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Zensider

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Outro dia eu ouvi um cara chamado Edvaldo Santana e gostei muito. Comecei a perguntar pro povo quem conhecia ele, e raramente encontrei uma resposta positiva. Seja como for, ele é um exemplo perfeito de antropofagia; o nome do disco, Blues Caboclo, já denuncia.

Mas eu vim aqui pra chamar atenção pra letra de uma das músicas, chamada Zensider. Deem uma olhada, e depois vamos comentar de forma mais incisiva.

Aprenda a costurar
As suas próprias roupas
Quando as flores
Forem poucas

Quando a brisa do inverno
Varrer sua casa
Aprenda a voar
Com as suas próprias asas

Em caso de cansaço
Sente-se
Como um tigre
Imóvel
Ao relento
Atento
Ao soprar do vento

Pode ser
Aconteça
Uma flor de lótus
Floresça
Na lama dos seus olhos

(quem usa Real Player pode tentar ouvir a música neste link)

Belíssima letra. Mas, como eu gosto de magia, simbologia, & essa Coisa Toda, eu vi coisas ali que, até agora, ninguém mais parece ter visto. A começar pelo título.  Zensider: provavelmente um neologismo em inglês, parecido com a palavra insider, no sentido de ‘‘alguém que tá por dentro’’. Logo, zensider seria não aquele que está zen, mas que compreende o zen, que é zen.

Vamos nos aprofundar um pouco no termo zen. Ele faz referência ao zen-budismo cuja característica mais marcante, para mim, é o nonsense dos koans – pequenas histórias aparentemente sem sentido (ou realmente sem sentido) que buscam ilustrar conceitos do zen-budismo, pra por a coisa de maneira bem (muito, aliás) simplória. No budismo há uma figura Muito Bonita, que é a Lótus de Mil Pétalas, figura para a ‘‘Iluminação’’. O ‘‘Desabrochar da Lótus de Mil Pétalas’’ é a iluminação.

A Lótus é uma flor singular. A semente pode esperar cinco mil anos (isso mesmo) pelas condições necessárias para brotar; a flor controla sua temperatura interna, e nasce da lama. Os deuses hindus (como Shiva, Ganesh) geralmente são representados em cima de uma flor de lótus.

Viajando um pouco: a iluminação é o desabrochar da lótus de mil pétalas. Crowley enunciou um conceito que é bastante comum em toda a magia: ‘‘Todo homem e toda mulher é uma estrela’’, ou seja, todo ser humano pode brilhar (deixe a mente derivar sobre o tema). Ora, a semente dura cinco mil anos, esperando; a iluminação, a capacidade adormecida, esta nunca morre. Ainda mais se considerarmos que, para o budismo, a alma retorna à vida enquanto não completar seu caminho até a iluminação, quando todos seus atos ruins (aquele lance de karma) forem sanados. Quando eles são, chega-se ao nirvana, que é, literalmente, a ‘‘não existência’’. Deixamos de renascer, pois já pagamos nossas dívidas. A lótus nasce da lama; assim, a iluminação pode surgir mesmo de algo tão lodoso quanto o ser humano.

Eu não preciso comentar agora a letra, principalmente, pois a chave dela é a última parte; ela é toda hippie (não devemos nos esquecer que o zen-budismo influenciou o movimento hippie, assim como muitos outros elementos orientais fizeram); a estrofe ‘‘pode ser/ aconteça/ uma flor de lótus/ floresça/ na lama dos seus olhos’’ tem um significado muito claro agora. Só lembrando que esse ‘‘pode ser/ aconteça’’ remete ao satori.

Espero ter tratado com clareza do assunto, e também que alguém comece a dar importância para o trabalho do Edvaldo, que, depois dessa, ganhou meu respeito.

all you need is love....
Creative Commons License photo credit: thejonoakley
fnord!

Zen To Done em Português

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Eu sempre defendi uma cultura livre. Em suas mais diversas formas. Seja o irmão hippie malucão do Copyright, o Copyleft, seja na gangue do Creative Commons, a licença GNU e por aí vai. Licencio minha criação intelectual com ferramentas que permitem uma liberdade maior aos consumidores/produtores. Esse blog já recusou parceria comercial pois teria que proibir a utilização do conteúdo. Não fico pensando em um “mundo perfeito de sol e cultura livre”, penso numa cultura livre,. Agora mesmo. E um grande problema, cultural acho, é que a maioria das pessoas não entende os conceitos e poucos, fora da música, fazem amplo exercício dessas licenças.

Mesmo com mais de 1 milhão de fotos disponibilizadas gratuitamente para uso, a maioria ainda busca imagens no Google Imagens e poste sem qualquer culpa, e depois reclamam da falta de cidadania ou corrupção dos políticos. Cidadania está presente em todo lugar. Sei que é cômodo e muitas vezes vai no piloto automático se isentar da responsabilidade, mas mesmo com ferramentas simples, permanecem cometendo os mesmos erros.

O preâmbulo foi um pouco maior do que eu originalmente planejava. Pois bem, Leo Babauta, autor de blogs como Zen Habits e Write To Done fez um passo bem corajoso e inovador: disponibilizou todo o conteúdo de seu blog e de seu livro, Zen To Done.

Until now, I granted limited permission, mostly for non-commercial use.

Now, I’m granting full permission to use any of my content on Zen Habits or in my ebook, Zen To Done, in any way you like.

I release my copyright on this content.

From now on, there is no need to email me for permission. Use it however you want! Email it, share it, reprint it with or without credit. Change it around, put in a bunch of swear words and attribute them to me. It’s OK. :)

Leo Babauta in Open Source Blogging: Feel Free to Steal My Content

Zen To Done

É um livro de produtividade. É a versão “simples, direto ao ponto, zen” do GTD, Getting Things Done, de um cara chamado David Allen. No Brasil o livro onde o mesmo apresenta seu sistema se chama A Arte de Fazer Acontecer. ZTD é um livro pequeno, traduzido cheio de falhas por mim que o ajudará a ser organizado, menos distraído e mais focado.

Eu resolvi traduzi-lo por dois motivos:

  • Eu escrevi meu livro de ficção, EQM, em 23 dias, e para isso eu criei um “sistema”. Não se trata do ZTD, mas se baseia nas mesmas filosofias básicas. Ainda irei falar melhor do meu sistema no futuro, se ainda não toquei no assunto foi porque eu só usei uma vez, ainda que com relativo sucesso. Como estou passando pela segunda experiência, acredito que poderei falar com maior solidez do mesmo.
  • E colocar em prática a liberdade de uso que o Babauta permitiu. Você pode comprar a versão original em inglês por 9,50 doláres. A versão em português traduzida por mim, pelo melhor preço: grátis.

Baixe agora:

Espero que interesse a alguém :)

Quem é o mestre que faz a grama verde?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

[link para o vídeo]

Quem é o mestre?

E a Wiki diz:

Robert Anton Wilson ou RAW (Nova Iorque, 18 de janeiro de 1932 – 11 de janeiro de 2007) foi um escritor, filósofo, psicólogo, futurista, anarquista e pesquisador das teorias de conspiração estadunidense.

Seu trabalho mais conhecido, The Illuminatus Trilogy (sem publicação em português), em co-autoria com Robert Shea, foi divulgado como “um conto de fadas para paranóicos”, e examinou com bom-humor a paranóia americana sobre conspirações. Muito do seu material surgiu a partir de cartas enviadas à revista Playboy enqüanto ele e Shea trabalharam lá como editores do fórum da Playboy. Embora nunca mais tenham trabalhado juntos no mesmo nível, Wilson continuou a expandir sua carreira de escritor em temas como o do livro Illuminatus!.

Em Cosmic Trigger (1977) (no Brasil, O gatilho cósmico – O derradeiro segredo dos Illuminatti), ele examinou o Discordianismo, Sufismo, Futurologia, Zen-budismo, as práticas ocultistas de Aleister Crowley e Georg Ivanovitch Gurdjieff, os Illuminati e a Maçonaria, Yoga, e outras filosofias esotéricas ou contracultura. Ele defendeu o modelo de consciência dos oito circuitos de Timothy Leary e a engenharia neurosomatica/lingüística em seu trabalho Prometheus Rising (1983, revisado em 1997) (no Brasil A Ascensão de Prometeus) e Quantum Psychology (1990) (sem publicação em português), livros contendo técnicas praticas para que uma pessoa se liberte de seus túneis de realidade.

Ironicamente, considerando as críticas e caricaturas que faz da new age, seus livros podem ser encontrados em livrarias especializadas em material da new age. Ele afirmou ter tido percepções de encontros com “entidades” mágicas, e quando questionado se essas entidades seriam “reais”, respondeu que elas eram “reais o suficiente”, embora “não tão reais quanto os IRS” já que estes são “fáceis de se livrar”. Ele advertiu os iniciantes quanto a usar práticas ocultistas, pois se apressar em tais práticas e nas energias delas resultantes pode levar uma pessoa a ficar “bem doida”. Ao invés, ele recomenda iniciar com a Programação Neurolinguística, Zen-budismo, meditação básica, etc., antes de progredir para atividades mais potencialmente perturbadoras.

Wilson teve um relacionamento duradouro com a Associação para Exploração da Consciência, iniciando em 1982. Ele foi o orador da abertura de sua sede em 1984 e compareceu em vários Festivais Starwood. Foi lá que Wilson teve o primeiro diálogo em um palco com seu grande amigo Timothy Leary em 1989, entitulado A Fronteira Interior.

Em uma entrevista de 2003 à revista High Times, RAW se descreveu como um “Agnóstico Modelo” que ele diz consistir de “nunca olhar para qualquer modelo ou mapa do universo com crença de 100% ou negação de 100%”. Seguindo Korzybski, eu coloco as coisas em probabilidades, não em certezas…” Minha única originalidade reside em aplicar esta atitude zetética fora do âmbito da mais complexa das ciências complexas, a Física, em ciências menos complexas e então nas não-ciências como a Política, Ideologia, vereditos do júri e, é claro, na teoria da conspiração.” Mais simplesmente, ele alega “não acreditar em nada, desde que “crença é a morte do pensamento”. Ele tem descrito essa abordagem como “Maybe Logic” (Lógica do Talvez). Wilson escreveu artigos para a revista cyberpunk de vanguarda chamada Mondo 2000.

Enqüanto ele publicou material principalmente sob o nome Robert Anton Wilson, também usou os codinomes Mordecai Malignatus, Mordecai the Fool (Mordecai o Tolo), Reverendo Loveshade e outros nomes associados com os Illuminati da Bavária, os quais ele supostamente ressuscitou nos anos 60. RAW ocupa o posto de diretor do Comitê para Investigação Surrealista de do Normal (Comittee for Surrealist Investigation of Claims of the Normal – CSICON) e apareceu em eventos de Disinformation (Desinformação).

Se existisse uma liga de Super-Heróis discordianos, RAW com certeza seria nosso Super-Homem.