Posts com a Tag ‘iraque’

Generation Kill

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Talvez eu tenha citado uma ou outra vez que meu novo livro descreve um conflito armado. Guerra. Embora eu seja pacifista, defenda a não-agressão, sou como um personagem de “Matadouro 5″: Sei que ser contra a guerra é o mesmo que ser contra geleiras. É uma forma coletiva de demonstrar nossa herança violenta e irracional, vinda direto de nossos antepassados animais (pois se caso alguma [sic] divindade tivesse deixado essas strings de violência em nosso código, seria um idiota completo). E há anos eu venho consumindo produções relacionadas ao tema (documentários, reportagens, filmes, livros). Este ano, está sendo exibido nos Estados Unidos uma série que pode-se chamar de “Band of Brothers” de nossos dias.

“Generation Kill” acompanha os Marines desde antes da invasão do Iraque (uma rápida explicação: as forças armadas norte-americanas, usam o exército e os marines, ou para nós, fuzileiros navais. Os marines atuam em áreas além-mar e possui diversas funções, mas não toma lugar das outras. A imagem que eles fazem é esta: a âmbulância não toma o lugar do hospital). Eu ainda não vi toda a série por isso não vou dar um veridito final, mas é escrita pelo mesmo responsável por “The Wire” que possui um dos melhores roteiros que já vi em séries. Para meu prazer descobri recentemente que Alan Moore também acha isso, tanto que o motivou a querer escrever para televisão.

Eu fui atrás das reportagens na revista Rolling Stones que devem origem ao livro, que deu matéria prima ao seriado. Ele publicou três reportagens, a primeira ganhou um importante prêmio. São elas: The Killer Elite, The Killer Elite, Part Two: From Hell to Baghdad e The Killer Elite, Part Three: The Battle For Baghdad.

É bem interessante ao mostrar a todo o tédio que os soldados são expostos, regras estúpidas e o que fazem para manter as ordens de hierarquia por mais estúpidas que sejam – e tendo consciência disso. Uma definição, dada por um sujeito é “o show mostra a nossa geração de heróis de guerra, que foi criada com filmes de kug fu, pornô na internet e video-games”. Na maior parte do primeiro episódio vemos as brigas raciais e muito palavrão. E no meio disso tudo surgem diálogos ditos no contexto, que por mais eloquentes que sejam, não parecem estar deslocados.

Em quantas sepulturas nós já pisamos? Pense em toda sabedoria e ciência e dinheiro que a civilização gastou nessas máquinas,e a coragem de todos os homens que vieram aqui, e o amor de suas esposas e filhos nos corações deles. E todo o ódio, cara, todo ódio que foi preciso para detonar esses filhos da puta. É o destino, cara. Os brancos tem que dominar o mundo.

O final do primeiro episódio é do tipo que dá um nó em você. Ok, aqui vão spoilers. Descobrem que o exército americano jogou “cupons” aos soldados iraquianos que se rendessem a eles. O que muitos fazem. Mas as ordens da Divisão é não aceitar ninguém. Só que os iraquianos que desertaram serão, sem dúvida, caçados e mortos por um tipo de milícia que se veste como civis e que os marines não puderam fazer nada a não ser acenar. E aceitar rendição não se trata apenas de escolha, mas de tratados internacionais, que foram violados desde o primeiro dia.

O diálogo final do primeiro episódio:

- Senhor, de acordo com os artigos 13 e 20 da Convenção de Genebra,somos obrigados a cuidar e proteger qualquer um que se renda a nós.

- A Divisão ordenou que não aceitássemos a rendição deles.

- O primeiro contato dos iraquianos com americanos. Nós fodemos eles.

O trailer:

Que venha mais “Generation Kill”.

Violência no Brasil ultrapassa Iraque & Colômbia

sábado, 3 de março de 2007

Com o título “No Brasil morrem mais pessoas por dia pela violência do que no Iraque e na Colômbia” o blog espanhol Viaje a La Guerra que escreveu tal postagem após se encontrar com Rubem Cesar da ONG Viva Rio.

E após mostrar “dados alarmantes” e números para provar que a violência no Brasil mata mais do que em uma zona de guerra como o Iraque. O blog recebeu comentários do tipo “prefiro me encontrar com um xiita e suas bombas do que caminhar pelo Brasil”.

O que eu achei interessante e digno de realizar uma postagem, é que isso não passa de um “estudo de caso” de como os números e a manipulação dos mesmos podem endossar qualquer argumento.Pois o comentário de um dos usuários do menéame mostrou como algo estava sendo deixado passar:

População no Brasil: 188.098.127
População no Iraque: 26.783.383
População na Colômbia: 42.494.395

O número é alarmante, claro. Em minha concepção uma morte por dia de violência já seria caso de preocupação.mas isso somente endossa a premissa de que qualquer comparação que você faça nunca deve ser levada literalmente embora seja dessa forma que agimos quase 100% das vezes.

No caso do Iraque há um arquivo de dados onde é possível saber as mortes que ocorreram lá devido ? violência tendo direta ou indiretamente a participação da intervenção militar encabeçada pelos Estados Unidos.Utilizei o mínimo de mortes reportado (note que há uma diferença entre esta e o maior número reportado).

A última atualização ocorreu dia primeiro de Março, o que nos dá exatos 60 dias. Nesses 60 dias ocorreram 2.522 mortes, o que dá uma média de 42 mortes por dia. ÿ bom salientar que estas são apenas mortes em que a intervenção militar tenha alguma ligação, o número real deve ser com certeza maior, porém não encontrei fontes para saber mensurá-lo, se alguém souber, por favor manifeste-se nos comentários.

Suponha que esse número seja de 50 mortes por dia. Não é de se estranhar que um país sete vezes menos que o nosso em população tenha uma porcentagem de mortes ligada ? violência apenas 50% menor?

Se esse raciocínio fosse levado em consideração (quantidade da população = maior número de mortes por violência), China e Índia deveriam encabeçar a lista e não o Brasil, esta postagem é apenas para lembrá-lo de não acreditar em tudo o que lê. Lembrar daquele verso de Raul Seixas em “Cowboy Fora da Lei”:

Eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capaz

E com blogs não é diferente.

[tags] ceticismo, mindfuck, manipulação[/tags]