitados sobre as colisões que logo serão feitas no CERN, tais colisões ocorrem o tempo todo na Terra, na lua, e todo lugar mais pelos raios de energia cósmica de alta potência. Em outras palavras, os experimentos que as pessoas se preocupam do CERN estão acontecendo agora e aleatoriamente em todos os luagres nos últimos bilhões de anos, e tudo parece bem!

Droga! E eu achando que tinham criado a primeira invenção útil para o Universo!


Creative Commons License crédito: Jim Downing

26 Horas ou O Fim da Civilização

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Rafael Slonik me convidou para um experimento de pensamento onde se pergunta o que faria com 5 minutos a mais por hora. Eu gosto de experimentos de pensamento. Diabos, o gato de Schrödinger é um, mas eu não posso aguentar a falta de lógica interna do experimento.

Citando a postagem:

Fazer o quê com 5 minutos a mais por hora?
2 horas a mais em um dia?
Um mês a mais no ano?

Como assim?

Primeiro, podemos sim aumentar em 5 minutos a hora por alguma espécie de decreto assim como poderíamos simplesmente adotar um novo tipo de contagem do tempo, mas fazendo isso e mantendo o calendário gregoriano com seu método de contagem de tempo, na verdade perderíamos 30, 4166 dias o que significaria talvez um calendário totalmente novo ou em uma adaptação grosseira, Fevereiro ia ser expulso por ser o mais fraco e um mês dos restantes perderia um dia, no outro voltaria e assim por diante.

Digo: A velocidade com que a Terra gira ao redor do Sol continuaria a mesma, para injetar um mês nisso teria-se que diminuir 5 minutos por hora ( é contra intuitivo mas se baseia em matemática simples) ou arranjar um calendário novo pois aumentar 5 minutos a cada hora significaria tirar de uma “futura” pois o tempo que a Terra leva em seu movimento continua o mesmo. Caso tal “dilatação” do tempo se baseie em algum evento cosmológico completamente fantasioso ele deveria ainda contemplar as implicações lógicas: A Terra teria que desacelerar a sua translação e rotação o que poderia causar terremotos, destruição resultante da força cinética, etc. E como as florestas, mares, animais e nós possuimos hábitos adaptados ao meio simplesmente passaríamos pelas piores crises de mau humor, sonolência, etc. Quem passa por troca de horário de verão sabe do que estou falando. Seria um Jet Lag mundial.

Sem falar nas implicações para o clima, etc. Nosso ecossistema é interdependente de todos os fatores da cadeia e um evento como esse poderia ter implicações que talvez não podemos sequer calcular. Um evento desses, creio eu, poderia até mesmo causar alguma mudança no ângulo de inclinação do Planeta. E vocês sabem que isso é responsável pelas Eras Glaciais. E se a inclinação fosse radical (algo em torno de 1 grau pois mais que isso todas as cidades virariam ruínas se acontecesse “de repente”, muito embora seja praticamente improvável) um dos hemisférios receberia mais luz solar que o outro. Se fosse o nosso poderíamos perder a Amazônia, desertos nasceriam por todo lado enquanto no outro hemísfério aconteceria algo parecido com “O Dia Depois de Amanhã”.

Respondendo à chamada: O que eu faria com cinco minutos a mais por hora? Dependendo, eu estaria morto. Ou vivendo em uma história com ambientação pós-apocalíptica.

O Fim do Mundo (como nós conhecemos)

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Este é o visual do novo 1001 Gatos de Schrödinger. Se você está lendo esta postagem através do seu leitor predileto de feeds recomendo que façam uma pequena visita até a página inicial do blog e vejam o belo trabalho que o Rev. Tiago Madeira fez exclusivamente para o 1001 Gatos.

A história deste blog começa no 1 de Dezembro de 2006 quando ainda tinha Cabala como primeiro nome. A razão do blog ter perdido o Cabala ao longo do caminho deve-se a uma tentiva de dissociá-lo da imagem da “cabala mística”. Recebi muitas mensagens pedindo dicas e tutoriais de cabala, do qual pouco ou nada sei. Hoje, 23 de Julho de 2007 anuncio que o 1001 Gatos de Schrödinger tal qual uma borboleta com suas diversas fases da vida, passa por uma nova mudança.

Para começar, este blog não será apenas uma voz, a minha voz. Adiciono ao coro mais dois editores: Rev. Tiago Madeira, que foi o responsável pelo tema e o Avatar de Éris, mais conhecida pelos mortais como Carol Peters. E também teremos outras pessoas por trás das postagens com algumas belas surpresas, aguardem novidades.

O blog tratará de diversos temas, indo além daqueles que eu regularmente cobria. Teremos “Platôs”, onceito que, tomado de empréstimo a Bateson, designa uma estabilização intensiva e, no caso, uma multiplicidade conceitual. Explica-se, assim, que cada platô terá postagens com títulos e datas discordianas (Ignore o Falso Calendário). Os títulos enunciam um campo de problemas e as datas indicam que se pretende determinar a potência e os modos de individuação de um acontecimento. Cada platô realiza um mapeamento, cujos movimentos descrevem um mesmo percurso: parte-se do interior de um ou mais estratos e de seus dualismos na direção de suas condições de possibilidade, das “máquinas abstratas” que os efetuam e os determinam como atualizações; simultaneamente, os estratos são associados aos agenciamentos de poder que lhes são anexos e primeiros; por fim, em um outro giro, o pensamento contorna as máquinas abstratas e as remete a um plano de consistência a que se acede por desestratificação: revela-se assim, nesse percurso, a heterogeneidade, a coexistência, as imbricações e a importância relativa das diferentes linhas que compõem uma multiplicidade.

Entendeu? O importante é não preocupar-se em entender pois viver ultrapassa qualquer entendimento. Será na prática que vão se acostumar com esse novo tipo de categoria. Peço que por favor, manifestem se gostaram do novo tema, sugestões, críticas…

QUE OS JOGOS COMECEM!

[tags]tema wordpress, novidade, notas do front[/tags]

Asteróide em rota de colisão com o planeta Terra

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Onde você planeja estar em 14 de Abril de 2036? Bem, talvez você esteja morto.Um asteróide têm uma chance em 45.000 de acertar a Terra em 13 de Abril de 2036.


Um asteróide chamado Apophis está em uma rota cuja chance de se chocar com a Terra é de uma em 45.000, o que não impede que cientistas se mobilizem e façam reuniões para se decidir sobre como agir neste caso. Como potencialmente todos os países estão em perigo uma missão deste porte deveria ser realizada pela ONU.

Edward Lu, astronauta e físico da Nasa, desenvolveu uma forma de evitar o impacto baseando em uma espaço nave gigantesca de mais de 20 toneladas que desviasse a rota do cometa com sua força gravitacional.

A missão teria um custo aproximado de $300.000.000 o que não é muito se levarmos em conta de que se trata das medidas desesperadas de salvar uma raça, mas parece um desperdício de energia quando lembramos que o Relógio do Juízo Final foi este ano colocado em 5 para meia noite (meia-noite significaria BUM!, acabou-se, hora de apagar as luzes e irem embora) significando que de acordo com as mentes mais sagazes de nosso mundo estamos mais perto de destruir a nós mesmos.Parece que os seres humanos não precisam de nenhuma força externa para ser exterminado, só precisa que um cara acorde certa manhã com vontade de explodir o mundo todo.

A Cabala 1001 Gatos de Schrödinger não apóia nenhum uso, nem encoraja ninguém a construir um artefato nuclear. Nós não apoiamos o terrorismo. Nós não apoiamos uma guerra nuclear. Nós preferimos morrer lentamente de venenos familiares como radiação leve, microondas, DDT, DBCP, nicotina, álcool, Big Mac’s e casamentos.

Leia:
O Livro de Ouro do Universo

[tags]fim do mundo,guerra nuclear[/tags]