RIO CLARO, SP — Sentado em uma lanchonete, o auxiliar de escritório Jacinto Esmegma aparenta ser tão normal e bem ajustado quanto qualquer um. Mas, há mais do que podemos ver nesse sujeito de 27 anos: Jacinto recentemente terminou de ler um livro.
Sim, a coisa toda.
“Foi demais,” disse o Rio Clarense, que, mesmo tendo uma televisão e uma vida social ativa, leu cada uma das páginas de “O Alquimista” de Paulo Coelho. “Especialmente a parte sobre o Universo conspirar a nosso favor. Muito bom”.
Esmegma, que nunca pulou algumas páginas para ver o que iria acontecer e se esquivar de longas passagens em busca de figuras, começou sua bizarra jornada uma semana atrás. Três dias depois, o excêntrico paulista continuava lendo, completando capítulo após capítulo, aparentemente por vontade própria.
“A coisa toda me absorveu”, disse jacinto, referindo-se não a um filme, video game ou esportes competitivos, mas a uma novela completa com 192 páginas inteiramente cobertas com palavras. “Havia dias em que era difícil deixar de ler”.
Ainda mais bizarro, Esmegma acredita-se tenha feito a maior parte de sua leitura durante seu tempo livre — tempo em que ele este saudável e estável morador local poderia literalmente fazer qualquer coisa, estar surfando na internet, tirando uma soneca ou simplesmente olhando para o teto de seu quarto.
“Seria legal lê-lo de novo em algum momento”, Jacinto continuou, como se fosse uma coisa perfeitamente natural de se dizer.
Embora seja difícil para eles imaginarem o que fez Esmegma ler mais do que a resenha do livro, amigos e família dizem que o estranho comportamento vêem de sua infância.
“Eu me lembro de quando ele era bem pequeno, ao invés de pegar um livro, ficar entediado, e então jogar isso em sua irmã, ele na verdade se sentava e lia a coisa toda,” disse a sua mãe Maria Esmegma, que declarou ter desistido de tentar explicar o hobby estranho de seu filho. “Naquele tempo, nós achávamos que era apenas uma fase que ele estava passando. Acho que nós estávamos errados”.
Com o passar dos anos, Jacinto leu dúzias de livros do começo ao fim, sendo ou não forçado a isso por um professor ou existindo um filme baseado no livro ou não. De acordo com a sua namorada, Florentina Assis, ele até mesmo utiliza um objeto de papelão especialmente para que ele possa saber onde ele parou de ler e depois retornar ao exato ponto onde parou.
“Eu costumava achar a leitura dele meio que charmosa, pois eu nunca realmente encontrei ninguém que leia fora de salas de espera,” Florentina disse. “Mas mais e mais, está ficando estranho, entende? Ele não pode nem mesmo ir à praia sem levar um de seus livros junto”.
De acordo com a psicóloga comportamental, Dr. Elizabete Silva, a leitura de livros inteiros por Jacinto reading é anormal e pode ser indicativo de uma obsessão séria com leitura.
“Ao invés de apenas olhar a paisagem em uma viagem de ônibus ou gastar horas após horas vendo vídeos no YouTube à noite, o Sr. Esmegma, ao contrário de muitos homens saudáveis, procura os livros por gratificação,” disse a doutora. “Realmente, é um caso clássico de comportamento desviado”.
“Ao menos, é o que parece da minha leitura superficial sobre o caso,” ela adicionou.
Tão bizarro quanto aparenta, ele não está sozinho. Uma vez por mês, ele e alguns residentes se encontram para não apenas ler livros mas também para discutir sobre eles.
“Eu não sei, é como esse estranho ‘clube do livro’ que ele faz parte,” disse Caio Moreira, um colega de trabalho e amigo de Jacinto. “Sério, que bando de aberrações”.
Adaptado à realidade local (e não deixa de ter um fundo de verdade), de um artigo publicado no The Onion.











