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Significado dos Nomes | EQM

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nada é por acaso. É o que alguns dizem. Pessoalmente tenho minha dúvidas e até prefiro manter assim. Acho uma boa dose de dúvidas muito saudável, obrigado. Mas em se tratando de obras de ficção talvez essa seja uma grande verdade. Podemos dirigir cada pequeno pedaço e construí-lo da forma que quisermos. Para alguém que cria, nada é – realmente – por acaso. Resolvi dividir com vocês minhas motivações atrás de cada um dos nomes dos personagens do livro.

Ibrahim Cesar

Vou começar com meu primeiro nome, “Ibrahim”. Foi uma escolha muito simples: minha mãe apenas me deu o nome do obstetra que realizou a minha operação. É antes uma apropriação do nome, que ela gostou, do que uma homenagem propriamente dita. Além disso é Abraão em árabe, se pronunciando muito próximo (algo como eibreirêm, ou algo assim), que é o patriarca das principais religiões monoteísta do mundo: Cristianismo, Islamismo e Judaísmo. O meu segundo nome foi por adicionado por pedido de minha irmã, Fábia Adriana, que por possuir dois nomes queria que o mesmo fosse feito comigo. Procuro pensar em “Cesar” como um eco de Júlio César.

“Abraão” e “Júlio César”, nada mal, não acham?

Jonas Arcádio da Silva

“Jonas” é simplesmente a forma com que meu pai (1956-2003) era chamado por sua família. Esse devia ser seu nome, mas um erro no cartório o batizou exatamente da mesma forma com que meu avó, e nem mesmo tinha o “júnior” no nome. Meu pai era “João”, mas devia ser “Jonas”. O que reforçou a escolha do nome foi a idéia do herói na barriga da baleia, um arquétipo muito interessante. E havia a canção “My Name Is Jonas”, do Weezer.

“Arcádio” vêm do sobrenome da família de “Cem Anos de Solidão” de Gabriel García Marques, que é um marco do realismo mágico. Como a história teria uma parte flertando com o gênero achei muito apropriado. E sua relação com Arcádia, o reino das fadas, reforçou a escolha.

“Da Silva” simplesmente por ser o sobrenome mais comum no Brasil. Queria que ele representasse um tipo brasileiro, do qual faço parte, que ainda não havia se visto descrito nas páginas de livros nacionais. E um dos meus melhores amigos, Raudinei, carrega o “da Silva” no nome.

Falls das Neves

“Falls” é realmente um nome francês, pelo menos é assim que uma garota chamada Falls me disse. Adorei o nome dela e resolvi usá-lo já que não planejo me reproduzir (isso não exclui intercursos sexuais recreativos é bom frisar). Mas guarda, no contexto da história, conotações muito interessantes, já que em inglês pode significar “queda”, “salto”, “deslize” e é claro, minha estação predileta, Outono.

O sobrenome foi incluído apenas por propósitos cômicos.

George Lethe

George é minha contribuição à extensa lista de Georges que eu aprecio. George Bluth, George Michael e G.O.B (Arrested Development), George Harrison, George O’Malley, George Orwell, George Clooney, Regina George, George Lucas…Só tire da conta os Georges do mal, como o Bush.

“Lethe” seria o nome original da “Novo Caminho”, como quis privilegiar a empresa de “O Homem Duplo” de Philip K. Dick para o nome da mesma, tive que me livrar de “Lethe” mas era um nome que eu apreciava muito. Não tinha uma significância muito grande antes já que é um dos cinco rios que cortam o Hades, sendo o rio do esquecimento. Todos que bebem dele perdem suas memórias. Seria um ótimo nome para a Lacuna Inc de “Brilho Eterno” se o seu já não fosse perfeito. E “Lethe” também era o nome de uma ninfa, filha de Éris.

Regina

É o nome de Jenna Fischer, atriz que interpreta Pam Beesley no seriado “The Office”. Jenna é um apelido para Regina. Seu comportamento e personalidade é baseada em Ângela, uma personagem também de “The Office”.

Tomás de Torquemada

É o nome do mais célebre dos Grandes Inquisidores (o maior cargo na Ordem da Inquisição). Foi o responsável pela Inquisição Espanhola. Junto com o tirano de Florença Girolamo Savonarola, simbolizou a face intolerante da história da Igreja Católica. Com eles, as fogueiras estiveram sempre acesas, para desespero de judeus, mouros e hereges.

O nome original deste personagem era Yolesmas Crisbeles, mas achei ele obscuro demais.

Dr. Roberto Mouir & Dr. Patrick Kafka

Nas primeiras versões da história, eles era personagens bem mais cômicos, chegava a ser pastelão. Mas não conseguia casar esse lado com a história de Roberto, mas os nomes ficaram e seriam uma homenagem ao desenho animado “Bob Esponja”. “Bob” é apelido de Robert, Roberto e Patrcik obviamente, Patrick Estrela.

Os sobrenomes referem-se à morte em francês (Mouir) e um grande escritor que eu gosto (Franz Kafka).

Sarah & Larissa Mouir

Se Sarah existe e sua função é muito clara, deve-se a uma canção da banda Death Cab For Cutie, “What Sarah Said”. Foi uma música que me ajudou a passar um período muito difícil e ajudou enquanto planejava essa história (levei 5 anos fazendo isso).

Larissa foi o nome da primeira garota por quem tive uma queda. Foi um desastre. Mas o nome é grego e significa “cheia de alegria”, o que dá uma dimensão de sua perda.

Os Renascidos

Edgar: Edgar Allan Poe (escritor)
Arthur: Arthur Schopenhauer (filósofo)
Frederico: Frederich Nietzsche (filósofo)

Mors Ontologica & Novo Caminho

“O Homem Duplo” de Philip K. Dick é a chave aqui. O primeiro,”morte” e “ontologia” (latim), pode significar tanto “o sentido da morte” quanto “a morte do ser”. É o nome científico da flor azul que produz a Substância D (de Death, morte).

“Novo Caminho”, como dito antes, é a empresa da história. New Path no original, acolhe os dependentes e os desintoxica dessa droga, no entanto, ela é também responsável por produzir a droga.

Método Ars Moriendi

É o nome de um livro da Idade Média sobre “a arte de morrer”.

Verdadeiras Histórias de Amor Nunca Terminam

Outro nome cogitado: Viagens à Terra Não Descoberta (usado ao longo do livro).

Foi uma frase que pareceu em um biscoito da sorte no décimo episódio da segunda temporada de “Veronica Mars”, com Kristen Bell: “True Love Stories Never Have Ends”, com os números da sorte: 4 8 15 16 23, 42. Sempre foi um dos meus seriados prediletos e a frase mexeu muito comigo.

Mais tarde descobri que o escritor Richard Bach, autor de Fernão Capelo Gaivota (eu não li), teria usado essa frase e sobre seu relacionamento com Leslie Parrish disto:

“Uma alma gêmea é alguém cujas fechaduras coincidem com nossas chaves e cujas chaves coincidem com nossas fechaduras. Quando nos sentimos seguros a ponto de abrir as fechaduras, surge o nosso eu mais verdadeiro e podemos ser completa e honradamente quem somos. Cada um descobre a melhor parte do outro. Não importa o que esteja errado à nossa volta, com essa pessoa estamos seguros em nosso próprio paraíso. Nossa alma gêmea é aqule que compartilha nossos profundos anseios, nosso senso de direção. Quando nós somos dois balões, e juntos nossa direção é para cima, então nós encontramos a pessoa certa. Uma alma gêmea é aquele que nos traz vida à vida”.

O sentimento de encontrar “…aquele que nos traz vida à vida”, é precisamente o que Jonas encontra em Falls. É usado no fim do livro e seria o título do livro.

O mundo é um terrível cliché

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Existem dois tipos de romances: Os que o casal tem tanta harmonia e semelhanças mas não fica junto e os em que os personagens são extremos opostos mas vivem “felizes para sempre”.

Na vida real, há dois tipos de relacionamento: Pessoas que dividem algumas afinidades e vivem felizes por um longo tempo e, se vierem a terminar, será por consenso mútuo e pode até dar lugar a amizade; e aquelas pessoas nada a ver uma com a outra, que quando O parar de tocar vão passar por uma separação difícil e traumática depois de brigas ou máguas não compartilhadas.

Homens e mulheres acabam sendo divididos em para e para-não casar. Se você não é um romântico, isso faz de você um cafajeste.

As idéias que hoje se tem de Romantismo são obsoletas. Romance não é uma utopia. É um processo diário que poucos compreendem. Não é montar um cavalo branco para tomar a moça em seus braços – isso se chama segundas intenções – é saber que a pessoa certa não existe, mas você encontrará várias tão legais quanto, com quem poderá passar bons momentos se se esforçar um pouco.

De repente, um estalo. Você passa a notar aquela pessoa em quem nunca reparara ou nunca vira mais gorda. Livros e filmes diriam que é amor a primeira vista, estudiosos, que é limerância. Esse é exatamente o problema dos “românticos-contos-de-fadas”: esperam eternamente que o inexistente apareça. Caem de ‘amores(?)’ pela primeira princesa que vêem na frente pra descobrir se tratar de uma sapa. O sentimento é banalizado.

Podemos chamar de cliché um roteiro tão incomum à vida real? Como temos tão forte em nossas mentes que se uma mulher séria e dedicada a carreira encontra um príncipe incuravelmente romântico e inconsequente, então eles deveriam passar o resto de suas juntos em um castelo enorme tendo dúzias de filhos? Essas certezas vêm de experiência própria?

Opostos de fato se atraem, mas permanecem juntos por quanto tempo? Por que tanta gente insiste em procurar princesas e sapos e esquece de investir tempo em seus relacionamentos para se apaixonar dia após dia, e quem sabe, alcançar amor verdadeiro? Será o medo de amar maior que o de se machucar, ou só não temos tempo para nenhum dos dois?

Talvez Holly Golightly tenha razão qundo diz não querer “possuir nada até achar um lugar que possa chamar de meu” (uma vertente do “amar a si antes de poder amar o outro”). Para saber, só nos resta experimentar e tomar cuidado para não perder a oportunidade por não reparar que já possui seu lugar, como a personagem de Audrey Hepburn fez.

E para o caso das coisas ficarem realmente ruins e você passar por um “mean red”, como se tivesse medo mas não soubesse do que, há duas lojas da Tiffany em São Paulo, na frente das quais você pode tomar seu café-da-manhã e tentar se sentir melhor ;)

ps: Se você não assistiu Bonequinha de Luxo, está perdendo um dos melhores filmes de todos os tempos e sugiro que conserte isso já!