Quando entrei com 17 anos na faculdade de filosofia eu saí de casa e entrei em mundo novo e assustador. Para quem não dava uma volta no quarteirão sem estar acompanhado de família ou amigos foi uma mudança brutal. Gostamos de pensar que temos o controle da situação, que somos independentes e que sabemos perfeitamente nos virar. Essa é a diferença entre teoria e prática.
Isso foi no começo de 2004 (três meses depois eu faria 18 anos) e logo houve uma greve. Para alguém como eu, que estava chegando, um acontecimento como a greve não tinha propósito. Não respirávamos a atmosfera que os fez se rebelarem, não sentíamos os problemas que com tanta urgência queriam consertar.
Eu, de certo modo, sou contra greves. Primeiro, o ?Sistema? (não gosto muito de usar a palavra sistema para me referir ao andar da carruagem. Eu defendo a mesma opinião de Morrison quanto ao conceito, mas há moldes pré-concebidos demais e não se pode usá-la esperando que vão fazer exatamente a sua leitura) somos nós. Logo, se o Sistema é o inimigo, o inimigo somos nós. Todos somos parte disso. Uma greve é como a rebelião de células do pâncreas ou do pulmão. O organismo não se dá conta de que há algo errado até existir dor.
Uma greve não é um band-aid, não é uma vacina. Uma greve é o equivalente a um enfarte ou derrame para o grande organismo da sociedade. É um sinal claro e inequívoco de que algo está terrivelmente errado e que precisa de uma atenção imediata.
Os governantes ignoram a dor, principalmente nos estágios iniciais, até que cansados de reclamar, parte para o radicalismo: Greve. Corrigindo-me: Os governantes não ignoram a dor completamente. Eles a sentem, apenas tentam resolver outros setores naquele momento antes de agir. Por mais que todo mundo exija do governo a solução imediata de qualquer problema ao custo de críticas para cada falha, temos que ser realistas e admitir que não é possível fazer tudo.
O Gnomo do BLOGOdorium, quis saber a minha opinião sobre greves. É a que eu expus aqui. Não posso ser a favor de greves, não acho que alguém possa conscientemente ser a favor de greves. É como alguém ser pró-violência ou pró-greve?Bem, eu sempre me esqueço de que estes existem aos montes, mas consigo entender claramente a função da greve, mas como parte de um organismo que todos fazem parte, acabam prejudicando-se e muito.
Somente nos resta torcer para que resolvam o impasse o mais breve possível.
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