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Gomorra, Roberto Saviano
domingo, 21 de dezembro de 2008Psicologia Quântica, Robert Anton Wilson
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
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Novidades de Palahniuk
quinta-feira, 17 de julho de 2008Aviso, essa postagem conterá alta carga sexual gráfica.
Chuck Palahniuk, ou “O escritor de Clube da Luta” como a maioria conhece ele está com algumas novidades no ar. Começarei com os trailers de “No Sufoco”, “Choke” no original. O livro é hilário e provavelmente o meu predileto do autor. Uma das “marcas” do livro é que o protagonista ao executar uma ação sempre pergunta “O que Jesus NÃO faria?”, invertendo a [sic] lógica moral religiosa.
E abaixo, a versão com a “faixa vermelha”, o que indica que ele conterá altas doses de conteúdo sexual gráfico, insinuações de intercurso sexual, masturbação e “fucks” para dar e vender (o último é conhecido como prostituição).
A outra “novidade” não é nova. Já tem algum tempo que Chuck Palahniuk lançou seu útimo livro, intitulado “Snuff”. O livro é narrado do ponto de vista de alguns rapazes que…bem, é melhor contar a primeira parte da história. Palahniuk nos apresenta Cassie Wright, atriz pornô de diversos filmes (veja quais no perfil do MySpace e divirta-se com os títulos), que resolve se aposentar e fazer sua saída com grande estilo: irá gravar um filme onde ela faz com 600 caras. O livro seria narrado pelo ponto de vista deles, um inclusive sendo um filho dela que não foi criado pela mãe (!). Se não conhece o autor, bem-vindo ao Mundo Doentio de Palahniuk.
Aqui você pode conferir um “trailer” para um filme de Cassie Wright, “The Wizard of Ass – Dorothy is Not a Virgin Anymore”
Uma coisa me intriga no título do livro, que talvez pode ser “estraga surpresa”, mas como eu não li o livro, é só especulação. “Snuff” é um gênero de filmes onde ocorrem assassinatos reais. Por que o livro tem esse nome? Se a atriz estivesse apenas encerrando sua carreira com os 600 caras, deveria se chamar “Gang Bang”, que é um gênero de filmes que segundo a Wikipédia emprega em intercurso sexual mais de 6 pessoas. O livro foi lançado no dia das mães por causa da parte da trama de relacionamento entre mãe e filho (ou só para sacanear mesmo).
Eu costumo dizer que Chuck Palahniuk é foda. E nunca foi tão literalmente quanto dessa vez.
Backup, Forrest! Backup!
terça-feira, 1 de julho de 2008Aprendemos com os erros, é o que todos dizem. Não é nenhuma novidade, pena que algumas lições tenham que ser tão duras. Por um erro ao realizar um redimensionamento de particionamento da minha HD principal, perdi ontem todos os arquivosdo meu computador. O pior: Tinha feito backup uma semana antes para reinstalar o Sistema Operacional e o eliminei depois disso. Ao realizar o particionamento, o Ubuntu gentilmente me informou que eu deveriame certificar de ter realizado o backup. Ignore-o.
Meu inventário de coisas perdidas e quase insubstituíveis:
Dois capítulos inéditos de EQM. Estes eu nem mesmo imprimi. Resolvi criá-los quando enviei o livro para algumas editoras, achei que seria uma espécie de vantagem para eles ter capítulos que não existam na versão liberada na internet.
Mas eu perdi também todas as versões de EQM, incluindo um arquivo que ia corrigindo os erros encontrados e mais fácil de editar (agora só tenho o pdf que disponibilizo para todos, que é meio chato de se editar).
Todas minhas imagens. Fotos da família, de amigos e minha coleção de fotos de seriados, filmes, desenhos animados, atrizes, etc…Uma coleção que venho juntando desde quando eu usava (vade retro), Windows.
Toda minha coleção da Sasha Grey (piada).
Mas o pior: Meu livro em obras. Eu perdi tudo. T.U.D.O. E isso doeu. Acho que como vou ter que reconstruir tudo, vou deixar aqui notas sobre o mesmo. Estava no que considerava 20% da obra completada. Estou chamando de “Declínio & Queda do Império Americano”, e digo isso pois EQM era “Viagens a Terra Não-Descoberta” e depois “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam”. Se a tendência continuar, acabará saindo como “EUA”.
O livro se passa em algum ponto do futuro recente. É narrado pela primeira pessoa do plural. Quem são esses narradores não é claro (nem para mim) e se foca em um primeiro momento na organização e tentativa da independência do Estado de São Paulo. Mostrará o clima político, como as pessoas agem nesses ambientes e diversas reflexões. Mas não quero fazer um livro político. Nada disso. Estou mais interessado em jogar esses personagens em um ambiente onde as regras da civilização se tornam confusas para revelar a natureza humana. Por isso, gosto de dizer que é um livro sobre a natureza humana.
Se você está se perguntando o que diabos tem a ver a independência de São Paulo com o “declínio e queda” dos EUA, bem, eu odeio spoilers. E eu vou ter que voltar a escrever. Por um lado eu sei que é bom. Ao final de EQM, voltei para editar algumas partes e vi que minha escrita havia melhorado consideravelmente. Acho que ter que reescrever só fará bem ao livro, ainda que lamente meu trabalho perdido.
Bem, sei que não vai adiantar nada ficar me remoendo. Vou ter que trhar com base nas minhas anotações e pegar o pdf de EQM e por a mão “no alfabeto”. Espero que meu exemplo sirva de algo e não passem por este ridículo espetáculo do indivíduo derrotado por sua própria falta de zelo e ilusão de que nada vai acontecer a ele (vêem no que dá pensar positivo?). Não ligo se usarem ou não filtro solar, mas fazam o maldito backup.

crédito: smashz
Zen To Done em Português
quarta-feira, 28 de maio de 2008Eu sempre defendi uma cultura livre. Em suas mais diversas formas. Seja o irmão hippie malucão do Copyright, o Copyleft, seja na gangue do Creative Commons, a licença GNU e por aí vai. Licencio minha criação intelectual com ferramentas que permitem uma liberdade maior aos consumidores/produtores. Esse blog já recusou parceria comercial pois teria que proibir a utilização do conteúdo. Não fico pensando em um “mundo perfeito de sol e cultura livre”, penso numa cultura livre, já. Agora mesmo. E um grande problema, cultural acho, é que a maioria das pessoas não entende os conceitos e poucos, fora da música, fazem amplo exercício dessas licenças.
Mesmo com mais de 1 milhão de fotos disponibilizadas gratuitamente para uso, a maioria ainda busca imagens no Google Imagens e poste sem qualquer culpa, e depois reclamam da falta de cidadania ou corrupção dos políticos. Cidadania está presente em todo lugar. Sei que é cômodo e muitas vezes vai no piloto automático se isentar da responsabilidade, mas mesmo com ferramentas simples, permanecem cometendo os mesmos erros.
O preâmbulo foi um pouco maior do que eu originalmente planejava. Pois bem, Leo Babauta, autor de blogs como Zen Habits e Write To Done fez um passo bem corajoso e inovador: disponibilizou todo o conteúdo de seu blog e de seu livro, Zen To Done.
Until now, I granted limited permission, mostly for non-commercial use.
Now, I’m granting full permission to use any of my content on Zen Habits or in my ebook, Zen To Done, in any way you like.
I release my copyright on this content.
From now on, there is no need to email me for permission. Use it however you want! Email it, share it, reprint it with or without credit. Change it around, put in a bunch of swear words and attribute them to me. It’s OK.
![]()
Leo Babauta in Open Source Blogging: Feel Free to Steal My Content
Zen To Done
É um livro de produtividade. É a versão “simples, direto ao ponto, zen” do GTD, Getting Things Done, de um cara chamado David Allen. No Brasil o livro onde o mesmo apresenta seu sistema se chama A Arte de Fazer Acontecer. ZTD é um livro pequeno, traduzido cheio de falhas por mim que o ajudará a ser organizado, menos distraído e mais focado.
Eu resolvi traduzi-lo por dois motivos:
- Eu escrevi meu livro de ficção, EQM, em 23 dias, e para isso eu criei um “sistema”. Não se trata do ZTD, mas se baseia nas mesmas filosofias básicas. Ainda irei falar melhor do meu sistema no futuro, se ainda não toquei no assunto foi porque eu só usei uma vez, ainda que com relativo sucesso. Como estou passando pela segunda experiência, acredito que poderei falar com maior solidez do mesmo.
- E colocar em prática a liberdade de uso que o Babauta permitiu. Você pode comprar a versão original em inglês por 9,50 doláres. A versão em português traduzida por mim, pelo melhor preço: grátis.
Baixe agora:
Espero que interesse a alguém
Eu lhes anuncio: EQM
sexta-feira, 23 de maio de 2008Então é isso.
EQM está no ar para ser baixado, lido, revisto, criado finais alternativos, traduzido para o mandarim ou francês. Tenho que mais uma vez agradecer aos mecenas do livro, pois sem eles eu não teria conseguido. Não sei se os volumes já chegaram, mas todos já foram encaminhados.
Tenho que confessar que estou com medo. Muito medo. As pessoas pagam por isso e não gostaria de saber que eu as fiz gastar em algo que não gostaram.
Aqueles que fizerem resenhas, eu agradeço. E os que puderem me enviar e-mails contando o que acharam do livro, eu também agradeço.
Então é isso. 23 de Maio de 2008: EQM é lançado. A sorte é lançada.Agora não podemos fazer outra coisa senão esperar, e não creio que tenhamos que esperar muito.
Compre o livro
23,00 + Frete
Faça o download gratuito de EQM:
O que você pode fazer:
Comprar o livro.
Entrar em contato e me dizer o que achou do livro.
Criar obras derivadas.
Fazer uma resenha e me informar.
Conhecer os mecenas que ajudaram a publicar o livro.
Apontar erros para que as próximas edições sejam melhores.
Entrar na comunidade do orkut ou do facebook.
Visitar meu novo blog: Ibrahim Cesar
Escolha a Capa do Meu Livro
terça-feira, 22 de abril de 2008Eu passei vários dias junto com o Rev. Beraldo desenvolvendo os conceitos de capa para meu livro, EQM. Ele já foi micro-financiado por diversos mecenas, então, resolvi que nada mais justo seria permitir que os leitores do 1001 Gatos escolhessem a capa do livro.
Na verdade seriam 23 para escolha, mas ao criar a pesquisa, descobri que ficaria muito grande, então dei uma enxugada e deixei 10 competindo para ser a capa do livro. Clicando nas figuras, você verá uma versão em maior definição. Eu conto com seu voto!
Capa 1
Conceito: Um elemento presente em todas EQM’s é o túnel de luz. Foi isso que quissemos explorar nesta capa. A foto utilizada como base é licanciada via Creative Commons.
Capa 2
Conceito: Esta capa mostraria a silhueta de Pixel, o gato do protagonista. E seria, por que não, uma referência velada ao 1001 gatos.
Capa 3
Conceito: O protagonista trabalha em um escritório que divide com seu amigo.
Capa 4
Conceito: Usa o símbolo do sinal de “Risco de Morte” em constraste com o fundo preto. É a preferida de minha mãe.
Capa 5
Conceito: Foi a primeira a ser criada. Dá um grande destaque ao título.
Capa 6
Conceito: Usa uma tipografia mais interessante. Simples, direto ao ponto. Uma das direções artísticas que procuramos fazer foi ser, ou tentar, o minimalismo na execução das capas. É um reflexo do meu próprio estilo literário.
Capa 7
Conceito: Esta une o minimalismo a um certo mistério. Que substância está representada na capa? Ela tem um papel decisivo na trama em certo nível.
Capa 8
Conceito: Dá destaque total ao símbolo. É o primeiro conceito que tive para a capa.
Capa 9
Conceito: É apenas a Capa 8 com um fundo diferente.
Capa 10
Conceito: É um conceito que une o título e o símbolo de uma forma diferenciada. É a predileta do Rev. Peterson Cekemp.
Usem a enquete da barra lateral para votar!
Qual capa você mais gostou? Prefere dar um dica para nós? Enviar sua própria capa? É realmente muitíssimo importante qualquer opinião pois demonstra a recepção de potenciais leitores para o livro.
Futures from Nature
sexta-feira, 11 de abril de 2008Ano passado a revista Nature lançou uma coletânea com 100 “ficções especulativas” (que para quem não sabe, é a boa e velha ficção científica usando um nome esnobe para os acadêmicos não barrarem ela na porta) com o nome “Futures from Nature”. Eu não li, mas a Super deste mês publicou o enredo de algumas. Só de comprar com os enredos de livros policiais e até clássicos da literatura, eu percebo o quanto eu gosto de ficção científica.
Quando eu era menor meu sonho era ser paleontólogo. Cheguei a visitar com a minha mãe o Departamento de Geologia da Unesp e vistar aquele que era o herói da minha infância: Reinaldo Bertini, um paleontólogo de renome. Mas eu cresci e com o tempo percebi que o trabalho deles podia ser meio exaustivo, horas de baixo do show, escavando e procurando. Naturalmente fui colocando a idéia de lado e me interessei por física teorica. Lia livros sobre a origem do Universon, Bósons de Higgs, Quarks e passava o tempo tentando prever com qual tipo de teoria eu iria ganhar meu Prêmio Nobel (se os garotos que querem ser jogadores de futebol sonham em ganhar a Copa do Mundo, garotos nerds sonham com o Nobel e prêmios do tipo). Mas eu cheguei no colegial e comecei a me preparar de verdade para passar no vestibular, de física, claro.
Mas então eu descobri que eu teria que obrigatoriamente conhecer um bocado de matemática. Eu adoro alguns conceitos matemáticos, penso de forma lógica, mas isso tirou um pouco a graça da coisa. Só mais tarde que eu descobri qual era meu verdadeiro interesse, seja na paleontologia, seja na física, mas que me manteve afastado de efetivamente seguir qualquer uma: eu era fascinado por suas narrativas.
Se eu adorava a forma como descreviam os comportamentos dos dinossauros, as alterações climáticas, as relações entre as espécies e aforma meio CSI com que analisavam os fósseis, eu também adoro as narrativas de como o hélio se formou nas primeiras estrelas e como os elementos químicos mais pesados foram criadores. Toda a zoologia cosmológica. A física quântica, quase que um surrealismo na narrativa da física. Foi quando eu entendi que eu estava mais para a ficção científica, as narrativas cientíificas, do que as ciências de fato (levantar dados, conferir testes, controlar ambientes, ser metódico ao extremo).
Sempre fui leitor voraz e ficção científica foi boa parte de minha dieta intelectual. Mas só fui perceber isto mais tarde quando fui fazer esta conecção entre “narrativas” e “ciência”. Aliás, embora seja de uma forma pouco incisiva, EQM, meu livro a ser lançado em breve, financiado por leitores do 1001 Gatos de Schrödinger (ou mecenas encontrados através dele), é de certa forma ficção científica, e com orgulho. Mas vamos ao que interessa, os enredos publicados na Super:
Improving the Neighbourhood | Reforma na Vizinhança
Neste conto de Arthur C. Clarke (Descanse em Paz), uma civilização não identificada examina os vestígios de outra, que conseguiu alcançar grande progresso tecnológico antes de explodir seu próprio planeta. “Se eles conseguiram realizar o ‘upgrade’ da consciência baseada em carbono para o germânio, como fizemos há muito tempo, é uma questão controversa”, diz o conto. A grande sacada da obra é que não dá para saber se a civilização da Terra é a autora do estudo arqueológico ou é a que já está extinta. Um conto filosófico e reflexivo.
Spawn of Satan | Cria do Demo
Interessante conceito de Nicola Griffith, que nos apresenta um mundo em que todas as mulheres desencanaram de ter filhos e que a inseminação artificial vira a regra para se gerar bebês. O que acontece é que com isso todas as crianças são lindas, inteligentes e bem comportadas. Todas muito parecidas entre si, pois seriam filhos dos melhores genes que as mães podem pagar. Nessa sociedade os homens vivem marginalizados, obrigados a fazer todo o serviço de casa, sem dar um pio.
Meat | Carne
Neste conto de Paul McAuley, o protagonista é um segurança de DNA das estrelas. Ele escreve: “Hoje, você não é um fã de verdade a menos que tenha provado a carne de seu ídolo”. Essa maluquice começou a acontecer quando a engenharia genética evoluiu tanto que a clonagem de tecidos humanos passou a ser uma atividade corriqueira. Como bastava ter acesso a uma célula do ídolo para fazer crescer quilos e mais quilos da carne dele, o canibalismo de celebridades virou uma prática comum em qualquer fã-clube. E não era só ídolos que isso acontecia. Políticos comiam a carne de seus rivais e criminosos, a de seus inimigos. Foi aí que famosos começaram a contratar os seguranças de DNA para limpar os vestígios de células por onde passavam.
Panpsychism Proved | Panpsiquismo Provado
Rudy Rucker mostra a história de uma cientista encalhada que resolve fazer o colega por quem ela é apaixonada tomar o “pó do entrelaçamento quântico”. Uma poeira de carbono com partículas capazes de unir a consciência de duas pessoas. Mas o plano dá errado e ela leva um temendo fora, o sujeito joga o pó em cima de um predegulho, ligando a mente dele com a rocha, provando uma teoria controversa, David Chalmers a defende, de que tudo (até mesmo objetos inanimados) possuem mente.
Ars Longa, Vita Brevis | Arte Longa, Vida Breve
James Alan Gardner traz um muito interessante. Nele as maravilhas vistas por nossos telescópios aqui da terra não passam de obras extraterrestres. No dia em que a Terra descobriu que os fenômenos astronômicos eram somente ataques de criatividade de Ets metidos a Van Gogh, todos os departamentos de cosmologia das universidades daqui mudaram o nome para “História da Arte”. E passaram a estudar os pincéis astronômicos, instrumentos capazes de mover estrelas e planetas de um lugar a outro no espaço.
Trecho:
Nós tínhamos um monte de teorias sobre o que era o colapso estelar. Mas aí descobrimos que as supernovas eram apenas obra de ETs punks que se amarravam em explodir coisas.
Não dá vontade de ler? E ainda muito o que pensar…

crédito: billaday
Matadouro 5, Kurt Vonnegut
terça-feira, 8 de abril de 2008Fui comprar um livro para presentear um amigo quando vi dezenas de pocket books, um em cima do outro, com as lombadas viradas, como se não quisessem ser comprados. Não estava em uma livraria tradicional, mas em uma loja tradicional de minha cidade que vende mangás, quadrinhos, animês, Cd’s, camisetas pretas e é também um sebo e vende livros diferenciados. E havia a pilha de pocket books.
Acabei comprando dois: um do Woody Allen, que já havia lido ao pegá-lo empretado da biblioteca. Tive vontade de nunca mais devolver, mas meu senso cívico sempre vence (ainda planejo doar um volume do meu livro para essa mesma biblioteca). E o outro foi um livrinho que sempre ouvi falar mas não havia lido, nem mesmo nada do autor: “Matadouro 5″, de Kurt Vonnegut.
Hoje eu sei que eu continuaria sem ler ele até aquele momento. Aprendi isso com Billy e o pessoal de Trafalmador.
Um dos resultados imediatos de ler o livro: “Coisas da Vida”, uma expressão usada repetidas vezes ao longo do livro, já faz parte até mesmo do meu pensamento.
Billy aprende o modo de enxergar a vida e a morte dos tralfamadorianos. Para eles, uma pessoa não morre, só parece morrer. Ela está morta apenas naquele momento. Em todos os outros, em seu passado, está viva. Então ninguém fica triste por uma morte – são apenas coisas da vida (uma expressão repetida por todo o livro). Basta olhar para trás, para outro episódio da vida, e se transportar para lá. A vida é não-linear em Tralfamador. Billy é um dos poucos terrestres que compartilham essa capacidade, e ele passa toda a vida (e o livro) viajando no tempo. Sabe como vai morrer. Sabe que vai sofrer um acidente de helicóptero e sobreviver, e que sua mulher vai morrer envenenada. Se quiser fugir do sofrimento, basta fechar os olhos e se transportar pra um momento feliz. É a grande sacada do livro, uma alfinetada naqueles que buscam maneiras de aplacar o pesadelo da morte. (daqui)
Um livro sensacional. Meu personagem predileto foi o escritor de ficção científica com suas tramas mirabolantes, Kilgore Trout, que pelo que li aparece em outras obras do autor. Um trecho hilário é o encontro entre Kilgore e Maggie. O autor resolve inventar uma trama sem pé nem cabeça sobre algum livro que ele escreveu. Veja o trecho:
- Isso realmente aconteceu? – perguntou Maggie White.
Ela era uma pessoa sem graça, mas um convite sensacional para se fazer um filho. Os homens olhavam para ela e queriam enchê-la de filhos imediatamente. Ela ainda não havia tido um bebê. Usava métodos anticoncepcionais.
- Claro que sim – Trout lhe disse. – Se eu escrevesse uma história que não aconteceu de verdade e tentasse vendê-la, iria preso. Isso é fraude.
Maggie acreditou nele.
- Nunca pensei nisso antes.
- Pense nisso agora.
- É como propaganda. É preciso dizer a verdade na propaganda, senão dá problema.
- Exatamente. É o mesmo tipo de lei que se aplica em ambos os casos.
Espero encontrar outros livros do Vonnegut, que dia 11 de Abril completará um ano de falecimento. Fica aqui a dica de leitura.

crédito: 1f2frfbf. Kurt Vonnegut (1922-2007)
5 livros que gosto e 1 que eu deixaria apodrecendo na estante
quinta-feira, 27 de março de 2008O título é do meme corrente que fui convidado pela Tine do “Eu, eu mesma e Tine”.
Fazer listas é um exercício divertido, mas convenhamos, ninguém nunca faz justiça, é totalmente parcial e você sempre se lembra depois de um que “não podia ter faltado”, o famoso espírito da escada.
Aprendam mais essa, amigos. A Wiki diz:
Em língua francesa há uma expressão, “L’esprit de l’escalier” – cuja tradução literal seria algo como “O espírito da Escada”. A expressão se aplica às situações em que uma pessoa está em uma discussão e não consegue encontrar algo apropriado para dizer em resposta a algum argumento ou comentário do interlocutor. Depois de ir embora, (descendo as escadas – daí a origem da expressão) a pessoa encontra a frase justa que teria sido a resposta perfeita e deixaria seu oponente sem nenhuma reação possível.
O espírito da escada é a frase que teria decidido a discussão se não fosse pelo fato de já ser tarde demais. A expressão foi usada originalmente no livro Paradoxe sur le Comédien de Diderot.
Não vou citar Pinker, Schopenhauer ou Murakami para não cair sempre nos mesmos.
Cinco livros que gosto
Sandman, Neil Gaiman & agregados
Como acabou de chegar em casa “Entes Queridos”, o último volume lançado, eu não poderia deixar de citá-lo. Diabos, o nome desse blog veio em parte dele! Foi o meu presente de aniversário a mim mesmo e posso dizer que eu realmente escolher um presente.
Guardas! Guardas!, Terry Pratchett
Recentemente Prarchett descobriu que está no estágio inicial do Mal de Alzheimer. Ele disse que vai escrever um ou dois livros até encerrar sua carreira. Torço muito para que ele consiga e não acabe esquecendo o que é o Discworld. Resolvi citar “Guardas! Guardas!” pois na minha opinião reune o que há de melhor nos seus livros. Mas toda a série Discworld é altamente recomendada.
O Príncipe, Maquiavel
Um dos livros que todos deveriam ler pois abre a mente e dá uma visão de “como as coisas são”. Pena que tenha sido tão injustiçado e o nome do autor tenha sido associado com os “fins justificam os meios” (que nem mesmo é de sua autoria). “O Príncipe” é uma obra para se ler várias vezes e aprender cada vez mais.
Cachorros de Palha, John Gray
Comprei ao acaso. Fui na livraria disposto a ler mais sobre filosofia contemporânea e acabei esbarrando nesse livro. “Cachorros de Palha”, hoje tenho a consciência disso, me influenciou profundamente. Na época comprei mais pelo subtítulo do que qualquer outra coisa: “Reflexões sobre humanos e outros animais”.
Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sange do Vai-e-Volta
Machado, quem? Quem é esse? Não conheço. Ariano Suassuna deveria ganhar o mérito de ter o melhor romance brasileiro fácil. Há de tudo um pouco: humor, política, reflexão, aventura e um personagem inesquecível: Dom Pedro IV. Isso mesmo. Dom Pedro Dinis Ferreira-Quaderna para ser mais exato, cognominado “O Decifrador”, Rei do Quinto Império e do Quinto Naipe, Profeta da Igreja Católico-Sertaneja e pertencente ao trono do Império do Brasil.
Apodrecendo na estante:
Deveria ser um, mas a questão é que os candidatos a tal vaga eu nem faria o favor de comprar: Bíblia (já tem diversos filmes das histórias contidas nesse livro e em cada esquina eu posso achar um sujeito disposto a contá-las), Minha Luta (se Hitler tivesse ganhado eu estaria em um campo de concentração por não ser seu “sonho loiro nórdico” – tara compartilhada por garotas de todo lugar), O Segredo (que ao que parece todo mundo que foi alguém sabia), Biografia do Zac Efron (o sujeito é astro de musical e nem mesmo canta as músicas! Só eu vejo algo MUITO errado nisso?), A Fenomenologia do Espírito de Hegel (Hegel fede).
Vou indicar para a corrente (como não tenho lido feeds há um bom tempo, não faço idéia de se já participaram, de qualquer forma, aí vai):
Peterson “Não Têm a Kate Nash Ha-ha-ha” Cekemp
Fernando Cury “o Pandão”
Evandro Cesar
Então pessoal, quais são os 5 livros que gostam e 1 que eu deixaria apodrecendo na estante?

crédito: kikiduck





















