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6 traços “unicamente” humanos encontrados em outros animais

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Sofremos de uma espécie de “Síndrome de Pinóquio”: Queremos ser “pessoas de verdade” e não apenas “marionetes da natureza”, no caso, os animais. Mas não se engane, somos animais, demasiadamente animais.

1. Cultura

Arte, teatro, literatura, música, religião (intercambiável pela palavra “fábulas”), arquitetura e culinária – são estas coisas que geralmente associamos com cultura. Claramente nenhum outro animal tem algo que se aproxima deste nível de sofisticação cultural. Mas cultura em princípio é simplesmente a soma das características formas de viver, aprender de um para outro e através das gerações de um grupo particular, e outros primatas sem dúvida possuem práticas que são únicas para os grupos, como as formas específicas.

Exemplos ainda mais convincentes de culturas animais são encontradas em cetáceos. Baleias assassinas, por exemplo, se dividem em dois grupos distintos, residentes e transitórios. Ainda que ambas vivam nas mesmas águas, elas possuem estruturas sociais diferentes e estilos de vida, formas distintas de comunicação, gostos diferentes de comida e técnicas diferenciadas de caça — todas as quais ensinadas pelos pais na criação.

2. Leitura mental

Nada de percepção extra-sensorial ou Professor Xavier. Talvez o sinal mais seguro de que um indivíduo têm a percepção da mente de outro é sua habilidade em enganar. Para lograr alguém você deve entender seus desejos, intenções e motivos — exatamente a mesma habilidade que caí na “teoria da mente”. A habilidade de atribuir estados mentais aos outros já foi pensado como um traço unicamente humano, emergindo repentinamente por volta do quinto ano de vida. Mas a descoberta de que bebês podem enganar levou especialistas a concluir que o desenvolvimento de habilidades de “leitura mental” ocorre gradualmente, e alimentou o debate sobre estarem ou não presentes em outros primatas.

Experimentos nos anos 90 indicaram que grandes gorilas e alguns macacos entendem enganação, mas seu entendimento da mente dos outros é provavelmente mais implícito do que explícito como ocorre em humanos adultos.

3. Uso de ferramentas

Alguns chimpanzés usam rochas para quebrar nozes, outros pescam com lâminas de plantas e um gorila foi observado medindo a profundidade da água com uma vara, mas nenhum animal usa ferramentas com o vigor do corvo-da-nova-caledónia. Para extrair insetos suculentos de dentro de fendas, eles criam uma seleção de ganchos e arames, feitos ao recortar intrincadamente folhas de pandanus com seus bicos. E tem mais, experimentos em laboratório sugerem que eles entendem a função das ferramentas e usam criatividade e planejamento ao construí-las. Há até mesmo um vídeo no YouTube, cheque isso.

4. Moralidade

Um estudo clássico em 1964 revelou que macacos rhesus famintos não aceitariam a comida oferecida se ao fazer isso significasse que outro macaco levaria um choque elétrico. O mesmo é verdade com ratos (e faz dos cientistas de 64 aqueles vilões de pulp que amarram os heróis em cadeiras que dão choque). Isso indicaria moralidade? Por décadas, nós preferimos encontrar explicações alternativas, mas recentemente o etologista Marc Bekoff da Universidade do Colorado tem defendido que os humanos não são a única espécie moral. Ele afirma que moralidade é comum em mamíferos sociais, e que durante brincadeiras eles aprendem o certo e errado das interações sociais, as “normas morais que podem então serem estendidas para outras situações como dividir alimento, defender recursos, trato e carinho”.

5. Emoções

Emoções permitem formar vínculos com outros, regular nossas interações sociais e torna possível comportar-se com flexibilidade em diferentes situações. Nós não somos os únicos animais que precisam fazer essas coisas, então porque deveríamos ser os únicos com emoções? Existem muitos exemplos de comportamento emocional em outros animais ( mais surpreendente: mesmo em Nietzsche foi observado comportamento emocional!)

Elefantes cuidam de membros do grupo incapacitados parecem mostrar empatia. Um ritual funerário feito por pega-rabudas sugerem pesar. E muitos outros, tanto que em nossos dias, poucos duvidam que animais tenham emoções, mas se eles as sentem conscientemente, como fazemos, é um debate aberto.

6. Personalidade

Não é surpresa que animais que vivem sobre constante ameaça de predadores são extra-cautelosos, enquanto aqueles que enfrentam poucos riscos são mais imprudentes. Além de tudo, tais estratégias bem sucedidas de sobrevivência devem ter evoluído por seleção natural. Mas a descoberta de que indivíduos de uma mesma espécie, vivendo sobre as mesmas condições, variam seu grau de ousadia ou precaução é mais notável. Em humanos nós preferimos nos referir a estas diferenças como traços de personalidade (todo mundo que assistiu documentários da vida animal como “Procurando Nemo” ou “Madagascar”, sabe que animais possuem personalidade)

De aranhas covardes e salamandras corajosas a pássaros agressivos e peixes sem medo, nós encontramos muitos animais que não são tão sem caráter quanto poderíamos esperar. E mais ainda, trabalhar com animais levou à idéia de que os traços de personalidade evoluem para ajudar indivíduos a sobreviverem em uma vasta gama de nichos ecológicos, e isto está influenciando a forma com que psicólogos pensam sobre a personalidade humana.

Standing meerkat
Creative Commons License crédito: Tambako the Jaguar

Comer animais? É moral?

E ainda tem pessoas que os comem? Claro, e vão continuar justificando seu ato, assim como o fazem fumantes que chegam a afirmar que “pessoas fumantes são mais interessantes” e absurdos desse tipo. Mas isso ocorre por que temos a tendência a pensar no certo e errado de trás para frente. Nossa “moralidade”, o senso de certo e errado (e que portanto, algo não poderia ser considerado um “moralismo” e na verdade ser pensado como moral ou não, não é universal e sim colocado à mercê de quem as evoca). Como Steven Pinker nota:

Certos vegetarianos evitam comer carne por razões práticas, como reduzir o colesterol e evitar toxinas. Os vegetarianos morais evitam a carne por razões éticas, para não serem cúmplices com o sofrimento dos animais.
Mesmo quando as pessoas concordam que um resultado é desejável, podem discordar sobre se ele deve ser tratado como uma questão de preferência e prudência ou como uma questão de pecado e virtude.
Rozin nota, por exemplo, que o hábito de fumar foi moralizado ultimamente. Até pouco tempo atrás, compreendia-se que algumas pessoas não gostavam de fumar ou o evitavam porque era prejudicial à saúde. Mas, com a descoberta dos efeitos nocivos do tabagismo passivo, hoje fumar é tratado como algo imoral.
Muitas dessas moralizações, como o ataque ao tabagismo, podem ser entendidas como táticas práticas para reduzir um mal recém-identificado. Mas, se uma atividade liga nossos botões mentais no modo “moral”, não é só uma questão do mal que ela provoca. Comer um Big Mac é falta de escrúpulos, mas não queijo importado ou crème brûlée.
O motivo desses critérios duplos é óbvio: as pessoas tendem a alinhar sua moralização com seus próprios estilos de vida.

Ou ficam com o belíssimo argumento de Homer: “Se deus queria que não comêssemos animais não os teria feito com gosto de carne!” (que é só outra forma de alinhar sua moralidade com sua vida).

The only way to keep it...is to SLEEp on it..lol
Creative Commons License crédito: Chevysmom

Suculento? Isso daria um ótimo prato na Coréia!

Você está agindo corretamente?

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Texto extraído do livro “Super-heróis e a filosofia”:

O grande filósofo Immanuel Kant (1724-1804) acreditava que nosso dever fundamental é agir de uma maneira que satisfaça o que ele chamava de “o imperativo categórico”, uma formulação que dita que nó sempre devemos tratar as pessoas como fins em si e não como meros meios. Isso implica algo como sempre respeitar as pessoas por seu valor intrínseco e nunca usa-las para os nossos propósitos pessoais, como se tivessem mero valor instrumental. Segundo essa interpretação, portanto, nossas intenções são relevantes ao valor moral do que nós fazemos. Assim, se uma ação trata as pessoas como fins em si e não apenas meios para alguém alcançar outros fins, e se alguém realiza tal ação porque pretende seguir seu dever tratando as pessoas de modo apropriado, então sua ação é boa, independente das conseqüências.

As teorias não consequencialistas, leais ao nome, negam que o valor moral das ações é determinado apenas por suas conseqüências. Os não consequencialistas, na maioria não são kantianos estritos, mas todos partem do sistema de Kant. Vejamos uma importante distinção que eles fazem entre deveres positivos e negativos.

Deveres positivos são as obrigações de se fazer coisas que ajudam as pessoas, como por exemplo, cuidar dos doentes ou alimentar os pobres. Os deveres negativos, em contraste, são as obrigações de não se fazer coisas que prejudicam as pessoas, como mentir ou atacar uma pessoa inocente. Quando cumprimos nossos deveres positivos, tratamos as pessoas como fins em si (mostrando-lhes respeito) e, ao cumprir os deveres negativos, nós evitamos tratá-las como meios (evitamos usá-las). Os não consequencialistas que aceitam essa distinção dão maior ênfase aos negativos.

O utilitarismo é uma teoria ética que vem em várias formas e tamanhos. O utilitarismo define o que torna um ato certo baseado em sua visão do que torna um ato bom. A retidão ou o erro de um ato é determinado por suas conseqüências; de modo específico, determina-se pela quantidade de bem produzido pelo ato. O bem, por sua vez, é, em essência, atrelado à felicidade, e a felicidade constitui-se na presença do prazer e na ausência da dor. Por isso, a retidão ou o erro de qualquer ação é o resultado do prazer e da dor que ela produz.

É a felicidade geral resultante de uma ação que determina sua retidão ou erro, não apenas a felicidade da pessoa que a realiza. Isso significa que os prazeres e as dores produzidos em todos os seres capazes de ter essa experiência são levados em conta quando uma ação é avaliada sob o ponto de vista moral. Além dos prazeres físicos, há prazeres intelectuais, emocionais, artísticos e assim por diante – e o mesmo acontece com as dores.

De acordo com o utilitarismo, portanto, uma pessoa age certo quando, de todas as ações que lhe estiverem disponíveis no memento, ele escolhe aquela que produz o bem maior, que é determinada pela quantidade de felicidade resultante da ação. E isso deve ser julgado pelo grau em que tal ação maximiza o prazer geral e minimiza a dor geral.

Uma ação supernobre, significa ir além do chamado do dever. Atos supernobres são aquela boas ações que, no entanto, não constituem obrigações.

Diagrama

O diagrama testa se uma ação pode ser considerada moral e classifica ela em ruim, permissível, boa ou ótima. Independente dessa classificação você também pode ganhar uns pontos extras se ela for “supernobre”. Mas não leva em consideração porque deve-se agir moralmente, talvez fique pra outro post.

moralidade_2

Clique na figura para ver maior (ou melhor, para que consiga ver alguma coisa)

PS: pra quem entende de UML, eu não segui nenhum padrão. Não reclamem.