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Traumas de Natal

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Esta postagem é inspirada em uma ótima postagem que vocês podem encontrar lá no Anderssauro. Demorei um pouco para responder, mas ainda é tempo.

Primeiro eu tenho que dizer uma ou duas coisas: De certa forma, para mim, Natal é sinônimo de Trauma. Vou colocar algumas memórias aleatórias aqui. Talvez poderão parecer leves mas tiveram um grande impacto emocional em mim. Tanto que faz 4 anos que eu não vou a mais NENHUMA reunião de família. E este ano eu vou manter minha palavra.

Este não é relacionado com a minha família, mas vá lá, é trauma de qualquer forma. Eu tinha um melhor amigo, que na verdade era melhor amigA. É claro que eu era “secretamente” apaixonado por ela. Como qualquer garoto na face dessa Terra que é amigo de uma garota. E eu tinha meus “amigos da rua”: Alan, meu vizinho. E Tiago, um primo meu que morava do lado. Pouco antes do Natal não sei como apareceu Playboy por lá (Sheyla Carvalho). Eu, confesso, sou muito puritano. Tenho até vergonha de dizer isso. Mas eu viro a cara quando me mostram fotos assim. É automático. Assim como eu tampo o rosto com a almofada quando o “clima esquenta” em novelas & filmes. Mas confesso também que, sim, eu vi as fotos. Mas, a Palyboy não poderia ficar na casa de ninguém por que se a mãe de alguém descobrisse, sei lá, só tinham medo. Como eu tinha centenas de revistas (SuperInteressantes, coleção completa da “Dinossauros” que vinha o esqueleto para montar, e várias outras), eles disseram que se colocasse no meio delas, jamais seria descoberto. Eu, por via das dúvidas coloquei entre alguns desenhos da minha pasta de Educação Artística. Na véspera do Natal eu fui na casa da minha amiga para ela ver uma história que eu havia criado. Sim, ela descobriu. Sim, os pais dela estavam na casa. Não, eu nunca tive nada com ela. Não, a mãe dela não gosta de mim.

Essa é uma coleção de pequenos traumas. Primeiro, eu fui em uma ceia na casa de uns parentes de um tio meu de outra cidade. Não conhecia 70% das pessoas no lugar. A mulher me dá um “prato genérico” com garfo e faca. Por prato genérico eu digo tudo o que ela estava colocando para os outros. Fatos: Eu não como com garfo e faca, apenas colher. Não como peru, chester, tender ou galinha. Não como farofa com miúdos de animais. Nem arroz colorido. Eu disse: “Esse arroz está doce” para a minha mãe, do lado da mulher que preparou.

Depois, um garoto começou a dançar. Eu viro para o meu primo e digo: “Na minha escola, se vissem ele dançando, diriam que ele é bichinha”. Meu primo conta na primeira oportunidade para o pai do garoto que me olha ameaçadoramente e diz: “Aqui não é a sua escola!”. Eu ainda tenho pesadelos em que um monstro que apresenta várias formas como um búfalo gigante, ou um com corpo de morsa, com a cabeça de um leão marinho. Em outras possui o corpo de uma gaivota com a cabeça de um suricate. Ou a cabeça de um macaco, com os chifres de uma rena, com o corpo de um porco espinho que grita enquanto me persegue: “Aqui não é a sua escola!” no idioma de Cthulhu.

Com certeza há mais. Há muito mais. Ainda bem que o cérebro bloqueia memórias ruins. Todo ano eu me consolo dizendo: “Esse é o pior natal de sua vida, ATÉ AGORA”.