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Blog é Outdoor

quarta-feira, 7 de maio de 2008

O título dessa postagem se refere a uma pessoa que visitou este blog, criticou-o e a seus leitores e ainda ficou me criticando por e-mail. Coloquei um filtro no Gmail, para que suas mensagens fossem diretamente para a Lixeira, onde ele poderá continuar extravasando sua raiva como quiser.

Ele reclama comigo de minha “responsabilidade” em informar, já que a Internet é pública e um site deveria ter valor informativo ou algo assim. Eu disse que eu não tenho essa responsabilidade, que meu blog é uma entidade privada, paga por mim, para expor meus pensamentos. Não faço um jornal que tem esse objetivo de informar e assume implicitamente essa responsabilidade acima.

Ele compara blogs a outdoors. “Eu vejo e já era”. O que é um argumento ridículo. Quantos blogs existem no mundo? Milhões deles. Sites? Muitos milhões deles. Devem existir bilhões de páginas na internet. Imagine se cada uma delas tivesse que ser um veículo de informação e mais nada.

E outra, ele reclamou que foi a segunda vez que veio aqui. Vejam bem: segunda vez. Eu não compro publicidade. Eu não faço spam. Ou vou na casa dele pedir para ele entrar aqui. Se ele veio aqui na segunda vez, sabia o que poderia encontrar. Fez por que quis. E internet não é outdoor. Pop-ups são o mais perto disso. Mas esse blog não é pop-up. A URL tem que ser acessada por seu navegador, através de clique em link, favoritos ou digitar sua URL. Ou seja, se você chega até aqui, é por que quer. Isto não é um outdoor.

Eu disse a ele que tenho o meu público, as pessoas que gostam deste blog, e ele obviamente não é parte dele. Agora, um dos contra-argumentos mais idiotas que já ouvi em réplica: “A Internet é livre. Não há seu público. Amém”. Ele fala aqui, que eu não tenho pessoas que gostem deste blog ou diz que como qualquer um pode acessar a internet, sou obrigado a agradar a todos? Aquele sujeito homossexual, Jesus, não agradou a todos, por que teria que agradar?

Amém?

Não ia querer tocar nesse ponto, mas os ataques são motivados a isto: religião. Ele comentou em uma postagem que brincava com as formas de conseguir uma esposa. Na primeira vez, quando também criticou, foi em uma postagem religiosa. Ele só está com raiva de outras pessoas não terem um amigo imaginário que em suas páginas matou centenas de vezes mais que Satã. E usa esses argumentos fracos. Defende uma “internet livre”, mas motivado por uma ideologia que não permite liberdade de consciência. Onde há dogma, não há liberdade. Isso é primário.

Além de usar meu blog como veículo de minha liberdade de expressão, eu não sou um veículo de informação. Este blog não é um outdoor. Ele é como meu caderno de idéias. Você pode vir e pegá-lo. Se sentiu incomodado, não me incomode vindo novamente e repetindo a crítica que não é construtiva, e para mim não possui valor nenhum. E como este blog não acrescenta nada a ele, ele não precisava voltar. A internet é um lugar muito grande e “livre”. Vá viver sua vida de ilusões que eu continuo com meu blog, que é lido por pessoas que gostam dele, e que, olhe, eu chamo de meu público. E como muitos comentam aqui de vez em quando, eu tenho mais indícios de que ele existe do que qualquer outro amigo imaginário.

Pendant
Creative Commons License crédito: maxime.wojtczak

Preconceito contra Ateus

domingo, 20 de abril de 2008

Eu não sou o sonho de Hitler. Sou moreno. Não me acho branco, sou uma miscelânea de raças que caracteriza o brasileiro – tenho uma bisavó que veio da Itália e se casou com um mulato (ponto para mim, já que Nietzsche achava que raças mistas eram mais fortes). Então nunca sofri preconceito por ser negro. Não sou gay, portanto não sofri preconceito por ser homossexual. Mas eu já sofri e sofor um outro tipo de preconceito, que quase ninguém fala a respeito mas ainda é muito presente: o preconceito contra ateus.

A Família Não Aceita Um Ateu

Minha avô nunca gostou de eu declarar que “deus ou era imaginário ou era viado” (adolescência é um período estranho, não concordam?). Se você diz em um comentário na sua casa que é ateu, geralmente eles procuram ignorá-lo como se não fosse sério.

Entrevistas de Emprego

Em uma entrevista de emprego, o sujeito me perguntou qual era minha religião. É uma empresa religiosa, daquelas que colocam dizeres da Bíblia no muro. Respondi sinceramente e hoje continuo desempregado. Lucidamente, eu não tenho experiência de trabalho, mas não tenho dúvidas de que essa resposta pesou decisivamente.

Ateus Não Podem Governar

Em uma pesquisa com o eleitorado, os mesmos aceitariam mais facilmente um homossexual e um negro do que um ateu. Na verdade a intenção de voto para um candidato ateu não chega a 2%. Não quero desmerecer negros ou homossexuais, apenas demonstrar a dimensão do preconceito não declarado. Se estes grupos que amplamente combatem o preconceito de uma medida imensa, o que dizer sobre ateus?

Livros

Engraçado que existe há décadas livros religiosos. Espíritas, evangélicos, místicos. Em minha cidade, Rio Claro, há 2 livrarias evangélicas, que eu conheço, o mesmo número de livrarias “laicas”, que mesmo assim vendem volumes com temática religiosa. Bastou Dawkins e um punhado de outros escreverem livros sobre ateísmo, que foram atacados de todos os lados. Escreveram-se vários livros em objeção à literatura atéia. Nossas idéias não são apenas inaceitáveis pela sociedade, como ela reage violentamente contra.

Comentaristas Cristãos em Ação

Quem possui blog e já publicou algo ao menos questionando o pensamento religioso, já viu o que acontece. Seus leitores críticos, e muitos religiosos, lêem e expõem o que pensam. Então, você é descoberto pelo Google por algum religioso e lá vai ele dizer como você é burro ou citar a Bíblia ou rir e dizer que você vai para o inferno ou mesmo te xingar. Na maioria das vezes são todas as opções anteriores. Isso é preconceito.

Liberdade de Consciência

Minha visão atual da questão não é de uma negação veemente. Na verdade não sei se o termo ateu” me caí bem. Acontece que para efeitos práticos, vivo como um ateu (sem praticar ritos, orar, fundamentar minha ética em tábuas de barro ou perder os domingos pela manhã). Como disse, não parto para a negação veemente de deus/energia/designer inteligente, pois suspeito, como Laplace de que “deus é uma hipótese descartável”. Baseando-me apenas na experiência e narrativas científicas baseadas nos mesmos, rejeito narrativas míticas e sobrenaturais, as quais, possuímos largas provas de serem fantasiosas e não terem acontecido. Religiosos atribuem o “crime” da Criação (afinal, eu não estou satisfeito com o resultado) e apontam Godot, como o culpado. Só que a perícia técnica (cosmologistas, físicos e biológos) demonstra que essa entendidade não estava lá, e mesmo, talvez não esteja aqui.

O que peço é apenas a liberdade de consciência para todos. E que as decisões de cada um, quando envolvam as vidas de outras pessoas, passem pelo crivo das mesmas ou determinações técnicas.


Creative Commons License crédito: Matti Á. Papa Guru Imã Pai-de-Santo Mestre Celebridade dos Ateus

Cuba Libre

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Cuba é uma fonte de perguntas constantes na minha cabeça. Questões que já me fizeram perder o sono.

O próprio drink contém fortíssimo teor político (além do alcoólico!): Ele é uma mistura simples de Rum – destilado originário da ilha caribenha – e Coca-Cola, o maior símbolo do [sic] imperialismo americano [sic]. É um protesto claro aos boicotes e barreiras comerciais bilaterais. Passei uns bons minutos fazendo essa reflexão, agitando com movimentos circulares o meu copinho de plástico. Infelizmente, aquilo tava mais pra uma “URSS Livre”, já que era feita com Vodka.

Sempre que eu penso em Cuba, me vem a mente um país fracassado. Não em termos de saúde ou educação. Nem do governo em si. Mas sim de toda a “falta de sistema” a que eles estão presos. Socialismo não é, nem nunca será, um sistema! É uma etapa, e todos deveriam saber disso.

Quando Marx e Engels escreveram o Manifesto Comunista, criaram um dos sistemas mais brilhantes de todos. E como é praxe, a execução de uma boa idéia é sempre tortuosa.

É simples voltar no tempo. Tudo de que você precisa é superar a velocidade da luz. O detalhe é que, segundo Einstein, ela é a velocidade limite, e para alcançá-la, você acabaria do tamanho do universo – ou algo parecido.

Rumo à Anarquia Vermelha, resolveram que seria bom centralizar o poder, queimar qualquer forma de controle espiritual das massas e enfiar livros guela abaixo dos pirralhos, para que crescessem e pudessem viver sem que ninguém mandasse neles. Mas assim que um indivíduo se vê possuidor de todo o poder ele não quer mais largar e qualquer um que puder obtê-lo, o fará. Para todo o sempre, amém, e o povo que continue a mal possuir suas roupas.

E eu, sentada na cama do hotel, na frente do laptop da minha mãe, comendo Habanitos integrales do El Maestro Cubano começo a pensar se realmente somos nós os livres.

O povo em Cuba ao menos sabe sob o que está vivendo. Eles ainda estão no degrau, podem avançar se o almejarem tanto quanto o fizeram na revolução. Nós, por outro lado, nos vangloriamos do sistema conta o qual “lutamos”. A cada nova manhã temos que pagar as indefinidas prestações do crediário de nossa liberdade e sempre depender de algum babaca que é subalterno de outro babaca, na ininterrupta hierarquia do capital. Somos baratas tontas pagando e pagando para poder dar mais uma volta.

Portanto, bom cidadão, não se preocupe. Tão diferente dos cubanos, você é “livre”!