9 de Julho. É ponto facultativo aqui no Estado de São Paulo. Motivo: “Revolução Constitucionalista”. Aprendemos algo sobre isso na escola, a maior parte dizendo que foi quando os paulistas exigiram a criação da constituição brasileira contra os planos de Getúlio Vargas. Isso é o fato congelado. E uma das leituras, de um dos discursos, que justificaram o que aconteceu em 1932.
Trabalhar no Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro tem sido uma experiência única. Estou aprendendo um bocado em um projeto que em breve poderei compartilhar mais informações. Lá tive contato com jornais, fotos e publicações da época – incluindo um manual de combate para os voluntários.
Chega a ser estranho, mas nós tivemos uma guerra bem aqui, em 1932. Santos Dumont, por exemplo, é ainda que indiretamente, uma fatalidade da época já que resolveu se suicidar quando viu um avião bombardeando Santos.
Estou escrevendo meu terceiro livro, mas o segundo se trata basicamente de um movimento separatista no Estado de São Paulo. A verdade é que eu escrevo histórias subjetivas, do ponto de vista dos indivíduos (nesse caso grupo, já que a voz narrativa é a primeira pessoa do plural) e não fiz uma pesquisa história realmente profunda. Um dos motivos que de não o ter lançado foi justamente que, ao trabalhar no Arquivo, descobri que o movimento separatista já existiu por aqui, em 1932 aliás circulou um jornal chamado “O Separatista”, e seria uma vergonha publicar um material sem as preciosidades que escavei e que continuo descobrindo.

Por exemplo, na página 1, “O Separatista”, número 2, de Abril de 1932, se lê (preservarei a grafia da época):
O grande paiz visinho – o Brasil está atravessando uma crise economica da maior gravidade. [...] Deixemos morrer em paz esse paiz amigo – Elle está condenado. Na hora saberemos bradar “às armas”!
No jornal podemos ler algumas justificativas mais filosóficas, econômicas, mas também, beirando à discriminação social e ética. Mas aquilo é um discurso, uma leitura da época que, sem juízos de valores, justificativa… é sensacional de se olhar. É como ter um telescópio para poder olhar como pensavam aquelas pessoas e que ideias fervilhavam em suas cabeças que os levaram a fazer coisas como essa pequena, obscura e ignorada guerra civil da qual ouvimos falar, mas pouco sabemos.

O que eles sentiam? É o que sempre vem à minha mente ao pensar nesses conflitos, aliás, ao pensar em qualquer tipo de conflito. Por exemplo, eu lembro quando em 12 de Maio de 2006, São Paulo literalmente parou. Lojas fecharam, pessoas ficaram em casa ouvindo a rádios, televisões, etc. Os telefones ficaram com problemas devido a congestionamento de linhas e o pavor no ar, deixando a todos apreensivos com medo das ações e atos de violência do PCC. Foi o mais perto, creio eu, que coletivamente nós paulistas passamos pela psicologia de viver em um ambiente de conflito, ainda que, é claro, possa-se argumentar que de certa forma, nós vivamos 24 horas em uma zona de conflito, ainda que não declarado.
Eu tinha um professor de Geogria, o Sr. Rubens, que dizia uma frase que eu sempre lembro: Os tempos mudam os fatos se repetem. A barbárie nunca se vai – ela está dentro de nós.
As imagens aqui expostas forma escaneadas e fotografadas por mim com base em documentos localizados no Arquivo Público e Histórico do Município de Rio Claro.
































