Eu assisti televisão muito raramente, mas um dia desses estava assistindo um pouco e vi a propaganda de uma nova atração “O Sistema”. Fui atraído pelo visual meio retrô e de pastiche que a produção parecia ter. Um fator que me motivou a assistir além disso foi a presença do ator Selton Mello (talvez o meu predileto no Brasil e sempre garantia de bons textos).
É um programa “totalmente inédito” (piada interna para quem assistiu o programa, desculpe) sobre a forma como “O Sistema” se apresenta a todos nós. Como se trata de uma comédia não podemos esperar que ela defenda nenhum programa político ou “desperte o senso crítico” de seus telespectadores. Mas há uma camada no texto muito interessante e é exatamente sobre ela que eu quis escrever este texto:
Matias (em dado momento ele vira “Matt de Matt Damon”, outro ótimo ator) compra um relógio no camelô. Não conseguindo programá-lo ele liga para a assistência do consumidor. Como ele não recebeu uma nota fiscal ele não pôde o fornecer o número da mesma, e sem este número a atendente nada pode fazer “pois O Sistema não permite”.
Essa atendente é Regina, quem horas antes teve um pedido de empréstimo negado no banco pois “O Sistema” não aceitava pois achava que ela iria pagar, mesmo o gerente “sabendo” que ela pagaria. Depois de atender a Matias ela se dirige a sua chefe para pedir um aumento. A única forma de ter um aumento é deixar de ser passiva (atender ligações de reclamações) e se tornar ativa (fazer ligações e vender produtos). Como teste ela deve ligar para alguém que tenha ligado naquele dia para reclamar. O destino quis que ela ligasse para Matias que sendo fonoaudiologo denuncia seus vícios de linguagem e debocha dela (ele estava bravo por não ter sido atendido antes). Ela falha.
O que Regina faz é apagar os registros de Matias nO Sistema. Ele ganha 200 pontos na carteira, têm o carro apreendido, o banco que ele vai todo dia não tem registro sequer de sua assistência. “Não podemos fazer nada, é O Sistema”. Ele acaba então ficando fora dO Sistema e é “sequestrado” por pessoas na mesma situação que ele. Entre os quais “Trash”, que têm uma mania de mostrar os “piercings” para a câmera (piercings nos seios para ser mais exato).
Percebem que eles colocaram ambos os personagens, Matias e Regina, como ao mesmo tempo, agentes e passivos dO Sistema? Que lutando e prejudicando um ao outro é o mesmo células cardíacas brigassem com as pulmonares. Não haveria vencedores, apenas derrotados. Que a desculpa do “Sistema” é sempre usada por empregados de máquinas burocráticas administrativas quando estes não querem agir com responsabilidade humana e emocional pelo que acontece? E, o pior, eles estão sendo sinceros. O roteiro tem algumas sacadas bem divertidas. Foi continuar assistindo. na prévia dos próximos capítulos já deu para ver que teremos novos personagens, a viagem da lua sendo forjada nas dunas de Cabo Frio, uma viagem à Inglaterra e um astronauta anão (!).
Sempre tive uma má vontade com as produções nacionais mas estou aprendendo a lidar com isso. Afinal eu sou brasileiro e tudo o que eu fizer é algo brasileiro, de um jeito ou de outro. Gostei do que vi.
Frase do programa:
- Você têm…Eh…Você têm namorado?
- Eu não acredito em namoro.
-Você acredita que o homem forjou a viagem à Lua e não acredita em namoro?
- Eu acredito em sexo se é isso que está interessado.
Teaser:
Chamada:
– cercando-se com seus animais de estimação ou miniaturas de animais, imite os movimentos distintos do ator e use-os para formular um sigilo físico enquanto você o encena em seu espaço ritual escolhido.Faça isso enquanto você TORNA-SE Dionísio como Ace Ventura.Lembre-se o que acontece com o senso de si mesmo e pense nas formas de usar estas qualidades “divinas” que convocou para si ( ou conseguiu de seu “subconciente”, dependendo de quais modelos você escolheu para explicar suas experiências).
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