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O Código Lamarck

quarta-feira, 12 de março de 2008

Esta postagem faz parte do Carnaval de Evolução do Átila: Como seria o ser humano atualmente se Lamarck estivesse certo? Se Lamarck estivesse certo (e ignorando como seriam todos os outros organismos), como seríamos nós, depois de todas essas gerações convivendo em sociedade? Que características adquiridas seriam passadas adiante?


Creative Commons License crédito: redking

A primeira coisa que me vêm à cabeça é “A Máquina do Tempo” de H.G. Wells. Onde existem os Eloi, pacíficos e dóceis remanescentes dos humanos, aparentemente vivendo num mundo paradisíaco, até perceber que os mesmos na realidade servem de alimentos para uma outra raça, os Morlock, que vivem no subterrâneo.

Não conheço profundamente as teorias de Lamarck, para mim ele sempre foi o “cara que estava errado”. Então não estou certo que atualmente já teríamos grandes e notórias mudanças morfológicas, mas em 802.701 acho que com certeza teríamos raças parecidas com as descritas por H.G Wells. Os Eloi tendo evoluído das classes mais ricas, sem preocupações com sobrevivência, teriam uma constituição mais fraca devido a pouco ou nenhum trabalho. E não teriam mais pêlos faciais devido ao constante ato de barbear.

Os Morlocks seriam remanescentes das classes trabalhadoras e seriam mais fortes, agressivos e maiores em número. Mas ao olhar para o mundo, acho que a divisão do humano não seria tão simplista. Ou mesmo pacífica. Estimulados por cruzamentos apenas dentro de sua cultura, vivendo em climas desérticos, árabes e muçulmanos que vivem no Oriente Médio se tornariam uma nova espécie, talvez o povo da areia ou Tusken Raiders.

Acredito que basicamente, ao se adaptar a cada ambiente, a raça humana se dividiria em centenas de outras raças. Afinal em uma cidade como São Paulo, gerações inteiras estão levando vidas completamente diferentes e enfrentando condições que poderiam moldá-las de forma adversa.

E a Wiki diz:

A teoria de Lamarck baseou-se em duas observações que, inicialmente, foram recusadas pela sociedade, como todas mais teorias revolucionárias da época. Foram apenas aceites ao fim de algum tempo, e nelas a sociedade acreditou até que Charles Darwin as contradisse. As seguintes eram as observações:

1. Uso e desuso – Os indivíduos perdem as características de que não precisam e desenvolvem as que utilizam. O uso contínuo de um orgão ou parte do corpo faz com que este se desenvolva e seja apto para o correto funcionamento, e o desuso de um orgão ou parte do corpo faz com que este atrofie e com o tempo perca totalmente sua função no corpo do indivíduo.

2. Transmissão das características adquiridas – O uso e desuso de partes do corpo provocam alterações no organismo do indivíduo, essas alterações podem ser transmitidas às gerações seguintes. Por exemplo as crias das girafas herdam o pescoço comprido dos pais que supostamente o desenvolvem quando comem folhas das árvores mais altas.

Com estas observações em mente, Lamarck chegou a duas leis:

1. Lei do uso ou desuso – “Nos animais que não passaram o limite do seu desenvolvimento, o uso mais frequente e contínuo de um órgão fortalece, desenvolve e aumenta gradualmente esse órgão, e dá-lhe um poder proporcional ao tempo durante o qual foi usado; enquanto que a não utilização permanente de qualquer órgão causa o seu enfraquecimento e deterioração e diminui progressivamente a sua capacidade para funcionar, até que finalmente desaparece”;

2. Lei das características adquiridas – “Todas as características são adquiridas ou perdidas por imposição da natureza aos indivíduos, através da influência do ambiente no qual a espécie vive há muito, e por isso através da influência do uso predominante ou desuso permanente de qualquer órgão; todas são preservadas pela reprodução e transferidas para os novos indivíduos, desde que as modificações adquiridas sejam comuns a ambos os sexos, ou pelo menos tenham ocorrido no indivíduo que produz os novos”.

Lamarck acreditava que, como o ambiente terrestre sofre modificações constantes, as suas alterações estruturais forçam os seres que nele vivem a se transformarem para se adaptarem ao novo meio. Ao longo de muitas gerações (milhões de anos), o acúmulo de alterações pode levar ao surgimento de novos grupos de seres vivos. Assim, modificações no ambiente causam alterações nas “necessidades”, no comportamento, na utilização e desenvolvimento dos órgãos, na forma das espécies ao longo do tempo – e por isso causam a transmutação das espécies.

Lamarck defendia a geração espontânea contínua das espécies, com os organismos mais simples a serem depois transmutados com o tempo (pelo seu mecanismo) tornando-se mais complexos e próximos da perfeição ideal. Acreditava portanto num processo teleológico (orientado para um fim) em que os organismos se tornam mais perfeitos à medida que evoluem.

Mais neste carnaval:
Lucia Malla
Hermenauta
Transferência Horizontal
Carlos Hotta

Nuvens são OVNIS

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

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“Todas as grandes verdades começam como blasfêmias” já disse George Bernard Shaw. E é como um blasfêmia que soa ao ouvido de todos a verdade pregada por alguns bravos indivíduos que pretendem desafiar o senso comum e abrir os olhos de todos. E a afirmação deles é simples: “Nuvens são OVNIS”!

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C.U.N.T. (19 anos), diz que seu avô por exemplo, ao lembrar de sua infância nunca se referiu a “nuvens”. Motivo: Elas são um fenômeno recente e as pessoas simplesmente não conseguem dizer desde quando as nuvens existem. Afinal, como as nuvens sendo apenas gotas d’água como prega o sistema educacional neo-fascista se parecem com algodão doce ou “chovem” ao mesmo tempo se são apenas um monte de gotas? Como se explicar racionalmente isso. Um membro de governo que não pode se identificar (eu disse que te protegeríamos, Romildo, nós cumprimos nossa palavra), associa ainda as nuvens com as canetas BIC:

É muito raro ver ou conhecer alguém que já viu uma caneta BIC acabar a carga e, na maioria das vezes, quando conhece, o dono da caneta não é normal, tem alguma coisa de estranho nele e ele continua se achando normal.

As canetas têm o estranho costume de sumir e quando aparecem, costuma ser em locais inimagináveis.

Aquele pequeno orifício que se encontra nela nunca foi visto em qualquer outra caneta, sendo algo de aparente inutilidade.

É possível encontrar essa caneta em qualquer lugar mesmo tendo parado de ter propagandas há tanto tempo.

Depois que você usa a caneta, é possível observar que alguma parte do seu corpo está suja de tinta, utilizada para coleta de dados corporais e pessoais.

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Algumas pessoas foram até mesmo abduzidas e relatam a experiência de passar por tal acontecimento e sua falta de inadequação que se segue:

“FOI HORRIVEL EU ACHEI QUE IA MORRER, ESTOU TRAUMATIZADO ATE HJ…

mas eu nao lembro de nada que aconteceu… Só sei que depois desse dia, eu nao sou mais o mesmo…

Depois que eu como (verbo comer)… eu perco a fome. Isso acontece tambem quando eu bebo, cago, mijo, etc. Depois de praticar alguma dessas açoes eu perco a vontade de preticá-la e só fico com vontade de novo depois de algum tempo…

Triste nao eh mesmo? Ta dificil continuar na sociedade sendo tao diferente…”

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Há algo que devo reportar: Após ler este depoimento comecei a me sentir confuso com a minha própria identidade. Pois os efeitos descritos acima aconteceram sempre comigo. Isso mesmo! Começo a achar que sou alguma espécie de ser híbrido ou ainda um changeling alien.

Eu sei o que está pensando. Nem deve estar levando a sério, mas é como George Bernard Shaw disse: “Todas as grandes verdades começam como blasfêmias”

Herar é umanu i brazilero: Placas e Folhetos de todo o Brasil

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Esta postagem é do tipo em que as imagens irão falar por si mesmas. Porém o formato é experimental aqui no 1001 Gatos de Schrödinger já que iremos explorar a mesma em múltiplas páginas. Então se não for possível acessar dos feeds por favor, nos avisem. O formato será explorado com o objetivo de não deixar a página principal muito carregada de imagens e não existir a necessidade de começar uma série ou algo assim.

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Aproveitem que a corretora está de plantão.

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Confusão entre os sexos é uma batalha freqüente da modernidade.

(mais…)

All we need is LOVE

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

A ansiedade que vinha sofrendo após receber a notícia de que a veria em primeira-mão se transformou em excitação ao abrir meu e-mail há 5 dias.

Instantaneamente, meus dedos começaram a se contrair e relaxar freneticamente – um tique que tenho quando anseio algo mortalmente – e minhas narinas de dilataram, prontas para sentir o cheiro que sabia que não haveria, mesmo que esse fato não fizesse sentido ao meu olfato. A tecnologia ainda não permite ao computador, assim como ao telefone, exalar quaisquer coisas, muito menos o que eu procurava: Papel.

Faz parte do meu ritual de leitura. Desde pequena, sempre que um livro vem em minha direção, minhas glândulas olfativas despertam. Trago-o para junto do nariz e inalo o aroma, algumas vezes mofado, outras perfume. O mais inebriante, porém, é o de livro novo, que sou capaz de sentir a distância.

Por mais estranho que pareça, minha mente simulou por tempo muito curto esse cheiro no momento em que abri o pdf do rascunho da novela do Polipadre desta cabala, mãos tremendo e uma risada beem estranha que não consigo descrever.

EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam lida com temas que, apesar de tachados clichê (como qualquer tema que faça parte da vivência comum da sociedade), costumam ser mal explorados por literatura que não seja de divulgação científica: Amor e morte. Foi excelente a forma como a informação, ou aquilo que se chamaria “introdução teórica” num relatório, foi liberada ao leitor entre diálogos humanos, de forma sutil (que nem faz aquele troço que tem no banheiro do Pedrinho), agravando as características nerds que certos personagens possuem.

No entanto, o que mais me impressionou foi um capítulo que não trata do protagonista. Um capítulo que confesso ter pensado ser mal desenvolvido, por precariedade de informação e conhecimento pessoal do assunto. Dou a mão à palmatória agora.

Uma vez li um romance adolescente chamado “Poderosa”. A personagem não tinha nada de poderosa. O nome dela e das coadjuvantes poderiam estar no gerador de pobreza do Morróida. O enredo era bem pobrinho e ainda por cima, escrito por um homem que tentou descrever uma menina ansiosa pela primeira menstruação e sua respectiva menarca.

Que menina fica triste por ainda não ter tido a primeira menstruação? Depois que vêem uma amiga sofrendo, o que mais esperam é que demore bastante pra que possam ir à praia sossegadas e, quem sabe, crescer mais em altura, bunda e peito. Você não descobre que menstruou acidentalmente, quando vai fazer xixi! É diferente. Dói muito enquanto seu endométrio é cruelmente arrancado de você.

Quando vi o capítulo Sarah, de EQM, respirei fundo, pensando no que levara o Ibrahim a escrever algo tão trivial à história. A narrativa contrariou minhas baixíssimas expectativas e devo dizer que foi a melhor que eu já li, lembrando-me de mim, também no meio da aula de Matemática. Rendeu bons minutos de nostalgia.

Tudo que precisamos é AMOR. Título dessa postagem; trecho que descobri assistindo Girls Next Door ser duma música do Beatles; estampa de uma camiseta que eu comprei e ainda não usei; foco de EQM – Verdadeiras histórias de amor nunca terminam e, para os que acreditam, a salvação do mundo

Essa é a sua vida. Cada hora a mais é na verdade uma hora a menos. Horas essas que foram extremamente bem gastas por mim durante a leitura e espero que, em breve, por você também :)

Previsões para o ano 2008

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

A 10ª postagem do 1001 Gatos de Schrödinger escrita a quase um ano atrás foi “Previsões para 2007″, a fim de criar e ao mesmo tempo manter uma tradição de sintonizar a Glândula Pineal para prever 10 acontecimentos sobre os 366 dias (por que 2008 será bissexto).

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Elvis aos 92 anos finalmente morrerá.

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Teremos mais um escândalo envolvendo parlamentares e corrupção. Haverá passeatas, postagens iradas e até mesmo uma CPI, sigla para Comissão Parlamentar Inútil, mas como sempre em duas semanas outro assunto ocupará as manchetes. Antônio, dono da pizzaria que venceu a licitação para ser fornecedor exclusivo de pizzas terá a empresa entre as 100 mais do Brasil. Lembrando que cada parlamentar representa em média mais 8 funcionários. É muita pizza.

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O Corinthias Futebol Clube voltará à primeira divisão do Campeonato Brasileiro de Futebol, vulgo Brasileirão. Será um dia feliz para a maioria da população carcerária.

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Aparecerão dúzias de blogs falando de blogs. Eles se reproduzem tão rápido quanto o Estreptococo Tipo A (existem ainda 80 ramificações conhecidas). Provoca a fascite necrosante, doença onde ele penetra na célula e destrói os tecidos com uma enzima mortal na impressionante velocidade de 3 centímetros por hora (não parece muito se não estamos falando de seu traseiro) . Como a vítima pode morrer entre 24 e 48 horas recebe o nome de bactéria assassina. Ah, vocês devem conhecer como a “bactéria [sic] comedora de [sic] carne humana”. O efeito é o mesmo pois ninguém se preocupa em criar conteúdo que não seja relacionado a blog o que torna tudo tão monótono e lentamente exauri a originalidade e a criação. Blogs metalinguísticos paranóicos obsessivos com o tema são o Estreptococo Tipo A (existem mais de 80 deles) dos blogs e em 2008 isso não será diferente (PS: Sim nós temos uma seção falando sobre blogs, o 1001 blogs, talvez a bactéria tenha nos atingido, mas é apenas uma seção).

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Hugo Chávez rei presidente da Venezuela deixará de ser o vizinho chato e pé no saco para se tornar o vizinho Vogon com os dois pé no saco. Recado para Chávez: Cale-se!

Socialistas de plantão: Suas idéias são realmente ótimas no papel ms por que diabos sempre que alguém realmente quer colocá-las em prática tem que ser um maníaco egolatra e ditador? Escolham melhor com quem andam.

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Em 4 de Novembro de 2008, os americanos irão eleger o 44º presidente dos Estados Unidos. Al Gore não vai disputar deixando a disputa entre Obama e Hillary (Clintom, não Duff). Obama irá ir bem, mas Hillarry (Clinton, não Duff) deve levar e ser a primeira mulher como Chefe de Estado dos Estados Unidos. Na festa de posse tocará Fall Out Boy e Hillary (Duff, não Clinton).

O primeiro ato como presidente será trocar todas as estagiárias por estagiários.

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Segundo Futurama, mais especificamente o episódio “Space Pilot 3000″, será o ano em que serão criadas algo como “Cabines do Suicídio”. É como ir em um orelhão com a diferença de que você coloca a ficha ou o cartão para se matar. Muito útil para suicídio voluntário em sociedades super populosas. Tais facilidades aparecem também no animé Battle Angel Alita e no seriado Star Trek. Muitos escritores de ficção científica também o usaram incluindo Kurt Vonnegut.

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De acordo com a ONU, 2008 será o Ano Internacional do Planeta Terra e da Batata. Também entraram em domínio público as obras de H.P. Lovecraft (Sim, o Grande Cthulhu será de todos nós!) e J.M. Barrie (Peter Pan sairá finalmente do armário). Desde 1913 a Páscoa nunca aconteceu tão cedo como será em 2008: Em 23 de Março.

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Superbad ganhará alguns prêmios no MTV Movie Awards. Um deles será de melhor equipe e nos previews mostrará Fogell mostrando a identidade falsa com o “McLovin” (clássico instantâneo) e as declarações de amor entre Evan e Seth.

Há apenas mais 3 previsões para 2008 que são realmente do balacobaco: A primeira, infelizmente, eu não sei. A segunda eu esqueci e a terceira…Ah, essa é segredo.

NOTA PARA OS USUÁRIOS DE VIDA 2008 : Recomenda-se que realmente use-o. O aplicativo que todos querem obter o Fel.ici.dade vêem em caixas escrito “baterias não inclusas”. E mais importante, viva cada dia como se fosse o último pois mais cedo ou mais tarde você acabará acertando.

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Monólogo chato sobre educação

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Há problemas que estão bem na nossa frente e que passam despercebidos diante de assuntos sérios como quem foi o primeiro pentacampeão do campeonato brasileiro e quem é a mulher mais sexy do mundo. Hoje conversei na internet com um cara da minha idade, cursando o terceiro ano como eu, com poucas condições financeiras, que estuda num colégio a 200 metros do meu. A escola básica Victor Meirelles é uma escola pública localizada bem no centro de Itajaí.

Meu amigo trabalha com programação web há um tempinho e perguntei-lhe sobre seu futuro. A princípio ele disse que provavelmente reprovaria este ano por faltas (segundo ele, “ir à escola é ridículo, não se aprende nada de útil”). Depois puxei o assunto “faculdade” e falei como era o curso de ciência da computação…

[...]
Ele: Aí vale a pena fazer… Você sabe o preço?
Eu: Bem… Nas três que eu vou prestar é de graça.
Ele: DE GRAÇA? O.O
Eu: UNICAMP, USP e UFSC são universidades públicas e gratuitas.
Ele: Não sabia… Mas como se faz para conseguir vaga?
Eu: Vestibular. [...]

Neste momento eu parei um pouco, e até agora ainda estou em estado de choque. Todos os meus amigos e amigos dos meus pais perguntam e se preocupam com o meu vestibular. A minha escola coloca na cabeça de todos os seus estudantes que no final deste ano temos uma prova, todos não páram de estudar para isto. De repente me deparei com uma pessoa que daqui a menos de dois meses estará com ensino médio completo como eu e que não sabe nem que o vestibular existe! Que nem sabia que existiam universidades públicas!

Agora entendo porque quando fiz a prova do ENEM uma pessoa na minha sala perguntou no início do tempo de prova se as questões eram de somatória e porque eu via gente saindo da prova com exatamente sete linhas rabiscadas numa folha que deveria conter uma dissertação argumentativa. A situação do ensino público em nosso país é deplorável. E isso que nem todos chegam até o Ensino Médio…

E sabem o que é fantástico? Eu, e provavelmente você, somos privilegiados simplesmente porque nascemos numa família com condições. Éris jogou uma moeda de “cara ou coroa” e para o meu amigo caiu “cara” (a tapa) e pra mim caiu “coroa” (de ouro). Ele provavelmente não conseguirá nada na vida por causa de uma “força” aleatória! Porque YHVH quis.

E num dia vermelho como hoje (há dias que eu acordo mais socialista que o comum) eu lembro que essa gente da high society daqui ainda fala mal de Cuba (clique no link, vale a pena, e veja que o item 2 está achieved). Ao menos o povo cubano, mesmo sem luxo e sem “shampoo importado”, tem educação básica.

Bem… No fundo enxergar o problema é muito simples, o difícil é não ignorá-lo e conseguir solucioná-lo. Mas como? John Wood largou sua vida de empresário bem-sucedido para mudar a vida de milhares de crianças de países subdesenvolvidos. Li seu livro e pensei, pensei, pensei… E sabe a que conclusão cheguei? Que não dá pra mudar porcaria nenhuma sem dinheiro! Se John Wood não tivesse dinheiro para começar sua organização, para doar junto, para ter conhecidos ricos e para parecer um “homem sério”, ele não teria feito nem metade das centenas de escolas e bibliotecas que conseguiu construir.

E aí eu caio numa armadilha conceitual… Para erradicar a pobreza é preciso ter dinheiro. Veja: para acabar com a desigualdade financeira é preciso ser mais rico que os outros! Então devo estudar e trabalhar duro nos próximos anos, cobrar caro pela minha carga horária, participar da alta sociedade para ter contatos ricos… e depois de anos e de uma vida boa parar e “mudar o mundo” para evitar que existam pessoas como o eu do futuro contrastando com gente passando fome de comida e de conhecimento. É isso?

É utopia pensar que cada um vai fazer um pouquinho pra ajudar os outros e que assim o mundo inteiro vai ser melhor. John Lennon realmente é um sonhador se pensa que todos aceitam partilhar o mundo… isso nunca funcionou e nem vai funcionar. Não existem 1001 gatos dispostos a pegar firme, porque não sei nem se eu consigo pegar firme. Então, finalizando este artigo que a minha professora de redação não aprovaria por causa da falta de uma solução viável para o problema apresentado, deixo registrado apenas o meu descontentamento realista (e quase hipócrita) a respeito da situação ridícula da nossa educação básica. Porque afinal falar é muito mais fácil que fazer alguma coisa para resolver…

Por quê eu não dou esmolas

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Primeiro, mendicância é contravenção penal passível de cárcere. Ou seja, contribuir com uma moeda ou aquele “troco” que não lhe faz falta não é uma atitude apenas altruísta por mais bem intencionado que você esteja: mas também fomenta a perpetuação de uma atividade em si criminosa.

Na televisão, durante meu período longe da internet graças à morte de meu monitor, eu assisti em um desses programas de variedades sobre uma senhora de Goiânia, proprietária de casas sendo que loca duas delas, faz mendicância e ganha $ 150 por dia – Isso mesmo $ 4.500 por mês, nada mal.

Talvez ela tenha um bom rendimento por quê é uma senhora, sabemos que se fosse um sujeito barbado iriam recusar lhe dar esmolas por quê ele deve ser um bêbado, então digamos que ele tenha um rendimento de 50% do valor dessa senhora ($ 2.250). Não faço idéia de qual seja o custo de vida em Goiânia, mas aqui em Rio Claro eu conheço famílias de 5, 6 pessoas que vivem com algo na faixa de $500 e, mesmo aos trancos & barrancos, pagam aluguel, luz e água. O que se sobra se viram para comer. E ainda assim eles ganham apenas 22% mais ou menos do que um sujeito barbado hipotéticamente ganharia com mendicância no mesmo mês.

Isso nos leva diretamente aos seguintes cenários:

Com um montante desses, (1) seriam capazes de saírem da mendicância e (2) teriam endereço fixo e com certeza (3) teriam roupas melhores daquelas usadas em seu “teatro”, mas pelo menos em cidades pequenas, parece que o “elenco” de mendigos jamais muda, eles são até mesmo “personagens” do centro comercial, alguns todos sabem o nome. Talvez o “salário” de um mendigo do interior seja menor, mas se fosse 50% do que aquele barbado hipotético ele ainda ganha mais do que o dobro do que o tipo de família citada por mim. Resta ainda, explorar os prováveis motivos pelos quais (1),(2) e (3) não são atingidos: (a) o dinheiro pode ser todo gasto em drogas (álcool, cigarro e outras mais leves como crack e heroína), (b) a canalha, ou seja, preferem mamar nas tetasdo sistema do que serem agentes do mesmo, afinal há uma quantidade suficiente de pessoas de “bom coração” para serem exploradas e (c) estão engajados em um projeto pessoal de atingir $ 1.000.000 em esmolas, o que aquela senhora do ínicio conseguiria em 18 anos e meio ao contrário daquelas famílias que se deixassem de comer e pagar suas contas levariam míseros 166 anos.

Por isso eu não dou esmolas.

[tags]esmolas,mendicância, matemática,altruísmo[/tags]

Caixa Dois

domingo, 2 de setembro de 2007

Assisti semana passada ao filme brasileiro “Caixa Dois”, que é baseado numa peça teatral de Juca de Oliveira e recentemente foi lançado em DVD pela Globo Filmes. A sinopse, copiada da Wikipedia, é:

Luís Fernando é um banqueiro que, por meios escusos, recebeu uma grande quantia em dinheiro. Como o doleiro que ele geralmente utiliza para enviar dinheiro para a sua conta em Zurique está em coma, ele decide usar a secretária como “laranja”. Porém, o funcionário encarregado de executar o plano, e que levaria dois milhões de reais para fazer isso, se engana com o número da conta na hora de fazer o depósito. O dinheiro acaba caindo na conta da esposa de um funcionário honesto do banco, e que recém havia sido demitido. Quando a mulher se recusa a fazer o estorno, a vida de todos os envolvidos se complica.

O cinema brasileiro, como já afirmou a Caroline, é o melhor do mundo. As nossas piadas são as melhores (ninguém fica dando pum e ninguém espera que você ria de um pum), os nossos enredos são os melhores (combinam com a nossa realidade) e a qualidade de nossas fotografias e de nosso áudio está cada vez melhor.

Caixa Dois

“Caixa Dois” é uma comédia de apenas 90 minutos, dirigida por Bruno Barreto e onde estrelam Fluvio Stefanini, Giovana Antonelli, Zezé Polessa, Daniel Dantas, Thiago Fragoso e Cássio Gabus Mendes. Vale a pena assistir!

[tags]brasil, filmes, ficção, corrupção, política[/tags]

Nós somos o futuro da nação…

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Como diria o estripador, vamos por partes.

Parte 1 – O contexto
Como a maioria de vocês já deve saber, mas não custa lembrar, eu estudo no terceiro ano do ensino médio de uma escola de Itajaí. Estudo no Salesiano há 10 anos (desde a primeira série do primário), desenvolvo o site e organizo o Desafio Salesiano a nível estadual. Sou líder de sala, numa turma que é praticamente a mesma há mais de cinco anos (só entraram e saíram alunos novos).

Parte 2 – O álibi
Ontem eu viajei com a Carol e dois amigos (foi nessa viagem que discutimos sobre deus), faltei a aula e perdi (deixei de saber) o causo.

Parte 3 – A camisa de grupo
Minha turma na escola está fazendo uma camiseta de grupo. É normal por aqui, fazemos isso todo ano… Não conseguimos patrocínio desta vez e, por isso, cada um pagou R$ 20,00 para a sua camiseta. Quem estava guardando este dinheiro era um amigo de longa data, que até ontem conseguira R$ 660.

Parte 4 – O causo
Ontem meu amigo tinha R$ 660 reais na carteira, conferidos antes da hora do recreio (9:55). No final da aula, ele se deu conta de que sua carteira tinha sumido. Encontrou-a sem o dinheiro jogada no banheiro mais tarde.

Parte 5 – Trabalho investigativo
O primeiro pensamento possível é: Arsene Lupin roubou a carteira com todos olhando sem ninguém vê-lo. Mas agora vamos às evidências…

Notamos que nenhuma outra mochila foi mexida, o ladrão sabia exatamente o que ele queria, inclusive em que local da mochila a carteira estava, de onde concluí-se que foi um dos meus 32 colegas de classe. Alguém poderia ter entrado na sala durante a hora do recreio, mas as salas são trancadas, então só se fosse um professor (hipótese totalmente absurda no meu colégio) ou alguém que copiou uma chave (quem?). O grupo não desceu para mais nada depois do recreio. Se não foi no recreio, foi alguém que pegou a carteira sem ninguém ver, colocou no bolso e pediu pra ir no banheiro. Será?

Conclusão
Pedindo esmola por um dia cada um de nós consegue 20 reais. Não é pelo dinheiro, mas pelo fato de uma pessoa que estuda na mesma sala que você há tempo não ser confiável. Eu levo meu laptop para a escola todo santo dia, há 4 anos. Não faltaram oportunidades pra uma pessoa roubar, embora um laptop seja maior que uma carteira e seja muito difícil sair do colégio com ele. De qualquer maneira, criou-se um clima de medo de deixar qualquer coisa com valor numa mochila na sala de aula.

O coordenador pedagógico e uma equipe de professores está estudando o caso e acredito que eles vão conseguir resolver o caso, mas é triste pensar que não podemos confiar em nossos amigos.

Agora, tomem de assalto o estúdio da realidade e refaçam o universo.
Isso foi numa sala de um terceirão com cerca de 30 conhecidos (amigos) do colégio particular mais caro da minha cidade. Agora imagine isso a nível comunitário, municipal, estadual, federal e será simples compreender as mentiras, os furtos, os assaltos, a corrupção, a falta de esperança… É isso aí. Como dizem por aí e já dizia a Geração Coca-cola de Renato Russo, “nós somos o futuro da nação”.

[tags]crime, furto, carteira, nação, futuro, brasil, dinheiro[/tags]