Vamos salvar o mundo das cáries!

Você acorda inquieto, sentindo-se a pior das criaturas. O mundo está derretendo, o sertanejos estão morrendo com a seca no Nordeste e a Rússia acabou de fazer o maior desfile bélico desde sei-lá-quando: A culpa é toda sua. Hora de tomar uma atitude. JÁ!

Passo um: vestir-se para mudar o mundo. Você não tem nenhum uniforme do Flash, antão enfia a primeira coisa que vê pela frente (como faz todo dia, aliás) e vai até a cozinha. O segundo passo é “despertar o tigre que existe em você”, pois não é possível construir casas para os desabrigados do furacão em Miamar sem a “energia que dá força”. Após se alimentar, você pega a mochila e sai desvairado, montado em sua bicicleta amarela, cheia de fitinhas coloridas amarradas ao guidão.

Ai! Você sente uma cãimbra na panturrilha esquerda. Quem mandou não se alongar? Se ao menos você tivesse uma fonte de potássio… Caído no asfalto, tudo o que consegue é gemer, tamanha a dor. Então um carro para a menos de um palmo do seu nariz, você sequer havia visto que ele se aproximava. Olhando atentamente a placa, você percebe que a conhece. Nisso, sua mãe surge - ela estava voltando do supermercado e dá graças a Deus por ser ela a lhe encontrar, ao mesmo tempo em que o arrasta para dentro do veículo pelas orelhas e repete o quão irresponsável você é.

De volta à segurança do lar, você está deitado no sofá e mal consegue lembrar por que saíra de casa mais cedo. Na TV, o menininho do comercial grita: “Vamos salvar o mundo das cáries!” com tamanho afinco que, de súbito, lá está você, de volta na bicicleta, empunhando a pasta de dentes.

Da cozinha, sua mãe, que está fritando bifes, resmunga: “Êta moleque idiota!”.

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Comments

?????
Putz!

Ok, concordo que muleques metidos a herói ativista, que no fundo só querem algo pra protestar, são mesmo um saco. ( A propósito, isso te lembra alguem barbudo? :D )
Mas, enfim, também não quer dizer que devamos nos conformar com tudo, creio que todos tem algo a fazer pra tornar o mundo melhor.

Não seria melhor ter algo em quê acreditar e defender até os dentes (com o perdão da piada)? Claro que a piada aí é o “rebelde sem causa”, mas veja, se alguém estaria disposto a se empenhar indiferente da causa, não seria ele um “rebelde sem causa” mas desde que fizesse direito, uma pessoa a se contar?

Eu sou meio assim. Acho.

Na verdade, não acusei os ‘rebeldes sem causa’ nem os ‘descrentes’. Deixo livre a interpreração ;D

O grande problema de salvar o mundo, ou de resolver os problemas do país, é que todos nós falamos, mas poucos realmente agem. Neste desabafo do Morróida, ele fala da nova CPMF. Mas e o resto? Quem realmente se anima para protestar contra tantas coisas erradas que vemos todos os dias? Quem se anima a escrever cobrando atitudes do político em quem votou?
Subir na nossa bicicleta para salvar o mundo pode ser ridículo. Mas é mais do que o que sempre fazemos…

HAEHaeheahaeheaheAhE texto interessante ^^

Genial!

Malditos nordestinos que me fazem sentir mal quando eu acordo

Leiam “O que é esclarecimento?” do Kant e “O que é a crítica?” do Foucault.
Falam sobre a postura que temos frente às inúmeras situações do dia a dia em que simplesmente fazemos o que nos é imposto sem colocar ali a nossa opinião, quando temos uma portura passiva sem uma reflexão acerca das tarefas que estamos desempenhando.
Mudar de atitude nesse sentido seria mudar o mundo (para melhor, espero). Não precisamos de um impulso súbito de rebeldia “anos 80″ nem de uma bicicleta amarela para isso. Precisamos somente de uma postura crítica (ou esclarecida) em tudo o que fazemos. Talvez muitas das grandes revoluções tenham se iniciado a partir de pequenos gestos “à la” bicicleta amarela. Francamente não sei, mas com certeza fazer algo mais racional e, digamos, ao nosso alcance é ainda a melhor opção. Como diria Nietzsche (não com essas palavras): “Salvar um homem é salvar o mundo”. Precisamos ter uma visão ampla do mundo. Meu professor utilizou uma história para ilustrar isso. Resumidamente: dois amigos no carro, passa uma mulher não tão atraente com aliança no dedo. O que está ao volante assovia e comenta com o outro, de modo que a mulher escute: “Rapaz! Que mulher!”. Ela se vira e abre um belo sorriso. O amigo recrimina o outro: “A mulher é casada, cara! Tá louco? Além disso é feia pra caramba!”. Ouvindo isso, o motorista ri e diz: “Eu sei. Também tenho namorada. Mas se a mulher for uma professora, garanto que os alunos dela terão um ótimo dia!”. Claro que é um exemplo besta que pode ser aplicado a inúmeras situações que viriam a complementar a idéia da crítica e do esclarecimento (que, para quem ler os textos, são quaaase a mesma coisa).

Não sei se fui claro e, para falar a verdade, to com muita pressa. Tenho ensaio da bateria agora (essa informação sim mudou a vida de vocês!).

Mas, de verdade, leiam os textos. São relativamente curtos - pelo menos pelo que estou acostumado - e muito enriquecedores.

Até mais.

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