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As mortes mais incomuns e bizarras

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Brightly Lit Cemetary
Creative Commons License crédito: rjg329

Todo mundo morre. Alguns são repentinos e inesperados. Um carro que atravessou o sinal, o segundo errado no lugar errado. Uma pequena veia que se entope no cérebro. Outras vezes ela vem após uma longa e estafante doença que vai se arrastando e levando a pessoa em um lento desaparecimento. Mas chega a todos. Alguns no entanto morrem de formas extremamente incomuns, “coisa de filme” mesmo. Abaixo, uma pequena listagem das consideradas por mim as dez mortes mais incomuns e bizarras:

Ésquilo

O mesmo cara que nos legou “Édipo” (dando a Freud uma desculpa para muita coisa) também é um exemplo real de que a calvície também pode ser fatal. Uma águia, confundindo a sua cabeça calva com uma pedra, deixou cair uma tartaruga, com objectivo de partir a carapaça, matando Ésquilo. Mas fiquem aliviados, a tartaruga sobreviveu.

Crisipo de Solis

Foi um filósofo grego, da corrente dos estoicos. O sujeito morreu de rir. Eu já me imaginei morrendo de rir assistindo The Office ou It’s Always Sunny In Philadelphia, mas esse cara morreu de rir após ver seu burro bêbado tentando comer figos. O bizarro mesmo é a parte do “bêbado” se referindo ao burro dele… Aliás, morrer de rir não é apenas uma figura de linguagem ou hipérbole. De tanto rir as pessoas podem morrer de ataque cardíaco, asfixiamento, dentre outros. Olha quem já morreu de tanto rir: Martim I de Aragão, Pietro Arentino, Nanda Bayim, rei birmanês que morreu de rir após ouvir que de um visitante italiano que “Veneza era um estado livre sem um rei”, o que é realmente hilário. E todas essas nos anais da história, mas há casos recentes relatados: Em 1975, Alex Mitchell, um inglês de 50 anos morreu de tanto rir após ver um episódio de The Goodies, série de comédia surreal que passou por lá. Ole Bentzen, dinamarquês, morreu em 1989 assistindo Um Peixe Chamado Wanda, eu nunca assisti, mas fica aqui o aviso. Em 2003, um tailandês chamado Damnoen Saen-um também bateu as botas de tanto rir.

Marciana da Silva Barcelos

Já entrou para a história da humanidade como a única viúva morta pelo marido (ainda que seja homicídio culposo). Marciana saía da cidade de Tapes na madrugada de ontem, onde o casal residia, em um carro fúnebre, uma Toyota Hilux com placas de Porto Alegre. O caixão ia na traseira da caminhonete e a viúva sentou-se na cabine. Perto das 3h, quando a Hilux passava pelo km 10 da RS 717, foi atingida na traseira por um Alfa Romeo 164 com placas de Guaíba. Segundo o Comando Rodoviário da BM, com o impacto o caixão se desprendeu, entrou cabine adentro e acertou a nuca de Marciana.

James Cook

Navegador inglês, foi o pioneiro da navegação no Oceano Pacífico, entre outras coisas descobriu a Austrália e o Havaí. Neste último, ocorreu a sua morte, em condições…no mínimo bizarras. Quando aportou no que mais tarde seria o Havaí, ele havia chegado na estação que os locais dedicavam a Lono, deus da paz, que viria do mar. Foi saudado e tratado como uma divindade. As coisas mudaram quando a estação se passou e Cook continuou por lá. Pois a estação seguinte era do deus da guerra, Ku. Isso deixou a população local descontente com o “desequilíbrio” e a falta de tato e diplomacia, levou a uma agressividade maior que levou a população a matar Cook. Realmente esses caras levavam a sério as “estações de paz” e de “guerra”. Embora alguns acadêmicos duvidem, algumas fontes afirmam que ele chegou a ser devorado pelos nativos (quanto a ser desmembrado, sua carne retirada e seus ossos virarem relíquia é consenso).

Marcus Garvey

Alfred Nobel, o sujeito que dá nome ao prestigiado prêmio, teve uma infeliz surpresa ao abir o jornal certa vez. Havia sido publicado um obituário nada elogioso ao homem que deu a dinamite ao mundo. Disposto a limpar seu nome a consciência, criou uma fundação para premiar os maiores avanços em campos do conhecimento humano e pela paz. Marcus Garvey, herói nacional da Jamaica, foi outro que encontrou impresso no jornal o próprio obituário que dizia que ele morreu “falido, sozinho e impopular”. A leitura foi demais para ele que teve dois ataques cardíacos e morreu.

Jogo no Congo

Dez anos atrás, um raio matou instantaneamente todos os jogadores de um time visitante em uma partida de futebol realizada no Congo. A população local acredita que o time estava amaldiçoado e foi vítima de uma magia. Nota na BBC News.

O Homem Urso

Ator frustrado, Timothy Treadwell resolveu por contra própria e sem nenhum preparo acadêmico estudar e cuidar de ursos. Por treze anos ele se instalou na península do Alasca durante o verão, às vezes acompanhado, e, nos últimos anos, com uma câmera na mão, com a qual registrou aquilo que chamava de pesquisa. Os ursos pardos são considerados uns dos animais mais perigosos do mundo. E Treadwell acabou descobrindo isso do modo mais duro. Ele foi devorado por um de seus “amigos” em outubro de 2003. Essa foi a primeira agressão do tipo registrada no Parque Nacional e Reserva Katmai. Werner Herzog realizou um documentário com o destino de Timothy Treadwell chamado “O Homem Urso”.

Lee Seung Seop

Um sul coreano de 28 anos morreu de fadiga após jogar por 50 horas consecutivas o jogo StarCraft em um café internet.

Mr. Hands

Em Julho de 2005 é, anonimamente, deixado às portas do Hospital de Enumclaw, uma pequena cidade do estado de Washington nos Estados Unidos, um homem, com pouco mais de 40 anos, inanimado. Pouco tempo depois veio-se descobrir o seu nome, Kenneth Pinyan(conhecido como Mr. Hands) e de que, além de ser um chefe de família de Seattle, era um respeitado engenheiro da Boeing.

Depois de uma intervenção cirúrgica, soube-se também que não conseguiu escapar com vida das intensas hemorragias internas provocadas pelo rompimento do cólon. A polícia foi chamada a intervir no caso e esta conseguiu descobrir com alguma facilidade não só a causa da morte, como também onde tudo aconteceu: uma quinta localizada nos arredores daquela cidade. Neste local foram apreendidas várias cassetes de vídeo que continham imagens de, entre outras pessoas, Pinyan praticando sexo com cavalos. Foi não só o grande choque generalizado de uma pacata cidade mas de todo um país puritano e conservador, onde este tipo de episódios perversos já começa a fazer parte do quotidiano. O crime de bestialidade se tornou crime no estado de Washington após esse caso.

O Caçador de Tubarões

A morte de Steve Irwin não deixa de ter certa dose de ironia. Ele adquiriu fama mundial através de seu programa O Caçador de Crocodilos, co-estrelado por sua esposa, Terri Irwin. Com ela, ele também foi co-proprietário de um zoológico na Austrália fundado por seus pais. Em 4 de setembro de 2006, para filmar um documentário sobre animais marinhos, Irwin mergulhava na região nordeste da Austrália quando teve seu coração perfurado por um aguilhão de raia. John Stainton, produtor dos programas de Irwin, afirmou com lágrimas: “Ele segurou a raia e o barbilhão do animal entrou no peito dele, abrindo um buraco em seu coração. Provavelmente ele morreu na hora. Não acredito que tenha sentido dor”e

Supervulcão pode acabar com grande parte da vida na Terra em 2009

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Tenho boas notícias e uma má notícia. As boas notícias: 2009 poderá ser o ano em que a recessão vai acabar, o conflito entre Israelenses e Palestinos terá fim, os genocídios na África cessarão (Congo, Sudão, Ruanda…), será o fim de péssimas condições dos hospitais, preconceito e relacionamentos desastrados. Soa incrível, hã? Agora a má notícia, ou boa, caso você goste de péssimas notícias: talvez a humanidade, ou melhor quase toda a vida na Terra acabe.

Ontem saiu uma nota no Boing Boing comentando sobre os 250 – duzentos e cinquenta – miniterremotos que aconteceram no parque de Yellowstone desde a última sexta (26/12) que podem estar ligados ao supervulcão dormente que existe no parque.

Para aqueles que desconhecem o que é um supervulcão, onde exatamente ele se localiza no parque Yellowstone o que isso pode significar para toda a raça humana, vamos a um momento National Geographic com uma transcrição do excelente livro Breve história de quase tudo, de Bill Bryson, com grifos meus:

Na década de 1960, enquanto estudava a história vulcânica no Parque Nacional de Yellowstone, Bob Christiansen, do US Geological Survey, intrigou-se com algo que, estranhamente, não incomodara ninguém antes: ele não conseguia encontrar o vulcão do parque. Sabia-se havia muito tempo que Yellowstone possuía uma natureza vulcânica – daí todos os seus gêiseres e outras exalações vaporosas – , e os vulcões costumam ser bem visíveis. Mas Christiansen não avistava o vulcão de Yellowstone em lugar nenhum. A única coisa que conseguiu encontrar foi uma estrutura conhecida como caldeira.

Quase todos, quando pensam em vulcões, imaginam as formas cônicas clássicas de um Fuji ou um Kilimanjaro, criadas quando o magma em erupção se acumula em um monte simétrico. Esse tipo de vulcão pode se formar com uma rapidez impressionante. Em 1943, em Parícutin, no México, um camponês se surpreendeu ao ver um trecho de sua terra fumegando. em uma semana, ele era o proprietário aturdido de um cone com mais de 152 metros de altura. Depois de dos anos formara-se um vulcão com quase 430 metros de altura e mais de oitocentos metros de diâmetro ((Impressionante, não acha? Um vulcão surgir assim do nada. Na Wikipédia em inglês há mais informações e inclusive a foto do mesmo: http://en.wikipedia.org/wiki/Parícutin)). No todo, existem cerca de 10 mil desses vulcões intrusamente visíveis na Terra, com apenas algumas centenas deles extintos. Mas existe um segundo tipo de vulcão menos famoso, que não envolve a formação de montanhas. São vulcões tão explosivos que se abrem numa única ruptura poderosa, formando uma vasta cratera, a caldeira. Yellowstone obviamente era deste segundo tipo, mas Christiansen não encontrava a caldeira em parte alguma.

Por coincidência, justamente naquela época, a NASA decidiu testar algumas câmeras novas de grande altitude tirando fotografias de Yellowstone. Um funcionário atencioso enviou algumas cópias às autoridades do parque para que pudessem utilizar nos cartazes dos centros de visitantes. Assim que Christiansen pôs os olhos nas fotos, percebeu por que não fora bem-sucedido em suas tentativas: praticamente todo o parque – 9 mil quilômetros quadrados – era uma caldeira. A explosão havia deixado uma cratera com quase 65 quilômetros de diâmetro – grande demais para ser percebida no nível do solo. Em algum momento do passado, Yellowstone deve ter explodido com uma violência bem além da escala de qualquer coisa conhecida pelos seres humanos.

Yellowstone, ao que se revelou é um supervulcão. Situa-se no alto de um ponto quente enorme, um reservatório de rocha pastosa que se eleva de pelo menos duzentos quilômetros sob a Terra. O calor do ponto quente é o que aciona todas as chaminés, gêiseres, fontes quentes e vulcões de lama. Abaixo da superfície existe uma câmara de magma com 72 quilômetros de diâmetro – mais ou menos da mesma dimensão do parque – e treze quilômetros de espessura no ponto mais espesso. Imagine uma pilha de TNT com mais ou menos o tamanho de Rhode Island, elevando-se uns treze quilômetros no céu e atingindo os cirros mais altos: é sobre algo que os visitantes de Yellowstone estão pisando. A pressão que tal concentração de magma exerce sobre a crosca elevou Yellowstone e o território que o circunda, cerca de meio quilômetro acima da altura que teria normalmente. Se aquilo explodisse, o cataclismo seria inimaginável. De acordo com o professor Bill McGuire, da University College de Londres, “não seria possível permanecer nem a mil quilômetros daquilo” enquanto estivesse em erupção. As consequências posteriores seriam ainda piores.

[...]

Desde a sua primeira erupção conhecida, 16,5 milhões de anos atrás, Yellowstone explodiu cerca de cem vezes, porém as três erupções mais recentes são as mais descritas. A última erupção foi mil vezes maior que a do monte Saint Helens ((Conheça mais sobre o Mount St Helens na Wikipédia: http://en.wikipedia.org/wiki/Mount_Saint_Helens)) ; a penúltima foi 280 vezes maior; e a penúltima foi tão grande que ninguém sabe ao certo quão grande foi. Foi pelo menos 2500 vezes pior que a do Saint Helens, e talvez 8 mil vezes mais monstruosa.

Não há termos de comparação. A maior explosão dos tempos recentes foi a de Krakatoa ((Sobre o vulcão Krakatoa, em inglês: http://en.wikipedia.org/wiki/Krakatoa )), na Indonésia, em agosto de 1883, produzindo um estrondo que reverberou ao redor do mundo por nove dias e agitando as águas até o canal da Mancha. Mas se imaginarmos que o volume de material ejetado de Krakatoa teria o tamanho de uma bola de golfe, a maior das explosões de Yellowstone teria o tamanho de uma esfera atrás da qual poderíamos nos esconder. Nessa escala, a dos monte Saint Helens não seria maior que uma ervilha.

[...]

E ainda nem falamos das consequências climáticas. a última erupção de um supervulcão na Terra foi em Toba, no norte de Sumatra, 74 mil anos atrás ((Saiba mais: http://en.wikipedia.org/wiki/Lake_Toba)). Ninguém sabe sua extensão; sabe-se apenas que foi colossal. Os núcleos de gelo da Groenlândia mostram que a explosão de Toba foi seguida de pelo menos seis anos de “inverno vulcânico” e só Deus sabe de quantas estações de más colheitas. Acredita-se que o evento possa ter deixados os seres humanos à beira da extinção, reduzindo a população global a nada mais do que alguns milhares de indivíduos (na Wikipédia se diz ter exterminado entre 60% e 75% dos seres humanos). [...]

Os geólogos perceberam que somente uma coisa poderia causar tal fenômeno: uma câmara de magma inquieta. Yellowstone não abrigava um supervulcão antigo, e sim um ativo. Também mais ou menos nessa época eles conseguiram calcular que o ciclo de erupções do parque era de, em média, uma explosão gigantesca a cada 600 mil anos. O interessante é que a última ocorreu há 630 mil anos. Yellowstone, ao que parece, está com o prazo vencido.

Um documentário da BBC estima que no caso de uma erupção do Yellowstone, praticamente toda a vida animal e vegetal no continente seria exterminada. Não há meios de prever por quanto tempo haveria o “inverno vulcânico”, mas sua extensão seria medida em anos. Um “inverno vulcânico” é a redução da temperatura causada por cinzas vulcânicas e ácido sulfúrico obscurecendo o Sol e diminuindo o albedo (aumentando assim a reflexibilidade da Terra). Colheitas seriam prejudicadas, sem falar na economia, extremamente dependente de importações. Mergulharia a população mundial em um crise climática e econômica digna de uma distopia. Assustador no mínimo.

Agora, com os últimos 250 mini-terremotos, talvez Yellowstone queira tirar o atraso. Comemorem a passagem de ano como se fosse a última – vai que vocês acertam!

Algumas fotos do Parque:

Bison swimming the Yellowstone river
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Illegal parking, Trout Creek, Hayden Valley, Yellowstone
Creative Commons License crédito: Strilejenta

Reflection at YellowStone
Creative Commons License crédito: kashyap_hc

Bibliografia: Bryson, Bill, Breve história de quase tudo, Cia das Letras

Que País é Este? : Bombas do Brasil

terça-feira, 3 de junho de 2008

Não foi muito noticiado — pelo menos a informação não chegou até mim (que soube apenas através do editorial da Folha no domingo). Mas no dia 30 de Maio, 111 países reunidos em Dublin, Irlanda, assinaram um acordo que proíbe a fabricação e prevê a destruição do estoqque de bombas de dispersão, que representam grave ameaça à população civil.

Ficaram fora do acordo os Estados Unidos (surpresa para alguém?), Rússia, Índia, Paquistão, Israel, Colômbia e Brasil. Sim. O Brasil. Todos países com histórico recente de tensões e lutas armadas, com exceção do Brasil. O Itamaraty se desculpa que há “foros mais adequados para esse tipo de assunto”. Os nossos militares não fogem do assunto: esse tipo de armamento amplia o poder de fogo do Estado e desencoraja ações bélicas contra o país.

O Brasil fabrica e exporta bombas de dispersão — incluindo áreas de conflito como o Oriente Médio (e muitas pessoas acham que não tínhamos culpa nas mortes por lá…). Esse tipo de artefato possui um potencial de destruição que se prolonga muito além do conflito. Ele espalha centenas de microbombas por uma área igual a 2 ou mesmo 3 campos de futebol. Entre 10% e 40% dessas microbombas não chegam a explodir e passam a representar risco permanente à população local, em especial crianças e smurffs que podem eventualmente encontrá-las décadas depois e detoná-las.

Veja um vídeo, inclusive com direito a slow-motion dessas bombas:

Aqui o Press Release do evento que o Brasil não assinou:

E aqui, como remover as microbombas:

Não sei se o presidente foi questionado sobre essa, na minha opinião, estúpida decisão nacional. Claro, a imprensa prefere perguntar sobre dossiês que só são o circo da política nacional e não passará de vaidade, nada válido para o país. Enquanto isso o assunto das bombas de dispersão passam ignorados, e permitimos construir bombas em nossos solos que irão matar crianças e civis de outros. Que país é esse?

Fontes:
VOA NEWS, Cluster Bomb Resolution Approved in Dublin
FOLHA DO ESTADO DE S. PAULO, Editorial de Domingo, 1 de Junho, 2008

Wildflower 08 - 6:50am
Creative Commons License crédito: Fabio Costa

2008: Uma Morte no Sri Lanka, morre Arthur C. Clarke

quarta-feira, 19 de março de 2008


Creative Commons License crédito: spike55151

Arthur Charles Clarke, mais conhecido como Arthur C. Clarke (Minehead, Somerset, 16 de dezembro de 1917 — Colombo, Sri Lanka, 19 de março de 2008) foi um escritor e inventor britânico, autor de obras de divulgação científica e de ficção científica como o conto The Sentinel, que deu origem ao filme 2001: Uma Odisséia no Espaço e o premiado Encontro com Rama.Desde pequeno mostrou sua fascinação pela astronomia, a ponto de, utilizando um telescópio caseiro, desenhar um mapa da Lua. Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu na Royal Air Force (Força Aérea Real britânica) como especialista em radares, envolvendo-se no desenvolvimento de um sistema de defesa por radar, sendo uma peça importante do êxito na batalha da Inglaterra. Depois, estudou Física e Matemática no King’s College de Londres.

Talvez sua contribuição de maior importância seja o conceito de satélite geoestacionário como futura ferramenta para desenvolver as telecomunicações. Ele propôs essa idéia em um artigo científico intitulado “Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage?”, publicado na revista Wireless World em Outubro de 1945. A órbita geoestacionária também é conhecida, desde então, como órbita Clarke.

Em 1956 mudou a sua residência para Colombo, no Sri Lanka (antigo Ceilão), em parte devido a seu interesse pela fotografia e exploração submarina, onde permaneceu até à sua morte em 2008.

Teve dois de seus romances levados ao cinema, 2001: Uma Odisséia no Espaço(br) / 2001: Odisseia no Espaço(pt) dirigido por Stanley Kubrick (1968) e 2010: O ano em que faremos contato(br) / 2010: O Ano do Contacto(pt) dirigido por Peter Hyams (1984), sendo o primeiro considerado um ícone tão importante da ficção científica mundial que especialistas lhe atribuem forte influência sobre a maioria dos filmes do gênero que lhe sucederam.

Também em reconhecimento a Clarke, o asteróide 4923 foi batizado com seu nome, assim como uma espécie de dinossauro Ceratopsiano, o Serendipaceratops arthurclarkei, descoberto em Inverloch, Austrália.


Disse a Wiki

Entre meus livros prediletos está “O Fim da Infância”, que eu acho genial. Inclusive o começo de “Independence Day” é uma recriação visual deste livro (apenas o começo, não há qualquer similaridade entre as histórias com exceção das gigantescas naves pairando próximo às capitais).

Alguns livros de Clarke:
A Revelação de Rama
2010: uma Odisséia no Espaço II
3001: a Odisséia Final

Luto! Morre Gary Gygax

terça-feira, 4 de março de 2008

gary_gigax.JPG

Creative Commons License crédito: Alan De Smet

Se esse nome não lhe lembrou nada você nunca foi um Paladino, ou um Bardo. Nunca usou sua Classe de Armadura ou tirou um 20 natural. Talvez nem mesmo saiba que existem dados de 4,6,8,10,12 e 20 lados para citar alguns. Gary Gigax é um dos pais de Dungeons & Dragons, o maior RPG de todos os tempos.

Quando Heath Ledger morreu eu sinceramente não dei a mínima. Claro, fiquei pensando nos grandes papéis que ele poderia fazer, mas no mais, não senti nada. Com milhares de pessoas morrendo todos os dias eu acho ridículo alguém ficar triste pelo conhecimento da morte de alguém que não conhece ou não é próximo. Mas, olhe eu aqui, sentindo no fundo de meu peito a morte de Gary Gygax.

Vamos ter que criar um deus em homenagem a ele, ou mesmo um mundo. Eu sei que se você tirou um bom número nos dados deve estar em um bom lugar ou quem sabe pode ser transformado em Leech ou algo assim. Sentiremos sua falta, Gary, sentiremos sua falta…


Creative Commons License crédito: napalm nikki

Amor e morte: antítese?

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Reverendo Ibrahim,

Inicialmente desculpe a demora para terminar de ler sua obra. As festividades e a vida longe do computador me deixaram longe das 282 páginas de um dos melhores romances que já li em minha vida, senão o melhor. E isso não é um exagero, mesmo eu tendo dito pra você o mesmo sobre Norwegian Wood há alguns dias. Você disse que queria ser Haruki, eu digo que você é melhor que ele.

Não sou um grande leitor e minha opinião não é de grande valia, mas preciso dizer que me senti envolvido e me emocionei ao ler a sua primeira novela. E eu ia lhe escrever isso tudo por e-mail, mas no fim resolvi colocar aqui no 1001 Gatos porque estou muito orgulhoso de poder ter lido este romance antes de ele ser oficialmente lançado e queria aplaudir-lhe em público

Me surpreendi a cada instante pelos acontecimentos, pela tragédia, pelo final deslumbrante. E aprendi. Seu livro não é apenas uma narração e não será simplesmente um best-seller escrito por este propósito. Desde seus diálogos mais simples até às conclusões, ele discute filosofia o tempo todo envolvendo o leitor e o assunto em pauta são as questões mais importantes de nossa existência e também as mais difíceis de discutir e compreender: o amor e a morte. Nunca achei que os dois combinavam e que poderiam ser os temas-mestre de uma história, mas “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” me fez repensar os dois sentimentos e me ensinou a lidar melhor com a morte. Na verdade, confesso que me deixou até com uma vontadezinha de morrer!

Eu cheguei a conclusão que sou Jonas. Lendo suas palavras me senti como se você tivesse escrito o livro dentro da minha mente! Estou assombrado e impressionado, porque sua narração parece ter me ensinado sobre eu mesmo. Seus pensamentos, sua dificuldade de expressar seus sentimentos, até seu encontro familiar no natal…! Nunca me identifiquei tanto com um personagem de um livro.

Não saberia dizer qual é o melhor capítulo da novela, mas preciso destacar um dos que mais me chamou minha atenção: o que fala sobre o Pastor F. F. F. Você é um reverendo discordiano, agóstico, influenciado por Schopenhauer e Nietzsche, e neste capítulo você provou ser completamente imparcial, sem radicalismo nenhum, parecia outra pessoa escrevendo. Na narração deste capítulo, sem seu humor e ironia habituais, você me surpreendeu ao apresentar um bom cristão, um bom pastor. E não só com ele mas na história toda sua facilidade de criar e descrever diferentes opiniões e personalidades para os personagens (desde Edgar até Tomás) é genial.

Para não me demorar, em suma, seu livro é uma obra-prima. Não sei como funciona essa burocracia de editora e publicação, mas se as editoras desse país forem sérias você vai facilmente conseguir uma e “Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam” será um sucesso. Parabéns!

Leia também: All we need is LOVE, o depoimento da Carol sobre a mesma obra.

All we need is LOVE

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A ansiedade que vinha sofrendo após receber a notícia de que a veria em primeira-mão se transformou em excitação ao abrir meu e-mail há 5 dias.

Instantaneamente, meus dedos começaram a se contrair e relaxar freneticamente – um tique que tenho quando anseio algo mortalmente – e minhas narinas de dilataram, prontas para sentir o cheiro que sabia que não haveria, mesmo que esse fato não fizesse sentido ao meu olfato. A tecnologia ainda não permite ao computador, assim como ao telefone, exalar quaisquer coisas, muito menos o que eu procurava: Papel.

Faz parte do meu ritual de leitura. Desde pequena, sempre que um livro vem em minha direção, minhas glândulas olfativas despertam. Trago-o para junto do nariz e inalo o aroma, algumas vezes mofado, outras perfume. O mais inebriante, porém, é o de livro novo, que sou capaz de sentir a distância.

Por mais estranho que pareça, minha mente simulou por tempo muito curto esse cheiro no momento em que abri o pdf do rascunho da novela do Polipadre desta cabala, mãos tremendo e uma risada beem estranha que não consigo descrever.

EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam lida com temas que, apesar de tachados clichê (como qualquer tema que faça parte da vivência comum da sociedade), costumam ser mal explorados por literatura que não seja de divulgação científica: Amor e morte. Foi excelente a forma como a informação, ou aquilo que se chamaria “introdução teórica” num relatório, foi liberada ao leitor entre diálogos humanos, de forma sutil (que nem faz aquele troço que tem no banheiro do Pedrinho), agravando as características nerds que certos personagens possuem.

No entanto, o que mais me impressionou foi um capítulo que não trata do protagonista. Um capítulo que confesso ter pensado ser mal desenvolvido, por precariedade de informação e conhecimento pessoal do assunto. Dou a mão à palmatória agora.

Uma vez li um romance adolescente chamado “Poderosa”. A personagem não tinha nada de poderosa. O nome dela e das coadjuvantes poderiam estar no gerador de pobreza do Morróida. O enredo era bem pobrinho e ainda por cima, escrito por um homem que tentou descrever uma menina ansiosa pela primeira menstruação e sua respectiva menarca.

Que menina fica triste por ainda não ter tido a primeira menstruação? Depois que vêem uma amiga sofrendo, o que mais esperam é que demore bastante pra que possam ir à praia sossegadas e, quem sabe, crescer mais em altura, bunda e peito. Você não descobre que menstruou acidentalmente, quando vai fazer xixi! É diferente. Dói muito enquanto seu endométrio é cruelmente arrancado de você.

Quando vi o capítulo Sarah, de EQM, respirei fundo, pensando no que levara o Ibrahim a escrever algo tão trivial à história. A narrativa contrariou minhas baixíssimas expectativas e devo dizer que foi a melhor que eu já li, lembrando-me de mim, também no meio da aula de Matemática. Rendeu bons minutos de nostalgia.

Tudo que precisamos é AMOR. Título dessa postagem; trecho que descobri assistindo Girls Next Door ser duma música do Beatles; estampa de uma camiseta que eu comprei e ainda não usei; foco de EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam e, para os que acreditam, a salvação do mundo

Essa é a sua vida. Cada hora a mais é na verdade uma hora a menos. Horas essas que foram extremamente bem gastas por mim durante a leitura e espero que, em breve, por você também :)