Você têm interpretado bem o seu papel?
Quem é você? Fica realmente complicado tentar responder essa pergunta sem recorrer a algum koan budista ou ? sua biografia. Você é seu cérebro? Ou temos uma alma imortal? Se você é seu cérebro imagine isso: Eu pegue um de seus neurônios e o troque por um chip de computador que é capaz de emular perfeitamente tudo o que ele faz. Sem problemas, certo? E se eu trocar mais um neurônio por um chip? E depois outro e outro até ter tirado todos seus neurônios e deixado apenas chips, o que me diz? Se você possui uma alma imortal como anti-depressivos afetam a sua alma? Como um acidente ocorrido com Phineas Gage foi capaz de alterar para sempre seu comportamento?
Voltando ao quem é você. o melhor que você pode é dizer alguns adjetivos, falar sobre seu humor e aparência. Quando eu ouço isso eu não tenho motivos nenhum para acreditar em qualquer palavra do que você disse. O auto-engano é talvez a mais bem distribuída das características humanas. Onde estou querendo chegar é que somos, quer queiramos ou não, personagens.
Você vai a um filme, a uma peça, lê um conto ou um livro. E você ama alguns personagens. Queria ter eles como amigos. Ou pelo contrário, os detesta. Ou os acha fracos, idiotas. Você os julga. Eu já reclamei muito de como as coisas sempre davam errado para mim. Para que tentar ter algum tipo de controle de minha vida quando ela parece tomar todas as decisões sozinhas? Eu estava descontente com meu papel no mundo.Eu me sentia literalmente um coadjuvante.
Resolvi então me atirar ao desconhecido. E tomar no braço o protagonismo de minha vida e resolvi melhorar os “pontos fortes” de meu personagem. As mudanças foram automáticas e meu círculo de amizades aumentou sensívelmente. Tudo porque eu assumi que era um personagem. Todos são.
E você? Têm interpretado bem o seu papel?
[tags]interpretação,ARG,personagem[/tags]
If you enjoyed this post, please consider to leave a comment or subscribe to the feed and get future articles delivered to your feed reader.
Comments
Ah, sim. O cara que me escreveu me fez blasé e preguiçoso. Vou levando bem, obrigado.
E, pô, bom feriado.
Uma coisa interessante no teatro grego, eram o uso das personas, máscaras que cobriam o rosto dos atores e apresentavam expressões de alegria, tristeza, medo, raiva, bastante caricatas. O termo personagem deriva delas.
Segundo li em algum lugar, a idéia das personas era ocultar o rosto dos atores, não por estes serem incapazes de fingir a expressão, mas para tornar a personagem “impessoal”, permitindo que o expectador identificasse a si mesmo ali no palco.
Vale lembrar que o teatro grego foi, em muitos aspectos, precursor da psicologia freudiana.
Creio que o texto deste post é bem oportuno. Mesmo que o “ator por trás da máscara” seja diferente de seu personagem (e aqui, acho que só caberiam os Koans), é a máscara que é mostrada. Ao mundo e a nós mesmos. Então, vamos interpretar nosso papel o melhor possível.
ÿ que.. não existe bem um “eu”. Somos o resultado da interação com aquilo que nos cerca. Vamos dançando conforme a música (como odeio essa expressão) e nos moldando ao que achamos ser a realidade.
Podemos falar como estamos, mas não o que somos. Ou, de acordo com o seu post, que personagem estamos interpretando.
Um professor me disse certa vez que a tradução mais correta do “To be or not to be: that’s the question” seria “estar e não ser eis a questão”. Achei muito interessante e bem mais coerente. Procurei pela internet algo que o respaldasse mas não encontrei. Mas é interessante perceber o quanto uma máscara nos faz encarar as coisas de forma diferente, talvez, mais destemida. Quando uso um óculos de sol costumo olhar a coisas que eu normalmente não tenho coragem (não sei se esse é o termo mais certo). Já assisti a umas aulas de teatro e o simples colocar de nariz de palhaço facilita e muito a criação de uma personagem. Acho que esse lance de máscara é algo como a pena do Dumbo ![]()

Meu personagem anda um pouco contraditório e parece que minha história está ficando com alguns erros de continuação. A culpa não é do ator, mas do roteirista e do diretor. Já contratei novos produtores, então aguarde a décima-sétima temporada: meu personagem estará melhor interpretado que nunca.