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Franz Kafka e sua coleção de pornografia

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Quem não é ligado em Franz Kafka não entende o poder da frase acima. No mundinho da filosofia, Kafka é uma espécie de santo. Vivia uma vida burocrática enquanto negligenciava qualquer coisa mundana e dedicava sua vida a escrever. E escrever coisas que nunca viriam a ser publicadas em vida. Antes de morrer pediu a seu amigo, Max Brod que queimasse todos seus escritos. Bem, todos sabemos o que Brod fez. E sem sombra de dúvidas, Kafka é uma marca poderosa na literatura.

Mas o que muitos pesquisadores nunca revelaram e James Hawes traz à tona, é que nosso santo literário era uma figura humana, como todos nós. Entre sua coleção de pornografia há lugar para todo tipo de fetiche. Passando por animais fazendo felação, até ação entre garotas. E nós estamos falando de algo nas duas primeiras décadas do século anterior. Pois é, pornografia sempre esteve por aí, a internet só tornou seu acesso mais fácil.

Kafka deixava sua coleção de pornografia em um diário chamado “The Amethyst/Opals” e ele guardava em um local trancado. Sempre levando as chaves consigo. O que me leva a pensar se no momento em que disse a Brod para queimar e sumir com toda sua obra ele não visse nesse gesto uma forma de apagar a existência do “The Amethyst/Opals”. Só especulando.

Para saber mais: Franz Kafka’s porn brought out of the closet

Urok niemieckich turystów
Creative Commons License crédito: kamil.szewczyk

Kim Kardashian, Kafka & Schopenhauer

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Kafka pediu ao amigo Max que queimasse todos os seus escritos, que os jogasse no fogo. Hoje se lê Kafka lemos com reverência, mas ele morreu desconhecido, tendo publicado muito pouco. Schopenhauer quando foi lecionar ficou sem aluno algum pois todos iam assistir às aulas proferidas por Hegel (talvez seja por isso que Schopenhauer escreveu: “Hegel, um charlatão ordinário, enfadonho, repugnante, asqueroso e ignorante que, com insolência sem par, escrevinhou um monte de disparates e insensatez que seus adeptos mercenários pregaram como sabedoria imortal e que os idiotas aceitaram precisamente como tais teve como consequência a corrupção intelectual de toda uma geração de estudiosos”. Há ainda outros insultos como: velhaco, falsário espiritual, endoidecedor, que escrevia “palavreado oco”, “galimatas sem sentido”, “bufonaria filosófica” e “coletânea de emaranhados de palavras sem sentido e delirantes, como só havia podido ver-se até agora nos manicônios”). Schopenhauer teve alguma fama no final de sua vida, é verdade, mas amargou muito tempo no desconhecimento. “O Príncipe” que eu sempre cito, não foi publicado durante a vida de Maquiavel.

Van Gogh nunca vendeu um mísero quadro. Não preciso dizer quanto vale um de seus quadros nos dias de hoje. O talento desses homens e de vários outros parece-nos óbvio hoje em dia mas foram ignorados em sua época. O que uma pessoa que desfruta de imenso prestigio e exposição como Kim Kardashian vai legar ao mundo?

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Ela é um tipo de celebridade per se, ou seja, o que importa é somente a pessoa em si e não o que ela fez ou faz. Ela é amiga de Paris Hilton, possui uma fita de sexo com o namorado (substitui o book das modelos) e entrou para o grupo Pussycat Dolls (que possui uma que canta e o resto que faz figuração, e ela não entrou para substituir a que canta). Por que enchemos pessoas como essa de reconhecimento e dinheiro enquanto pessoas que realmente estão por aí, longe dos holofotes, estão criando aquilo pelo qual nossa época será lembrada?

O que isso significa: O mundo não é justo, mas para algumas pessoas ele dá muito por quase nada.

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