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Amor, Sublime Amor

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Arthur entrou no costumeiro bar, sentou-se no lugar costumeiro do balcão; estava ansioso pelo jogo. Esperava fervorosamente que a Colômbia desbancasse o Brasil – mas é claro que não diria isso para o povo ali, ou seria enxotado.

- ‘Noite, Hetz. Feliz dia do Nietzsche.
- Boa noite, professor. Feliz dia do Bigode! – E Hetzlinger riu bastante. – E, ah, claro, feliz dia dos professores também. Veio assistir ao jogo, é?
- Podes crer. Nem me lembre que fui professor, argh. Me vê o de sempre.

O bartender começou a preparar a bebida do velho Arthur, e, enquanto este esperava pelo jogo, João chegou, batendo-lhe nas costas e desejando feliz dia do Bigode. Enquanto isso, o Jornal Nacional rolava solto na TV do bar e uma notícia chamou a atenção de João:

- Hoje, por volta das nove horas da noite, acabou o drama de Heloá, a jovem de 15 anos que estava sendo mantida como refém de seu ex namorado, Lindembergue Fernandes Alves, de 22 anos, inconformado com o fim do namoro… – o bartender abaixou o som da TV e comentou para Arthur e João:
-Horrível isso aí, não? Um cara desses merecia…
- Merecia nada, cara. – Arthur interrompeu Hetz, causando espanto neste e em João. – É mais que natural que esse tipo de coisa aconteça. E, depois, não é ele que está fazendo isso, mas o gênio da espécie.
- Xiiii, tu vais começar a viajar de novo, é, professor Schopenhauer? – o bartender falou, e voltou a limpar copos, deixando o volume da TV alto novamente. João, porém, após pensar um pouco, acabou por concordar com Arthur.
- Hetz, Arthur tá certo. Lembro de um trecho de EQM que fala sobre isso.
- EQM? – Arthur perguntou.
- É, o livro do rev. Ibrahim Cesar. Literatura discordiana. Nunca leu?
- Não, eu parei de ler.
- Parou de ler, mas e a bebida? – o velho filósofo fez um sinal de reprovação. – De qualquer forma, eu me lembro bem do que o livro fala. É Falls, a namorada do personagem principal, quem fala sobre a comunicação e como isto pode revelar como nos relacionamos com as pessoas. Olha só o que diz Falls:

? Voltando ao que eu queria dizer, esse pensador, Martin Buber falava de dois modos de expressão entre as pessoas. Ele falava da comunicação, entende? A comunicação se expressa de duas formas. EU-TU e EU-ISSO. O EU-ISSO é usado em nossas relações com o mundo das coisas. Essa é a minha casa. EU-ISSO, entende? O EU-TU são nossas relações com seres humanos. Eu quero passar o resto de minha vida com você. EU-TU.

- Certo. Então você quer dizer que a relação entre Lindembergue e Heloá chegou à esta condição de eu-isso? – Schopenhauer começou a pensar sobre isso. – Realmente, faz sentido, mas, como eu disse ali em cima, isso tudo foi causado pelo gênio da espécie. Explico: o amor não existe; o que existe é a vontade da vida se perpetuar noutro ser, num terceiro ser, e isso é o que faz surgir a admiração por alguém. Explicar tooodo o mecanismo seria um tanto enfadonho agora, portanto, fico por aqui, só para apresentar minha conclusão: Lindembergue não merece nenhum tipo de punição, apesar dos pais deles merecerem pelo péssimo gosto ao escolher o nome do filho; ele está sendo movido por algo que é maior que ele, maior que todos os desejos dele. Afinal, o que pintam todos os poetas e depois chamam de amor é, tão somente, algo que é transcendente a eles e, portanto, não podem entender em sua plenitude. Porém, o amor acaba quando ele realiza seu desejo: criar um terceiro indivíduo.

- Schop, te digo mais: Nietzsche concordaria contigo quanto a isso de não punir o cara – exclamou Hetz – já que o Bigode disse, em Assim Falou Zaratustra:

Sempre se viu só, como o autor de um
ato. Eu considero isso loucura; a
exceção converteu?se para ele em
regra.

Então, os três se olharam, olhavam para a TV, e Schopenhauer disse:

- Muito bom, gente, mas, agora, eu tô afim é de assistir o jogo. Tá pra começar.

Misquoted
Creative Commons License photo credit: quinn.anya

Feliz dia do Bigode fnord

Pequeno Guia para Fingir Inteligência

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Este pequeno guia tentará dar algumas táticas simples para fingir erudição, cultura, etc.

Pintura

Lembre-se dessa regra simples: Toda pintura clássica é a relação do homem com deus. Toda a pintura moderna é a relação do homem com o homem em um mundo sem deus.

Se você está parado na frente de um quadro cheio de respingos, manchas e qualquer outra coisa que uma criança no pré faria, finja estar concentrado e se perdendo na “narrativa emocional tão presente nas pinceladas”. Diga que você quase pode sentir a pulsação do autor e sua frustração com o mundo moderno. Note que o pintor abandonou qualquer tentativa de mudar o mundo com sua arte e se concentra em mudar nós, o seu público. E emende: “E atinge de forma exemplar seu objetivo”.

Pintores que você DEVE gostar: Van Gogh, Magritte, Pollock, Caravaggio, Goya, Da Vinci.

Nota: Pessoas realmente inteligentes como você por terem um intelecto tão grande são extremamente seletivos, logo esnobar algum pintor de renome não é apenas natural como desejado, já que expressa personalidade. Critique Degas, Frida e Picasso (não importa qual você escolha diga algo como “o maior atraso para a pintura nos últimos 100 anos!”).

Filmes

Blockbusters são acéfalos e entretenimento das massas. Pão e circo. Feito por uns fariseus que querem matar a sétima arte. Diga que nenhum diretor americano sequer chegou perto de “Morangos Silvestres” (você nem precisa saber nada, já que a maioria também não vai).

Diretores que você DEVE gostar: Stanley Kubrick, Akira Kurosawa, Robert Altman, Woody Allen, Ingmar Bergman, Michelangelo Antonioni e qualquer cara francês.

Citações

Use citações sempre e sempre. Um indivíduo culto e instruído como você não precisa expressar seus próprios pensamentos e sua própria opinião sendo que você sabe que houve pessoas célebres muito mais inteligentes e cultas que qualquer um na sala que disse algo definitivo a respeito do assunto.

Nota: Se você encontrar alguém que esteja usando esta técnica o desafiie. Pessoas cultas sempre têm duelos intelectuais onde seus neurônios são postos à prova. Em algum momento diga: Como Voltaire disse: “Uma boa citação não prova nada”. O que é, em si mesma, uma citação e que portanto não prova nada, mas que por causa desse viés irônico e metalinguístico fará muito sucesso por ser pós-moderno.

Pensadores que você DEVE gostar: Nietzsche, Voltaire, Oscar Wilde, Einstein, Gandhi, Mário Quintana, Carlos Drummond de Andrade, Vinícios de Moraes e a unanimidade: Confúcio.

Aliás, Confúcio é meio que o Capitão Óbvio. Se não tem nada para dizer diga: “Como Confúcio disse, merda faz flores crescerem e isso é lindo”. Ou “Como Confúcio disse, virgindade é como bolhas. Basta cutucar e ela se vai” ou ainda “Como Confúcio disse, calcinhas não são a melhor coisa do mundo, mas ficam bem próximas disso”.

Filosofia

A Filosofia não é como a ciência, onde se você se concentrar em Newton, por exemplo, logo que você encontrar um sujeito obcecado com Einstein você será o bundão da sala. Em Filosofia, mesmo dizendo algo completamente diferente de todos, um filosofo dentro de seu sistema de pensamento está certo. Ao menos possui lógica interna. E, lembre-se dessas palavras: “após o mundo pós-moderno fragmentar e relativizar a noção de verdade e conhecimento, mostrou-se que nossos sistemas por mais refinados que sejam jamais poderão nos dar um conhecimento da coisa-em-si que nunca teremos contato. Resta que tudo é uma amálgama de conhecimento a priori e a posteriori que podem nos levarmos a lugar nenhum”. O que isso quer dizer? Não estou certo, mas uma parte é que não há verdade.

Especialize-se em um filósofo, i.e, aprenda uma ou duas frases deles, período histórico e principal obra (veja na Wikipédia). Improvise no meio da conversa e critique qualquer outro. Simples. Por exemplo, você acabou de ver Juno e tem uma discussão sobre aborto com seus amigos. Você é um especialista em Platão, improvise, cite o mundo das idéias, que a idéia do bebê existe antes dele e que portanto o aborto é anti-natural. Cruze os dedos e torça para ninguém lhe lembrar de que na Grécia o aborto não era nem mesmo discutido pois se nascia uma criança com defeitos eles simplesmente jogavam montanha abaixo.

Filósofos que você DEVE ter conhecimento: Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Kant, Nietzsche, Schopenhauer, Hobbes, Rosseau, Hume, Sartre, Hegel e talvez Marx.

E se tudo isso falhar, tente ser engraçado.

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Após isso, leia a segunda parte deste guia, clicando aqui.

Kim Kardashian, Kafka & Schopenhauer

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Kafka pediu ao amigo Max que queimasse todos os seus escritos, que os jogasse no fogo. Hoje se lê Kafka lemos com reverência, mas ele morreu desconhecido, tendo publicado muito pouco. Schopenhauer quando foi lecionar ficou sem aluno algum pois todos iam assistir às aulas proferidas por Hegel (talvez seja por isso que Schopenhauer escreveu: “Hegel, um charlatão ordinário, enfadonho, repugnante, asqueroso e ignorante que, com insolência sem par, escrevinhou um monte de disparates e insensatez que seus adeptos mercenários pregaram como sabedoria imortal e que os idiotas aceitaram precisamente como tais teve como consequência a corrupção intelectual de toda uma geração de estudiosos”. Há ainda outros insultos como: velhaco, falsário espiritual, endoidecedor, que escrevia “palavreado oco”, “galimatas sem sentido”, “bufonaria filosófica” e “coletânea de emaranhados de palavras sem sentido e delirantes, como só havia podido ver-se até agora nos manicônios”). Schopenhauer teve alguma fama no final de sua vida, é verdade, mas amargou muito tempo no desconhecimento. “O Príncipe” que eu sempre cito, não foi publicado durante a vida de Maquiavel.

Van Gogh nunca vendeu um mísero quadro. Não preciso dizer quanto vale um de seus quadros nos dias de hoje. O talento desses homens e de vários outros parece-nos óbvio hoje em dia mas foram ignorados em sua época. O que uma pessoa que desfruta de imenso prestigio e exposição como Kim Kardashian vai legar ao mundo?

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Ela é um tipo de celebridade per se, ou seja, o que importa é somente a pessoa em si e não o que ela fez ou faz. Ela é amiga de Paris Hilton, possui uma fita de sexo com o namorado (substitui o book das modelos) e entrou para o grupo Pussycat Dolls (que possui uma que canta e o resto que faz figuração, e ela não entrou para substituir a que canta). Por que enchemos pessoas como essa de reconhecimento e dinheiro enquanto pessoas que realmente estão por aí, longe dos holofotes, estão criando aquilo pelo qual nossa época será lembrada?

O que isso significa: O mundo não é justo, mas para algumas pessoas ele dá muito por quase nada.

[tags]Kim Kardashian, Kafka, Van Gogh, Fotos de Kim Kardashian[/tags]

Lição Um

sábado, 28 de julho de 2007

Assim como se diz que em uma negociação aquele que diz o primeiro o valor, perde é o que acontece em qual-quer disputa de idéias e opiniões. Pois caberá ao que res-ponderá apenas atacar e nem ao menos precisará criar uma base sólida com argumentos e poderá se concentrar em apenas demonstrar o quão leviana foi a declaração e o quanto ele está errado.

Existe,essencialmente, duas formas de se atacar um argumento: as formas Direta e Indireta.

Direta

Deve atacar o argumento em si, os fundamentos do mesmo. Deve ser feita de preferência com fatos, por isso deve-se saber exatamente do que se está falando ou ao menos saber fingir isso muito bem. Mesmo que você não saiba nada ao longo de meus escritos mostrarei táticas que permitiram dar a você o controle da situação.

Indireta

Há basicamente duas formas de abordar indiretamente os argumentos do adversário. Em um você aceita a proposição do adversário e tira conclusões dela a submetendo a todo tipo de prova até que de alguma forma a leve à uma negação implícita da mesma denunciando a falha da mesma. Este tipo de abordagem é comumente chamada de abordagem Socrática pois este personagem criado por Platão utilizava-se desta metodologia quando em uma disputa.

Outro método é iniciar a refutação por meio de indícios que a apresentem como errada. Seja por casos em genéricos onde não se observa tal argumento como correto ou casos extremos onde ele não funciona. Ou a busca de um assunto vagamente relacionado que desabone qualquer argumento vindo de seu adversário.

Antes de tudo há certas coisas que você deve saber:

Isto é uma caixa de ferramentas. Com uma ferramenta Michelangelo pôde revolucionar a arte. Um idiota só perderia tempo. Eu escrevo apenas para pessoas inteligentes, uma pequena fração dos 6 bilhões de seres humanos que infestam este planeta. Na verdade se você for imaginar a matemática da coisa a probabilidade de você ser uma dessas pessoas inteligentes é tão pequena que dificilmente você será uma.

Segundo, em um debate você entra a fim de chegar em um consenso ou mudar a forma como a outra pessoa pensa lhe mostrando uma opinião mais acurada, certo? Erra-do. Um homem não pode aprender aquilo que ele já considera saber. Se você entrar em uma discussão qualquer a fim de evangelizar seu antagonista você entrou em uma batalha perdida. Em qualquer discussão há os ativos e os passivos. Os ativos são aqueles que expõem os argumentos, são os rock stars do debate, fazendo solos de guitarra a fim de derrotar o adversário. Os passivos estão na platéia. No mundinho da internet que se acha tão importante eles são conhecidos como ?lurkers? e segundos dados, 90% dos usuários são lurkers, 9% contribuem com alguma coisa e 1% participam ativamente. Pense nisso como uma lei genérica de toda atividade humana.

Eles são maioria e quase sempre se comportarão como um único ser estúpido que seguirá a opinião daquele que ti-ver mais renome e credibilidade a não ser que com carisma, ironia e argumentações consiga mostrar a eles que está certo. São eles a quem você deve focar no debate. Um rock star não faz um disco para John lennon, ele faz um disco para o público. Lennon saberia que você errou uma linha de baixo ou surrupiou um riff de uma velha canção. Alguns lurkers também saberiam, mas 90% deles não.

Pronto. Definimos nosso público-alvo.

Por último, e não menos importante, você não vai aprender a mentir por aqui. Segundo estudos recentes menti-mos 200 vezes por dia, o que dá uma mentira a cada 7 minutos se considerarmos que você mente enquanto dorme. Se não considerarmos isso e você tiver as 8 horas de sono saudável recomendado por especialistas, será uma mentira a cada 5 minutos, sua vida inteira com essa média é quase uma mentira. Somos bons demais em mentir. Não se pode deixar a roda mais redonda do que ela é. Ensinar o padre-nosso ao vigário. O segredo está em selecionar quais verdades utilizar e quais esconder.

Verdade é o seu material de trabalho, você deve conheça-la tão bem quanto alguém deve conhecer seu namorado ou namorada. Você deve saber identificá-la, saber quando a usar e quando a esconder debaixo da cama ou no armário.


Na próxima lição:
Então, o que é verdade?

[tags]A Arte de Ter Razão 2.0, Arthur Schopenahuer, Erística[/tags]

Introdução

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Quando eu descobri a doutrina da reencarnação foi o dia mais feliz de minhas vidas. Quando eu finalmente descobri que eu era a reencarnação do grande filósofo Schopenhauer eu finalmente descobrira o meu lugar no mundo e pude ser tão feliz quanto jamais fora.

Como imperador secreto da filosofia eu deveria usar meu poder para o bem, nem que fosse o meu bem próprio. Mas eu não sou egoísta cem por cento (talvez algo entre setenta e oitenta), resolvi sentar-me por algumas horas e atualizar um tratado que nunca publicara em vida pois me causava náuseas.

Acontece que pilharam meu legado e na tentativa de fazerem trocados com meus brilhantes escritos acabaram publicando o meu pequeno tratado sobre dialética erística que é um nome pomposo e nebuloso para a arte de disputar de tal maneira que se fique com a razão. Há um único fim na dialética erística: ter razão.

Saibam que eu eu posso não esbanjar toda a retórica que esbanjei em minha vida passada, a explicação a meu vocabulário mais pobre se encontra na cultura degenerada desses tempos. Minha filosofia é a verdadeira solução para o enigma do mundo. Nesse sentido, pode ser chamada de uma revelação.

Em breve, brindarei-os com tal revelação. Por enquanto, é só.

[tags]A Arte de Ter Razão 2.0, Erística, Schopenhauer[/tags]

Qual o valor de uma discussão?

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Como o Universo começou?

A teoria mais aceita é a do Big-Bang, que prega que toda a matéria existente estava comprimida em um ponto minúsculo e que por fim explodiu dando origem a tudo o que nos cerca. Nasceram as primeiras estrelas e no interior das mesmas forma forjados os átomos que compõem os tijolos básicos da vida orgânica que aliás, na estimativa mais otimista, não passa de 5% de toda a matéria do Universo.

Os críticos dessa teoria, lê-se defensores do design inteligente, dizem que assim como uma explosão em um ferro-velho não cria um carro novo, uma explosão de átomos não criaria o Universo. Essa é a beleza das metáforas e comparações. Eu realmente me divirto com essa e sempre a uso só para encher o saco de quem começa a falar do Big Bang (pense em mim como um jogador que jogou tanto pelo Palmeiras quanto pelo Corinthians, por mais que eu goste mais de um, jogo pelo outro apenas por amor ao jogo).

Acontece que por mais espirituosa que seja uma comparação ou uma metáfora, elas nunca poderiam ser usadas para validar qualquer tipo de julgamento, mas são usadas exatamente com este fim. Se você quer provar que A é melhor que B, geralmente você cava uma variavel C que você sabe ser depreciativa para os dois lados e a usa comparando a B, é simples.

Quer irritar os cristãos?, pegue “doença-mental” ou uma figura histórica controversa que fosse cristão (Hitler por exemplo) e use. Vai ver como vão se irritar e dizer um monte (nem se dê ao trabalho de ler).Mas tais comparações analisadas ? fria lógica como Wittgeinstein iria apreciar, nada querem dizer. Hitler era vegetariano também, isso desqualificaria os vegetarianos? Mesmo os cristãos? Não e não. Mas que é divertido ver a reação que causa neles, ah isso é.

ÿ impossível para um homem aprender o que ele pensa que já sabe.

Não se engane, discussões são um ótimo conceito: Duas pessoas, talvez com pontos de vista diferenciados, trocam informações e dados que defendam seu próprio ponto de vista como em relação ao aborto. Dessa conversa saem com um entendimento mais profundo do assunto, certo? NÿO!

Entrar em uma discussão é ir para um julgamento onde o juiz já expediu a sentença antes de você pisar lá. Tudo o que se vê em uma discussão é um idiota discutindo com outro tentando a todo custo (fazendo uso de metáforas, comparações,sarcasmo, estatísticas ,exemplos assim como o mais desleal que é citar grandes pensadores como Descartes ou Schopenhauer) evangelizar o outro em seu pensamento, mas nenhum sairá de lá achando que “ganhou” ou “resolvi não discutir”.ÿ incrível como ninguém perde uma discussão.Descartes já disse: “O bom senso deve ser a coisa mais bem distribuída pois todos acham-se bem providos dele”.Schopenhauer já falou algo a respeito:

A dialética erística é arte de disputar, mais precisamente a arte de disputar de maneira tal que fique com a razão, por tanto, per fas et nefas (com meios lícitos e ilícitos).De fato é possível ter razão objetiva na questão em si e, no entanto, aos olhos dos presentes, por vezes mesmos aos próprios olhos, não ter razão.Isso ocorre quando o adversário refuta minha argumentação e vale como se tivesse refutado a própria afirmação, para a qual, porém podem ser dadas outras provas; nesse caso, naturalmente, a relação é inversa para o adversário: ele fica com a razão, não a tendo objetivamente.[...]

De onde isso se origina? Da maldade natural do gênero humano.Se ela não existisse, se fôssemos inteiramente honestos, em todo debate visaríamos apenas trazer a verdade ? luz, sem sequer nos preocuparmos se ela corresponde ? opinião apresentada de início por nós ou ? alheia: seria indiferente ou, pelo menos, totalmente secundário.Mas agora vem o principal.A vaidade inata, particularmente suscetível no que concerne ? inteligencia, não quer que nossa afirmação inicial resulte falsa e a do adversário, correta.Se fosse assim, cada um deveria meramente esforçar-se para julgar apenas de modo justo: portanto deveria primeiro pensar e depois falar.Porém ? vaidade inata associam-se, na maioria dos indivíduos, uma verbosidade e uma desonestidade também inata.Falam antes de pensar e, mesmo se depois percebem que sua afirmação é falsa e que não t~em razão, tal situação deve parecer contrária.O interesse pela verdade, que a maioria dos casos foi o único motivo para sustentar a proposição considerada verdadeira, acaba cedendo totalmente ao interesse da vaidade: o verdadeiro deve parecer falso, e o falso, verdadeiro.

Recomendo a todos que se inscrevam em muitas listas de discussão, cada uma com um nome falso, entrem no orkut como fakes e discordem de todos em todas as discussões, é uma forma quase inexplorada de diversão.

Para Saber Mais:
A Arte de Ter Razão, de Schopenhauer

[tags] discussões, discussão[/tags]

10 melhores insultos de Schopenhauer

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Eu gosto de Schopenhauer. Gosto de tudo relacionado a ele; Gosto de seu poodle e de todo seu pessimismo, embora é sempre bom lembrar, você não ia querer ter ele como vizinho. Schopenhauer faz tantos insultos que eles forma reunidos em um livro que oferece pérolas de sarcasmo e ironia e provam que ele poderia ter sido um grande humorista se assim quisesse.

Infelizmente dele só herdei os escritos, 1% de seus dons e a alma. Sim, eu sou a reencarnação de Schopenhauer. No clube de “Reencarnações” eu sempre converso com as 5 Cleopatras, os 23 Napoleões e o bichinha do Oscar Wilde.

10.
No nosso continente monogâmico, casar-se significa abdicar de metade dos direitos e duplicar os deveres. Casar-se significa fazer o possível para sentir repugnância um do outro. Casamentos felizes são notoriamente raros.

9.
Se um deus fez este mundo, eu é que não gostaria de ser este deus: a miséria aqui presente despedaçaria meu coração.

8.
As outras partes do mundo têm macacos; a Europa tem franceses. ÿ a mesma coisa.

7.
Os jornais são o ponteiro dos segundos no relógio da história. Na maioria das vezes, porém, além de ser fabricado com metais menos nobres do que o dos outros dois ponteiros, raramente funciona de modo correto.

6.
Do mesmo modo como nosso corpo é coberto por roupas, nosso espírito é coberto por mentiras. Nosso discurso, nossa ação, todo o nosso ser é mentiroso: e somente olhando através desse invólucro é possível, vez por outra, descobrir nossos sentimentos, assim como através das roupas se descobre a forma do corpo.

5.
Sobre Hegel: Destruidor de papel, de tempo e de mentes.

4.
A fé e o saber não se dão bem dentro da mesma cabeça: são como o lobo e o cordeiro dentro de uma jaula; e o saber é justamente o lobo, que ameaça devorar seu vizinho.
O saber é feito de uma matéria mais dura do que a fé, de modo que, quando colidem, a última se quebra.

3.
Os caprichos advindos do instinto sexual são totalmente análogos aos fogos fátuos: enganam de modo mais vivo, mas, se os seguimos, eles nos conduzem a uma pântano e desaparecem.

2.
Ler significa pensar com a cabeça alheia em vez de pensar com a própria.

1.
Se olharmos [...] dentro do turbilhão da vida, perceberemos todos ocupados em sanar a miséria e o flagelo que os atingem, empregando todas as suas forças para satisfazer as ilimitadas necessidades e evitar toda sorte de sofrimento, sem contudo poder esperar outra coisa além da preservação dessa existência atormentada e individual durante um curto período.No entanto, no meio desse tumulto, vemos os olhares apaixonados se encontrarem ansiosos: mas por que será que parecem tão secretos, temerosos e furtivos? Porque esses apaixonados são os traidores que, ? s escondidas, visam perpetuar toda a miséria e os esforços que, do contrário, logo alcançariam um fim, um fim que querem impedir do mesmo modo como seus semelhantes o impediram anteriormente.

Belas palavras minhas, quero dizer, de Schopenhauer.

Para Saber Mais:
A Arte de Insultar
Dicionário Brasileiro de Insultos
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Top 10 Estratégias para Ter Razão

domingo, 31 de dezembro de 2006

Em “A Arte de Ter Razão”, um livro fininho mas nem por isso menos importante
de Schopenhauer (se diz Xô-Pen-Rá-Ú-Er), o mesmo traça 38 estratagemas para se ter razão em uma discussão qualquer.Note que as estratégias não levam em conta se você está certo ou não, elas foram feitas para se vencer a discussão, para se ter razão mesmo quando errado.
Schopenhauer assinala para isso:

De fato, é possível ter razão objetiva na questão em si e, no entanto, aos olhos dos presentes, por vezes aos próprios olhos, não ter razão.[...] Portanto a verdade objetiva de uma proposição e sua validade na aprovação dos litigantes são duas coisas distintas.

A arte de ter razão é uma arte que todo discordiano deve dominar com maestria pois é através desta ginástica teórica que podemos defender nossas crenças, ridicularizar nossos rivais e mandar as pessoas irem ? merda de tal forma que elas queiram ir.
Todas as 38 são boas estratégias, algumas são bem específicas e dependem de fatores como a solidez dos argumentos, etc, portanto esta selação de modo algum substitui o excelente livro, ficando apenas como a seleção especial das 10 melhores contidas nele (? s vezes penso que deveria ter feito um top 38).

10.
Estratagema 33.
“Isso pode ser correto na teoria; na prática é falso.”
Com esse sofisma admitem-se os fundamentos, porém negam-se as suas conseqüências.A afirmação gera uma impossibilidade: o que é correto na teoria deve valer também na prática, se isso não se confirma é porque há alguma falha na teoria; algo passou despercebido e não foi levado em consideração e, por conseguinte, é falso também na teoria.

9
Estratagema 1.
A Expansão.Levar a afirmação do adversário para além de seu limite natural, interpretá-la da maneira mais genérica possível, tomá-la no sentido mais amplo possível e exagerá-la; inversamente, concentrar a própria afirmação no sentido mais limitado, no limite mais restrito possível: pois, quanto mais genérica se torna uma afirmação, a mais ataques ela fica exposta.

8
Estratagema 19.
Se o adversário exigir expressamente que apresentemos algo contra um determinado ponto da sua afirmação, mas nós não temos nada de adequado, precisamos então tratar o assunto da maneira mais genérica possível e, em seguida falar contra tal generalidade.

7
Estratagema 7.
Fazer muitas perguntas de uma só vez e de modo pormenorizado, a fim de ocultar o que na verdade se quer ver admitido.Em contrapartida, expor rapidamente a própria argumentação a partir do que foi admitido.

6
Estratagema 29.
Se percebemos que seremos vencidos, devemos fazer uma digressão, isto é, começamos de repente com algo totalmente diferente, como se pertencesse ao assunto e fosse um argumento contra o adversário.

5
Estratagema 16.
Diante de uma afirmação do adversário, temos de pesquisar se ela porventura não está de algum modo – conforme o caso está apenas aparentemente – em contradição com alguma coisa que ele tenha dito ou admitido anteriormente, ou com dogmas de uma escola ou seita que ele tenha louvado e sancionado, ou ainda com as ações dos adeptos dessa seita, mesmo que sejam falsos e aparentes, ou com seu próprio comportamento.

4
Estratagema 31.
Quando não se souber apresentar nada contra os fundamentos expostos pelo adversário, com sutil ironia devemos nos declarar incompetentes.Com isso, insinuamos aos ouvintes, juntos aos quais temos prestígio, que se trata de um disparate.Essa estratégia só pode ser utilizada quando se está seguro de ter um privilégio decididamente mais alto que o do adversário junto aos ouvintes.

3
Estratagema 26.
Um golpe brilhante é quando o argumento que o adversário quer usar em seu favor pode ser mais bem utilizado contra ele.

2
Estratagema 27.
Se o adversário inesperadamente se zanga diante de um argumento, devemos insistir energicamente nele: não apenas porque é bom provocar-lhe a ira, mas também porque é de supor que tenhamos tocado o lado fraco do seu raciocínio.

1
Estratagema 38.
Arthur guardou o melhor para o final:Quando percebemos que o adversário é superior e que não ficaremos com a razão, devemos nos tornar ofensivos, insultantes, indelicados.E Schopenhaur é um verdadeiro especialista nisso, outro de seus livros têm o título “A Arte de Insultar”.Um adendo maravilhoso, Schopenhauer tinha um poodle (Uiii) chamado Atman, e como ele insultava o cachorro quando este não o obedecia? Chamava-lhe de “homem”.

Para Saber Mais:
A Arte de Ter Razão – Onde você vai encontrar exemplos para entender melhor
A Arte de Insultar
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[tags] schopenhauer,razão,estratégias[/tags]