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Pangloss

terça-feira, 24 de abril de 2007

Tenho outra confissão a fazer: Eu sempre quis ser um escritor. Não do tipo Joyce ou Kafka. Mas um do tipo Borges ou Vila-Matas. O que sempre me manteve longe de sê-lo foi a minha má vontade com meus textos. Nada do que escrevi me satisfez o suficiente para me levar a sério enquanto escritor de ficção. Mesmo não sendo um grande especialista estou escrevendo um livro de não-ficção que em breve disponibilizarei a todos meus leitores. Se ele sair 50% do que eu queria que saísse já estaria ótimo. E escrever um livro de não-ficção não aplaca minha fome de escrever ficção. Continuo sem fazer pois não estou preparado ainda, quem sabe eu seja um escritor do tipo Saramago e comece a escrever aos 50 anos? Nunca se sabe.

Vou compartilhar com vocês os meus plots. Quem sabe algum escritor se anime a roubá-lo e finalmente se tornem em histórias? Seria um destino mais glorioso do que serem apenas um rascunho de um péssimo escritor. A que compartilho hoje teria o título “Pangloss”, em uma clara alusão ao personagem de Voltaire da peça “Cândido” com seu bordão “Tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis” e que era uma sátira ao obscuro e injustiçado Leibniz que foi rival de Newton.

Minha intenção é/seria criar uma história narrada por um otimista do tipo Pangloss que acha que tudo está ótimo no melhor dos mundos possíveis e que tenta provar isso a todo momento. A intenção da obra não seria nem refutar o otimismo nem dar motivos para abraçá-lo. o objetivo primário seria confundir mesmo, em um clássico mindfuck. O objetivo secundário seria levar o leitor a fazer uma síntese das duas visões de mundo.

Me fascina o tipo otimista. Eu os admiro na verdade. O que é o otimista senão um guerreiro em sua luta diária contra a realidade. Tal admiração, tenho que frisar, é bem recente. Antes admito, não os suportava. Bastava ver um sorriso no lábio de alguém que me punha a pensar em uma forma de tirá-lo de lá o mais rápido possível. Declarava em alto e bom som que o otimista ou era idiota ou mal informado e que se houvesse um criador este seria alguma espécie de humorista, a quem a platéia tem medo de rir.

Hoje admiro os otimistas como quem admira um japonês mas sabe que não é um e nem pode ser. Não acho que seria uma história muito longa e deveria acabar com a seguinte frase: “Devemos cuidar de nosso jardim”, que é uma frase dita por Cândido a Pangloss na peça encerrando-a.

Iria colocá-lo em uma guerra ou algo do tipo. Talvez uma viagem ao redor do globo. Como sempre, fica para amanhã.

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[tags]ficção, idéia, plot, Cândido,Voltaire[/tags]