
crédito: MotherPie
Comprar presentes de Natal é sempre trabalhoso: difícil de encontrar, difícil para sua conta bancária e difícil sentimentalmente. Algumas vezes é como se fosse muito trabalho por pouca coisa. Aqueles mais próximos e queridos assumem que você os conhece bem o suficiente para lhes dar um presente decente, então dar algo errado reflete negativamente no relacionamento.
Pesquisas psicológicas em como presentear afetam relacionamentos sugerem que é uma situação sem vencedores. Estudos sugerem que bons presentes apenas afirmam similaridades entre casais, e assim fazem pouco pelo relacionamento. Presentes ruins, no entanto, podem levar as pessoas a questionar sua similaridade com o outro, assim danificando o relacionamento. Estudos tendem a se focar em como presentear afetam a percepção da similaridade pois encontrar um “espírito de afinidade” é pensado como central para relacionamentos bem sucedidos e seguramente prevê relacionamentos satisfatórios ((Murray et al., 2002)).
Mas uma nova pesquisa de Elizabeth W. Dunn na University of British Columbia e colegas, publicado no jornal Social Cognition, sugere que homens e mulheres reagem um pouco diferentes a curto prazo após receber bons e maus presentes ((Dunn et al., 2008)) .
Presentes para estranhos
Para testar suas teorias, Dunn e seu colegas montaram dois experimentos, cada um com uma virada em seu final. No primeiro experimento, os participantes (estudantes na University of Virginia) foram colocados para conversar com alguém do sexo oposto por quatro minutos. Após isso eles deviam selecionar um presente para seu novo amigo de uma lista de vale-presentes de uma variedade de lojas e restaurantes. A idéia era que cada participante então olharia para o presente escolhido para ele e então analisaria sua percepção da similaridade com a outra pessoa.
Aqui está a virada: antes do experimento cada participante foi questionado para ranquear certificados de presentes de forma que eles quisessem recebê-los. Então os pesquisadores simplesmente davam essas preferências diretamente para os participantes assim que tinham seu novo amigo. Para metade dos participantes foi dito que a outra pessoa escolheu seu predileto, e para a outra metade sua última escolha. Isto criou duas condições: aqueles que ganharam aquilo que queriam e os que não.
Quando os pesquisadores olharam para as notas de percepção de similaridade, os resultados mostraram uma significativa diferença em como homens e mulheres reagem a presentes bons e ruins. Os homens que ganharam aqueles que queriam perceberam-se como mais similares à presenteadora, sugerindo que o melhor presente teria um esperado efeito positivo no relacionamento. As mulheres, no entanto, pareceram ser relativamente inalteradas seja o presente bom ou ruim.
Desta descoberta surgiu uma dúvida: bons presentes não deveriam aumentar a similaridade percebida para as mulheres tanto quanto para os homens? Uma possível solução para isto emergiu no segundo experimento.
Presentear em relacionamentos estabelecidos
Ao invés dos participantes que nunca se encontraram antes, o segundo experimento envolveu homens e mulheres que já estavam em relacionamentos (heterossexuais). Fora isso, o experimento foi quase idêntico ao anterior, com a mesma manobra de cada um receber aquilo que para eles eram os melhores (ou piores) presentes. A única diferença foi que junto com a questão sobre a similaridade percebida com o parceiro, cada um foi também questionado quanto tempo esperavam que seu relacionamento durasse após o presente.
Novamente, homens que receberam presentes ruins perceberam menos similaridade com suas parceiras, e pensaram que seu futuro juntos era significativamente menor – como esperado. Mas desta vez as mulheres que receberam os presentes ruins de seus parceiros na verdade viam a similaridade percebida com seus parceiros como maior e pensavam que seu relacionamento durariam por mais tempo do que aquelas que recebiam o presente melhor. Agora, o que estava acontecendo?
Mecanismo de defesa psicológico
Dunn e seus colegas explicam que quanto mais desafio as mulheres sentem a seu relacionamento (i.e. o presente ruim), mais elas tentam se proteger contra essa ameaça. Com a pessoa no primeiro experimento não havia muito relacionamento a proteger, então o presente ruim não tinha efeito comparado ao bom. Mas quando se tratava de relacionamentos substanciais existente para proteger, as mulheres eram motivadas a se proteger contra esta ameaça em potencial. Os homens, ao contrário, não fazem tal esforço, dizendo que eles não gostaram da escolha de sua parceira, e por extensão, das mesmas.
Agora, antes que os homens comecem a pensar em usar estes experimentos para justificar dar a suas parceiras presentes ruins, lembrem-se de que estes estudos são de curto prazo e provavelmente apenas representam os primeiros instintos de homens e mulheres ao receber presentes bons e ruins.
A verdadeira lição é que mulheres são mais motivadas que os homens a criar mecanismos de defesa psicológica para se proteger contra os efeitos danosos de presentes ruins. A longo prazo a história é praticamente a mesma para ambos os sexos: presentes ruins danificam relacionamentos ao não recompensar aquilo que está nos corações; o sentimento de que neste vasto, vasto e cruel mundo você encontrou alguém que o entende e sabe o que você gosta.
Adaptado daqui.









