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Um cientista em minha vida: Steven Pinker

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O Rainha de Copas está promovendo no dia de hoje o carnival, “Um cientista em minha vida”.

…e a idéia é que cada um escreva sobre um cientista que fez a diferença na sua vida, direta ou indiretamente. Pode ser aquele cara que propôs uma teoria interessante, divulgou uma idéia que você gostou, ou mesmo aquele anônimo que isolou o antibiótico que te salvou de uma pneumonia, ou que desenvolveu a técnica para a produção de insulina (se você for diabético), enfim, procurando bem deve haver vários cientistas que já fizeram a diferença na sua vida (você esquentou seu leite no microondas hoje?)…

Para participar vou falar de Steven Pinker.

E a wiki diz:

Steven Arthur Pinker (Montreal, 18 de setembro 1954) é um psicólogo e lingüista canadense da Universidade de Harvard e escritor de livros de divulgação científica. Durante 21 anos foi professor no Departamento do Cérebro e Ciências Cognitivas do Massachusetts Institute of Technology antes de regressar a Harvard em 2003. Pinker completou o bacharelado em Psicologia da Universidade McGill no ano 1976, e doutorado em Psicologia Experimental da Universidade de Harvard em 1979. Pinker escreve sobre a linguagem e as ciências cognitivas em vários níveis, desde artigos especializados até publicações de divulgação científica. Ele é mais bem conhecido pela sua pesquisa da aquisição da fala e pelo seu trabalho sobre as noções de desenvolvimento inato da linguagem avançadas por Noam Chomsky. No entanto, ao contrário de Chomsky, Pinker considera a linguagem como uma adaptação evolutiva.

O livro mais recente de Pinker Tábula rasa (The Blank Slate) esteve entre os finalistas para o Prêmio Pulitzer e The Aventis Prizes for Science Books. Em 2004, Pinker foi nomeado uma das 100 pessoas mais influentes da Revista Time.

Sempre cito Pinker, mesmo quando não há uma relação direta. Lendo seus livros aprendi tanto sobre a natureza humana e a linguagem que nasceu disso uma compreensão maior das pessoas ao meu redor, de mim mesmo e de todas as criações humanas. Lê-lo mudou minha vida. Algumas postagem em que o invoquei:

Moralidade (sobre ótimo artigo que o Mais! traduziu)

Top 5 Livros Essenciais (e Pinker é o primeiro)

DSC08966Creative Commons License crédito: David Boyle

Diminuição da Idade Penal

segunda-feira, 17 de março de 2008

Na conferência da juventude de Campinas foram colocadas duas monções para votação: Uma para demonstrar repúdio ao governador Serra. Não votei nele, pois não gostei de seu programa governamental. Mas não votei nessa monção pois a achei extremamente infeliz. Essa “personificação” de repúdio a uma pessoa quebra a minha regra de ouro pessoal de “ataque idéias e não pessoas”. É por essas e outras que a juventude é estigmatizada: Fazem ataques gratuitos ad hominem em um evento para discutir políticas públicas da juventude. A maioria lá tem direções esquerdistas, mas vamos lá, isso é uma democracia. Para ganhar sempre tem que se estar em uma ditadura, certo?

Outra monção foi de ir contra a diminuição da idade penal. Eu votei a favor. Mas isso foi um erro. Votei mais seguindo um membro de minha cidade que considero valoroso do que exercendo meu direito de escolha. Sei que isso foi erro, embora minha abstenção não fosse causar tanta diferença. Mas minha consciência está pesada agora e tento me redimir escrevendo por que eu sou a favor da diminuição penal.

Primeiro, o argumento da juventude a respeito. O argumento apresentado é que o governo deveria investir em educação, programas de emprego e capacitação para o jovem ao invés de mandá-los para a cadeia.

Há um claro erro nessa argumentação como pretendo demonstrar. Ele parte de um pressuposto do “ou”, que é cometido por aqueles contra o aborto. Muitos acham que a discriminalização do aborto iria acabar com a prevenção da gravidez. Eles pensam “ou usam camisinha ou abortam”. E como o aborto é agressivo e vai contra certos preceitos morais e religiosos, eles raciocinam de trás para frente e condenam a prática. O certo é que a discriminalização só permitiria sua prática como último recurso. Não se trata de “ou” e sim “e”. Os jovens acham que se a diminuição da idade penal se concretizar não se investirá mais em educação, capacitação. Estão no jogo do “ou”. Isso não é nenhum trade off.

E há uma falha cognitiva ao tentar entender o problema da criminalidade e a violência que percebo em quase 100% dos participantes: basicamente eles pensam que a sociedade é quem “cria” os criminosos. Que a ocasião faz o ladrão. Não quero tirar o peso disto claro, mas eles pensam intuitivamente nisso. Porém o cenário é um tanto quanto mais complexo. O ser humano é um animal violento, como um cientista social nota, bebês apenas não se matam pois eles não possuem armas letais, já que sua constituição não os permite matar outro. Recomendaria a leitura da minha bíblia, “Tábula Rasa” de Pinker para uma visão geral, mas publicarei algumas pílulas sobre o assunto:

“As mulheres são mais pobres que os homens e têm maior probabilidade de precisar de dinheiro para alimentar os filhos, mas têm probabilidade menor de roubar fazendo uso da força”.

“Quanto à discriminação e à pobreza, novamente é difícil mostrar uma relação direta de causa e efeito. Os imigrantes chineses na Califórnia no século XlX e os nipo-americanos na Segunda Guerra Mundial enfrentaram forte discriminação, porém não reagiram com altos índices de violência”.

“Os homens jovens e pobres nessas condições, portanto, têm probabilidade de arriscar a vida ou a integridade física para melhorar suas chances na corrida por status, riqueza e parceiras”.

“Embora existam muitas razões para que países difiram em sua disposição para guerrear, um fator é simplesmente a proporção da população composta de homens entre 15 e 29 anos de idade”.

E criminoso DEVE ser punido. Seja ele um sujeito de 21 anos ou o moleque de 16 anos que assassinou covardemente um amigo meu. É por isso que as políticas públicas de juventude são tão importantes. Ainda compartilho o sonho de Montesquieu de existir uma sociedade onde nenhuma cidadão tema o outro, mas sei que vou morrer sem ver isso acontecer.


Creative Commons License crédito: uchuujin

Madre Teresa, Bill Gates ou Norman Borlaug? Qual destes é mais admirável?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Nunca escondi minha admiração por Steven Pinker. Acredito que seu campo de estudo pode nos mostrar muito sobre nós mesmo. Ele é inclusive engajado neste campo do conhecimento sempre citando Tchékhov: “O homem se tornará melhor quando você lhe mostrar como ele é”.

No último domingo (10 de Fevereiro de 2008), o caderno Mais! da Folha publicou um artigo do autor que é uma espécie de rip off de um trecho de Tábula Rasa. Isso não é uma crítica, na verdade acho louvável a atitude de publicar o artigo. A pergunta que se configura como título desta postagem é retirado do mesmo, a seguir, o trecho de abertura:

Qual das seguintes pessoas é a mais admirável? Madre Teresa, Bill Gates ou Norman Borlaug? E qual é a menos admirável? Para a maioria das pessoas é uma pergunta fácil. Madre Teresa, famosa por socorrer os pobres em Calcutá, foi beatificada pelo Vaticano, recebeu o Prêmio Nobel da Paz e se classificou em uma pesquisa americana como a pessoa mais admirável do século 20.

Bill Gates, infame por nos dar o clipe de papel dançante da Microsoft e a tela azul da morte, foi decapitado simbolicamente em websites “Eu Odeio Gates” e atingido com uma torta no rosto. Quando a Norman Borlaug…quem é ele?

Mas um exame mais profundo poderá levá-lo a reavaliar suas respostas. Borlaug, pai da “Revolução Verde”, que usou a ciência agrícola para reduzir a fome mundial, recebeu o crédito por salvar 1 bilhão de vidas, mais do que qualquer outra pessoa na história.

Gates ao decidir o que fazer com sua fortuna, calculou bem e decidiu que podia aliviar mais sofrimento combatendo pragas comuns no mundo em desenvolvimento, como malária, diarréia e parasitas.

Madre Tereza por sua vez, enalteceu a virtude do sofrimento e dirigiu suas bem financiadas missões apropriadamente: seus doentes recebiam muitas orações, mas condições exíguas, poucos analgésicos e tratamentos médicos perigosamente primitivos.

Pinker demonstra através de um longo texto como explicar nossa percepção moral. Grande parte se deve à imagem e à fama dos envolvidos. Clique aqui para ler na íntegra.. Acredito que vale a leitura e levanta boas considerações. O que acham?