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Confissões de um Legender

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Happy Talk Like a Pirate Day!
Creative Commons License crédito: Sister72

Quem são as pessoas que fazem as nossas legendas? Que gastam horas traduzindo, sincronizando e revisando legendas? Bem, eu sou uma delas. Já legendei alguns episódios de seriados, alguns filmes e documentários. A legenda que mais gostei do resultado final foi do filme “Um Beijo A Mais”, que no original se chama “Last Kiss”.

Fiz e faço sem ganhar nada. Acredito que os grupos que se organizam e criam sites devam gerar algum dinheiro com anúncios devido ao grande volume de pessoas buscando legendas para suas paixões, porém sou um pouco cético quanto à rentabilidade disso e acredito que eles realmente façam por amor. Quem deve ganhar dinheiro mesmo é os grandes agregadores de legendas que só tem o trabalho de agregar todo o trabalho feito pela paixão de muitos.

O Bom, O Mau e o Feio

Um dia você se senta em frente ao computador com um objetivo: legendar. Há todo um prazer em traduzir satisfatoriamente uma linha de diálogo, encontrar a palavra certa, mesmo que passivamente participar do processo criativo do filme. Você está cansado, sentado ali há oito horas e vê que faltam poucas linhas, quase cem. E você continua. Legendar não é só uma atividade intelectual, mas física. Geralmente em seriados isso é mais simples, o tempo é menor e geralmente eles atraem mais pessoas, dividindo o trabalho entre eles. Mas legendar um filme sozinho leva horas e horas. Eu vejo como uma maratona, o importante é ir mantendo o ritmo e a vontade de vencer. Essa é a parte boa.

Mas há a parte má. Quando você está pelos 90% resolve descansar e acessa alguns sites, e então vê que alguém acabou de legendar o filme que você estava se dedicando tanto. É realmente frustrante.

O feio é você ter que receber comentários sem ponto ou objetivo. Comentários grosseiros reclamando de você ter comido uma maldita letra ou escrito algo errado. O engraçado mesmo é que geralmente essas críticas são escritas em uma língua vagamente parecida com a nossa e sempre se esquecem de que aquele erro foi resultado de um pequeno deslize ou apenas o cansaço de ficar digitando todas as outras palavras que o mané está lendo na tela.

As pessoas que consomem legendas, aliás, quaisquer pessoa no mundo, deveriam ter contato com a estética wabi-sabi: Todas as coisas são impermanentes, Todas as coisas são imperfeitas, Todas as coisas são incompletas.

Porque não choro fim de sites

Por que quem faz legenda geralmente veste a “camisa do time”. Eles são fãs entusiasmados da série, do diretor ou achou a sinopse ou o filme bacanas o suficiente para querer compartilhar com quem quisesse. E eles disponibilizam no Orkut e em blogs temáticos as legendas. Isso mesmo. Na verdade, nunca se precisou de um site centralizador, mas acredito também que para uma pessoa média ter que encontrar uma fonte diferente para cada série que assiste seria exigir demais de sua capacidade de raciocínio.

Outra, não sejam ingênuos. Eles ganham dinheiro com os sites. Se você fosse abrir precisaria do domínio e da hospedagem. E isso já é um certo custo. Eles tinham anúncios, senão me engano para o Mercado Livre. Agora estão com uma barra de “doações”, que já chegou aos 100% e as pessoas nem se deram ao trabalho de saber qual a quantia total. Com o pânico de não ter acesso às legendas (infundado), as pessoas devem ter doado muito mais do que eles precisam.

Engraçado mesmo foi gente por aí defendendo os sujeitos como bons-samaritanos e tal. Eu não choro fim de sites e até sou partidário da distribuição descentralizada. É mais difícil de ser rastreada, de ser tirada do ar, etc. E já é plenamente funcional.

Próximos projetos

Só os interrompi por enquanto pois comecei a fazer faculdade (Comunicação Social) e estou envolvido em voluntariado e talvez um projeto muito bacana de website, então quero preciso encontrar o novo ritmo para traduzir as legendas mas estes eram os dois projetos atuais.

The Century of the Self

Adam Curtis já é o melhor diretor de documentários que tive o prazer de assistir. Esta série de quatro episódios de uma hora cada fala sobre como as idéias de Freud foram usadas para guiar e criar o consumismo nas massas.
Release: Adam Curtis – The Century of the Self in Documentary

Gonzo: The Life and Work of Dr. Hunter S. Thompson

Provavelmente alguém vai terminar antes de mim. Deve estar nos 20%. É sobre Hunter Thompson e o chamado jornalismo gonzo. Acredito que pelo peso do jornalista não vai escapar muito tempo de ganhar uma legenda decente.
Release: Gonzo[2007]DvDRipQuakerX

Vale a pena?

Vale enquanto você estiver se divertindo.

Arrrrh
Creative Commons License crédito: Su? ?

Significado dos Nomes | EQM

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nada é por acaso. É o que alguns dizem. Pessoalmente tenho minha dúvidas e até prefiro manter assim. Acho uma boa dose de dúvidas muito saudável, obrigado. Mas em se tratando de obras de ficção talvez essa seja uma grande verdade. Podemos dirigir cada pequeno pedaço e construí-lo da forma que quisermos. Para alguém que cria, nada é – realmente – por acaso. Resolvi dividir com vocês minhas motivações atrás de cada um dos nomes dos personagens do livro.

Ibrahim Cesar

Vou começar com meu primeiro nome, “Ibrahim”. Foi uma escolha muito simples: minha mãe apenas me deu o nome do obstetra que realizou a minha operação. É antes uma apropriação do nome, que ela gostou, do que uma homenagem propriamente dita. Além disso é Abraão em árabe, se pronunciando muito próximo (algo como eibreirêm, ou algo assim), que é o patriarca das principais religiões monoteísta do mundo: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. O meu segundo nome foi por adicionado por pedido de minha irmã, Fábia Adriana, que por possuir dois nomes queria que o mesmo fosse feito comigo. Procuro pensar em “Cesar” como um eco de Júlio César.

“Abraão” e “Júlio César”, nada mal, não acham?

Jonas Arcádio da Silva

“Jonas” é simplesmente a forma com que meu pai (1956-2003) era chamado por sua família. Esse devia ser seu nome, mas um erro no cartório o batizou exatamente da mesma forma com que meu avó, e nem mesmo tinha o “júnior” no nome. Meu pai era “João”, mas devia ser “Jonas”. O que reforçou a escolha do nome foi a idéia do herói na barriga da baleia, um arquétipo muito interessante. E havia a canção “My Name Is Jonas”, do Weezer.

“Arcádio” vêm do sobrenome da família de “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Marques, que é um marco do realismo mágico. Como a história teria uma parte flertando com o gênero achei muito apropriado. E sua relação com Arcádia, o reino das fadas, reforçou a escolha.

“Da Silva” simplesmente por ser o sobrenome mais comum no Brasil. Queria que ele representasse um tipo brasileiro, do qual faço parte, que ainda não havia se visto descrito nas páginas de livros nacionais. E um dos meus melhores amigos, Raudinei, carrega o “da Silva” no nome.

Falls das Neves

“Falls” é realmente um nome francês, pelo menos é assim que uma garota chamada Falls me disse. Adorei o nome dela e resolvi usá-lo já que não planejo me reproduzir (isso não exclui intercursos sexuais recreativos é bom frisar). Mas guarda, no contexto da história, conotações muito interessantes, já que em inglês pode significar “queda”, “salto”, “deslize” e é claro, minha estação predileta, Outono.

O sobrenome foi incluído apenas por propósitos cômicos.

George Lethe

George é minha contribuição à extensa lista de Georges que eu aprecio. George Bluth, George Michael e G.O.B (Arrested Development), George Harrison, George O’Malley, George Orwell, George Clooney, Regina George, George Lucas…Só tire da conta os Georges do mal, como o Bush.

“Lethe” seria o nome original da “Novo Caminho”, como quis privilegiar a empresa de “O Homem Duplo” de Philip K. Dick para o nome da mesma, tive que me livrar de “Lethe” mas era um nome que eu apreciava muito. Não tinha uma significância muito grande antes já que é um dos cinco rios que cortam o Hades, sendo o rio do esquecimento. Todos que bebem dele perdem suas memórias. Seria um ótimo nome para a Lacuna Inc de “Brilho Eterno” se o seu já não fosse perfeito. E “Lethe” também era o nome de uma ninfa, filha de Éris.

Regina

É o nome de Jenna Fischer, atriz que interpreta Pam Beesley no seriado “The Office”. Jenna é um apelido para Regina. Seu comportamento e personalidade é baseada em Ângela, uma personagem também de “The Office”.

Tomás de Torquemada

É o nome do mais célebre dos Grandes Inquisidores (o maior cargo na Ordem da Inquisição). Foi o responsável pela Inquisição Espanhola. Junto com o tirano de Florença Girolamo Savonarola, simbolizou a face intolerante da história da Igreja Católica. Com eles, as fogueiras estiveram sempre acesas, para desespero de judeus, mouros e hereges.

O nome original deste personagem era Yolesmas Crisbeles, mas achei ele obscuro demais.

Dr. Roberto Mouir & Dr. Patrick Kafka

Nas primeiras versões da história, eles era personagens bem mais cômicos, chegava a ser pastelão. Mas não conseguia casar esse lado com a história de Roberto, mas os nomes ficaram e seriam uma homenagem ao desenho animado “Bob Esponja”. “Bob” é apelido de Robert, Roberto e Patrcik obviamente, Patrick Estrela.

Os sobrenomes referem-se à morte em francês (Mouir) e um grande escritor que eu gosto (Franz Kafka).

Sarah & Larissa Mouir

Se Sarah existe e sua função é muito clara, deve-se a uma canção da banda Death Cab For Cutie, “What Sarah Said”. Foi uma música que me ajudou a passar um período muito difícil e ajudou enquanto planejava essa história (levei 5 anos fazendo isso).

Larissa foi o nome da primeira garota por quem tive uma queda. Foi um desastre. Mas o nome é grego e significa “cheia de alegria”, o que dá uma dimensão de sua perda.

Os Renascidos

Edgar: Edgar Allan Poe (escritor)
Arthur: Arthur Schopenhauer (filósofo)
Frederico: Frederich Nietzsche (filósofo)

Mors Ontologica & Novo Caminho

“O Homem Duplo” de Philip K. Dick é a chave aqui. O primeiro,”morte” e “ontologia” (latim), pode significar tanto “o sentido da morte” quanto “a morte do ser”. É o nome científico da flor azul que produz a Substância D (de Death, morte).

“Novo Caminho”, como dito antes, é a empresa da história. New Path no original, acolhe os dependentes e os desintoxica dessa droga, no entanto, ela é também responsável por produzir a droga.

Método Ars Moriendi

É o nome de um livro da Idade Média sobre “a arte de morrer”.

Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam

Outro nome cogitado: Viagens à Terra Não Descoberta (usado ao longo do livro).

Foi uma frase que pareceu em um biscoito da sorte no décimo episódio da segunda temporada de “Veronica Mars”, com Kristen Bell: “True Love Stories Never Have Ends”, com os números da sorte: 4 8 15 16 23, 42. Sempre foi um dos meus seriados prediletos e a frase mexeu muito comigo.

Mais tarde descobri que o escritor Richard Bach, autor de Fernão Capelo Gaivota (eu não li), teria usado essa frase e sobre seu relacionamento com Leslie Parrish disto:

“Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com nossas chaves e cujas chaves coincidem com nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser completa e honradamente quem somos. Cada um descobre a melhor parte do outro. Não importa o que esteja errado à nossa volta, com essa pessoa estamos seguros em nosso próprio paraíso. Nossa alma gêmea é aqule que compartilha nossos profundos anseios, nosso senso de direção. Quando nós somos dois balões, e juntos nossa direção é para cima, então nós encontramos a pessoa certa. Uma alma gêmea é aquele que nos traz vida à vida”.

O sentimento de encontrar “…aquele que nos traz vida à vida”, é precisamente o que Jonas encontra em Falls. É usado no fim do livro e seria o título do livro.