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Lula leu “O Príncipe” de Maquiavel?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Me pergunto isso pois quando essa crise aérea se agravou e depois explodiu com o acidente (embora o pessoal revoltado afirme que não foi um acidente, desculpe pessoal, mas foi sim, sei que todos preferem que a realidade seja uma narrativa clara com mocinhos e bandidos e que é necessário por a culpa em alguém, mas quem em sã consciência se não tivesse o mínimo de segurança por lá, o mundo é diferente daquilo que os Pangloss gostariam. Culpem deus, não a mim) lembrei imediatamente da visão “cosmológica” de Maquiavel.

Para Maquiavel 50% se deve à fortuna, o destino, o azar, a sorte. Os outros 50% somente são realizados por aqueles embuídos de vírtu que é a força de vontade de alguns indivíduos, para temperar com um pouco de Nietzsche diria que são aqueles que exploram sua vontade de potência.

“Comparo a sorte,” diz Maquiavel n“O Princípe”, “a um rio impetuoso que, quando enfurecido, inunda a planície, derruba casas e edifícios, remove terra de um lugar para depositá-la em outro. Todos fogem diante da sua fúria, tudo cede sem que se possa detê-la. Contudo, apesar de ter esta natureza, quando as àguas correm quietamente é possível construir defesas contra elas, diques e barragens,de modo que, quando voltam a crescer, sejam desviadas por um canal, para que seu ímpeto seja menos selvagem e devastador”.

Em verdade, eu teria que digitar todo “O Príncipe” como conselho para Lula, mas para que tenham uma idéia de como o livro é “atual” e verdadeiro manual de como se governar, lá estava inclusive revelado a crise com o ministério, versando sobre as escolhas, etc. No Capítulo 22, entitulado “Os ministros dos príncipes”, lemos em 1 & 2:

“1. A escolha dos ministros por parte de um príncipe não é coisa de pouca importância: os ministros serão bons ou maus, de acordo com a prudência que o príncipe demonstrar. A primeira impressão que se tem de um governante e de sua inteligência, é dada pelos homens que o cercam. Quando estes são eficientes e fiéis, pode-se sempre considerar o príncipe sábio, pois foi capaz de reconhecer a capacidade e de manter fidelidade.Mas quando a situação é oposta: pode-se sempre fazer dele mau juízo, porque seu primeiro erro terá sido cometido ao escolher os assessores.

Assim, ninguém que conhece messer Antônio de Venafro, ministro de Pandolfo Petrucci, príncipe de Siena, deixaria de julgar Pandolfo um homem muito prudente, pelo ministro escolhido.

2. Há três tipos diferentes de mente: um compreende as coisas por si só, o segundo compreende as coisas demonstradas por outrem; o terceiro, nada consegue discernir, nem só, nem com a ajuda dos outros. A primeira espécie é a melhor de todas; a segunda é também muito boa, mas a terceira é inútil. É evidente, portanto, que se Pandolfo não pertencia ao primeiro tipo, era pelo menos do segundo. Toda vez que o príncipe tem discernimento para reconhecer o bem e o mal naquilo que se faz oudiz (mesmo que não apresente originalidade de intelecto), identificará as obras boas e más do seu ministro, corrigindo algumas e incentivando outras. Neste caso, o ministro não pode querer enganá-lo, e por isso se manterá do lado do bem.”

Então, Lula, eu sinceramente o aconselho a comprar “O Príncipe” e ler. Por favor use o link do Submarino pois assim eu ainda ganho 8%. Sei que o presidente da República possui direito a um cartão de crédito sem limite, logo você pode comprar vários dele e distribuir a todos aqueles que o cercam. Quem sabe iriam governar melhor do que hoje? O livro pode ser lido em pouco tempo. Já li ele três vezes e na que me custou mais tempo foram três dias. O senhor poderá encontrar inclusive ótimos volumes escritos por brasileiros que fazem a ponte entre nossos dias e o de Maquiavel caso precise disso. Ainda há “Maquiavel em 90 Minutos”, o próprio Maquiavel dizia que é humanamente impossível ter todas as virtudes de um grande príncipe então ele aconselhava fingi-las.

[tags]Maquiavel, Lula, O Príncipe[/tags]

Maquiavel não era o diabo que pintavam

terça-feira, 17 de abril de 2007

Nicolau Maquiavel é um dos grandes pensadores que mais admiro e esta postagem é uma tentativa de mostrar a verdadeira face de Maquiavel. Para começar, muitos são os que leram “O Príncipe”, mas este é apenas o seu best-seller, um livro escrito com o objetivo de descrever objetivamente como a política é. O intuito de Maquiavel não era criar um “Manual para Tiranos” mas sim expôr como o poder funcionava e mostrar o que funcionava e o que não funcionava. Deve ter sido um dos primeiros e um dos últimos a tentar praticar uma “política científica” visto que todos depois dele se agarram a ideais políticos como quem segue uma religião.

Todos citam “O Príncipe” como se fossem as idéias de Maquiavel e cometem o erro de reduzir seu pensamento ao livro de menos de 200 páginas.

Agora a Martins Fontes traz um livro muito importante de Maquiavel novamente ao mercado,”Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio”, como escreveu a Folha:

…o próprio Maquiavel não poderia ser considerado maquiavélico. A interpretação negativa, diz o especialista no autor, se deve a uma “leitura parcial e redutora da filosofia de Maquiavel” que leva em consideração seu livro mais famoso, “O Príncipe”.
O “outro Maquiavel” pode ser conhecido numa nova edição de “Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio” (1513-1517), que a Martins Fontes acaba de lançar. Aqui, o italiano retoma a leitura de textos da Antigüidade para tratar de temas republicanos: liberdade, igualdade, participação.
Na obra, Maquiavel diz que a melhor forma de governo é a república -uma novidade para quem sempre o associou aos tiranos…

E ao explicar que Maquiavel não era maquiavélico,

O “maquiavelismo” nasce de alguma forma com a condenação dos livros do autor ao Index. A partir daí, as leituras desfavoráveis se sucedem. Na Inglaterra, sua má fama é explorada na literatura e no teatro no século 17. Maquiavel é diretamente associado ao diabo na figura do “old Nick”. As críticas ajudaram a forjar a visão do maquiavelismo como pensamento do engano, da trapaça. ÿ assim que “maquiavélico” veio fazer parte de quase todas as línguas ocidentais.

Da maneira como compreendemos o termo, podemos dizer que não era maquiavélico. Sua conduta não tinha nada de ambígua e sua opção pela república como a melhor forma de governo permaneceu até o fim da vida.

Eu realmente gosto de ler Maquiavel e retornar a seus textos é sempre prazeroso, uma edição? caprichada ainda traz comentários de Napoleão Bonaparte o que rende ainda aqui e acolá algumas observações interessantes como estas: “Mentes atrevidas. O mundo é composto de tolos. Na multidão essencialmente crédula contam-se pouquíssimas pessoas que duvidem, e estão não ousarão manifestar suas dúvidas” e “Os tolos estão aí para nos servirmos deles” dentre outras tiradas sarcásticas e megalomaníacas.

Vá Além:

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