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Magia & a Subversão do Cotidiano

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Na minha jornada pelo livro “O Homem e seus Símbolos”, do Jung, notei que o velhinho é bastante incisivo quanto aos males que a civilização contemporânea causa (na época dele, o mundo estava dividido entre o Ocidente capitalista & o Oriente comunista, algo que ele considerava uma “esquizofrenia”. Para mais detalhes, leia o livro.). Explico: ele argumenta que o distanciamento dos instintos básicos não nos destituiu dos instintos, apenas os tirou do limiar da consciência, forçando-os a serem desenvolvidos no inconsciente. Para Jung, o inconsciente tem a capacidade de criar & desenvolver idéias (por isso mesmo algumas pessoas têm momentos de epifania, ou insights surgem nonada); assim, quando esses instintos desenvolvidos pelo inconsciente se manifestam, ocorrem em forma de neuroses, “humores inexplicáveis, esquecimentos inesperados ou lapsos de palavra”.

Além de o afastamento das nossas raízes naturais nos causar problemas mentais – o que, indubitavelmente, caso um estudo mínimo da psicologia junguiana seja feito, é comprovado – o ser humano perde muito do caráter místico do mundo devido à ciência e ao excesso de racionalismo. Para uma pessoa instruída, o impacto de começar a ouvir vozes é infinitamente maior do que num primitivo: enquanto o primeiro vai entrar em desespero por se imaginar louco, o segundo considera algo natural (em seu universo cultural), ou seja, um fantasma, demônio ou algo parecido. Mais que isso, conhecer a Natureza com a frieza & objetividade científicas nos afasta da Natureza, o que nos deixa com as ameaças de problemas (e, para não ser hipócrita, problemas reais, como o desmatamento da Amazônia, que está longe de ser uma irrealidade & problema hipotético) com as quais convivemos.

Porém, ainda há outro déficit que o ser humano adquire com um exacerbado nível de “civilização”: por exemplo, é muito mais opressor imaginar que se é um em seis bilhões e cem mil de organismos iguais do que não ter conhecimento de quantos seres humanos existem por aí. O niilismo, o vazio existencial, quando tomado como um fim & destituição de qualquer sentido da vida humana, nos causa uma enorme opressão. Hoje não somos mais filhos de um deus, não temos rituais que não sejam o Fabuloso Ritual da Compra ou a Peregrinação ao Shopping, nada mais tem um valor místico, não existem casas mal-assombradas, espíritos da floresta, et cetera. Nas palavras do próprio psicólogo, o que perdemos “é a consciência de que a vida tem uma significação mais ampla que eleva o homem acima do simples mecanismo de ganhar e gastar”.

O misticismo continua no mundo subjetivo – se manifestando em forma de religiões, de crendices, de medos irracionais quanto a fantasmas, etc. – mas, para a coletividade, ele praticamente inexiste. Novamente, por existir somente no nível subjetivo, e pela mente consciente estar majoritariamente ocupada com a linha racional de pensamento, essas crenças & este misticismo é jogado para o inconsciente, e esta separação, este engavetamento do que é consciente e inconsciente, essa padronização do que ocupa nossa mente e do que ocupa ela no nível que não controlamos, é o que causa inúmeros problemas mentais diferentes, que são verificados na prática, pelos psicólogos.

A partir de agora, irei um pouco além do Jung dentro das consequências desta falta de irracionalidade do mundo contemporâneo.

A Magia do Caos é posterior ao velho, que morreu em 1961, e é um movimento de magia freestyle com uma expressividade grande no mundo todo. Por não exigir nenhum vínculo com ordens & coisas do tipo, além de ter uma comunidade independente ativa, sempre a discutir idéias e produzir textos, bem como dar um valor muito grande à imaginação. A Magia do Caos é, basicamente, uma metacrença – ou seja, um apanhado de crenças intercambiáveis, escolhidas & até mesmo inventadas pelo praticante.

Uma das grandes sacadas dos caoístas (é assim que se designa um “praticante de magia do caos”) é a utilização do espaço público, ou seja, do mundo como elemento mágicko. Por exemplo, o xamanismo urbano; ele propõe a conversação com deuses, espíritos & outras entidades que viveriam nas cidades, ou ainda advindas da tecnologia. Talvez essa idéia tenha raízes ainda mais profundas, na psicogeografia e na deriva propostas pelos situacionistas. Essas práticas tinham como objetivo dar um novo significado à cidade, tomá-la emocionalmente, simbolicamente, etc. Obviamente que muitos consideram besteira, mas Jung concordaria; ademais, os reacionários costumam rir das idéias que lhes dão mais medo. O Ar Superior & Besta é nada mais que uma égide velha e desgastada.

Quero dizer mais duas coisas, a partir de aqui: a primeira é que a magia do caos é um movimento que surgiu em decorrência destes déficits que Jung considera, avalia & demonstra como prejudiciais. A segunda coisa, é que este movimento encerra em si mesmo a solução para os problemas constatados por ele: a criação de novos mitos (com a adequação dos antigos arquétipos para nossa realidade contemporânea), a possibilidade de crer naquilo que for necessário, a importância da criatividade & imaginação ressaltada, a retomada do uso ritualístico do corpo, do mundo, das idéias, e por aí vai.

Só resta lembrar que isto não é uma “adequação do mundo capitalista às necessidades psicológicas”, e sim um movimento que põe em xeque, inclusive, o sistema como um todo, e sua necessidade de organização hierárquica. Basta saber que Hakim Bey apóia as religiões livres como um meio de ativismo muito eficaz – e, eu diria, muito mais eficaz que qualquer destes ativismos politizados que se encontre por aí. Mais até que o Fórum Social Mundial.

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Um Pouco sobre o Misoneísmo

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Jung fala (e fala muito bem) sobre o misoneísmo no primeiro capítulo de seu livro O Homem e seus Símbolos. A título de melhor compreensão disso, vejam:

Já assinalei a existência, entre os povos primitivos, daquilo a que os antropólogos chamam “misoneísmo”, um medo profundo e supersticioso ao novo. Ante acontecimentos desagradáveis, os primitivos têm as mesmas reações
do animal selvagem. Mas o homem “civilizado” reage a ideias novas da mesma maneira, erguendo barreiras psicológicas que o protegem do choque trazido pela inovação. Pode-se facilmente observar este fato na reação do indivíduo ao seu próprio sonho, quando ele é obrigado a admitir algum pensamento inesperado. Muitos pioneiros da filosofia, da ciência e mesmo da literatura têm sido vítimas deste conservadorismo inato dos seus contemporâneos.
A psicologia é uma das ciências mais novas e, por tratar do funcionamento do inconsciente, encontrou inevitavelmente o misoneísmo na sua forma mais extremada.

Eu venho constatando, e com toda a certeza não vou falar nada de novo aqui, que expor algumas ideias é extremamente difícil. Por exemplo: alguns escritores como Hakim Bey juntam elementos como magia & anarquismo num todo inovador, porém de difícil compreensão, talvez por se tratar de conhecimentos simbólicos e totalmente marginalizados pela figura da radiante “razão”, que parece substituir o deus cristão cada vez mais.

Quando tento discutir onde a revolução falhou, e como podemos aprender com isso & nos utilizar destes conhecimentos para conseguir algum resultado real, com um marxista, por exemplo, geralmente sou vítima do misoneísmo. Coisas como “anarquismo ontológico” são totalmente desconhecidas; as pessoas sabem quem foi Bakunin, mas nunca leram uma linha daquilo que é chamado “anarquismo tipo-3″ ou pensamentos “de vanguarda” que eu posso citar. O trabalho zero é uma ideia refutada com risadas, não argumentos.

Então, é engraçado notar como aqueles que falam em nome da igualdade, do resultado, da ação, da subversão, são limitadas a uns preconceitos fundamentados na crença de que a visão deles é a única. Eu também devo ser vítima disso; por exemplo, não vejo com muitos bons olhos o anarquismo cristão, muito embora saiba muito pouco do assunto. Quando falo de criar um movimento que seja funcional no agora, geralmente me refutam com a ideia de que, primeiro, devemos derrubar o sistema inteiro. Ora, por mais argumentações que faça, nunca vou convencer, pois o poltergeist do misoneísmo está sempre à espreita, esperando para enxotar & ridicularizar as ideias & insights totalmente novos.

Por mais que eu acredite que derrubar uma antena transmissora de televisão seja mais efetivo que qualquer passeata – raramente elas conseguem seus objetivos -, essa noção das coisas é tomada como um absurdo (talvez seja, mas nosso mundo já é um absurdo…), sem nem ao menos ser considerada. Talvez seja algo trabalhado pela própria mídia, talvez algo explicável simplesmente pela psicologia de Jung. Mas, pelo menos pra mim, alguns pontos de vista exóticos deveriam ser compreendidos antes de julgados. Para aqueles que possam se defender em sua incompreensão das ideias novas dizendo que conhecem centenas de milhares de autores diferentes, um velho ditado zen dizia que quanto mais você sabe, menos você compreende.

Conspiracy reloaded
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Como Presentes Ruins Afetam Relacionamentos

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Spare Giving...
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Comprar presentes de Natal é sempre trabalhoso: difícil de encontrar, difícil para sua conta bancária e difícil sentimentalmente. Algumas vezes é como se fosse muito trabalho por pouca coisa. Aqueles mais próximos e queridos assumem que você os conhece bem o suficiente para lhes dar um presente decente, então dar algo errado reflete negativamente no relacionamento.

Pesquisas psicológicas em como presentear afetam relacionamentos sugerem que é uma situação sem vencedores. Estudos sugerem que bons presentes apenas afirmam similaridades entre casais, e assim fazem pouco pelo relacionamento. Presentes ruins, no entanto, podem levar as pessoas a questionar sua similaridade com o outro, assim danificando o relacionamento. Estudos tendem a se focar em como presentear afetam a percepção da similaridade pois encontrar um “espírito de afinidade” é pensado como central para relacionamentos bem sucedidos e seguramente prevê relacionamentos satisfatórios ((Murray et al., 2002)).

Mas uma nova pesquisa de Elizabeth W. Dunn na University of British Columbia e colegas, publicado no jornal Social Cognition, sugere que homens e mulheres reagem um pouco diferentes a curto prazo após receber bons e maus presentes ((Dunn et al., 2008)) .

Presentes para estranhos

Para testar suas teorias, Dunn e seu colegas montaram dois experimentos, cada um com uma virada em seu final. No primeiro experimento, os participantes (estudantes na University of Virginia) foram colocados para conversar com alguém do sexo oposto por quatro minutos. Após isso eles deviam selecionar um presente para seu novo amigo de uma lista de vale-presentes de uma variedade de lojas e restaurantes. A idéia era que cada participante então olharia para o presente escolhido para ele e então analisaria sua percepção da similaridade com a outra pessoa.

Aqui está a virada: antes do experimento cada participante foi questionado para ranquear certificados de presentes de forma que eles quisessem recebê-los. Então os pesquisadores simplesmente davam essas preferências diretamente para os participantes assim que tinham seu novo amigo. Para metade dos participantes foi dito que a outra pessoa escolheu seu predileto, e para a outra metade sua última escolha. Isto criou duas condições: aqueles que ganharam aquilo que queriam e os que não.

Quando os pesquisadores olharam para as notas de percepção de similaridade, os resultados mostraram uma significativa diferença em como homens e mulheres reagem a presentes bons e ruins. Os homens que ganharam aqueles que queriam perceberam-se como mais similares à presenteadora, sugerindo que o melhor presente teria um esperado efeito positivo no relacionamento. As mulheres, no entanto, pareceram ser relativamente inalteradas seja o presente bom ou ruim.

Desta descoberta surgiu uma dúvida: bons presentes não deveriam aumentar a similaridade percebida para as mulheres tanto quanto para os homens? Uma possível solução para isto emergiu no segundo experimento.

Presentear em relacionamentos estabelecidos

Ao invés dos participantes que nunca se encontraram antes, o segundo experimento envolveu homens e mulheres que já estavam em relacionamentos (heterossexuais). Fora isso, o experimento foi quase idêntico ao anterior, com a mesma manobra de cada um receber aquilo que para eles eram os melhores (ou piores) presentes. A única diferença foi que junto com a questão sobre a similaridade percebida com o parceiro, cada um foi também questionado quanto tempo esperavam que seu relacionamento durasse após o presente.

Novamente, homens que receberam presentes ruins perceberam menos similaridade com suas parceiras, e pensaram que seu futuro juntos era significativamente menor – como esperado. Mas desta vez as mulheres que receberam os presentes ruins de seus parceiros na verdade viam a similaridade percebida com seus parceiros como maior e pensavam que seu relacionamento durariam por mais tempo do que aquelas que recebiam o presente melhor. Agora, o que estava acontecendo?

Mecanismo de defesa psicológico

Dunn e seus colegas explicam que quanto mais desafio as mulheres sentem a seu relacionamento (i.e. o presente ruim), mais elas tentam se proteger contra essa ameaça. Com a pessoa no primeiro experimento não havia muito relacionamento a proteger, então o presente ruim não tinha efeito comparado ao bom. Mas quando se tratava de relacionamentos substanciais existente para proteger, as mulheres eram motivadas a se proteger contra esta ameaça em potencial. Os homens, ao contrário, não fazem tal esforço, dizendo que eles não gostaram da escolha de sua parceira, e por extensão, das mesmas.

Agora, antes que os homens comecem a pensar em usar estes experimentos para justificar dar a suas parceiras presentes ruins, lembrem-se de que estes estudos são de curto prazo e provavelmente apenas representam os primeiros instintos de homens e mulheres ao receber presentes bons e ruins.

A verdadeira lição é que mulheres são mais motivadas que os homens a criar mecanismos de defesa psicológica para se proteger contra os efeitos danosos de presentes ruins. A longo prazo a história é praticamente a mesma para ambos os sexos: presentes ruins danificam relacionamentos ao não recompensar aquilo que está nos corações; o sentimento de que neste vasto, vasto e cruel mundo você encontrou alguém que o entende e sabe o que você gosta.

Adaptado daqui.

Você Confia em seus Julgamentos? Conheça o Efeito Halo

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O ‘”efeito halo” é uma clássica descoberta em psicologia social. É a idéia de que avaliações globais sobre uma pessoa (i.e. ela é agradável) sejam derivadas de julgamentos sobre traços específicos (i.e. ela é inteligente). Estrelas de Hollywood demonstram o efeito halo perfeitamente. Porque por serem muitas vezes atraentes e agradáveis, nós naturalmente assumimos que eles também são inteligentes, amigáveis, fazem bons julgamentos e assim por diante. Isto é, até que tenhamos (às vezes plenas) evidências do contrário. Mas o efeito halo está em todos os lugares. O chefe que considera uma pessoa um bom funcionário apenas por nunca chegar atrasado ou acharmos alguém especial só por ter dado o mínimo de atenção.

E da mesma forma, políticos usam o “efeito halo” em vantagem própria tentando parecer amigáveis, sem mostrar quase nenhum conteúdo. As pessoas tendem a considerar suas políticas boas, pois a pessoa parece ser boa. É simples assim.

Mas poderíamos pensar que podemos pegar esses “erros” de julgamento simplesmente em introspecção e de certa forma, retraçar nosso processo de pensamento de volta ao erro original, certo? Nos anos 1970, um reconhecido psicólogo social Richard Nisbett se dispôs a demonstrar quão pouco é realmente o nosso acesso aos processos de pensamento em geral e em particular no efeito halo.

Aulas agradáveis

Nisbett e Wilson queriam examinar a forma com que estudantes faziam julgamentos sobre uma aula (Nisbett & Wilson, 1977). Aos estudantes era dito que a pesquisa estava investigando avaliações dos professores. Especificadamente, era dito, os pesquisadores estavam interessados em como os julgamentos variavam dependendo da quantidade de exposição que os estudantes tinham a uma aula em particular. E isso era uma mentira total.

Na verdade os estudantes estavam divididos em dois grupos que iriam ver dois vídeos diferentes da mesma aula, que teria um forte sotaque belga. Um grupo viu a aula e respondeu uma série de questões de maneira amigável. O segundo grupo viu a mesma aula e respondeu a uma série de questões de maneira fria e distante. Os pesquisadores tornaram óbvio qual dos alter-egos das aulas seria mais agradável. Em uma ele demonstrava gostar de ensinar e dos estudantes e em outra ele aparecia como uma figura autoritária que não gostava nenhum pouco de ensinar.

Após cada grupo de estudantes ver os vídeos, eles foram questionados a avaliar o lecionador na aparência física, maneirismos e mesmo em seu sotaque (os maneirismos foram mantidos os mesmos nos dois vídeos). Consistentemente com o efeito halo, os estudantes que viram a encarnação “agradável” do lecionador o viram de forma mais atraente, seus maneirismos mais simpáticos e mesmo seu sotaque de forma mais interessante. O que não foi surpresa nenhuma e apenas confirmava o efeito halo.

Julgamentos inconscientes

A surpresa é que os estudantes não tinham idéia de porque darem notas maiores, mesmo após terem lhe dado outras chances. Após o estudo foi sugerido a eles o quanto eles gostaram do lecionador poderia ter afetado suas avaliações. Ainda assim, a maioria disse que o quanto eles haviam gostado do mesmo não havia afetado suas avaliações de suas características indivíduais de forma nenhuma.

Para aqueles que viram-o de forma negativa os resultados foram ainda piores – os estudantes perceberam isso da forma errada. Alguns pensaram que suas avaliações de suas características individuais afetaram a avaliação global de sua agradabilidade.

Mesmo após isso, os pesquisadores não ficaram satisfeitos. Eles entrevistaram os estudantes novamente para perguntar se era possível que suas avaliações globais do lecionador tivessem afetado suas avaliações dos atributos individuais. Da mesma forma, os estudantes disseram que não. Eles estavam convencidos de que eles fizeram seu julgamento sobre a aparência física do lecionador, maneirismo e sotaque sem considerar o quão agradável ele era.

Usos comuns do efeito halo

O efeito halo em si mesmo é fascinante e agora bem conhecido no mundo dos negócios. De acordo com o “Reputation Marketing” de John Marconi, livros que possuem estampado “Harvard Classics” em suas capas podem ter o preço duas vezes do mesmo livro sem o sinal da Harvard. O mesmo é verdade na indústria da moda. A adição do nome de um bem conhecido fashion designer em um simples par de jeans pode inflacionar seu preço tremendamente.

Mas o que o experimento demonstra é que ainda que possamos entender o efeito halo intelectualmente, nós muitas vezes não temos idéia de quando ele está acontecendo. Isto é o que o torna tão útil a marqueteiros e políticos. Nós naturalmente fazemos esse tipo de julgamento demonstrados no experimento sem ao menos nos darmos conta. E então, mesmo quando nos é apontado, nos iremos continuar negando isso.

Então, da próxima vez que for votar, considerar comprar um par de jeans ou se gosta de alguém, pergunte-se se o efeito halo não está operando. Você realmente está avaliando os tratos da pessoa ou produto que acredita estar? Esta simples checagem podem evitá-lo de votar na pessoa errada, gastar seu dinheiro ou rejeitar alguém que seria um amigo leal ou que poderia lhe doar um rim. Ou talvez, mesmo que faça essa checagem, você continue sem nunca saber…Que puxa!

Referência

Nisbett, R. E., & Wilson, T. D. (1977). The halo effect: Evidence for unconscious alteration of judgments. Journal of Personality and Social Psychology, 35(4), 250-6.

Adaptação

Dean, Jeremy. The Halo Effect: When Your Own Mind is a Mystery. PsyBlog, 2007.

Tough Decisions
Creative Commons License crédito da foto: jessie.whittle. O 1001 Gatos apóia Obama, mesmo que só seja culpa do efeito halo.

Seu Cérebro Toma Suas Decisões Antes de Você

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Você pode achar que decidiu ler esta história — mas na verdade, seu cérebro fez a decisão bem antes de você saber a respeito.

Em um estudo publicado domingo pela Nature Neuroscience, pesquisadores usando escaneadores cerebrais puderam prever as decisões das pessoas sete segundos antes daqueles sujeitos aos estudos estarem conscientes de tê-las feito.

A decisão estudada — se aperta o botão com a mão esquerda ou direita — pode não ser representativo de escolas complicadas que são mais integralmente associadas com nosso senso de auto-direção. Memo assim, esta descoberta desperta profundas questões sobre a natureza do ser e autonomia: O quão livre é nossa vontade? A escolha consciente é apenas uma ilusão?

Direto da Wired.

Para mim, a questão levantada é muito mais sobre a natureza do ser. O que o estudo mostra não é sobre o nosso “livre-arbítrio”, afinal apenas mostra que agimos fisicamente e temos consciência disso após uma decisão fisiológica. O “livre arbítrio” ainda seria mantido, mas se assumissemos que o ser é a fisiologia cerebral, o que levaria as mais diversas concepções ramificações. Um, não há alma. Se existe algo tal como alma, nesse caso sim, não existiria livre-arbítrio, já que a alma seria dirigida pelas funções químicas do cérebro. Mas para mim, isso apenas depõe contra a teoria dualista de Descartes, contra a idéia do fantasma na máquina.

O que acham?


Creative Commons License crédito: seq. Se a vida é toda a respeito de escolhas, e se nem sobre elas tivermos controle nenhum? E agora, quem poderá nos defender?