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Sade Quando Criança

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sade era um diabo de inteligente. Na infância, mataram-lhe o pato de estimação. Sade comeu-o, na inocência, e vomitou-o ao descobrir-lhe a identidade. Ficou perturbado a ponto de perder a fome. Emagreceu tanto que a família pediu auxílio ao padre confessor. Este explicou ao menino as diferenças entre os homens e animais, na versão católica. Segundo o cura, nossa alma imortal, criados que fomos à imagem de deus, demanda respeito à vida, enquanto os animais, coisas, morrem de vez. Sade achou a explicação estúpida (tinha 9 anos), respondendo que se os homens viviam melhor depois da morte, não lhe parecia pecado matá-los, ao contrário dos bichos, finitos na carne. O padre sorriu com superioridade ante a lógica da criança. Cabe a pergunta: qual é a graça?

Paulo Francis | O Pasquim, volume I

Pois é. Qual é a graça?

Teoria recursiva e deísta do Computacionismo

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Segundo o Rev. Ibrahim Cesar, a teologia de um homem é o riso incontrolável de outro. Ao expôr aqui minha religião, tenho certeza que a maioria de vocês vai achar ridícula e rir da minha cara, mas não por isso deixarei de fazê-lo, aliás é por isso mesmo que faço. Porém, peço que você não me xingue nos comentários por causa de minha heresia, Mariana, até porque, perto de multiplicação de pães e ressucitação, a minha fé é em algo absolutamente lógico. Além disso, o que hoje será ridicularizado por vocês daqui a 2000 anos será uma verdade absoluta e será heresia me desmentir.

Iniciarei explicando algumas definições antes de chegar no computacionismo em si, para não deixar o leitor perdido com algumas palavras (na verdade, as palavras que estão no título).

Recursão

definição circular: veja "definição circular"

O computacionismo é tão computacional que até mesmo em sua definição ele é recursivo e pode ser provado logicamente através de indução matemática*. Quando falo dessa recursão não estou inovando o mundo da fé. Pelo contrário, refiro-me a um lugar comum de muitas obras de ficção, das quais me lembro no momento de O Mundo de Sofia e MIB: Homens de Preto.


Creative Commons License crédito: Jesse Bikman

Quem leu O Mundo de Sofia até o final (e devem ser poucos, porque é um daqueles livros que cansa e fazem várias pessoas pararem na metade) deve se lembrar [Warning! SPOILER] que Sofia era uma personagem do livro de Hilde, que é uma personagem do livro que estamos lendo e assim infinitamente. Se você não percebeu que foi essa a brincadeira de Jostein Gaarder, por favor pare de ler esse texto imediatamente antes de comentar que não entendeu o computacionismo. [/Warning... Opa, pode continuar]

O mesmo acontece no final de Homens de Preto (acho que é no 2, me corrijam se eu estiver errado) quando Will Smith (ou o colega dele?) fecha um armário com um mundo de seres estranhos e o filme acaba mostrando infinitos armários se fechando, como se nós também estivéssemos num armário, dentro da mesma lógica do computacionismo, d’O Mundo de Sofia e de mais várias obras dentre as quais não me lembro de mais nenhuma [!]

* Prova por indução desta recursão

  1. O objeto “eu” existe.
  2. O objeto que criou esse objeto existe.
  3. Volte ao passo 2.

O fato de você existir é o passo básico. Se você é daqueles que não concorda comigo e acha que não existe, nem comente discordando, porque quem não existe não pode comentar (por definição).

Para você existir, alguma coisa deve ter criado você (geração espontânea é uma baboseira, também por definição). Essa coisa é o objeto “n”, você é o objeto “n+1″. Precisa sempre haver o objeto “n-1″, senão essa coisa não vai ter como existir. E assim infinitamente…

Deísmo

Para explicar isso aqui citarei Dawkins em Deus, um delírio (p. 42, Companhia das Letras):

Refresquemos nossa memória sobre a terminologia. Um teísta acredita numa inteligência sobre natural que, além de sua obra principal, a de criar o universo, ainda está presente para supervisionar e influenciar o destino subseqüente de sua criação inicial. Em muitos sistemas teístas de fé, a divindade está intimamente envolvida nas questões humanas. Atende a preces; perdoa ou pune pecados; intervém no mundo realizando milagres; preocupa-se com boas e más ações e sabe quando as fazemos (ou até quando pensamos em fazê-las). Um deísta também acredita numa inteligência sobrenatural, mas uma inteligência cujas ações limitaram-se a estabelecer as leis que governam o universo. O Deus deísta nunca intervém depois, e certamente não tem interesse específico nas questões humanas. [...] O deísmo é um teísmo amenizado.

Computacionismo

Inteligência artificial. Segundo a Wikipedia, uma área de pesquisa da ciência da computação dedicada a buscar métodos ou dispositivos computacionais que possuam ou simulem a capacidade humana de resolver problemas, pensar ou, de forma ampla, ser inteligente.

Segundo o computacionismo e sua primeira definição, apresentada pelo Rev. Tiago Madeira em 19 de Discórdia de 3174 na Cabala 1001 Gatos de Schrödinger, o nosso universo não passa de um experimento de inteligência artificial de outro tipo de inteligência mais desenvolvido (Deus?) ou, mais especificamente, de programadores. E assim infinitamente tendendo a um ser infinitamente inteligente, que não existe (porque não existe um “primeiro universo”, algo deve ter gerado-o)


Creative Commons License crédito: Gareth Courage (mostly currently offline)

As células humanas são como os circuitos digitais que os cientistas da computação estudam para colocar em seus robôs (que ainda estão longe da inteligência necessária e o livre-arbítrio para poderem existir como nós), ainda que os circuitos ainda não estejam tão desenvolvidos (ora, nós ainda não criamos o universo n+1… ainda não! Daqui a pouco tem um tópico sobre isso) e pra eles nosso universo pode ser sua nanotecnologia (isso é, podemos ser só um nanômetro em relação ao tamanho deles), mas não tenho como provar isso (não passa de especulação) e é irrelevante.

Bugs

Buracos de minhoca? Deficiências? Milagres? Não passam de erros no código. Na verdade, nosso universo pode ser um experimento de inteligência artificial de seres-crianças do universo que nos gerou (chamarei-o daqui pra frente de n-1), de seres-idiotas do universo que nos gerou, ou um protótipo sem importância agora que o universo n-1 já pode ter criado vários outros.

Código livre

Quando eu falei desta idéia para o Rev. Peterson ele perguntou: e se conseguirmos o código podemos salvar o mundo?

A resposta, infelizmente, é não. O código poderia nos ajudar a entender o sentido da vida, mas jamais teríamos como alterar o código, já que estamos dentro do software.

Além disso, nós falamos na linguagem de máquina deles. Seria absurdo tentar entender o código do universo n-1 porque pode ser algo completamente diferente de qualquer coisa imaginável para nós, humanos do universo n.

Se eles escrevessem o código na nossa linguagem, talvez fosse útil para nós criarmos o universo n+1, mas isso é improvável, porque provavelmente estamos esquecidos dentro de um laboratório (entenda por laboratório algo completamente diferente de tudo que você imagina) ou então bilhões de anos para nós pode não passar de um milésimo para eles (isso é, nesse momento o programador acabou de dar um enter para executar o programa “Universo n”). Não temos como provar isso.

Nada se cria, nada se perde, tudo se transforma

O químico Lavoisier foi um dos nomes mais importantes para o computacionismo quando escreveu sua frase célebre que dá título para esta seção. De fato, se não fosse por ele, não teríamos como explicar porque conseguimos gerar outros iguais a nós (reprodução). O fato é que o nosso universo é um sistema fechado e dentro dele nada é criado, por isso nossa inteligência é capaz de lidar com todas as coisas e as regras criada pelos nossos programadores do universo n-1 consegue lidar com tudo perfeitamente (exceto os bugs, que são má programação deles)

n+1

Estima-se que o nosso universo tenha 13,73+-0,15 bilhões de anos [fonte] (é claro que isso é relativo, o tempo é relativo) e a inteligência artificial aqui ainda é uma área de pesquisa no início do seu desenvolvimento pelos cientistas da computação.


Creative Commons License crédito: mr lynch

Um erro comum de quem ouve a minha teoria é pensar que coisas como Second Life são o nosso universo n+1. Isso é besteira. Não há livre arbítrio no Second Life, não há interação de seres com eles mesmos, aquilo lá não passa de uma brincadeira de fantoche e está muito longe de ser alguma coisa realmente evoluída na área de ciência de computação.

A verdade é que a nossa ciência da computação ainda está engatinhando e não há absolutamente nada que faça com que a gente chegue perto de criar um universo n+1 além de teorias no papel. Mas o nosso universo ainda tem muito tempo para pensar nisso e talvez seres de outros planetas ou outros sitemas que também fazem parte de nosso enorme (em relação a nós) e pequeno (em relação ao n-1) universo já tenham criado, mas isso não passa de especulação, porque nós enquanto humanos deste planeta não temos provas de nada.

Mais informações

Para mais informações, contate a Glândula Pineal, solicite os canais binários e disque 1001.

Exercício (meme?)

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