Últimas Palavras

Na postagem sobre ateus serem mais inteligentes que crentes vivo recebendo reações.

Vamos pegar os dados da última pesquisa Datafolha sobre o assunto: 1% dos brasileiros são ateus e 97% são crentes (crêem em alguma divindade). Quando a pesquisa diz que ateus em média são mais inteligentes que crentes isso não significa que haja um número absoluto de ateus mais inteligentes que crentes. Apenas que a porcentagem é maior nos ateus. Mas mesmo que fosse 99% contra 40% dos crentes, o número seria muitas vezes maior. Aí aqueles que não entendem, ficam todos bravos e entendem que estamos chamando eles de “burros”. Note que o conceito de intetligentes utilizado é apenas possuir o QI acima da média, não significa que os crentes sejam em hipótese alguma burros.

Mas é normal receber nos comentários críticas e críticas de crentes que sentem-se ofendidos. Na maior parte das vezes é apenas reacionismo. O que eu não suporto é me vir com argumentos fracos e que não se sustentam a um exame mais detalhado.

O último me veio com as “últimas palavras” de famosos ateus, que [sic] comprovariam a (?) existência de deus (grande argumento, hã?). Olhe um exemplo:

NIETZSCHE: “Se realmente existe um Deus vivo, sou o mais miserável dos homens.” (Nietzsche graças a uma sífilis ou outra doença que atingiu o cérebro ficou mais de 10 anos na cama, como pode levar a sério as palavras do pobre em situação tão crítica. Segundo, mais parece sarcasmo para mim do que uma afirmação)

HOBBES, um filósofo inglês: “Estou diante de um terrível salto nas trevas.” Não, ele não disse isso. Cheque suas fontes. O que ele disse exatamente foi: “Estou prestes a fazer minha última viagem, um grande salto no escuro” . A diferença entre uma tradução precisa e uma meia boca é apenas o sentido da frase. Hobbes era agnóstico e não ateu.

VOLTAIRE, o famoso zombador, teve um fim terrível. Sua enfermeira disse: “Por todo o dinheiro da Europa, não quero mais ver um incrédulo morrer!” Durante toda a noite ele gritou por perdão. Voltaire foi um grande crítico da Igreja (não confunda com o conceito de deus), ele mesmo foi um grande defensor da existência do “deus natural”. Ele mesmo escreveu: “Não sou cristão, mas não o sou apenas para poder amar tanto mais a deus”. Definição estranha de incrédulo.

Usa para justificar o uso das palavras dos mortos o seguinte: “Aldous Huxley escreve no prefácio do seu livro ‘Admirável Mundo Novo’, que se deveria avaliar todas as coisas como se estivessem sendo vistas do leito de morte”, o que significa na verdade, avaliar tudo como se fosse os últimos momentos, ou seja Memento Mori.

As últimas palavras de uma pessoa são as menos confiáveis. A mente, sofrendo com a dor, a perda de oxigênio e a falência dos orgãos, já não raciocina perfeitamente. Quando eu tinha 16 anos eu vi isso acontecer com o meu pai. Seus olhos giraram e ele balbuciou palavras desconexas. ?Ele está em órbita? me disse o médico. Sabe o que isso significa? Que a primeira coisa lhes vem à cabeça, sinapses errantes.Cita Churchill (ele era maçon e para sê-lo, deve-se acreditar em uma força criadora do universo) e Voltaire como se fossem ateus demonstrando total falta de conhecimento.

Palavras de mortos não valem nada pois são irracionais, o último suspiro de um cérebro que já perdeu a coerência. Engraçado como atacam tudo o que os ateus escrevem ou disseram mas não pensam duas vezes antes de usar suas palavras no seu momento de maior fraqueza.

Eu mesmo sou agnóstico. Até o momento os melhores argumentos, as melhores provas me foram dadas pelos ateus, pela ciência. Desculpe destruir esses argumentos, mas é que eu não consigo aceitá-los. Eu imploro que me dêem argumentos infalíveis, mas ninguém me dá nenhum.

[tags]julgando godot, últimas palavras, fascinação pela morte[/tags]

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2 comentários para “Últimas Palavras”

  1. [...] Postagem indicada>> ÿltimas Palavras [...]

  2. sérgio campos disse:

    Caro amigo agnóstico, à procura de argumentos infalíveis:
    1) Noto que se preocupa muito em ler e procurar argumentos infalíveis que contradigam o teu agnosticismo. Tal qual como fazem os ateus. Exemplo: José Saramago, premio nobel, ateu, ocupa-se muito em falar sobre Deus e Bíblia. Uma denotação clara que tal assunto lhe incomoda e ocupa-lhe mente e coração.
    2) Se estás contente como agnóstico, assim continue. Agora, se buscas argumentos infalíveis ao contrário, é prova que estás em crise.
    3) Se decides continuar a procurar, sugiro ler cientistas, sociólogos, e filósofos teístas. Estes também fazem ciência.
    4) Pimenta: -Seria sensato firmar-se na ciência humana vigente nos anos 50? Adotaria um tratado de biologia daquela época? Se não, como adotar os conceitos científicos de hoje daqui dez anos? Glupt.
    5) Por fim, este assunto de agnóstico ou não, é questão pessoal, e não de religião, escolaridade, ou status economico.
    6) Ante o infinito real à nossa frente, os humanos têm duas reações: -soberba ou reconhecimento.
    Grande abraço.
    Sérgio Campos

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