Ninguém mais notou?

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O Tux é o Buda dos computadores. Mais uma divindade para os caoístas.
Observação: esta é a postagem de número 1001 deste blog. Isso tem um Significado Oculto. Tentem descobrir.
Ninguém mais notou?

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O Tux é o Buda dos computadores. Mais uma divindade para os caoístas.
Observação: esta é a postagem de número 1001 deste blog. Isso tem um Significado Oculto. Tentem descobrir.
É sabido que o Linux apresenta vários ‘‘sabores’’ ou ‘‘personalidades’’, tecnicamente chamadas ‘‘distribuições’’, ou ‘‘distros’’. O rev. Peterson Spaceport me deu a Fantástica Ideia de criar uma postagem transformando as distros em mulheres. Usei as mais populares segundo o DistroWatch, mas filtrando com aquilo que tenho alguma experiência. Vamos ver no que dá!

crédito: klkodak
O Ubuntu é como uma garota Danete: pronta para comer. Possui um arsenal de posições muito vasto, muito dos quais você provavelmente não vai usar. Se já definiu seu estilo, vai acabar descobrindo que, apesar de uma carinha simples, por trás ela é uma Grande Perua, cheia de joias pra tudo quanté lado, o que vai te enjoar.
Costuma ser lentinha pra fazer as coisas, mas geralmente as faz sem grandes problemas. O fato dela estar sempre no comando muitas vezes vai fazer você querer pular a cerca, mas, não se preocupe – ela não tem ciúmes. Para muitos, o casamento perfeito, mas para quem gosta de se sentir no comando, provavelmente ela é um pouco egocêntrica.
Grande parte da moral dela com as outras garotas provém da sua incrível capacidade de fazer marketing pessoal, que é, de fato, muito bom, indo até atender o cliente em sua própria casa, sem custo adicional.

crédito: marimoon
É uma garota meio blasè, irmã ‘‘dada’’ da SUSE Linux Enterprise (que, por sua vez, é a vendida aos homens de negócios), muito atrativa, mas quando abre a boca só fala merda. Por isso mesmo, tornou-se modelo, onde tem que ficar de boca bem fechada.
Pelo YaST é referenciada como a ‘‘garota peituda’’ do mundo do Linux: apreciada, porém nem sempre bem utilizada. Gosta de te dar a sensação de que você tá por cima, mas logo acaba te surpreendendo com você em baixo.

crédito: III Encontro Nacional do Germinar – 2008
O Fedora é aquela garota, jornalista, sempre antenada nas novidades, sempre se enfiando onde o futuro parece mais próximo, mesmo que se quebre & fique com uns hematomas depois. Do tipo ‘‘bonita, mas perigosa’’, sempre vai ser uma boa companhia para quem tem paciência com suas excentricidades.

crédito: Sukanto Debnath
Sra. Slackware. É a velha sábia, respeitada na comunidade, bem como aqueles que sabem conversar com ela são respeitados. Faz tudo na mão; não gosta de modernices. Você até pode dar uma roupa nova pra ela, mas o coração velho ainda vai pulsar com força. Com ela, nada de carro: se quiser chamar pra sair, venha com a carroça mesmo.
Apesar de velha, não se engane: é com ela que vai aprender & se iniciar nos Mistérios da Arte.

crédito: Old Shoe Woman
É a mãe de muita gente. ‘‘Filho do Debian!’’ é um antigo xingamento geek. Conhecida por sua estabilidade e rigidez, deu muitos bons frutos, exatamente por seu humor singular. Não costuma causar grandes problemas se você andar na linha e souber o que está fazendo, nem gosta muito de novidades, a não ser quando elas provam sua utilidade.
Novamente, não cometa erros antes de experimentar: é uma das primeiras no ramo, mas tá com tudo em cima.

crédito: Bill Liao
O Gentoo é uma garota novinha, chata de entender, que você tem que ensinar tudo, inocentezinha, mas extremamente flexível. Quando ela cresce e você olha pra ela, toda formosa, dá até orgulho de pensar ‘‘puxa, eu fiz isso!’’.
Fica do jeito que você quiser, é pau pra toda obra, e desenvolve uma relação toda especial contigo. Mas, escute bem: ela também tem as exigências dela, como tempo & atenção. Uma garotinha adorável do começo ao fim. Mas, por favor, só tente algo ousado quando ela crescer, ok?

crédito: Sidereal
Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

crédito: Juin Hoo
Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem deus.
Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público. E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”. Se tiver que citar uma pintura predileta não se arrisque muito, cite “Noite Estrelada” de Van Gogh ou qualquer um do Da Vinci.
Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.
Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

crédito: Giorgio Montersino
Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai saber). Diga que um filme que apela para efeitos visuais sem fazer pensar é um desperdício de tempo. Mesmo que o conceito de “fazer pensar” seja totalmente arbitrário e definido por você.
Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, os irmãos Coen, Michelangelo Antonioni e qualquer cara europeu.

crédito: this is your brain on lithium
Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.
Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.
Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes e a unanimidade: Confúcio.
Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”. Confúcio disse coisas demais.

crédito: mr lynch
A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si, que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levarmos a lugar nenhum”. O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.
Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversa e critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.
Nota:Também critique a noção dos outros em filosofia. A maioria das pessoas mal conhece o campo e a equipara com “filosofia de vida” ou ainda puro pensamento abstrato, uma parte é, mas encha o saco deles citando Wittgenstein, Russel, filosofia analítica. E critique os existencialistas, apenas como uma forma de se divertir, “Sartre? Emo. Nietzsche? Über-emo!”.
Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.

crédito: striatic
Ninguém hoje em dia escreve tão bem quanto qual qualquer clássico. Lembre isso a qualquer pessoa mesmo que ela nem queira saber. Ignore o fato de que os escritores clássicos diziam a respeito de sua própria época e escreviam em uma linguagem que espanta qualquer leitor moderno, mas que para a época era o padrão. Se um livro é best seller ele logicamente não presta. Cuidado! Se você for visto com um best seller na mão poderá ser muito ruim para a sua reputação. Se ganhar algum de presente pergunte para quem lhe presenteou se você pode trocá-lo. Claro que não precisa, mas você tem uma reputação a zelar.
Dica: Goste do cânone, lógico. Mas invista em literatura marginal, subversiva. Por quê? Se o cânone quase nenhum deles leu, imagina e literatura subversiva…Então aprecie os beats como Kerouak, Burroughs. Ou algum tipo muito específico de literatura. Japonesa (Haruki Murakami), Hebraica (Amos Oz), etc.
Você DEVE fingir ter lido: James Joyce, Kafka, Proust, Machado de Assis, Cervantes, Hemingway, Orwell.
Foi escrito todo um livro sobre o tópico de fingir ler: Como Falar dos Livros Que Não Lemos, Pierre Bayard

crédito: Graham I.
Esta se divide basicamente em duas formas de ser um idiota politizado:
O Governo Lula é mal e traiu sua ideologia (ignore o fato de que ele seguisse sua ideologia você igualmente iria odiá-lo, talvez odiar mais). O presidente é um bêbado (falácia ad hominem). O FHC salvou o mundo e ainda ficou com a garota no final.
Entrar na comunidade: “LUTO! Lula foi eleito”. E se esquecer de que vive em uma democracia.
Você DEVE gostar de: Casamento, deus, Capitalismo, mercado livre, Estados Unidos.
Sonho de consumo: viagem para Disney e iPhone.
Como a esquerda era melhor há 30 anos atrás. Lembram-se das diretas já? As pessoas lutavam pelos seus direitos, hoje em dia ninguém liga para nada. Che Che Che Che Che. O Capital. Marx. Che Che Che Che Che. Maio de 68, anarquismo. Hakim Bey. Libertário. Che Che Che Che Che.
Se você for jovem entrar na comunidade “Comunista não come criancinha”, cuja descrição é: “Somente garotas maiores de dezoite anos e consensual”.
Você DEVE gostar de: Marx, Trotsky, Feminismo, Reforma Agrária, Creative Commons, sexo livre.
Sonho de consumo: viagem para Cuba e iPhone.

crédito: kaneda99
Futebol é para idiotas. Esportes inteligentes incluem: Xadrez, Esgrima e críticas destrutivas ao que quer que sua mente brilhante analise. Você também pode estar propenso a gastar 300 reais para ver uma corrida de Fórmula 1 e ficar sentado no Sol para ver só uma imagem borrada passando na sua frente e um barulho que quase estoura seu tímpano.
Você DEVE gostar: Zico (Pelé é para idiotas), Futebol Europeu (lá eles realmente tem inteligência no esporte – mas de onde saem os jogadores deles mesmo?), Ayrton Senna.

crédito: cygnoir
Só por usar “gastronomia” para se referir a “comida” é uma grande passo que o diferenciará de 80% das outras pessoas. Você nem precisa saber fazer um miojo. Se dominar o vocabulário e o nome de alguns ingredientes já está valendo.
Você DEVE gostar de: Foie Gras, Vitela, Escargot, Champagne (Espumante é para os fracos), Vinho, Filé Mignon.
Dica: Nunca diga que está cheio. “Estou satisfeito” ou “Estava simplesmente fabuloso!”. Pessoas com etiqueta aparentam ser inteligentes. Invista nisso.

crédito: (nutmeg)
Música é a harmonia das esferas, uma arte humana matematicamente complexa. Aproveite e cite que para Schopenhauer e Nietzsche eram as mais elevadas formas de arte. Lembre-se que um sujeito altamente inteligente tende a desprezar a produção artística de seu tempo e prefere os caras mortos.
Despreze o funk, sobre o qual “não emitirei juízo, pois nem música é”. E esnobe o rock, “é uma prova de que qualquer um pode fazer música, até analfabeto”. MPB convém gostar pois socialmente é ouvido pelas classes mais abastadas e uma pessoa inteligente sabe que é muito importante tê-los como amigo, mesmo achando as composições todas iguais e usando os mesmos acordes.
Mas claro toda regra tem suas exceções: The Beatles, Rolling Stones, por exemplo são bandas que uma pessoa inteligente pode gostar. Radiohead entre as atuais, por fazer um “rock inteligente” também.
Você DEVE gostar de: Beethoven, Mozart, Bach, Haendel, Rachmaninoff, Camille Saint-Saëns, Vila Lobos, ou se especialize em um nicho como “rock dos anos 70″, “musica pop dos 80″ e seja extremamente chato ao comparar com o “deserto contemporâneo de boas composições”.

crédito: Stuck in Customs
Uma pessoa tão inteligente como você deve ter um veículo de expressão de suas idéias. O mundo não pode ser privado de seus pensamentos. Seria um desperdício. E nesses tempos de ecologia e politicamente correto não há nada pior do que desperdício. Crie um blog! Claro que isso é só um antes de você escrever o livro definitivo, depois do qual ninguém nunca mais precisará ler coisa alguma.
Use uma linguagem diferente da que usa no dia a dia. Escreva como Machado de Assis. Seja contra o “miguxês”, em suas palavras, “um atentado contra a última flor do lácio!”. Sei que espera ansiosamente por cada comentário, mas uma vez que os tenha – e será algo como “rox!!!!”, “um bjo para o Rafinha do BBB! fuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii…..”, você vai fazer uma postagem malcriada a respeito da “imbecilidade” que assola nossos país. Você, o ápice, o zênite, a epítome, o cume, o clímax da inteligência vivendo nesse país de iletrados! Você é um oásis em um deserto.
Você DEVE postar sobre: O vídeo “Dancem Macacos, dancem”, qualquer coisa da Apple (mesmo talvez 5% sendo Apple, dá a você um status cool e inteligente), trechos de livros de filosofia, opinião política e por último mas não menos importante, Pequeno guia para fingir inteligência (assim, através da ironia você se passará por inteligente).

crédito: [niv]
A verdade é que todo mundo hoje em dia se acha “conhecedor” de computadores. O status de ser nerd e geek até mesmo virou cool. Banalizaram tanto a coisa que muitos que assistem desenho animado japonês ou só porque sabem usar torrent já se consideram com tais rótulos. Mas você deve mostrar a eles que sabe mais. Minha primeira dica é ler sobre modelos antigos de computador. A estratégia amplamente usada de falar sobre Linux é muito importante. As pessoas comuns sofrem da chamada “Síndrome da Linha de Comando”, então invocar o Linux é um porto seguro para se fechar em sua casca de noz e se considerar o rei do espaço infinito.
Mas graças ao Ubuntu as coisas estão mudando e rápido, há, ainda que pequena, uma chance de encontrar outra pessoa que conheça Linux, então fale da superioridade dos Macs e de como Steve Jobs salvou o mundo e irá deixá-lo ainda melhor quando voltar (pois ele prometeu que voltará). Use o vocabulário religioso, trocando “Jesus” por “Steve” e “deus” por Apple que dará tudo certo. Além de fingir conhecer o tema, o alto preço dos Macs ainda lhe darão um status elitista.
Coisas que DEVE citar: Digg, Python, Ruby, PHP, C++, Java, Firefox, “Windows é para os fracos”.

crédito: penmachine
Se seguir tudo isso, conseguirá fingir inteligência em diversas áreas. Parabéns, meu caro. Agora pode dar um tapinha em suas próprias costas. Mas se nada disso der certo, a melhor forma de se sentir inteligente será sair com uma loira.
Esta é uma espécie de re-blogagem, atualizando e corrigindo duas postagens publicadas no passado do 1001 Gatos de Schrödinger.
Eric Raymond, em seu mais popular livro The Cathedral and the Bazaar (link no final do texto), expõe dois modelos de desenvolvimento de software:

É o jeito que todas as grandes empresas desenvolvem seus programas (e também algumas empresas de software livre – é importante não esquecer). As atualizações são disponibilizadas de bastante tempo em bastante tempo porque são todas realizadas pelos seus programadores responsáveis.

Bazar: Inspirado, você escreveu uma linhazinha de código não funcional que pode se tornar parte de um grande programa? Faça o upload porque todos vão pegando essa sua linha e continuando o desenvolvimento, assim que alguém vê uma brecha de segurança corrige e assim vai. É uma idéia maluca que, pra quem está por fora do mundo do software livre, soa utópica, mas por incrível na prática dá certo em vários casos. E no livro Eric se impressiona com isso. Um dos maiores exemplos é o Linux.
Sempre simpatizei com o modelo bazar, por causa da facilidade de participar do desenvolvimento, do código legível e do programa bem debugado.
Creso Moraes (Enfoque) me contratou para instalar o Drupal* com alguns módulos no seu servidor e estamos com dificuldade de achar um módulo para substituir o descontinuado LTE (Letter To Editor). Não que isso seja importante pra compartilhar com o público do 1001 Gatos, mas num e-mail recente ele me acordou pra uma questão seríssima no desenvolvimento de software livre do modelo “bazar” que merece uma reflexão:
Ano passado, pedi ao coordenador da internacionalização do CiviCRM, o Piotr, da Polônia, que conseguisse quem me fizesse a instalação de um sistema completo, num domínio meu, para eu exatamente ir usando, conhecendo e adaptando a tradução. Parecia um pedido simples de atender, mas ele consultou os pares do time de desenvolvimento internacionalizado, e não quiseram assumir essa tarefa que ainda me parece muito simples: colocar um sistema funcionando para uso de um leigo.
Minha sensação é a de que os desenvolvedores trabalham com gambiarras, só acessíveis a iniciados, e não têm compromisso com o usuário final. Parece-me, sinceramente, que se divertem em vencer os desafios da programação, e estão sempre mirando no ainda não atingido. O atingido deixa de ter interesse, e é abandonado e esquecido imediatamente.
Situações como essa tornam muito difícil, para mim, explicar aos meus amigos por que insisto no software livre — mesmo que eu lhes diga que a descontinuidade também impera, e como!, no software proprietário.
Note: Creso é o maior contribuidor das traduções do CiviCRM para português brasileiro e nunca usou o programa!
Enxergo este problema como sério porque eu mesmo sofro bastante dele (do outro lado da linha) e muitos outros sofrem, porque muitos dos softwares livres (muitos, não todos) não são feitos por empregados sérios sentados em seus escritórios frios, mas num ambiente mais confortável, às vezes no tempo que sobra, por hackers, amantes de código que estão sempre buscando algo novo. Como o próprio Eric Raymond (coincidência, os dois textos que eu quis usar aqui são dele) escreveu no seu outro livro How to become a hacker (link no final da página, de novo):
As mentes criativas são um recurso valioso e limitado. Elas não devem ser desperdiçadas re-inventando a roda quando existem tantos outros novos problemas fascinantes esperando por aí a fora. [...] Os ráqueres (e pessoas criativas em geral) nunca devem se entediar ou fatigar-se com estúpido trabalho repetitivo, porque quando isso acontece significa que eles não estão fazendo o que somente eles podem fazer — resolver novos (e interessantes) problemas. Este desperdício machuca a todos. Então tédio e trabalho penoso não são somente desagradáveis mas na verdade maléficos.
O problema é que projetos que são importantes pra usuários finais são de vez em quando parados por causa dessa facilidade de se apaixonar por algo, desenvolver e depois partir pra outra ou desenvolver somente para si mesmo. A quantidade de programas bons escritos em software livre por causa desse modelo é enorme, mas em troca alguns programas são esquecidos e deixam seus usuários na mão. E mesmo que o programa propspere, quando não há grandes comunidades de desenvolvimento, seus poucos programadores têm dificuldade para ajudar seu usuário leigo, que, diferentemente de nós (aqui me ponho do lado dos nerds), não quer ler o manual.
Aí o assunto abre-se em várias vertentes e corro o risco de deixar esse artigo ilegível de tão entediante e com o assunto muito aberto e sem conclusão. Tentando simplificar: só em cima da pergunta “o usuário precisa ou não ler o manual?” existem várias opiniões e no fim eu acredito que a questão da criação do software livre (estou aqui falando de pequenos projetos, não de gigantes como o Apache, o Firefox ou o Linux) fica resumida a uma variável: o público do programa. Explanarei a questão com uma antítese:

Suporte plug n’ play para impressoras, um programa pra simplificar o “simplérrimo” (para usuários Debian) apt, reconhecimento e instalação dos drivers sem o usuário precisar fazer nada, montagem automática… Essas são algumas das características da distribuição de Linux que atualmente deve ser a que mais cresce no uso doméstico no mundo. 100% dos escritores do 1001 Gatos usam Linux e isso não seria possível se os desenvolvedores não olhassem pro usuário.

Seu manual é excelente, completo, explica tudo passo-a-passo. Mas que tipo de pessoa normal boota um CD e, no modo texto… configura rede, particiona disco, cria sistemas de arquivo, mexe em dezenas de arquivo de configuração onde vai usar opções especiais pra compilar os programas para a sua plataforma, compila seu próprio Kernel e, depois de algumas horas (estou sendo otimista, na primeira vez que instalei o Gentoo foram dias), reinicia o computador pra simplesmente poder ter um sistema operacional? O Gentoo é lindo, mas eu jamais distribuiria um CD dele pra qualquer pessoa que não goste muito de computadores.
Falcon Dark defende que o usuário é que deve se adaptar ao sistema e não o sistema ao usuário (gostei, parece até que estou falando de teses evolucionistas). Em seus artigos interessantíssimos sobre a liberdade digital, quando se trata de sistemas operacionais ele é enfático: ser diferente é vantagem, afinal os usuários de Linux usam ele por ser diferente, se quisessem algo igual o Windows usariam o Windows.
Falcon (bem, ao menos em minha livre interpretação) e muitos outros usuários de Linux acreditam que ninguém deve ser forçado a trocar de sistema operacional, mas devem trocar por vontade própria sabendo que estão indo pra algo completamente diferente que vai demandar-lhes esforço e aprendizagem. O público-alvo aqui é um seleto grupo de geeks (ok, não serei radical, também tem outras pessoas que aceitam o desafio) que vão se interessar em aprender coisas novas e com certeza perder bastante tempo para obter um resultado legal na sua aprendizagem (eu me enquadro nesse grupo, eu acho).
Já vários outros usuários e desenvolvedores apostam no oposto: deve-se criar um sistema o mais parecido com Windows possível (cheio de perfumarias e de plug n’ play). Aqui o público-alvo é a massa e chega-se em todo usuário e convida-o a migrar pro Linux dizendo “Instale Linux! É fácil igual o Windows, você não vai sentir dificuldades.”. O Ubuntu é uma distribuição com esse propósito. Ele dá a liberdade do Linux (só vem com softwares livres), a segurança, o Kernel, mas de forma simples pro usuário. Na minha opinião, é uma distribuição sensacional.
Tentando voltar um pouco ao foco, eu acredito que o modelo bazar se concentra muito mais no público “hacker” do que no público “povão”, diferentemente da catedral (Red Hat, Mandriva, IBM, Sun) que patrocinam e desenvolvem tentando alcançar o público geral. Há muitos softwares criados por vontade de alguém com o objetivo de fazer uma tarefa para si mesmo (eu faço isso o tempo todo, mas não documento e não publico justamente pra não ter o compromisso de manter) ou para outros programadores (coisas como o mpd2pidgin, que não são usáveis pra usuários normais, e não vem pacote, nem manual) e por causa disso o modelo às vezes acaba falhando como aconteceu no caso do módulo LTE do Drupal (e em vários outros módulos do Drupal, porque é sacanagem o seu suporte a módulos mudar em cada versão) e em muitos outros casos.
Não estou certo sobre o que deveria acontecer (quero dizer: o público se adaptar ao sistema ou o sistema ao público) mas tenho certeza que justamente pelo modelo ser um bazar a participação de todos é bem-vinda e com mais colaboração o problema de forks e descontinuidade de projetos com certeza não existiria.
* Drupal é um CMS livre que é escrito em PHP dentro do modelo bazar e suporta várias contribuições dos usuários. Ele é usado em vários sites, entre eles os populares BR-Linux e Meio Bit. Eu comecei a ter contato com ele no GHOP, onde participei um pouco de seu desenvolvimento e conheci vários dos membros de sua comunidade no IRC.
Instalei ontem em meu computador o Ubuntu. É meu segundo contato com o Linux e a primeira foi bem traumática. Na primeira vez meu computador simplesmente reiniciava toda maldita vez em que eu ligava. Levei no técnico e ele me disse que poderia fazer um backup mas teria que reinstalar o Windows. Resolvi ser radical e experimentar alguma coisa nova. Ele me disse: “Têm certeza?”. Eu tinha. Entrar na internet foi uma batalha. Não sabia nada de “terminal”, “sudo” ,”pppoeconf” etc. E mais: eu não tinha gostado da qualidade da imagem. Tentei de acordo com meus conhecimentos melhorá-la. No final não sei o que eu fiz que quando ele ligava era apenas códigos e mais códigos. Simplesmente voltei para o Windows.
Wubi
Uns três anos depois aqui estou, digitando no Ubuntu, graças ao Wubi.
Sem particionamento de disco e ainda me permitirá ir testando um enquanto ainda mantenho o familiar Windows.
Já consigo ouvir músicas mas ainda não arrumei um jeito de assistir meus seriados. Ocorre um “erro no fluxo de dados”,seja lá o que isso significa. Desta vez a imagem corresponde a minhas expectativas. Não explorei muito desde que eu o instalei. Mas estou achando interessante explorá-lo embora ainda falte muita coisa para que eu me decida se o utilizarei como sistema operacional principal. E eu até queria.
Consumo consciente
Sempre que eu li sobre Linux eu não via nenhuma necessidade de trocar o Windows por ele. Apenas o papo de “código aberto” não me satisfazia. Como um “não programador” isso não era de forma alguma um atrativo. Afinal, por que eu ia preferir um sistema por ele ter o código livre se eu não sei merda nenhuma sobre código?
O que mudou em mim entre o estado de não ligar para o linux e o de agora? Simples assim: Eu prefiro usá-lo por sua filosofia. Pessoalmente eu não acho que basta consumir. Temos que ser conscientes de tudo aquilo que compramos e usamos e de como isso afeta outras pessoas. Por exemplo: Você já imaginou por que os relógios no camelô custam tão barato? Se um dado fabricante consegue um preço final, ao consumidor, extremamente baixo o que isso significa? Que ele conseguiu tanto matéria-prima como mão-de-obra barata. Para ele conseguir uma matéria-prima barata esta deve ou sofrer subsídios do governo ou sonegar impostos. Porque existem madeireiras e mineradoras clandestinas? Para onde vai toda essa madeira e minério?
Outra, existe uma relação óbvia entre o grau de instrução e o salário ganho. Ou seja, ou a empresa que consegue uma mão de obra barata ou ela emprega analfabetos ou pessoas com muito pouco estudo formal. Ou ainda crianças. Quanto menos instruídas as pessoas são menos conscientes de seus direitos e deveres elas são. Logo, a fim de esquivar-se de obrigações e impostos um desses empresários passa a ter trabalhadores sem carteira de trabalho ou qualquer benefício. Dobra a carga de trabalho, etc. Tudo isso está por trás de um relógio comprado em camelô. Imagine quantas crianças que trabalham 16 horas por dia, sem qualquer perspectiva de ter uma educação não perdem suas vidas ali. É o barato saindo bem caro.
O que tudo isso tem a ver com Linux x Windows?
Não acho que o Bill Gates empregue crianças. Onde eu quero chegar é que você precisa estar consciente do que você está consumindo. A filosofia por trás do Ubuntu foi a coisa que mais me chamou atenção. Por que Ubuntu? Por que eu posso escolher e eu quero escolher um produto que não tenha os valores do Windows. Eu queria consumi-lo pelos valores que ele me passava: Ubuntu é uma antiga palavra africana que significa algo como “Humanidade para os outros” ou ainda “Sou o que sou pelo que nós somos”. Que lembra muito a primeira linha de “I am the Walrus”: “I am he as you are he as you are me and we are all together.”
É um modelo diferenciado de democracia. A nossa democracia moderna, fundamentada nos gregos, é exclusivista desde o princípio: mulheres e escravos não votavam. Ela se baseia na idéia de que as pessoas devem eleger alguém mais “apto” ou “capaz”, mais consciente dos problemas comuns que as represente. Em teoria. Isso acaba gerando uma elite, uma oligarquia, que controla o país e geralmente governam o país tão arbitrariamente quanto qualquer rei absolutista. O primeiro item deste artigo fala mais sobre como uma democracia com o valor Ubuntu é.
Eu realmente quero dominar o Ubuntu e aposentar de vez o Windows. Dicas para um novato no Ubuntu não são apenas bem vindas como desejadas. Eu sou um completo ignorante a respeito disso e qualquer ajuda só virá somar.

Não estou falando de nazistas. Mas eles odeiam pessoas que não conhecem apenas por uma opção delas. Ok, muitas não optaram, mas também não se deram ao trabalho de ir atrás, ninguém as impede disso. Não, não estou falando de homofóbicos. Estou falando de uma massa de pessoas que criam esses sites e blogs maravilhosos. Se você está usando o IE (Internet Explorer) eles odeiam você.
Não vou fazer uma defesa do IE. Estou neste exato momento em meu navegador Firefox. Que aliás já me deu muita dor de cabeça e travou inúmeras vezes. E ainda teve a cara de pau de pedir para enviar um relatório de erro para a Microsoft (que eu todas as vezes tive a cara de pau de enviar).
A cultura nasceu livre. Não tínhamos leis regulando o uso de rituais ou canções da chuva. ÿ moderno e relativamente recente o movimento de privatização da cultura. Em 1958, 1959 já despontavam pessoas que iam contra este movimento e algumas delas lançaram um livro ainda hoje não muito conhecido, o Principia Discórdia. Falar de cultura livre faz parte de ser discordiano.Eu sou um entusiasta e defensor de uma cultura livre. Como uma pessoa que deve ter o mesmo alinhamento político nesta questão que a minha pode ter uma atitude como descrita nesta postagem de Fábio Seixas?
O Firefox está disponível para quem quiser baixá-lo. O Google o apóia. E mesmo assim as pessoas continuam o usando. A questão é: Porque as pessoas projetam suas frustações de não ter feito um código imune a defeitos no navegador mais popular, o odiando? Pois o navegador é um objeto inanimado, ele não está quebrando a sidebar de seu blog por sacanagem nem mostrando um área de comentários errada de birra. Odiar um software é como odiar o móvel que você bate a canela no escuro.
E por que, o ódio direcionado aos usuários desse sistema. ÿ incrível como eles são incapazes de admitir o quão CaraCinza e estúpido esse comportamento é. São as pessoas que geram rendimentos para eles e visitas…Eles não deixam de se adequar ao mesmo a fim de ter lucros não é mesmo? Será que eles não acabam não apenas sendo incoerentes mas uma postura de “dormindo com o inimigo”?
Minha sugestão é: Esqueçam o IE se o odeiam tanto. Outros blogs e sites por aí com certeza acolherão os usuários do mesmo, senão com amor, pelo menos sem ódio por eles.
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