Posts com a Tag ‘Nevoeiro’

Meu Voto

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Já que falta muito pouco para as eleições, é hora de me decidir pelo voto. Sei que é secreto, mas mesmo assim não preciso esconder de ninguém. Votarei para Vereador no Sérgio Desiderá, que foi um professor de história meu e a quem admiro pelo intelecto e para Prefeito votarei 23, que em minha cidade não possui candidato. Isso mesmo, dos três candidatos daqui não votarei em ninguém. José Walter não ganha meu voto por falta de carisma e antipatia pessoal que sinto pela ideologia do partido dele. Du Altimari ganharia fácil fácil o meu voto se ele não fosse indiretamente responsável pela morte do meu pai. Digo: ele é um dos maiores, senão o maior distribuidor de bebidas da cidade e foi justamente a bebida que matou meu pai. Claro, é um comércio livremente reconhecido pelo Estado, ele paga seus impostos e meu pai é quem procurava os fornecedores de livre arbítrio (ou graças ao vício), mas emocionalmente não consigo separar isso. Uma mãe cujo filho se perdeu nas drogas deixaria de culpar o traficante mesmo sabendo que o filho é quem ia atrás? Acho que não.

Por que eu não votarei no atual prefeito, as razões são estas:

Revista VEJA 14.Jun.95
Revista VEJA 14.Jun.95
Cidades: Popularidade no xilindró -Edição 1396 – Ano 28 – nº 24 – pág.: 56

Popularidade no xilindró

“Preso há dois anos, o prefeito de Rio Claro tem o apoio da população e quer uma delegada para orimeira-dama. ”
Fábio Sanchez, de Rio Claro

A cidade de Rio Claro, a 179 quilômetros de São Paulo, está entre as mais desenvolvidas do país. O índice de mortalidade infantil é de apenas 21 para cada 1 000 recém-nascidos, os analfabetos são menos de 1% da população e os economistas apontam o município como um dos melhores lugares para
investir. A maior atração de Rio Claro, no entanto, é o prefeito, Demerval da Fonseca Nevoeiro Júnior, 48 anos. Condenado a quatro anos e meio de prisão por estelionato e formação de quadrilha, desde 1993 ele passa parte do tempo no xadrez da Polícia Militar local. O mais surpreendente é que o ilustre detento tem a aprovação de 52% da população.

O prefeito cumpre pena porque sua empresa, uma fábrica de materiais plásticos, emitiu notas promissórias frias em 1987. É sua segunda condenação. Na vez anterior, em 1985, pegou um ano e seis meses de reclusão por crime de peculato, mas cumpriu a pena em liberdade. Além disso, Nevoeiro Júnior é citado em outros quatro processos por crimes variados. Em 1988, foi preso nos Estados Unidos
ao tentar descontar um cheque frio de 2,8 milhões de dólares. “Realizo muito e, por isso, erro muito”, tenta justificar o prefeito. Durante todo o primeiro ano de mandato, Nevoeiro Júnior despachou atrás das grades. Hoje, cumprindo pena em regime semi-aberto, só vai à cadeia para dormir.

MALABARISMOS – Nevoeiro Júnior só se mantém no cargo com a ajuda de malabarismos jurídicos. Em agosto do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral cassou-lhe o mandato ao comprovar que o prefeito desapropriou sem necessidade um terreno que pertencia a ele próprio, durante sua primeira
gestão, em 1982. Um recurso, no entanto, garantiu que ele continue à frente da prefeitura. Apesar da ficha policial bem nutrida, Nevoeiro Júnior é aplaudido pelos lugares onde passa e conseguiu transformar seu cunhado, José Aldo Demarchi, em deputado estadual pelo seu partido, o PPR. Mas o melhor exemplo de sua popularidade é a própria vitória eleitoral, dois anos atrás: sua condenação por estelionato foi decretada três dias antes da eleição e largamente explorada pelos adversários, o que não o impediu de abrir uma ampla margem de votos sobre os outros candidatos. O prefeito presidiário
ocupa no 3º andar do batalhão da PM um quarto de 28 metros quadrados mais cozinha e banheiro, dotado de aparelho de televisão, ar-condicionado e carpete, tudo encomendado e pago por ele mesmo. Não tem horários rígidos para se apresentar aos policiais, embora precise informar ao comandante sua agenda de compromissos um dia antes. No início do mandato, ficou dois meses numa cela comum do 81º Distrito Policial, em São Paulo. Na época, mandou instalar o primeiro chuveiro de água quente do local, que dividia com um número inconstante de criminosos. “As leis não garantem um mínimo de respeito à dignidade dos presos”, diz o prefeito. “Posso falar como usuário.”

SEM GRADES – Sua experiência nos presídios resultou, em Rio Claro, num projeto da prefeitura que aproveita a mão-de-obra barata de 24 dos 150 presos da cadeia pública da cidade. Um acordo entre o prefeito e o juiz corregedor local permite que os presos trabalhem num canteiro de obras, em que produzem blocos de cimento para um projeto de habitação popular. É um lugar sem grades, de onde poderiam fugir a qualquer momento. “Os rapazes ficam presos pela consciência”, garante Nevoeiro. Os detentos recebem um salário mínimo por mês e têm direito à redução de um dia de pena para cada
três dias trabalhados. Celso Roberto Tomé, traficante de 25 anos que cumpre pena de quatro, só tem elogios ao prefeito: “Ele tem a cabeça aberta, é um dos nossos”.

Muitos moradores de Rio Claro atribuem a popularidade de Nevoeiro à sua fala mansa e ao jeito simpático. “Em mais de vinte anos de advocacia, nunca vi um condenado por 171 que fosse antipático”, alfineta o presidente da subseção local da OAB, José Carlos Carneiro. No Código Penal, 171 é o artigo referente ao crime de estelionato. Os aplausos da população ao prefeito causam confusão até nas cabeças mais esclarecidas da cidade.”Não há em toda a sociologia uma explicação para esse fenômeno”, espanta-se o padre Brás Lorenzetti, que se define como progressista. Mas os que apóiam
o prefeito, como o comerciante Marcelo Costa, não precisam de explicações.

“A vida particular dele não tem nada a ver com a sua administração” , garante Costa. Sem ligar para o falatório, Nevoeiro Júnior espera se livrar em breve da obrigação de dormir na cadeia. Com a chance de ter a pena reduzida ainda neste ano, ele pretende se casar com a delegada de polícia Adriana Assari,
25 anos, sua namorada há oito meses. “Meu lema é o de Montesquieu: as leis devem se adaptar aos homens, e não o contrário”, afirma o prefeito.

Fonte: Revista VEJA 14.Jun.95
Cidades: Popularidade no xilindró Edição
1396 – Ano 28 – nº 24 – pág.: 56

E ainda o elegeram! Na sua propaganda eleitoral diz que sua eleição é “carta de alforria” por seus crimes, que a população lhe deu. O termo não poderia ser mais irônico. Carta de alforria era dada a escravos garantindo sua liberdade. Ele quer comparar alguém que contra seu livre arbítrio é arrancado de sua terra natal e enviado do outro lado do Atlêntico para trabalhos forçados com um sujeito que quebrando o pacto social da sociedade, comete um crime?

E estes são os processos do ilustre personagem político de minha cidade:

0001
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1995. 005286
04/12/1995
1ª. Vara Criminal
1995
2174

0002
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1997. 007871
29/12/1997
1ª. Vara Criminal
1997
1123

0003
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1997. 008875
05/05/1997
1ª. Vara Criminal
1997
409

0004
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1997. 009106
27/05/1997
1ª. Vara Criminal
1997
475

0005
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1998. 011446
12/06/1998
1ª. Vara Criminal
1998
487

0006
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2007. 017027
01/11/2007
2ª. Vara Criminal
2007
845

0007
DERMEVAL DA FONSCECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 014173
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
3059
Execução Fiscal (em geral)

0008
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1995. 001060
3ª. Vara Cível
1995
224
Protesto

0008
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1995. 010334
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1995
2098
Mandado de Segurança

0010
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 002074
1ª. Vara Cível
1996
336
Ação Popular

0011
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 002075
1ª. Vara Cível
1996
330
Ação Popular

0012
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1997. 002216
3ª. Vara Cível
1997
200
Medida Cautelar (em geral)

0013
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1997. 002218
3ª. Vara Cível
1997
202
Procedimento Ordinário (em geral)

0014
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1998. 013688
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1998
3657
Execução Fiscal (em geral)

0015
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1998. 014221
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1998
4187
Execução Fiscal (em geral)

0016
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1998. 014222
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1998
4188
Execução Fiscal (em geral)

0017
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1998. 014376
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1998
4342
Execução Fiscal (em geral)

0018
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1999. 019276
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1999
1017
Execução Fiscal (em geral)

0019
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2001. 018867
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2001
797
Execução Fiscal (em geral)

0020
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2001. 018868
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2001
798
Execução Fiscal (em geral)

0021
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2002. 016382
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2002
5398
Execução Fiscal (em geral)

0022
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2003. 022167
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2003
1372
Execução Fiscal (em geral)

0023
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2004. 024322
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2008
194
Medida Cautelar (em geral)

0024
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 004222
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
714
Execução Fiscal (em geral)

0025
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 004231
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
723
Execução Fiscal (em geral)

0026
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 005524
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
1062
Execução Fiscal (em geral)

0027
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 005527
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
0028
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 010207
1ª. Vara Cível
2005
1562
Declaratória (em geral)

0029
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2005. 014169
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2005
3055
Execução Fiscal (em geral)

0030
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2006. 005472
1ª. Vara Cível
2006
496
Ação Civil Pública

0031
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2007. 004989
3ª. Vara Cível
2007
623
Ação Civil Pública

0032
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2007. 010880
2ª. Vara Cível
2007
1198
Ação Popular

0033
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2007. 013196
SAF – Setor de Anexo Fiscal
2007
4764
Precatória (em geral)

0034
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.2008. 002439
2ª. Vara Cível
2008
362
Ação Civil Pública

0035
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JÚNIOR
510.01.2005. 015146
2ª. Vara Cível
2005
2284
Ação Civil Pública

0036
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 011465
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1996
2208
Mandado de Segurança

0037
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 011429
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1996
2181
Mandado de Segurança

0038
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 011430
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1996
2179
Mandado de Segurança

0039
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
510.01.1996. 011578
SAF – Setor de Anexo Fiscal
1996
2294
Mandado de Segurança

DA JUSTIÇA FEDERAL:

0001
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
2º VARA
98.1102991-1
10/08/2000
ACOES CRIMIN JUSTIÇA PUBLICA

0002
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
2º VARA
1999.61.09000274- 7
23/07/2001
ACOES CRIMIN JUSTIÇA PUBLICA

0003
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
1º VARA
1999.61.000356- 9
29/01/1999
AÇÕES CRIMIN JUSTIÇA PUBLICA

0004
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
1º VARA
2003.03.00.028525- 0
06/10/1998
ACOES CRIMIN JUSTIÇA PUBLICA

0005
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
1ª VARA FISCAL
90.0041830-5
24/04/1991
EXEC. FISCAL IAPAS

0006
DERMEVAL DA FONSECA NEVOEIRO JUNIOR
1ª VARA FISCAL
90.0043162-0
23/04/1991