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Toilet

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Todo dia, ao voltar da escola, pego o metrô até a Avenida Paulista e de lá, um ônibus para casa. Um dia desses, na semana passada, saí da estação Brigadeiro com a bexiga estourando. Costumo ir até o shopping (Pátio alguma coisa, creio) nesses casos, pois tem uns banheiros lá limpinhos, bem iluminados e cheios de espelhos com molduras douradas. O caso, porém, era urgente. Contentei-me com o ‘’shopping” – galeria de lojinhas, na realidade – em frente à estação de metrô.

Eu sou, admito, uma pessoa muito enjoada. Tenho nojinho de coisas melequentas, odeio cheiro de feira, resto de comida no ralo da pia da cozinha me dá ânsia e de criança ranhenta e perebenta, então? Passo longe! Mas em casos extremos, a minha bexiga me obriga a suportar até os restos mortais de alguém que se recusam a ir para o esgoto. O banheiro daquele lugar até que não era tão ruim, levando em conta experiências passadas e, graças a Éris, não tinha fila.

Após 16 anos de pesquisas próprias, minhas constatações sempre foram a mesma: Banheiros masculinos são mais limpos que os femininos. Quer dizer, os homens vão ao banheiro, abrem os zíperes, fazem xixi no mictório e saem em dois minutos. As mulheres entram nas casinhas, limpam os acentos com papel higiênico, forram os assentos, não sentam, às vezes erram a privada, os lixeiros são superlotados, cheios de absorventes usados e papéis ensanguentados, a pia e os espelhos têm litros de água respingada, as portas são forradas de frases como ”eu dei pro seu namorado” e gente sem noção ainda fuma lá dentro.

Outro uso comum do papel higiênico é na confecção de estalactites e sua reposição é demorada. Sem papel higiênico ou meu kit de emergência, com lenços de papel e afins na mochila, tudo que me restou naquele momento foi exclamar ”BOSTA!”. Miraculosamente, uma moça que estava no recinto ouviu meu apelo e a mão dela apareceu debaixo da porta, com papel! Assim, sem eu falar nem nada!

É incrível como mulheres que nunca se viram mais gordas ou mais magras, ou que se viram, mas não ‘’se dão”, trocam conselhos, emprestam absorventes… Enfim, que sejam tão solidárias umas com as outras em um ambiente tão hostil quanto um banheiro feminino sujo. Parece um indício de que o mundo ainda tem conserto.