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Na Natureza Selvagem e a Busca Pela Felicidade

segunda-feira, 24 de março de 2008

Todos os homens buscam felicidade. E não há exceção. E independentemente dos diversos meios que empregam, o fim é o mesmo. O que leva um homem a lançar-se à guerra e outros a evitá-la é o mesmo desejo, embora revestido de visões diferentes.
Pascal

“Na Natureza Selvagem” é um filme de Sean Penn que conta a história real de Christopher McCandless. Um dos melhores estudantes e atleta. Após se graduar, ele decide dar $24,000 de suas economias para Oxfam “alimentar alguém”, mais tarde queima todo o dinheiro que carregava consigo. Ele após fazer algumas aventuras, resolve ir ao Alasca para viver na natureza selvagem. O filme mostra as pessoas que ele encontrou pelo caminho até encontrar seu destino nas coordenadas 63°51?36.13?N, 149°24?50.62?O.

Ele era um sujeito libertário altamente influenciado por Thoreau, Jack London e Tolstói. A vida de McCandless é um resumo da tragédia humana em busca de felicidade. Ele abandona tudo por seus ideais para descobrir a sabedoria no final de sua curta vida.

Ao longo do filme, acompanhamos McCandless em sua busca pela felicidade e nesse percurso ele acaba encarando as três barreiras inerentes à esta busca. Segundo Freud, elas são, basicamente três:

Forças da Natureza

Afinal, ou está um sol de rachar ou está chovendo sem parar. Mesmo que criarmos condições ideais de felicidade, as forças da natureza sempre serão imprevisíveis e poderão acabar com nossa felicidade em um instante. E elas sempre vão nos vencer. McCandless descobre isso de forma trágica na forma de um rio que “não estava lá”.

Decrepitude de Nosso Ser

O envelhecimento, as doenças, os limites de nosso corpo. São entraves sérios à nossa felicidade. Temos um corpo que precisa de óxigênio, água e alimentação. Devemos encontrar meios para mantê-lo. O personagem do filme em sua busca por alimentação, acaba comendo as sementes de Hedysarum alpinum (uma batata selvagem), ao invés de suas raízes. Acontece que apenas as raízes eram comestíveis. É basicamente parte de sua harmatia*.

Dificuldade de Convivência com o Próximo

Esse é um ponto essencial: Além de termos nossos corpos e a natureza contra nós, temos outros. Atire a primeira pedra alguém que nunca disse “eu não fui com a cara daquele (a)”. Cada um de nós, movidos por nossos desejos, encontramos nos outros empecilhos a isto. Seja a pessoa que não nos retribui o amor, ou o patrão que explora. McCandless se baseava que para encontrar a felicidade, não era necessário estar entre seres humanos. Abandona sua identidade, e vai viver isolado.

Como Pascal disse, todos em menor ou maior grau buscam a felicidade e como aponta Darrin M. McMahon em “Felicidade: Uma História”, ser feliz se tornou um dever. Por isso, “Na Natureza Selvagem” se torna um filme duplamente interessante, primeiro, a trajetória de vida do herói é interessante como entretenimento, e em segundo lugar, consegue nos tocar profundamente por compartilharmos da mesma busca dele, ainda que empreguemos meios diferentes.

*Harmatia: Conceito grego que significa “erro de julgamento” ou “erro por ignorância”. Na TRAGÉDIA, segundo Aristóteles (384-322 a.C.), trata-se do erro de julgamento cometido pelo personagem ao estabelecer sua AÇÃO (cap. XIII da Poética). Esse erro deriva da ignorância do personagem acerca de algum detalhe importante na sequência dos acontecimentos anteriores. O reconhecimento do erro, consequentemente, provoca a peripécia e gera a catástrofe. A harmatia foi chamada por teóricos e críticos, por muito tempo, de falha trágica. Uma interpretação correta do conceito de harmatia não pode prescindir dos elementos “escolha” e “vontade”, por parte do herói, nem de uma “tomada de decisão”. Estas circunstâncias é que vão provocar no espectador os sentimentos de TERROR e COMPAIXÃO que conduzem à CATÁRSIS. [fonte]

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Copyright © 1992 Christopher McCandless, esta foto é um auto-retrato encontrado em sua câmera por caçadores, que encontraram seu corpo duas semanas após seu falecimento.

Freud explica

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

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[foto]

O Cardoso instituiu um concurso para explicar a bendita foto, sei que não vou ganhar pois não estou apresentando uma história do antes como é pedido, mas apresento aqui a versão “lúcida” da foto graças a meu conhecimento empírico devido ao convívio com animais durante toda minha vida.

Em minha casa já convivi com galinhas de diversos pedigree’s, cachorros de raça não-definida, tartarugas,cágados, patos, marrecos, papagaios, gatos etc. Portanto eu não acho muito estranho o que o cachorro está fazendo nesta foto tirada por um paparazzi. Quando os cachorros ficam muito tempo sem um parceiro sexual eles elejam qualquer coisa para extravasar seus impulsos de acasalamento. O que pode ser desde a sua perna até um pneu velho.

Eu cheguei a ter duas cadelas que devido a um grande período sem acasalar, se tornaram lésbicas. Sem brincadeira. Elas se revesavam uma em cima da outra fazendo os clássicos movimentos com a pélvis. Como eu tive pato, eu também sei que a pata (ou melhor, não podemos dizer do que trata, afinal, como eu disse o cachorro nesta fase não é lá muito seletivo) deve estar se incomodando muito, pois o …hã… falo do pato parece um macarrão parafuso bem grande e fino. A foto abaixo mostra como é, mas não captura a estranheza que é ver in loco e ao vivo aquela coisa sendo arrastada pelo chão (nunca mais comi macarrão parafuso).

argentine-lake-duck.jpg

Portanto a foto explica-se assim: Com a diminuição da oferta de cadelas para o cachorro se acasalar, seu isolamento talvez em alguma casa de campo (notem que parece haver um amplo espaço na frente da casa, não é uma simples casa no meio de uma cidade, no mínimo é uma grande propriedade), forçou o cão, a ir atrás de qualquer coisa para “se aliviar”. Viu o rabinho sempre a balançar da(o) pata(o) (repito: não podemos afirmar nada) e …O resto é história.

[tags]Foto,Fnord,Concurso[/tags]

Cristianismo: Freud explica?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Não conheço profundamente a psicanálise. Os únicos textos de seus teóricos que li foram de Jung e um deles era uma espécie de auto-biografia, um livro ótimo aliás, “Memórias, Sonhos, Reflexões”. Digo isso a fim de desarmar qualquer um a respeito de que eu tenha um conhecimento sólido sobre qualquer afirmação que possa vir a fazer. Digo isso, pois não são poucos que ao ler um texto qualquer seu acha que você o escreveu como “dono da verdade” e cometeu um erro óbvio para quem realmente entende do assunto, terminam por nem lhe mostrar o erro mas deixam claro que você é idiota. Esse prêambulo serve para isso: Eu não entendo de psicanálise.

Tenho um amigo que se diz “entusiasta” das idéias de Freud. Eu lhe perguntei como que uma peça teatral grega pode descrever um comportamento universal dos seres humanos que faz parte de seu desenvolvimento psicológico. Eu lhe perguntei se antes de Sófocles e “Édipo Rei”, o que as pessoas teriam. Mas havia uma grande falha em meu entendimento da psicanálise como ele logo ia me mostrar.

Para entender complexo de Édipo e evitar que eu tente explicar visite esta página da wikipédia. A Wikipédia pode ser editada por qualquer um, logo ninguém põe a mãe no fogo por sua veracidade.

O que ele me disse era que eu estava me limitando à interpretação. Que o complexo de Édipo havia ganhado tanta fama que ele acabou se tornando uma coisa. Na verdade ele é sobre uma coisa. Ele sabe que sou mais inclinado a livros científicos e passando os olhos pela minha biblioteca me disse: “Veja O Gene Egoísta. Genes não são egoístas. É uma forma humana de descrever um fenômeno que é puro resultado, como se houvesse qualquer tipo de intenção. Não há, ou você acha que antes do livro os genes não eram “egoístas”? Tudo que sobe têm que cair, com ou sem Newtons. Ele me disse que a peça de Édipo serve para ilustrar o conceito. Por exemplo, no Cristianismo. O Espírito Santo (interpretação dele) engravidou Maria que deu luz à Jesus. Jesus é uno com deus, pai e o espírito santo. A Santíssima Trindade. Então de certa forma Jesus=Espírito Santo, logo, a gravidez de Maria foi incesto? No complexo de Édipo há ainda a castração do pai. Note que na interpretação popular Maria continuou virgem mesmo casada, que de certa forma foi a castração de José por nunca ter feito sexo com sua mulher.

Fiquei pensando nisso…Tanto na validade do complexo de Édipo quanto ao meu pré-julgamento a considerando no mínimo uma fábula bem contada sem nem ao menos ter me disposto a pensar a fundo. Isso que dá deixar o piloto automático ligado.

Desliguem o piloto automático!

NOTA: Quem tiver um conhecimento melhor das teorias de Freud e achar a interpretação errônea por favor manifeste-a nos comentários. Qualquer correção é bem vinda: é assim que a ciência e o pensamento crítico funcionam.

[tags] auto-engano, piloto automático,complexo de édipo,Freud[/tags]