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Platão contra Aristóteles

terça-feira, 15 de maio de 2007

Nota pessoal: Escrevo esta postagem ? s 5:23 p.m. (é sério!) após estar dormindo desde 10:10 a.m. quando fui sedado para que realizassem em mim um exame de endoscopia. Tive um sonho com Coleridge (penso em quantas pessoas já sonharam com ele) que me inspirou a escrever esta postagem.

Samuel Taylor Coleridge (1772 – 1834) foi poeta, escritor, conferencista, professor, tradutor, criador de jornais e revistas e se vivesse hoje em dia tenho certeza de que teria um blog. Ele é um dos pioneiros do romantismo inglês e em 1798 “escreveu” o poema “Kubla Khan”. Agora entra a parte interessante do processo criativo: Ele escreveu tal poema se lembrando do sonho que tivera sobre Xanadu, mágica e misteriosa capital do reinado mongol de Kublai Khan sobre a qual existe muitas lendas e uma música do Eletronic Ligth Orchestra. No sonho uma voz teria lhe sussurado mais de 300 versos que ele ao acordar pôs-se a passar para o papel para que não se esquecesse da beleza dos mesmos. No entanto, ele foi interrompido por um vendedor de seguros e não conseguiu mais de lembrar do restante (hoje em dia seria o telemarketing, estou certo disso). Só restaram 50 versos fragmentados, mas considerados brilhantes, sobre os quais foi feito o comentário: “Tudo o que merece ficar de Coleridge poderia-se reunir em 20 páginas, e essas 20 páginas deveriam ser encarnadas em ouro!”

Foi Coleridge quem disse certa vez de Platão e Aristóteles que colocaram “dois sistemas opostos diante da mente do mundo”. E disse mais: “Todo homem nasce aristotélico ou platônico. São duas classes de homens, ao lado das quais é praticamente impossível conceber uma terceira”.

Platão ambicionava a sabedoria do além, do mundo das idéias, do qual o nosso mundo é apenas uma sombra pálida. Idealista.

Aristóteles procura a sabedoria aqui, com os dois pés no chão. Foi Aristóteles um dos primeiros a procurar uma verdade objetiva sem a necessidade de “mágica”. Realista.

ÿ claro, que tanto Platão, como Aristóteles, não podem ser resumidos em apenas duas linhas de forma tão simplificada, mas delimita bem o que Coleridge quis dizer que um homem nasce ou platônico ou aristotélico. Por muitos anos eu sempre achei que fosse platônico, mas eu estava enganado. Por mais que eu seja idealista, é um idealismo nos meus termos. Eu não acho que podemos construir uma utopia, ou que o socialismo mudaria o mundo. O idealismo em meus termos somente me diz que algo deve ser feito. Hoje posso dizer que sei que sou um sujeito aristotélico.

Agora a pergunta: Você é aristotélico ou platônico?

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